sexta-feira, 23 de março de 2012

Marco Polo e as Ciddes e os Resíduos, em Cidades Invisíveis.

Em meados do livro "As Cidades Invisíveis", de Ítalo Calvino, que se aventura em desenvolver narrativas ficticias de cidades fictícias do império de Kublain Khan, o viajante Maco Pólo em determinado momento já pelos meados do livro é questionado pelo imperador sobre o sentido de narrar coisas em detrimento de outras. É um momento tenso em que o que se discute é a legitimidade dos relatos e sua relevância dada a percepção diferente da que talvez Khan desejasse.


Eis então que o imperador chega a dizer para Pólo que as cidades narradas por ele não existem. De fato, cidades narradas serão sempre diferentes das reais, o que acaba tornando tais cidades inexistentes. Mas, não é isso a que o imperador se refere, e sim a ótica de Pólo que dá destaque a essência das cidades por meio de seus símbolos, nomes, trocas, etc, pois é Pólo sabedor de que cidades narradas são diferentes das reais e assim inexistente, além de outros motivos compreende que a melhor maneira de registrar as cidades era através de buscar sua essência, suas relações.

O Khan diz a Pólo que seu império apodrece como um cadáver no pântano, que contagia corvos e aduba bambus. Era relatos sobre coisas como essas que Khan queria saber. Eis que Marco pólo responde então:

"-Sim, o império está doente e, o que é pior, procura habituar-se às suas doenças. O propósito das minhas explorações é o
seguinte: perscrutando os vestígios de felicidade que ainda se entrevêem, posso medir o grau de penúria. Para descobrir quanta escuridão existe em torno, é preciso concentrar o olhar nas luzes fracas e distantes. (Pág.57 de "Cidades Invisíveis", de Ítalo Calvino)

Depois disso Khan vai falar que seu império é feito da matéria de cristais agregando suas moléculas a um desenho perfeito, e pergunta a Pólo porquê suas impressões de viagem se detêm em aparências ilusórias e não colhem esse processo irredutível.
Marco Pólo então justifica dentro de seu ponto de vista como justamente o essencial para entender cidades:

-"Ao passo que mediante o seu gesto as cidades erguem muralhas perfeitas, eu recolho as cinzas das outras cidades possíveis que desaparecem para ceder-lhe o lugar e que agora não poderão ser nem reconstruídas nem recordadas. Somente conhecendo o resíduo da infelicidade que nenhuma pedra preciosa conseguirá ressarcir é que se pode computar o número exato de quilates que o diamante final deve conter, para não exceder o cálculo do projeto inicial." (Pág.58 de "Cidades Invisíveis", de Ítalo Calvino)

Banda Exodus, Galhos Secos (PARA NOOOOOSSA ALEGRIIIA)

A música eternizada "Para Nossa Alegria" é originalmente da Banda Exodus. Segue aí para quem quiser matar a curiosidade Parraaaa Nosssa Alegriaaa.


Jorge Tonnera Jr.

terça-feira, 20 de março de 2012

Cristãos e o Código Florestal


Dada a situação em que nós vivemos imersos a uma realidade confusa e absurda em que os cristãos brasileiros tem vivido diante de determinadas coisas resolvi escrever.
Faltando apenas alguns meses da Rio +20, evento em que o Rio de Janeiro abrigará delegações de todas as partes do mundo para tratar das questões de meio ambiente 20 anos depois da Rio (ECO)92, quando por ocasião da participação de diversos setores da sociedade civil, incluindo aí os religiosos, poderemos nós cristãos participar com nosso testemunho enquanto primícias da nova criação do Deus vivo. No entanto mesmo diante dessa oportunidade que temos, a bancada "evangélica" busca troca de favores com a bancada ruralista para derrotar o governo quanto a questão da bebida alcóolica da Copa do Mundo. Para que isso ocorra a contra-parte desse favor será a bancada "evangélica" votar a favor da abertura do Código Florestal para que os ruralistas façam o que queiram. É bem possível que se esses evangélicos votarem em massa a favor das mudanças ruralistas dentro do Código Florestal a derrota para a proteção das florestas será quase certa.
Por tudo isso não podemos fechar os olhos diante de um segmento que não nos representa politicamente muito menos religiosamente, que nos constrange e é irrelevante perante a sociedade como um todo, que muitas vezes não passa de departamento burocrático de interesses privados e lucrativos de "igrejas-empresas".
Não se trata de polarizar uma questão tão complexa quanto a do Código Florestal, mas a arbitrariedade e levianismo da dita cuja bancada foge a ética em troca de favores. Essa é a diferença entre políticas públicas e politicagens privadas...
Nojo, muito nojo!!!!! Se eu homem miserável que sou, cheio de pecado, senti um grande nojo, fico imaginando o Senhor Jesus vomitando por causa desses vendilhões. É a lentilha de Jacó na mesa de Esaú!
Temos vivido um tempo de empoderamento religioso que tem criado richas e disputas que afugentam o evangelho daqueles que mais precisam. A cada semana surge uma denúncia quanto aos evangélicos. Está na hora de mexermos as coisas. Nós que cremos no evangelho por inteiro e não um evangelho fragmentado, de prosperidades irrealistas.
Se nós somos a boa notícia do Reino do Cristo vivo de fato o que vamos apresentar de bom para essa nação que sofre injustiças sociais?
A bancada ruralista há bastante tempo têm insinuado que o Código Florestal tem sido impraticável, e acusado de atrasar o país e prejudicar o homem do campo, mas isso não passa de inverdades. Pois que estão usando o Código para carapuça. Estão criando essas visões, mas na realidade o problema é que os mesmos não querem a Reforma Agrágria. Desta maneira querem que acreditemos que o problema da produção de alimentos e dos pequenos agricultores é o Código Florestal, que aliás protege o pequeno agricultor, e esquecemos que precisamos de uma Reforma Agrária. Leiam o artigo que escrevi aqui: "Código Florestal e a agrofloresta, um conceito contra uma Retórica de Sesmarias".  
 
Por conta disso o que podemos fazer? Um envio de uma carta aberta a sociedade, a um jornal ou ao próprio senado? Uma manifestação ? Uma caminhada? Sou favorável as duas últimas opções, mas quantas forem possíveis também. No entanto tenho certeza que sozinho serei irrisório. Na verdade não saberia como reagir sozinho. No entanto na fé e na esperança de que que com 2 ou 3 pessoas Jesus estará e que nós somos uma comunidade, nós somos a comunidade na terra da vontade do céu. Somos o candeeiro que não pode ser aceso embaixo da cama, nem deixado ao vento da janela que leva a cortina a pegar fogo e destruir a casa, sei e creio que poderemos ter atos dignos do verdadeiro evangelho do Reino, o qual os anjos gostariam de proclamar, mas que a nós pertence tão grandiosa missão.
Esses que querem agir como candeeiro embaixo da cama e na janela a destituir e fragmentar a vida querem tacar fogo na casa. E nós? Onde estaremos?! Vamos todos nos juntar e num ato profético em favor da causa socioambiental bater palmas como as árvores de Isaías 55:12: "Pois com alegria saireis, e em paz sereis guiados; os montes e os outeiros romperão em cânticos diante de vós, e todas as árvores de campo baterão palmas".
Bem interessante o fato do texto de Isaías nos falar até de montes quando o Código Florestal procura proteger encostas e cumes de morros...
  Se calármos as pedras clamarão. Ou melhor, já estão gritando...Chegou a hora de cantármos junto com as árvores a entrada do Messias, a grande Árvore da Vida, nesse planeta que geme e aguarda a manifestação dos Filhos de Deus ( Romanos 8: 19 a 22 ).
 
