quinta-feira, 28 de junho de 2012

O Primogênito da criação e a Rio + 20


Passaram-se a tarde e a manhã do sétimo dia e o mundo criado pelo Primogênito da criação está em estado de contrastes entre a criação e os descendentes de Adão. Há espécies em processo de extinção, exceço de lixo, exaustão da terra, águas contaminadas. Também das várias cidades criadas a maneira de Caim, as várias Enoques do nosso dia a dia, há um choque de vidas, já se espremem cheias de humanos e automóveis e casas, num ritmo de vida insessantemente desenfreado capaz de consumir
energia como nenhum outro ser, sociedades opressoras que dentro de 7 bilhões de gente como a gente um pequeno grupo tem sido a maneira de Acabe vivendo como se necessitasse de duas Terras ou mais, enquanto um outro rebanho tenta correr atrás
de ser como os que têm muito, e ainda um outro grupo tentando apenas sobreviver... Fatos estes, bem representados pela obra de arte em esculturas na Cúpula dos Povos em forma de protesto, uma estátua da liberdade (maior símbolo americano) com sua tocha emitindo fumaça representando seu direito sobre todos os povos de consumirem e poluirem o quanto bem entenderem, diante da família de pobres que pouco tem e paga o preço dessa diferenciação.







Em estado de transição, devemos ter uma esperança mobilizadora, que é diferente da esperança estática, se é que isso existe de fato, mas esperança que atua, trabalhista, diferente dos Tessalonicenses da época de Paulo que não queriam trabalhar por acharem que Jesus voltaria brevemente, ou ainda diferente também da igreja de Laodiceia, que vivia "em cima do muro", que não considerava ser relevante para a sociedade em que estavam.
Quando as pessoas não verem essa esperança entre o hoje e o amanhã, entre o ontem e o depois, como crerão? Ou como diria Paulo: "Se não tem quem anuncie essa boa notícia, como crerão"? Se não há quem pregue, se não há quem viva essa novidade de viver, essa outra forma de ser, de existir, uma nova forma de se estar sobre a terra, uma maneira alternativa de cultivar, de fazer agricultura, uma nova arte de capturar energia e transformá-la para uso, uma maneira de não ser consumista, uma
nova cultura, uma outra maneira de se relacionar com tudo o que há, como crerão?

Não foi para isso que o Israel foi criado e chamado? Não é para isso que a Igreja foi preparada e dispersada da Judeia a Samaria e aos confins da Terra?
Somos sempre convocados nas reuniões comunitárias de igrejas a orármos pelos governantes, conforme a Bíblia nos ensina. No entanto, orar pelas autoridades e não nos comprometermos em participar de debates relacionados aos projetos de governo não
é coerente. Também, se nossos governantes não cuidam do que foram chamados e eleitos e nós não protestarmos e não profetizarmos contra isso seremos incoerentes. E mais ainda, quando há exemplos de bons investimentos e projetos que cuidam da vida do povo e orármos e não participármos desses exemplos concretos de sustentabilidade apoiados por esses governos será também incoerente. Por exemplo, aqui na cidade do Rio de Janeiro temos o exemplo do Programa "Rio, a capital mundial da bicicleta". Quantos crentes cariocas já aderiram???