Pelo que foi pendurado num madeiro de uma árvore a derramar seu sangue por nós,
Jorge Tonnera Jr
Biólogo Educador Ambiental, especialista em Gestão Ambiental
Segue abaixo a notícia:

Sábado, 17 de março de 2012

Evangélicos buscam ruralistas para derrotar governo
Contrários à venda de bebidas alcoólicas nos estádios, deputados evangélicos buscam apoio de ruralistas para tentar impor derrotas ao governo no Congresso.

A reportagem é de Maria Clara Cabral e Simone Iglesias e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 17-03-2012.
A ideia é que as duas bancadas, que têm mais de 170 deputados, votem unidas nos principais projetos em discussão na Câmara: Lei Geral da Copa e Código Florestal.
A pedido dos evangélicos, os dois grupos tentarão derrubar o artigo que libera explicitamente a venda de bebidas nas arenas durante a Copa de 2014.
Em acordo firmado com a Fifa em 2007, o país se comprometeu a liberar as cervejas nos jogos.
Em contrapartida, os evangélicos apoiariam os ruralistas e votariam a favor do relatório de Paulo Piau (PMDB-MG) do Código Florestal.
O texto desagrada o governo por ter suprimido trecho que previa o bloqueio do crédito para quem não aderir a programas de regularização ambiental em cinco anos.
"Vamos nos unir para o bem do país", disse o deputado João Campos (PSDB-GO), líder da bancada evangélica no Congresso.
A estratégia de juntar forças foi traçada por Campos e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), também evangélico, e levada para Moreira Mendes (PSD-RO), líder ruralista. O deputado diz que a ideia será discutida por sua bancada na próxima segunda-feira.
Além dos dois grupos, outros deputados insatisfeitos na base ameaçam votar contra o governo nesses pontos. Preocupado, o Planalto estuda adiar as votações.
Com a aliança entre as bancadas, a maioria governista não é suficiente para aprovar os projetos com folga.
Se o acordo for concretizado, não será a primeira vez que a bancada evangélica cria problemas para a presidente Dilma Rousseff. Para tentar acalmá-los, Marcelo Crivella (PRB) foi indicado para o Ministério da Pesca.
Evangélicos também causam embaraço ao ameaçar usar o chamado "kit gay" - material anti-homofobia encomendado pelo Ministério da Educação- contra o ex-ministro Fernando Haddad, pré-candidato do PT em SP.
Criticam ainda os ministros Eleonora Menicucci (Políticas para Mulheres), que se posicionou a favor do aborto, e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), que defendeu uma disputa "ideológica" contra a hegemonia evangélica.

quarta-feira, 14 de março de 2012

"Help is on the Way" - Rise Against (A ajuda está a caminho)

Se não me falha a memória foi através desse vídeoclipe que acabei conhecendo a excelente banda Rise Against. Sua videografia é bem interessante, além das músicas fortes. 



A Ajuda Está a Caminho

Eu tenho os sonhos da minha mãe
Eu tenho os olhos do meu pai
Você não pode tirar isso de mim
Vá em frente e tente
A cidade crescente dorme
Enquanto gigantes no céu
Preparam-se para soltarem
Libertarem um grito poderoso
Ninguém pode nos salvar?
Alguém irá tentar?
O afluente está queimando
O cipreste morreu
E o tempo todo digo que

"A ajuda está a caminho"
(Eles disseram, eles disseram)
"A ajuda está a caminho"
(Eles disseram, eles disseram)
Um pela terra, dois pelo mar
Bem ali, na minha frente
A ajuda está a caminho

Cinco mil pés abaixo
Como a fumaça negra engole o céu
O fundo do mar explode
Onze mães choram
Meus ossos ressoal
Uma canção de ninar flamejante
Você não pode tirar isso de mim
Vá em frente e tente
Ela fica na margem
Com as mãos para o céu
Suas palavras perfuram a noite negra
"Alguém se importa?"
E o tempo todo eles dizem

"A ajuda está a caminho"
(Eles disseram, eles disseram)
"A ajuda está a caminho"
(Eles disseram, eles disseram)
Um pela terra, dois pelo mar
Bem ali, na minha frente
A ajuda está a caminho

BEM AQUI! BEM AQUI!
BEM AQUI! BEM AQUI!
BEM AQUI! BEM AQUI!

Engasgando com ouro negro
O qual nós contamos
Mantemos machados nos sótãos
Para ver as câmeras no céu

"A ajuda está a caminho"
(Eles disseram, eles disseram)
"A ajuda está a caminho"
(Eles disseram, eles disseram)
Nos disseram para aguentar firme
Porque em breve, alguém vai chegar
A ajuda está a caminho

Mas ela nunca veio
Nunca veio

"A ajuda está a caminho"
(Eles disseram, eles disseram)
"A ajuda está a caminho"
(Eles disseram, eles disseram)
Um pela terra, dois pelo mar
Bem ali, na minha frente
A ajuda está a caminho

A caminho

domingo, 11 de março de 2012

A ciclista morreu na contramão, atrapalhando o tráfego

03.03.2012 - 10:20


Mais uma ciclista morreu atropelada em São Paulo. Novamente por um ônibus, novamente na via que é o símbolo do progresso, novamente gerando um protesto de pessoas que defendem que a cidade pertença a todos. E, novamente, criando indignação pelo congestionamento que tudo isso trouxe.
Ao ler as manifestações nas redes sociais, senti aquela vergonha básica de ser paulistano que me acomete semanalmente. Muitos já compraram seu ingresso para o show do Chico Buarque, mas não entendem o que ele diz. Talvez se compreendessem o que significa “Morreu na contramão, atrapalhando o tráfego”, passariam ao largo do músico.
Quem protesta de verdade, tentando mudar as coisas, é taxado de vagabundo, louco, imbecil, retrógrado, egoísta. Por quê? Porque seres civilizados nunca parariam o trânsito. Manifestação bonita é aquela asséptica que nasce e morre na internet e não ganha as ruas. Para estes manifestantes de butique, reclamar tem limites. A partir daí, vira arruaça. Ou pior, subversão.
Coletei exemplos disso ao longo do tempo. Alguns já postei aqui. Como a conversa de duas senhoras em um avião:
- Você viu que morreu uma daquelas sem-terra na rodovia dia desses. Atropelada.
- Também, estava andando no meio da estrada, fazendo protesto. Atrapalhando o trânsito.

Em outro protesto que juntou sindicatos, movimentos populares e estudantis, organizações da sociedade civil. Mais de quatro mil pessoas, de acordo com a polícia, na mesma Paulista:
- Cambada de vagabundos! Vagabundos!
Perguntei o motivo do taxista gritar contra a multidão.
- Porque eles estão atrapalhando o tráfego. Por que não vão arranjar um emprego?
Colocar a democracia em prática em um país como o Brasil é perigoso. Além de poder morrer atropelado, ser xingado e considerado um inútil, você ainda pode ser desalojado e tratado como um marginal.
Tempos atrás, moradores de uma favela próxima ao Real Parque, zona Sul de São Paulo, fecharam as pistas da Marginal Pinheiros para protestar contra a derrubada de suas casas. Seus barracos estavam em um terreno público e a prefeitura resolveu removê-los antes de finalizar negociações. Houve bombas de gás, surras de cacetetes, enfim, aquela corja tinha que entender o seu lugar. Na TV, a repórter bonita fazia cara de reprovação por conta do trânsito que surgiu na Marginal.
“Ah, mas o congestionamento afetou a vida de mais gente, por isso é a notícia mais importante.” O conceito de relevância jornalística se perde em justificativas como essa, desumanizando a situação. Os dois fatos são notícia. Milhões de pessoas conseguiriam se reconhecer nessas histórias se elas fossem retratadas corretamente. E reconhecendo-se, encontrariam no outro, distante, um companheiro para mobilização.
O tráfego, sempre ele, que reina soberano em uma cidade que quer funcionar como um relógio suíço, sem se atrasar. Protestos agendados, marcados, pequenos, ordenados com começo, meio e fim, protestos que não mudam nada, só expiam culpa, são o desejo de muitos paulistanos, cada vez mais embutidos no sistema. Não conseguem perceber que manifestações que fogem disso, que rompem a lógica, é que são reais e têm poder de mudança.
Nós precisamos nos sentir donos da cidade em que vivemos e inverter as prioridades. Às vezes, entender que chegar um pouco mais tarde no compromisso pode significar muito para aqueles que estão batalhando por seus direitos. E que, muitas vezes, você também será o beneficiário da luta deles. Infelizmente, acreditamos que somos ocupantes provisórios. Caso tivéssemos essa necessária sensação de pertencimento, participaríamos realmente da vida da metrópole e das decisões dos seus rumos. Iríamos todos para a rua.
Investir de verdade em transporte público em detrimento ao individual? Com essa quantidade de carros sendo desovada das fábricas em nome do desenvolvimento? Para quê? Para quem?
Mas, afinal, tudo o que estou falando é um grande besteira. A cidade não pertence às pessoas. São Paulo é dos carros. E, em nome deles, matamos e morremos, homenageando através de corpos estendidos no chão nossa insanidade coletiva.
FONTE:
 
 
Meu comentário:
Pior é que é a própria população, ou seja, os oprimidos é quem oprimem os que estão reivindicando algo de bom... eu senti isso de perto quando da bicicletada nacional aqui no RJ contra as mortes dos ciclistas por atropelamento. Mas é aquilo, né. Protesto pra essa gente é fazer pombinha e coraçãozinho com as mãos. Bem higienizadinho. Quem precisa de Herodes quando se é o próprio Poncio Pilatos?
 
 

A oração das nossas necessidades e o consumismo

"Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;
Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; O pão nosso de cada dia nos dá hoje; E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; E não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém." (Mateus 6:9-13)

Todos conhecem a famosa oração do "Pai nosso", usualmente entoada aos domingos, ou em momentos específicos, em igrejas ou em casas. Até quem não é cristão ao menos reconhece algum trecho dessa oração. O que poucos sabem é que ela é a oração das nossas necessidades. Para entender isso devemos também compreender o fato de que Jesus quando está no Sermão do Monte e entoando posteriormente a oração ele está a nos ensinar e incitar os seus seguidores a se comunicarem diretamente com o Pai através do diálogo ele deixa claro um nível de relacionamento íntimo e conhecedor. Há uma conexão, um paralelismo entre essa oração e o sermão do monte. Nessa oração Jesus dá a conhecer Deus e o homem. Jesus deixa claro que o homem é necessitado, tão logo ele se referiu antes no sermão do Monte aos pobres de espírito. E deixa claro que Deus é a maior das necessidades, a necessidade das necessidades humanas. Assim Jesus nos ensina a direcionarmos nossas necessidades ao único que pode nos suprir.
Partindo do pressuposto de que sendo Deus o criador, ele pode nos conformar a nossa realidade com a realidade da vida. Une-se assim a realidade do indivíduo, do próximo, do coletivo/mundo/todo e a de Deus.

Encontramos na oração do "Pai nosso" as principais necessidades humanas. Ele cita o pão como referência básica a manutenção física do indivíduo (alimentação em todos os dias para atender as nossas necessidades biológicas e prazer). Cita também dentro da oração do "Pai nosso" o perdão, enquanto necessário para a mobilidade da vida no sentido de continuidade de relacionamentos. É a necessidade de ter e de dar a "segunda chance", de ter nova chance, haja vista que todos somos falhos, erramos o alvo, não temos a possibilidade de enchergármos completamente todas as realidades, assim sendo somos devedores. Ou seja, temos uma necessidade sociológica, eu diria. Continuando o Mestre cita a resistência , a não ultrapassármos o limite da vida referindo-se a não cair nas tentações. Isso se refere a necessidade psicológica. Isso tudo naturalmente permite o sujeito e o coletivo a ter saúde.  Tem-se aí uma verdadeira ecologia ao entrelaçar os vários níveis de relacionamentos intraespecificos e interespecíficos.


O grande problema é quando pegamos essas necessidades e damos lugar a outras. Substituimos o pão nosso de cada dia pela falsa necessidade de ter muitas vezes bens materiais os quais apenas queremos, mas não precisamos. Não que seja errado termos bens materiais, uma vez eles nos beneficie corretamente, mas fato é que por vezes deixamos de dar atenção as verdadeiras necessidades nossas e do próximo e passamos a dar atenção a coisas desnecessárias. Substituimos a prosperidade por predação, perdão por competição (contra nós e o outro). Muitas vezes isso ocorre por estármos carentes. Carência é algo que está faltando. Carência pode nos encher de coisas...para ocupar o lugar do que está faltando pode nos encher de bens, comida, de atenção, de inveja, de ciúmes e outras coisas. É muito comum ouvirmos que uma pessoa carente de amor come muito, isso ocorre também com os ansiosos, da mesma forma às vezes tais pessoas fumam, se embebedam passando dos limites. Substituimos afeto por alimento, bebida, consumo de bens, sexo, ou qualquer outra coisa que possamos acreditar que suprirá nossa demanda afetiva, e quanto menos afeto mais consumo dessas coisas. Sim, pois passamos a sermos consumidores. Nosso psico às vezes não perdoa e nos leva a cair em tentação e entramos num ciclo de pecado, um ciclo de desprazer, afinal nada disso satisfaz. Desregulamos a matéria e a energia, desregulamos nossos relacionamentos e assim os sistemas econômico, social, ambietal e corporal...No entanto a carência não é um fator determinante. Vejamos o caso de Adão e Eva. Eles não tinham carência.


O fruto do conhecimento do bem e do mal não eram necessidades de Adão e Eva, mas eles o tomaram como tal. Toda vez que fazemos isso tal como eles cometemos o erro do consumismo. Que é ter o que não precisamos.


O Reino de Deus é satisfação, completude. O "reino do eu" é insatisfação, incompletude que tenta se preencher com tudo, tudo o que é nada em si mesmo. Vaidade de vaidades...como diria o Eclesiastes.


Sim! A tentação é a não satisfação. Não satisfação em primeiro lugar de ser quem é (imagem e semelhança de Deus), não satisfação em ter o que se tem, e o não contentamento do por vir ou do não vir a ter.

A tentação é deixarmos de reconhecer nossas reais necessidades e deixar que coisas acessórias se tornam nossas demandas, ou seja, falsas necessidades. É o desejo de ser detentor de meios que nos levem a acreditarmos que somos independentes. Não podemos confundir autonomia com independência... Esse é um erro comum e grave.

Mantermos a mente acima da tentação é um desafio. E acima de tudo isso se cumpre através de amor. Não há o que debater com a falsa necessidade, ou seja, com a tentação. Se fizermos isso vamos acabar achando um caminho, uma desculpa para cairmos na falsa necessidade, na nossa cobiça específica. O "Eu" contra o amor.



O Reino de Deus em nós, que é a vontade plena do Senhor (assim na terra como no céu) nos dá a saber o sentimento de necessidade e dependência de Deus, a saber o que de fato é necessário e que o ponto de satisfação está em amar, expresso em Jesus, e que o Reino não é comida nem bebida, mas paz e justiça e alegria no Espírito Santo." (Romanos 14 : 17). Por isso Jesus diz: "venha o teu Reino", e noutra vez clama: "buscai primeiro o Reino". Essa é a maior demanda e necessidade, pois maior necessidade do que Deus não há.