A Cúpula dos povos foi um grande evento de comunhão entre povos. Povos que muitas vezes estão adorando a Deus sem saber simplesmente ao cuidar do jardim de Deus, ao cultivá-lo por vezes melhor do que nós que dizemos o conhecer.
Quando vermos a vida em todas as suas formas sendo degradada, quando vermos nossas comunidades locais sem qualidade de vida, violenta, destituídas de verde, vazia de serviços ecológicos, com epidemias, não seria o caso de denunciar o assassinato do Cristo? O nosso assassinato pelos nossos pecados? Não seria o caso de denunciar o assassinato da vida, repetido diariamente? "Ele levou todos os pecados sobre si". Ele reconciliou todos os relacionamentos intra e interdependentes. Reconciliar e Sustentabilidade são dois conceitos próximos e necessários um ao outro. São sinônimos no céu, pois que Reconcilciar também significa sarar, curar a terra e seus viventes e Sustentabilidade é a capacidade de ter um relacionamento equilibrado e duradouro capaz de permitir a vida do agora e do porvir, permitir o amor entre as gerações. O amor é o elo dessas duas palavras.
Mas nada disso deve ser feito para dizermos que fizemos nossa parte ou para tirarmos qualquer peso de consciência...
Devemos fazer porque somos o que somos, e devemos agir porque somos essa mentalidade. somos nós as primícias da nova
criação, um ser novo respaldado pela maneira de viver que concilia o modus operandi e modus vivendi e reconcilia o que se
afastou do que deveria ser. De fato então devemos ser também a luz para as nações.
Temos que nos assumir quem somos, pois a criação é testemunha diante de nós entre a vida e a morte. “Os céus e a terra tomo
hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a benção e a maldição; escolhe, pois, a vida para que vivas, tu e tua descendência” (Deuteronômio 30.19)
Temos que nos assumir quem somos ou o erro de não sermos o que deveríamos ser, pois a criação geme aguardando ansiosa a
manifestação dos filhos do Reino do Cristo que reata as relações de vida.
Em seu ministério de reconciliação tudo se faz novo por uma novidade de vida.

Diante da cúpula oficial e seus interesses diversos conflitantes, penso que a máxima, o princípio que ficou tão conhecido e propagado a partir da Rio 92 (Eco 92), o tão famoso "Pensar Globalmente e agir Localmente" mais do que nunca é verdadeiro e mais do que nunca pois que pensar em um acordo global em meio a tantos interesses dificilmente acontecerá.
Mesmo em meio a uma percepção negativa sobre isso aprendi e acabei ganhando a boa percepção de que nas brechas é que são
fechados os bons acordos, as boas experiências locais entre grupos e comunidades, e nesse nível é onde é feito o que deve ser feito para que se estenda a um nível maior. Daí o local é onde devemos ser a diferença nesse mundo, sermos o Reino nesse mundo. Como diz a Declaração final da Cúpula dos Povos: "As alternativas estão em nossos povos, nossa história, nossos costumes, conhecimentos, práticas e sistemas produtivos, que devemos manter, revalorizar e ganhar escala como
projeto contra-hegemônico e transformador".
Como Amós proclamou o Cristo reparando/fechando as brechas, como Cristo que de fato atraiu os oprimidos do sistema, os periféricos das periferias, e como os apóstolos que da Judeia a Samaria se achegaram até aos confins da terra, como Paulo dentre esses apóstolos que chegou por fim ao centro do mundo, a Roma de César que subjugava o mundo num cenário global, mas que antes passou pelas periferias do mundo evangelizando e vivenciando comunidades locais e através delas o mundo foi sendo
"agitado" por esses do Caminho.
E aí certamente aparecerão uns que por medo de ver ruir seus esquemas e sistemas de opressão que os mantém em suas zonas de conforto cheguem a dizer: "Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui". (Atos 17)
Nós somos caminhantes, somos os do Caminho, e do local para o global.
Cada vez mais que nunca haja visto as conflitos de interesses privados o local será o jeito de se mudar o mundo. É no local
que vamos vencer o mundo.
A cúpula oficial retrata um mundo que precisa ser reconciliado. Um mundo que separado precisa de reconciliação. Precisamos
então fazer o que Jesus veio fazer e assim sermos verdadeiramente cristãos, sermos reconciliadores, por meio das coisas que fazemos dentro de nossa casa, pra fora de casa na nossa comunidade, e daí atingindo a cidade.
Aprendi em JOCUM-Rio que no caso do Rio de Janeiro, esta cidade que recebe os confins da terra todos os dias, se for
cheia do conhecimento de Deus, vivendo de maneira humana, promovendo justiça, uma vida comunitária sustentável seria então
vista por todos como resplendor da glória de Deus e as pessoas buscariam saber o que levou o povo desta cidade a ser assim e a transformar ela. Então será cidade bem dita, luz para as nações, cidade santa, verdadeiramente maravilhosa, pois será terra do Maravilhoso, Conselheiro e Príncipe da paz, Deus Forte.
Isaías 14.30 afirma: “Os primogênitos dos pobres serão apascentados”, isto quer dizer: Os mais pobres, os paupérrimos serão apascentados.
Lembremos desses que estão nas brechas do Sistema que se retroalimenta de crises e se reiventando com nomes novos tal como Leviatã, Grande Babilônia, Roma e Economia Verde e sugestionando a todos a continuarem o aderindo e o adorando, se alienando e oprimindo e sendo oprimidos...
Entre a Cúpula dos Povos no aterro do Flamengo e a Cúpula chamada Oficial no Riocentro há um contraste. A primeira é a sociedade se manifestando através das suas organizações civis, o local como resultado de experiências que deram certo; a outra são os governos, os quais nem sempre representam as pessoas, manifestando interesses conflitantes, o global como resultado de uma rachadura a ser preenchida, como exemplo de que ainda não chegamos, como o apóstolo Paulo, a Roma, o centro.
Mas, prosseguindo para o alvo vamos caminhando. O dia após o outro. Cuidando para que nada se perca, e para que nós e a denominação das igrejas diminua, bem como as religiões, e que Cristo cresça e surja do céu e todos o vejam e estabeleça seu Reino sempiterno completo, com o conhecimento cobrindo a terra como um cobertor tecido dos fios da teia da vida dos intrincados interrelacionamentos que a vida produz e sem os quais nem haveria vida...Ele, o Primogênito da criação é ressurreição e a vida... e o relacionamento.

Até a Nova Jerusalém, sem templo, sem ritos,
Eu, você, nós e Deus comendo um açaí ou um jussaí da Dona Vitória, que conheci vendendo seu doce na Cúpula dos Povos.(rs)
Nele, que é o autor e consumador da vida em todo espaço e tempo.
Jorge Tonnera Jr.
Biólogo Educador Ambiental, especialista em Gestão Ambiental
Membro do Comitê Igrejas Ecocidadãs - Rio

domingo, 24 de junho de 2012

DECLARAÇÃO FINAL da CÚPULA DOS POVOS NA RIO+20 POR JUSTIÇA SOCIAL E AMBIENTAL

DECLARAÇÃO FINAL
 CÚPULA DOS POVOS NA RIO+20 POR JUSTIÇA SOCIAL E AMBIENTAL
 EM DEFESA DOS BENS COMUNS, CONTRA A MERCANTILIZAÇÃO DA VIDA

Movimentos sociais e populares, sindicatos, povos e organizações da sociedade civil de todo o mundo presentes na Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental, vivenciaram nos acampamentos, nas mobilizações massivas, nos debates, a construção das convergências e alternativas, conscientes de que somos sujeitos de uma outra relação entre humanos e humanas e entre a humanidade e a natureza, assumindo o desafio urgente de frear a nova fase de recomposição do capitalismo e de construir, através de nossas lutas, novos paradigmas de sociedade.

A Cúpula dos Povos é o momento simbólico de um novo ciclo na trajetória de lutas globais que produz novas convergências entre movimentos de mulheres, indígenas, negros, juventudes, agricultores/as familiares e camponeses, trabalhadore/as, povos e comunidades tradicionais, quilombolas, lutadores pelo direito a cidade, e religiões de todo o mundo. As assembléias, mobilizações e a grande Marcha dos Povos foram os momentos de expressão máxima destas convergências.

As instituições financeiras multilaterais, as coalizões a serviço do sistema financeiro, como o G8/G20, a captura corporativa da ONU e a maioria dos governos demonstraram irresponsabilidade com o futuro da humanidade e do planeta e promoveram os interesses das corporações na conferência oficial. Em constraste a isso, a vitalidade e a força das mobilizações e dos debates na Cúpula dos Povos fortaleceram a nossa convicção de que só o povo organizado e mobilizado pode libertar o mundo do controle das corporações e do capital financeiro.