Ao sermos aceitos em Deus passamos a ter necessidades maiores do que o "eu". Agora sentimos a necessidade de que o próximo tenha paz, e justiça, e alegria no Espírito da vida. Sentimos necessidade de nos doar, pois temos amor de sobra, temos recursos mais que outros a medida que vemos que o nada termos já é muito para quem tem o Deus que satisfaz com a sua paz e o amor. Deus pode suprir-nos o que está em falta, mas sobretudo de amar mais. Deixar de lado o reininho do "Eu" e buscar mais o Reino de Deus é um passo. E se você errar, pois a própria oração confirma que erramos e por isso precisamos de perdoar para ter perdão, não se esqueça que temos um Pai que sabe das nossas necessidades, e que se sua necessidade é realmente acertar ele te dará ajuda necessária para tanto. Como diz Paulo: "O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus" Filipenses 4.19.


Vamos orar? Leia a oração do Pai Nosso e basei-se nela para orar assim como eu fiz abaixo.

"Pai da gente, Santo. Santo é tudo o que é teu, pois Tu és Santo. Assim sendo venha tua vontade plena em nós. Que a começar de um se espalhe para a comunidade. Me ajude a ser esse um vazio que se torna cheio quando somos um contigo, para assim eu ser um com o outro, e assim não olhar somente para minhas necessidades. Perdoa as nossas ofensas, somos devedores uns aos outros , pois não amamos o quanto deveríamos ou até mesmo poderíamos. Não nos deixe buscar satisfação em falsas necessidades, não nos deixe cairmos nesse erro. Da-nos a saber o que tu estás fazendo para completarmos o que estamos fazendo aqui. Nos lembre que somos tua imagem e semelhança. Teu é o Reino e nós os cidadãos, Teu é o poder e nós as ferramentas, Tua é a glória e o nós o espelho dela, sempre. Amém"!!!
 
Jorge Tonnera jr

quinta-feira, 8 de março de 2012

O anúncio da Ressurreição de Jesus, um assunto de mulheres?

Esse texto copiado da fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/507261-o-anuncio-da-ressurreicao-de-jesus-um-assunto-de-mulheres merece ser reproduzido com fidelidade e muito carinho. A mulher tem um papel muito rico na história bíblico, muito embora a presença masculina seja mais nítida e recorrente. Nada disso se trata de concorrer um com o outro, mas cada ser possui uma participação diferenciada. Eu como admirador da mulher em sua capacidade e força bem como da sua estética sei que elas tiveram grande honra e mérito de anunciar além do fato de ser a portadora do ventre santo do Verbo encarnado ao mundo físico também pôde declarar primeiro: O MESTRE RESSUCITOU. ELE ESTÁ VIVO!


O anúncio da Ressurreição de Jesus, um assunto de mulheres?
O Comité de la Jupe (Comitê da Saia), que quer promover um lugar justo para as mulheres na Igreja católica, sugere às paróquias o enriquecimento da liturgia da Páscoa através da redescoberta de um rito antigo, aquele da visita de mulheres ao túmulo na madrugada da Páscoa. Uma maneira de recordar a grande contribuição das mulheres para o anúncio da ressurreição.

A reportagem é de Jean Mercier e publicada no sítio da revista francesa La Vie, 06-03-2012. A tradução é do Cepat.

“E se este ano as mulheres anunciassem a Ressurreição?” O Comité de la Jupe, criado em 2008 para promover um lugar justo das mulheres na Igreja católica, propõe enriquecer a liturgia do Tríduo Pascal através da redescoberta de um rito antigo, aquele da visita ao túmulo na madrugada da manhã da Páscoa. A proposta consiste em convidar as mulheres para se aproximarem do altar no seio da liturgia da Páscoa, a fim de anunciar as frases que, no Evangelho, anunciam a Ressurreição: “a morte foi derrotada, o crucificado ressuscitou!”.

Para o Comitê fundado por
Anne Soupa e Christine Pédotti, trata-se de renovar com a visitatio sepulchri, uma prática medieval em outros tempos abandonada, que consiste em reproduzir os atos e as palavras das “santas mulheres” que foram ao túmulo e que foram as primeiras testemunhas da ressurreição de Cristo...

A cena é representada em muitos ícones ortodoxos, a partir do tema das mulheres “myrrhophores”, que foram até ele para levar pomadas para o embalsamento do corpo de Jesus, e que se encontram com um anjo que lhes anuncia que Cristo ressuscitou. Este rito, que se propagou a partir do século X na Europa, tinha dado origem a “encenações de natureza teatral”, às vezes, resultando em desvios, de sorte que o Concílio de Trento acabou com esta prática.

O Comité da la Jupe quer reintroduzir o rito de maneira mais simples a partir de um intercâmbio falado de grande sobriedade, pedindo um gesto que “não precisa de nenhuma competência específica. Bastam três paroquianas”. O Comitê advertiu contra qualquer “adorno teatral”, e salienta “que é fundamental não tentar construir um espetáculo de tipo narrativo, que pode ser motivo de distração”. Propõe utilizar o espaço litúrgico e centrar o rito sobre o altar, que representa o túmulo de Cristo. Os panos do altar simbolizam os panos que envolveram o corpo de Jesus.

O Comitê sugere que esse rito aconteça na manhã da Páscoa, uma vez que a Vigília do Sábado Santo já é bastante carregada. Esta iniciativa é, segundo o Comitê, “um gesto concreto” para reconhecer “o justo lugar” das mulheres na Igreja. O Comitê lança esta iniciativa em conjunto com a Ação Católica das Mulheres, parceira nesta festa da Páscoa de 2012. O dominicano André Gouzes se associa a esta renovação: “Alegro-me com o fato de que um dos rituais mais antigos da liturgia pascal esteja ganhando vida novamente e que valoriza a parte das mulheres na ação ritual da proclamação da Páscoa. Ao mostrar as riquezas infinitas da nossa liturgia cristã, a partir das suas fontes, pode fazer surgir novidades”.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Jejum de Carbono

Muito interessante quando a igreja é capaz de tornar visível o reino do Cristo. Uma prática tão usual nas igrejas chamado jejum e também dentre os judeus esse comportamento de abrir um espaço do dia ou da semana para deixar de se alimentar cujo significado tem implicações de parar a rotina da necessidade material para olhármos a necessidades outras além de ter um benefício para a saúde contra o câncer, segundo pesquisa recente, quando observado em sua essência podemos usá-lo também dentro de outras realidades. Incentivando a diminuição das emissões de carbono a Tearfund incentiva os cristãos a tornarem o jejum alimentar também para algumas coisas como por exemplo deixar de usar o carro em algum tempo. Taí uma dica. que tal ir de bike?

+ Jejum de carbono

Dos dias 22 de fevereiro a 07 de abril (nos 40 dias que antecedem a Páscoa) a Tearfund Internacional promove o Jejum de Carbono. A campanha consiste em oração e ações diárias que contribuem para a redução da emissão de carbono. Acesse os recursos disponíveis para o Jejum de Carbono (em inglês).

Nós não somos dinamarqueses, Por Denis Russo Burgierman

Nós não somos dinamarqueses

Em 1962, Copenhague, a capital dinamarquesa, foi tomada por uma polêmica. Estava nos jornais:
“Nós não somos italianos”, dizia uma manchete.
“Usar espaços públicos é contrário à mentalidade escandinava”, explicava outra.
O motivo da polêmica:
Um jovem arquiteto chamado Jan Gehl, que tinha conseguido um emprego na prefeitura meses antes, estava colocando suas manguinhas de fora. Gehl, que tinha 26 anos e era recém casado com uma psicóloga, vivia ouvindo dela a seguinte pergunta: “por que vocês arquitetos não se preocupam com as pessoas?”. Gehl resolveu preocupar-se. E teve uma ideia.
Havia em Copenhague uma rua central, no meio da cidade, cheia de casas imponentes e de comércios importantes. Era uma rua que tinha sido o centro da vida na cidade desde que Copenhague surgiu, no século 11 – a rua viva, onde as pessoas se encontravam, onde conversavam, onde os negócios começavam, os casais se conheciam, as crianças brincavam, a vida pública acontecia. Nos anos 1950, os carros chegaram e aos poucos essa rua foi virando um lugar barulhento, fumacento e perigoso. As pessoas já não iam mais lá. Trechos inteiros tinham sido convertidos em lúgrubes estacionamentos.
Pois bem. Aquele jovem arquiteto tinha um plano: fechar a rua para carros.
Copenhague não aceitou facilmente a novidade. Os comerciantes se revoltaram, alegaram que os clientes não conseguiriam chegar. São dessa época as manchetes de jornal citadas no começo do texto. O que os jornais diziam fazia algum sentido: Copenhague não é no Mediterrâneo. Lá faz frio de congelar – o mês de dezembro inteiro oferece um total de 42 horas de luz solar. Ninguém quer andar de bicicleta, ninguém quer caminhar. Deixe meu carro em paz.
Mas o jovem arquiteto ganhou a disputa. Nascia o Strøget, o calçadão de pedestres no meio da cidade que hoje é a maior atração turística de Copenhague. As pessoas adoraram a rua para pedestres desde que ela foi fundada. Na verdade, o comércio da região acabou lucrando muitíssimo mais, porque a área ganhou vida e gente passou a caminhar por lá a todo momento. É até lotado demais hoje em dia.
O arquiteto Gehl caiu nas graças da cidade e continuou colaborando com a prefeitura. Suas ideias foram se aprimorando. Ele descobriu que o ideal não é segregar pedestres de ciclistas de motoristas: é melhor misturá-los. Alguns de seus projetos mais interessantes são ruas mistas, nas quais os motoristas sentem-se vigiados e dirigem com um cuidado monstro. Outra sacada: que essa história de construir ruas para diminuir o trânsito é balela. Quanto mais rua se constrói, mais trânsito aparece. Quanto mais ciclovia, mais gente abandona o carro.
Em grande medida graças às ideias de Gehl, Copenhague é a grande cidade europeia com menos congestionamentos. 36% dos deslocamentos são feitos de bicicleta, mesmo com o clima horrível de lá, e a população tem baixos índices de obesidade e doença cardíaca.

“Copenhaguizar” virou um verbo: significa tornar uma cidade mais agradável à maneira de Copenhague. Jan Gehl abriu um escritório de arquitetura cuja filosofia é “primeiro vem a vida, depois vêm os espaços, depois vêm os prédios”. Ele passou a ser contratado por várias cidades australianas interessadas em “copenhaguização”. Seus projetos revolucionaram Sidney, Perth e Melbourne, tornando seus centros mais divertidos, cheios de cafés, arte e vida, reduzindo carros, atraindo gente para fora de casa. De uns tempos para cá, Gehl, que hoje tem 74 anos, passou a ser procurado pela “big league” das cidades: Londres e Nova York o contrataram como consultor para transformar seus espaços urbanos. Ambas têm feito muito desde então.
Enquanto isso, aqui na minha cidade, se alguém fala em melhorar o espaço público, logo ouve:
“Nós não somos dinamarqueses. Usar espaços públicos é contrário à mentalidade brasileira.”
50 anos atrasado.
Outra frase que se ouve muito aqui:
“Brasileiro adora carro.”
Adora nada, meu filho, presta atenção. Isso é propaganda de posto de gasolina!
Por Denis Russo Burgierman

fonte: http://veja.abril.com.br/blog/denis-russo/cidade/nos-nao-somos-dinamarqueses/

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Crônica sobre o Carnaval e a Páscoa.

No Egito, quando do cativeiro dos hebreus Deus chamou o povo oprimido para ser liberto, chamou um gago para levar essa turma e rumar ao deserto para prestar culto ali, mas o político governante do Egito(faraó) não queria. Logo depois de um tempo ele teve que aceitar, mas ele condicionou depois que os hebreus fizessem um culto, uma festa, um baile no deserto,  voltassem para o Egito. Alguma semelhança com o Carnaval?? hã? hã? A diferença é que o gago pobre e oprimido peitou o político mandatário que se achava deus, e como deus de droga nenhuma esse político se ferrou. O povo acompanhou o gago que era guiado por Deus e foram libertados. Essa história , esse "carnaval" é lembrado até hoje com o nome de ... Páscoa, porque Deus mandou que os hebreus a cada ano fizessem uma festa lembrando dessa libertação. Que interessante...depois do nosso carnaval o feriado mais próximo é... a Páscoa (semana santa). A escola de samba passará rumando ao fim da avenida com vários egos indo em direção ao nada que ao final dessa festa voltará ao ciclo de opressão da rotina do dia a dia.

Já os hebreus ao final do seu desfile, teve sua apoteose verdadeira pois se viram livres do Egito.

Mas, acima de tudo, devemos entender que a liberdade verdadeira não é condicionada a opressão do outro sobre nós. Só é livre, de fato, aquele que é capaz de amar. Foi isso o que o Cristo veio fazer, veio fazer uma nova Páscoa, um novo "carnaval".
Libertar a todos quantos cressem no amor. Mudar o conceito de liberdade. Ele fez seu "carnaval" mobilizando um bloco de 12 maltrapilhos iletrados (o melhorzinho era o tal Iscariotes) e contestou o sistema vigente através do amor. Desfilou por cidades não levantando seu ego, nem chegando por cima ou querendo se aparecer e ser exaltado, mas atraindo as pessoas para si por meio da verdade e do amor da sua fé, respondendo a necessidade dessas, foi recebido como rei no "desfile" a Jerusalém e morto poucos dias depois porque acabou com o "jogo do bicho" dos cambistas do templo.
Os "bicheiros" como eram cumpadres dos sacerdotes e políticos caguetaram e os sacerdotes/políticos, que aliás peidavam de medo desse "Agitador subversivo" e tinham inveja dele levou-o a julgamento. Fizeram um showmício e levaram o povo a escolher crucificá-lo. O "Rei Momo" da parada falou: "Eu lavo minhas mãos". Mas morto, ao terceiro dia o "Agitador subversivo" ressucitou dentre os mortos, e os 12 iletrados levaram a mensagem do Amor para tantos lugares qnanto possível.

Nossa...to meio carnavalesco esses últimos dias.


Naquele que fez festa no céu quando eu cri e o aceitei,


Jorge Tonnera Jr.

O que a Igreja poderia aprender com o Carnaval?

Por
Hermes C. Fernandes

Seria lícito tomar o desfile do Carnaval como analogia de nossa caminhada cristã? Certamente, a maioria dirá que não. Afinal de contas, o Carnaval é a festa pagã por excelência, onde, além de toda promiscuidade, entidades pagãs são homenageadas.

Eu poderia gastar muitas linhas tecendo críticas justas a esta festa em que tantas famílias são desfeitas, e inúmeras vidas destruídas. Porém hoje, quero pegar a contramão.

Por que será que os cristãos sempre enfatizam os aspectos ruins de qualquer manifestação cultural?

Se vivêssemos nos tempos primitivos da igreja cristã, como reagiríamos ao fato de Paulo tomar as Olimpíadas como analogia da trajetória cristã neste mundo?

Ora, os jogos olímpicos celebravam os deuses do Olimpo. Portanto, era uma festa idólatra. Os atletas competiam nus. Sem contar as orgias que se seguiam às competições. Sinceramente, não saberia dizer qual seria pior, as Olimpíadas ou o Carnaval.

Porém Paulo soube enxergar alguma beleza por trás daquela manifestação cultural. A disposição dos atletas, além do seu preparo e empenho, foram destacados pelo apóstolo como virtudes a serem cultivadas pelos seguidores de Cristo.

E quanto ao Carnaval? Haveria nele alguma beleza, alguma virtude que pudesse ser destacada do meio de tanta licenciosidade? Acredito que sim.

Embora jamais tenha participado, talvez por ter nascido em berço evangélico tradicional, posso enxergar alguma ordem no meio do caos carnavalesco.