Há vinte anos o Fórum Global, também realizado no Aterro do Flamengo, denunciou os riscos que a humanidade e a natureza corriam com a privatização e o neoliberalismo. Hoje afirmamos que, além de confirmar nossa análise, ocorreram retrocessos significativos em relação aos direitos humanos já reconhecidos. A Rio+20 repete o falido roteiro de falsas soluções defendidas pelos mesmos atores que provocaram a crise global. À medida que essa crise se aprofunda, mais as corporações avançam contra os direitos dos povos, a democracia e a natureza, sequestrando os bens comuns da humanidade para salvar o sistema economico-financeiro.

As múltiplas vozes e forças que convergem em torno da Cúpula dos Povos denunciam a verdadeira causa estrutural da crise global: o sistema capitalista associado ao patriarcado, ao racismo e à homofobia.
As corporações transnacionais continuam cometendo seus crimes com a sistemática violação dos direitos dos povos e da natureza com total impunidade. Da mesma forma, avançam seus interesses através da militarização, da criminalização dos modos de vida dos povos e dos movimentos sociais promovendo a desterritorialização no campo e na cidade.
 Avança sobre os territórios e os ombros dos trabalhadores/as do sul e do norte. Existe uma dívida ambiental histórica que afeta majoritariamente os povos do sul do mundo que deve ser assumida pelos países altamente industrializados que causaram a atual crise do planeta.
O capitalismo também leva à perda do controle social, democrático e comunitario sobre os recursos naturais e serviços estratégicos, que continuam sendo privatizados, convertendo direitos em mercadorias e limitando o acesso dos povos aos bens e serviços necessários à sobrevivencia.
A atual fase financeira do capitalismo se expressa através da chamada economia verde e de velhos e novos mecanismos, tais como o aprofundamento do endividamento público-privado, o super-estímulo ao consumo, a apropriação e concentração das novas tecnologias, os mercados de carbono e biodiversidade, a grilagem e estrangeirização de terras e as parcerias público-privadas, entre outros.
As alternativas estão em nossos povos, nossa história, nossos costumes, conhecimentos, práticas e sistemas produtivos, que devemos manter, revalorizar e ganhar escala como projeto contra-hegemônico e transformador.
A defesa dos espaços públicos nas cidades, com gestão democrática e participação popular, a economía cooperativa e solidária, a soberania alimentar, um novo paradigma de produção, distribuição e consumo, a mudança da matriz energética, são exemplos de alternativas reais frente ao atual sistema agro-urbano-industrial.

A defesa dos bens comuns passa pela garantia de uma série de direitos humanos e da natureza, pela solidariedade e respeito às cosmovisões e crenças dos diferentes povos, como, por exemplo, a defesa do “Bem Viver” como forma de existir em harmonia com a natureza, o que pressupõe uma transição justa a ser construída com os trabalhadores/as e povos. A construção da transição justa supõe a liberdade de organização e o direito a contratação coletiva e políticas públicas que garantam formas de empregos decentes.

Reafirmamos a urgência da distribuição de riqueza e da renda, do combate ao racismo e ao etnocídio, da garantia do direito a terra e território, do direito à cidade, ao meio ambiente e à água, à educação, a cultura, a liberdade de expressão e democratização dos meios de comunicação, e à saúde sexual e reprodutiva das mulheres.

O fortalecimento de diversas economias locais e dos direitos territoriais garantem a construção comunitária de economias mais vibrantes. Estas economias locais proporcionam meios de vida sustentáveis locais, a solidariedade comunitária, componentes vitais da resiliência dos ecossistemas. A maior riqueza é a diversidade da natureza e sua diversidade cultural associada e as que estão intimamente relacionadas.
 Os povos querem determinar para que e para quem se destinam os bens comuns e energéticos, além de assumir o controle popular e democrático de sua produção. Um novo modelo enérgico está baseado em energias renováveis descentralizadas e que garanta energia para a população e não para corporações.
 A transformação social exige convergências de ações, articulações e agendas comuns a partir das resistências e proposições necessárias que estamos disputando em todos os cantos do planeta. A Cúpula dos Povos na Rio+20 nos encoraja para seguir em frente nas nossas lutas.
Rio de Janeiro, 15 a 22 de junho de 2012.
 Comitê Facilitador da Sociedade Civil na Rio+20 - Cúpula dos Povos

quarta-feira, 20 de junho de 2012

"Com esses ai não teve "Rio + 20"