Destaco a criatividade dos foliões, principalmente dos carnavalescos na composição das fantasias, dos carros alegóricos, do samba-enredo. Eles buscam a perfeição. Diz-se que o desfile do ano seguinte começa a ser preparado quando termina o Carnaval. É, de fato, um trabalho árduo que demanda muito empenho.

Se houvesse por parte de muitos cristãos uma parcela da dedicação encontrada nos barracões de Escolas de Samba, faríamos um trabalho muito mais elaborado para Deus. Buscaríamos a excelência, em vez de nos contentar com tanta mediocridade.

O desfile começa com a concentração. É ali que é dado o grito de guerra da Escola, seguido pelo aquecimento dos tamborins.

A concentração equivale à congregação. Nosso lugar de culto (comumente chamado de “templo” ou “igreja”) é onde nos concentramos e aquecemos nosso espírito. Porém, a obra acontece lá fora, “na avenida” do mundo.

Gosto quando Paulo fala que somos conduzidos por Cristo em Seu desfile triunfal. O apóstolo compara a marcha cristã pelo mundo às paradas triunfais promovidas pelo império romano. Era um espetáculo cruento, no qual os presos eram expostos publicamente, acorrentados arrastados pelas ruas da cidade. Era assim que Roma exibia sua supremacia, e impunha seu poder. Paulo toma emprestada a figura deste majestoso e horroroso evento para afirmar que Cristo está nos exibindo ao Mundo como aqueles que foram conquistados por Seu amor.

Muitos cristãos acreditam ingenuamente que a guerra se dá na concentração. Por isso, a igreja atual é tão em-si-mesmada, isto é, voltada para dentro de si. Ela passou a ser um fim em si mesmo.

A avenida nos espera!

À frente vai a comissão de frente, seguida pelo carro alegórico abre-alas. Compete aos componentes dessa comissão a primeira impressão.

A comissão de frente da igreja de Cristo é formada pelos que nos precederam, que abriram caminho para as novas gerações. Não podemos permitir que caiam no esquecimento. Também são os missionários, que deixam sua pátria para abrir caminho em outros rincões. Grande é sua responsabilidade, e alto é o preço que se dispõem a pagar para que o Evangelho de Cristo chegue à populações ainda não alcançadas. Paulo fazia parte da comissão de frente da igreja primitiva. Chegamos a esta conclusão quando lemos o que escreveu aos coríntios: “Para anunciar o evangelho nos lugares que estão além de vós, e não em campo de outrem” (2 Co.10:16). Ele preferia pescar em alto mar, e não aquário dos outros.

A Escola de Samba é dividida em alas, cada uma com fantasias e carro alegórico próprios. Porém, o samba-enredo é o mesmo. O que é cantado lá na frente, é sincronicamente cantado na última ala da Escola. A voz do puxador do samba, bem como a batida harmoniosa da bateria, ecoando por toda a avenida, garantem esta sincronia. Não pode haver espaços vazios entre as alas. Há harmonia até nas cores das fantasias. Ninguém entra na avenida vestido como quiser. Imagine se as variadas denominações que compõem o Corpo Místico de Cristo se relacionassem da mesma maneira, respeitando cada uma o espaço da outra, porém dentro de uma evolução harmoniosa. No meio do desfile encontramos o casal de porta-bandeira. Eles exibem orgulhosamente o pavilhão da Escola. Seus gestos e passos são cuidadosamente combinados, para que a bandeira receba as honras devidas.

É triste verificar o quanto a bandeira do Evangelho tem sido chacoalhada, pois os que a deveriam ostentar, são os primeiros a desonrá-la com seu mal testemunho.

Os cristãos primitivos se dispunham a pagar com a própria vida para que seu testemunho de fé fosse validado e o nome de Cristo fosse honrado.

Ao término do desfile chega o momento da dispersão. É hora de partir, levando a certeza de que todos deram o melhor de si. Alguns saem machucados, com os pés sangrando, com as forças exauridas. Mas todos saem alegres, esperançosos de que sua escola seja a campeã. Aprenderam a sublimar a dor enquanto desfilam. Ignoram o cansaço. Vencem os limites do seu corpo. Tudo pela alegria de ver sua escola se sagrando campeã. Mas no fim, chega a hora de tirar a fantasia, descer dos carros alegóricos, cuidar das feridas nos pés. Mesmo assim, ninguém reclama.

Todos estamos a caminho do fim do desfile. O momento da dispersão está chegando, quando deixaremos este corpo, nossa fantasia, e seremos saudados pela Eternidade. Que diremos nesta hora? Não haverá novos desfiles. Terá chegado o fim de nossa trajetória? Não! Será apenas o começo de uma nova fase existencial. Deixaremos nossas fantasias, para nos revestirmos de novas vestes celestiais. Falaremos como Paulo em sua carta de despedida a Timóteo:

“...o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” (2 Tm.4:6b-8).

Aproveitemos os instantes em que estamos na avenida desta vida, celebremos a verdadeira alegria, infelizmente ainda desconhecida por muitos foliões, e que não terminará em cinzas.

Hermes Fernandes é um dos mentores da Santa Subversão Reinista no Genizah
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Prece do Proibido

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Encontro de árabes e israelenses




Por Vera Haddad


“Vi meu pai ser levado pelos israelenses na porta de casa, durante o período do toque de recolher imposto por Israel, porque ele estava na rua naquele dia. Eu assistia pela televisão àquela revolta toda, mas quando aconteceu com minha família foi terrível. Após alguns dias, ele foi solto”, contou uma cristã palestina que vive na Cisjordânia. A jovem participou pela primeira vez no ano passado de um encontro do projeto Musalaha, apoiado pela Portas Abertas Internacional. A tradução dessa palavra árabe é justamente o que aquela jovem precisava: perdão e reconciliação.


Tímida, de voz suave e tranquila, Najla compartilhou como foi a experiência de ter participado do encontro entre cristãos palestinos e judeus messiânicos no deserto, durante o retiro organizado pelo Musalaha. Para ela, esse encontro não é um retiro comum. Quando se vive em uma área de conflito e disputa, onde uma parte do povo tem seus direitos de ir e vir controlados, é natural o ódio e a raiva falarem mais alto. Daí a extrema importância do Musalaha na vida dos cristãos.


Já Ahmar, um palestino falante fã de futebol brasileiro, compartilhou que a pior parte para ele foi dormir na mesma tenda de seu “inimigo”, referindo-se ao sentimento que teve ao estar lado a lado com um judeu. “Eu não conseguia dormir, ficava pensando em tudo o que meu povo sofre e foi muito difícil. Outra dificuldade, é estar montado no camelo e um israelense ir puxando o animal. Estamos nas montanhas e qualquer direção errada que o animal tomar, rolamos precipício abaixo. E é a partir daí que desenvolvemos a confiança um no outro e percebemos que dependemos da outra pessoa. Precisamos da ajuda dela”, completa o jovem.


Tudo isso é proposital. Durante esse encontro no deserto, em uma área neutra, as atividades são pensadas para desenvolver o relacionamento, convívio e confiança entre aqueles cristãos que, além de Jesus, têm em comum o sofrimento e o medo. O objetivo do Musalaha é reconciliar cristãos palestinos e judeus messiânicos e estender esse sentimento a outros não convertidos.

DESAFIO


Centenas de milhares de pessoas que vivem em Israel e na Palestina enfrentam desafios diários, independente de sua crença religiosa. A história daquela região desperta curiosidade e indignação, com o agravante da falta de informação e incompreensão real dos motivos que impulsionam o conflito emblemáticos entre israelenses e palestinos. Em meio a tudo isso, a Igreja de Cristo sofre em ambos os lados. Esse sofrimento não tem referência somente com a iminência de ataques e bombas. As disputas e invasões que acompanham a vida daquelas pessoas muitas vezes encontram um outro agravante: quando árabes e judeus se convertem, precisam exercitar aquilo que é o resumo do evangelho: o amor.


Começa então outro tipo de guerra: a guerra interna entre a “carne e o espírito”. A velha natureza parece impulsionar o ódio contra um povo que matou parentes, amigos ou invadiu implacavelmente áreas e residências. Os cristãos que vivem lá muitas vezes são tratados em uma área que, para a Igreja livre, não é necessariamente a primeira a ser tratada: o perdão. São ensinados a perdoar seus inimigos, a amá-los e a orar por eles e com eles. Difícil para nós? Imagine para eles. Na contramão do que estão acostumados, é preciso reconciliação.

Este ano, o Musalaha promoveu o encontro com 34 jovens estudantes no deserto. Mais uma vez, judeus messiânicos e cristãos palestinos enfrentaram a superação pessoal, em busca do real significado da palavra Musalaha. O mesmo significado do que Jesus resume em seu ministério: o perdão de nossos pecados e a reconciliação com Deus, através dEle. Ore por este projeto da Portas Abertas e continue contribuíndo em 2012.


Fonte: Revista Portas Abertas, vol. 29 nº 12.





quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O evangelho da paz da sustentabilidade de Genesis e de Wangari Muta maathai.

Seis mil anos se passam e uma árvore como o Baobá, árvore africana mais famosa, pode continuar de pé. Ela é um símbolo de sustentabilidade, enquanto ser que continua e se mantém ao manter também outros seres. O baobá é considerada a árvore da vida por comunidades africanas. Importância única para tribos inteiras as árvores de uma maneira geral, sejam elas quais forem (baobás, cerejeiras, oliveiras etc) são uns dos símbolos fundamentais das culturas arcaicas. Tão arcaico esse fato que nos remete ao início de tudo, segundo o livro primário da Bíblia, o Gêneses. A bem da Verdade Geneses não é de longe o único relato da criação e nem da centralidade da figura da árvore na criação do mundo. A mitologia nórdica e a yorubá tem suas respectivas histórias em que a árvore tem um destaque no processo de criação da vida. Uma dessas conta que da criação "para cada ser humano modelado (a matéria primordial era o barro) por Orisala criava-se simultaneamente uma árvore". Isso é muito interessante, embora a ideia talvez não seja a mesma, se parármos para analisar isso é algo que tem sua coerência ao talvez nos dizer: Cada ser humano para viver precisaria de pelo menos uma árvore. E de fato haja visto os serviços ecológicos que uma simples árvore nos ofrerece (umidade, temperatura, proteção do solo, produção de alimento e insumos, bem como medicamentos, captação de água, absorção de gás carbono, habitação de outras espécies etc), mas Genesis retrata de uma maneira que nos redireciona para a identidade do ser humano, inclusive em relação ao todo. Que o destino do comum (no sentido de vivência mutua) está diretamente ligado ao destino do homem. De acordo com o relato da narrativa dos hebreus, povo que tem em sua história dramática o deserto e parca distribuição de água e recursos em sua trajetória a Terra Prometida, a qual prefiguraria a Jesus Cristo (a verdadeira promessa e lugar de descanso e de vida eterna), Javé, o Deus Criador, após emergir a matéria inorgânica produz uma massa viva e orgânica e estabelece um horto ou um jardim como muitos preferem (EM um sentido mais completo um ecossistema altamente diverso), e resolve colocar um ser que estabelecera para ser sua imagem e semelhança, assim sendo um potencializador de vida. Segundo Genesis o Criador o põe em meio ao ecossistema jardim-horto no Éden. Em Éden havia bastante árvores as quais serviriam de alimento, uma vez que a alimentação vegetariana era a forma original de obtenção de recursos biológicos alimentares. No entanto, é em uma árvore especial que possui atributos de potencializar o conhecimento humano sobre si e torna-se conhecedor tal como a Deus, o homem resolve tomar para si o fruto desta e sua vida se torna um conflito constante para se reconhecer como alguém que prefigura um Salvador ao mesmo tempo em que não consegue se salvar e viver em conjunto do outro semelhante em meio a um mesmo ambiente/mundo em constante mudanças.
A história de Genesis é notória, uma das mais conhecidas, no entanto das mais ridicularizadas pela secularidade racionalista e cartesiana, que não encherga o mundo na essência das relações vitais. Os conflitos internos e externos do ser humano são originários dentro desse quadro. Nossos conflitos conosco e com nosso semelhante, bem como o todo do qual todos nós formamos e somos formados e fazemos parte (meio ambiente) estão a partir daí. E, a biografia de uma mulher contemporânea da gente, chamada Wangari Muta Maathai torna a história de Genesis altamente relevante, cheia de verdade e sentido.
Wangari Maathai é o exemplo de como nossa identidade de imagem e semelhança de Deus atribuida a nós pelo próprio Deus Javé e relatada em Genesis pode ser verificável através da experiência única da comunhão, através dos relacionamentos, uma vez que Deus é "una comum" entre ser Pai, ser Filho e Vivificador (Espírito Santo), é uma comunidade viva e pessoal que procede vida da vida. E pode ser verificável através da nossa capacidade de reconciliação a partir das relações intra e extra nós.
Wangari Maathai em seu contexto social desfavorável em relação a recursos e distribuição desses, em busca de melhorias na qualidade de vida das pessoas logo expandiu suas ideias de equilíbrio e restauração ambiental por meio de plantio e replantio para um projeto de democracia e paz. Ficou claro que não haveria paz e democracia sem um espaço mais sustentável e um gerenciamento responsavel do ambiente era impossivel sem democracia e paz. É aí que entra a árvore em termos de símbolo de vida e de paz nessa história. Para Wangari, enquanto mulher ficava claro que o gênero feminino era o primeiro a identificar mazelas ao passo que também era o primeiro a sentir os problemas. Dado o conhecimento de que as árvores através dos seus serviços que levam a questão da divisão dos interesses diversos das pessoas e empresas e governo. Wangari viu através das experiências de disputas dentro de espaços que os problemas são um só. Os problemas sociais, econômicos e ambientais nada mais são que facetas distintas de um único problema. Bem coerente com o que Jesus se propunha a trabalhar em sua rota viva até as pessoas, indo nas suas necessidades estabelecendo um contato direto com a vida como um todo em seu contexto de pessoas oprimidas. A partir de 1977, toda essa vivência resultou no plantio e replantio de cerca de 47 milhões de árvores no país. ISso trouxe um certo sentido de empoderamento e de comunidade. Como ferramenta de resolução de problemas e dificuldades de recursos, bem como disputa desses Wangari propôs que por meio desses plantios e replantios bem como seus planos de manejos os camponeses deveriam proteger as bacias hidrográficas e estabilizar o solo. Com isso haveria benefícios diretos e indiretos como melhora da agricultura, recuperação de solos contra erosão, manutenção de rios e lençóis freáticos. Num espaço de terra em que um rio comece numa terra de uma pessoa e passe pela terra de outra, o que acontece quando o rio seca terra acima? Como a pessoa da terra de baixo fica, ou que acontece quando a terra de baixo seca e a terra de cima continua com o rio? Surge um conflito?  Na África as árvores são um símbolo de paz. Ainda se encontra na África em certas comunidades a antiga tradição de plantar uma árvore como forma de sinalizar uma reconciliação por conta de um conflito. Foi esta herança cultural que inspirou Wangari Maathai. Prova de que não há cultura que sobreviva sem uma relação harmonioza seja entre pessoas ou ecossistemas. E assim Wangari Maathai ficou internacionalmente conhecida quando recebeu o prêmio Nobel da Paz, em 2004. Em síntese Wangari conseguiu estabelecer paz entre diversos lugares por meio do simples plantar. "Deus colocou o homem num jardium para cuidar e guardar", a identidade do homem como imagem e semelhança de Deus é relacionada a esse trabalho de cuidar da vida e procriá-la.


Voltando ao Genesis, havia uma outra árvore que era a mais importante de todas. Esta Àrvore reaparece no último livro bíblico, o Apocalipse simbolizando um retorno do ser humano ao seu estado de paz de relacionamento, de dependência, e também inclusive de liberdade e autonomia não como sinônimo de independência, mas como agente potencializador de sustentabilidade da vida. O princípio mais importante relacionado à Árvore da Vida é o de dependência, e isso é verificável quando se lê em João 15:5: “eu sou a videira verdadeira, vós os ramos, quem está mim, e eu nele, esse dá muito fruto, porque sem mim nada podeis fazer”. A Árvore da Vida tipificava Jesus Cristo, enquanto o responsável por todos os relacionamentos. Quem nele está enxerto, quem busca amar a Deus e seu semelhante busca a paz por meio dos relacionamentos, a começar com o próprio criador, com si mesmo, com o próximo e com outras criaturas imerso em um mesmo espaço de vida (meio ambiente).


 Só através do ensino do amor,de Jesus, sua lição de vida e morte, pode nos reabilitar a viver. Assim, a Àrvore da Vida/ Jesus Cristo é o símbolo do próprio Deus como fonte de vida (João 20:30-31). Ou seja, sem Deus não há vida, sem Deus as relações vão se rompendo, sem vida não há relacionamento e nosso Criador deseja ser a nossa vida em forma de alimento, cujo fruto é o amor, única fonte de reconciliação.

Até quando conseguiremos viver como vivemos hoje brigados? Quando vier uma chuva forte na casa de quem vamos nos esconder? De baixo de qual árvore, ou ainda na árvore de quem? Em essência isso é evangelho. O evangelho de Jesus em Maathai...
A sustentabilidade nos oferece a grande arma pedagógica que existe, a qual Jesus utilizou como ninguém: o questionamento. Particularmente através da pergunta. E A grande pergunta que a sustentabilidade nos faz é: ATÉ QUANDO PODEREMOS VIVER DA MANEIRA QUE VIVEMOS HOJE? A vida é feita de e nas relações. Sejam quais forem os níveis disso, o entorno nos está diretamento relacionado as maneiras que escolhemos viver. Em nosso meio, entorno, temos uma fonte de serviços que influenciam diretamente e indiretamente nossa vida: as árvores. Elas são expressão do amor do Deus vivo, Javé, são expressão da nossa identidade e expressão de relacionamento. Descobrir como elas harmonizam e equilibram nossa relação com outros de nossa espécie e com os de outras espécies através de seus serviços ecológicos é um exercício de paz.

Enxertado pela vida, vivo e querendo paz para todos,
Jorge Tonnera Jr.



"
Tenho uma ligeira impressão de que a famosa Árvore da Vida do jardim do Eden seja de fato o Baobá. rss

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Classificação de países por perseguição aos cristãos.

O Portas Abertas, grupo que intercede por cristõas em apoio a eles decorrente de perseguições por "crime de consciência", divulgou, como faz todo os anos em seu site, a lista de países que mais perseguem cristãos ao redor do globo. Em 2012, os cinco países onde é mais difícil viver como cristão são:
1. Coreia do Norte
2. Afeganistão
3. Arábia Saudita
4. Somália
5. Irã


A classificação completa desse ano é esta abaixo:


Para saber os critérios e como o Portas Abertas ajuda e como você pode ajudar acesse o site: http://www.portasabertas.org.br/cristaosperseguidos/classificacao/

Que o Senhor seja o grande mobilizador da nossa vida em prol do próximo. Que o Espírito Santo nos comova e mova.

Shalom!
Jorge Tonnera Jr.

Ter ou Não Ser, Essa é a Questão?

Ter ou Não Ser, Essa é a Questão?

Porque este desejo de ter? Quantas famílias já não foram destruídas pela insaciabilidade de um dos cônjuges, ou mesmo dos dois, que leva um ou os dois cônjuges a dedicarem-se tanto a ganhar dinheiro que não têm mais tempo para a família.

Deseja-se tanto ter mais coisas, que o cônjuge com maior encargo na provisão fica sob uma pressão constante, chegando a estado de estresse insuportável. E o que dizer sobre o que o consumismo pode fazer com os filhos, a ponto de não se aceitarem se não tiverem o que se lhes é oferecido pelo sistema? Quantas famílias podem contar histórias como esta? Por que tanta necessidade de ter?

Penso que, de fato, a necessidade não é ter, é e sempre foi a de ser. O problema é que confundimos uma coisa com a outra, entendemos que para ser é preciso ter. Aliás, é nesse estribo que se sustenta a sociedade de consumo, é o grande argumento dos especialistas de mercado, convencer o consumidor de que ele só será na medida em que tiver sempre e cada vez mais.




Quanto mais tiver, mais se sentirá sendo. Daí a insaciabilidade, porque o que esta posto, é que ser não é um estado, é um processo que se sustenta pela posse e na posse.
 Se nós voltarmos para Gênesis, veremos que foi exatamente nesse ponto que o inimigo nos fez tropeçar. Ele disse ao homem coletivo, comunhão do macho e da fêmea: “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão vossos olhos e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.” Gn 3.5

Qual deveria ter sido a resposta da raça humana a esta afirmação? Simples! Deveria ter dito: – “Nós já somos como Deus, já somos a imagem e semelhança de Deus, não há nada que nós precisemos fazer ou possuir para ser como Deus!”

Ser imagem e semelhança de Deus era o estado da humanidade. Onde foi que eles tropeçaram e se deixaram enganar? Quando acreditaram que para ser, não lhes bastava estar na posição em que estavam, precisariam possuir. Este foi e tem sido o grande equívoco da humanidade.

O inimigo nos fez crer que para ser como Deus era preciso possuir o que Deus possuía, o que, naquele momento, significava conhecer o que Deus conhecia. Que grande equívoco, já éramos! Não precisaríamos nem fazer, nem ter nada para ser. Bastava-nos continuar na posição em que estávamos.

Nós somos como resultado do ato criador divino, simplesmente assim. Entretanto nós acreditamos que ser era um processo e não um estado. Tornamo-nos insaciáveis porque passamos a pensar que ainda não éramos. Esse ter para ser, afunda-nos na seguinte questão: Como saber quando chegamos ao estado de ser? Se ainda não somos, então não sabemos o que é ser, como, então, saber quando chegamos lá, se chegarmos? Logo, nunca seremos.




Somos prisioneiros do possuir. É como se a gente precisasse estar sempre sentindo-se sendo e, para sentir-se sendo, precisamos continuar possuindo e, mais grave ainda, é que começamos comparar o nosso processo de ser com o processo dos nossos semelhantes, de maneira que começamos a concluir que quem possui mais do que nós está sendo mais do que nós, quem conhece mais do que nós esta sendo mais do que nós, quem pode mais do que nós, está sendo mais do que nós.

Que tem gente que é mais que nós e gente que é menos que nós. Eis a gênese de toda a enfermidade social, de toda a discriminação.

Ser, entretanto, é simplesmente estar na posição em que fomos colocados na criação, como imagem e semelhança de Deus.



Como nos livrarmos desta carga que nos foi imposta desde os tempos perdidos na memória? O caminho é voltar para Deus, e isso acontece na medida em que reconhecemos que não só não podemos possuir o que ele possui como não precisamos disso para ser. Voltar para Deus, portanto, é pedir-lhe perdão por não termos nos mantido na nossa posição de estar sob Ele e simplesmente ser.

Ser é estar onde Deus nos colocou, na dependência dele. Deixemo-lo aprofundar em nós a sua natureza, de modo que nós nos aprofundemos naquilo que somos.

Ariovaldo Ramos
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