Compartilhando a pergunta e o vídeo indicado pelo colega e professor Daniel Brotto:
"Com esses ai não teve "Rio 92" ou "Rio + 20", deu no que deu...
..... e nós" ???????????????
http://youtu.be/R-tgpzixe3M
 
 
Para quem quiser saber mais sobre civilizações que falharam na sua sustentabilidade recomendo o livro "Colapso - Como as Sociedades Escolhem o Fracasso ou o Sucesso", de Jared Diamond, mesmo autor do também brilhante livro ‘Armas, germes e aço‘. Em ‘Colapso - como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso‘, é investigado o que fez com que algumas das grandes civilizações do passado entrassem em colapso e o que podemos extrair disso, já que muitas tiveram seu colapso por conta do mal uso dos recursos naturais locais.

domingo, 3 de junho de 2012

Avante, Vingadores!!!



 Em contraste com alguns filmes de super-heróis que mereciam ser esquecidos e enterrados, tais como X-Men (a trilogia), o decepcionate Homem -Aranha 3, para não citar outros, a Iniciativa Vingadores saiu do papel e conseguiu a proesa de conciliar fãs e telona. É o filme que todo amante de HQ's um dia queria ver em adaptação para o cinema. Na medida certa a participação dos personagens com importância específica e a ótima interpretação dos seus respectivos atores, o filme "Os Vingadores (The Avengers), que estreiou no mês de maio deste ano de 2012 pode ser um divisor de águas. Na verdade a já estruturação desse filme a partir dos filmes anteriores dos heróis avulsos (Hulk, Homem de Ferro, Thor e Capitão América) em que seguem a mesma sequência temporal se integram e nos levam a um grupo de pessoas notáveis, mas que não se enchergam como heróis.
A difícil tarefa de ter num filme múltiplos protagonistas assusta qualquer um, fã ou diretor. Talvez esse problema tenha sido o ponta pé inicial para uma boa história. O conflito entre os egos, por meio da biografia de cada um, imbutida aí a vontade de fazer o que cada um acha melhor foi o início da junção de uma equipe com Tipos de pessoas que tem suas convicções e idealismos diferentes. Capitão América e sua confiança e sua postura metódica e hierarquizada, ordenada e se vendo sempre como soldado, o  coloca em rota de colisão com Tony Stark, o homem que veste uma máquina de guerra, mas não tem nada de soldado ou hierarquia, fazendo tudo conforme sua vontade, embora visionário, também descontraído ao máximo e afiado em seus discursos não considerando quem quer que seja, nem o fato de que há um conflito familiar afetivo no meio de todos através da briga entre Thor e seu irmão Loki, o que o deixa o "homem do martelo" como lado mais sofrido, talvez. Temos dentro desse cenário de tensão uma mulher marcada por erros do passado tentando se redimir e pagar um favor, a Viúva Negra, que tenta salvar o seu affair Gavião Arqueiro, os dois membros mais despojados em termos de força dentro dessa equipe, sendo o Gavião um perspicaz observador e técnico, o qual foi mentalmente enfeitiçado pelos poderes de Loki; e soma-se e complete a isso o nervoso controlado cientista Bruce Banner, que esquece sua busca por cura e passa a viver se dispondo a cuidar de pessoas e de auto-conhecimento, embora ainda se considerando uma ameaça extramamente perigosa.


O que nos faz gostar de Os Vingadores? Talvez seja o fato de que super-heróis são tentativas de vislumbrarmos a Deus, e mais ainda, a necessidade de nos tornármos a potencialidade que adormece na humanidade, o clamor interno, os nossos gemidos levados pelo Espírito, por justiça, ainda que sendo nós falhos e fortes com fraquezas coletivas e pessoais.

Somos desestruturados, rompemos com a coletividade, mas anseamos em proporcioná-la ao mundo. Desejamos um mundo, um mundo a nossa própria maneira, dentro da nossa visão, nossa COSMOVISÃO, melhor dizendo, que precisa caber ou se conformar com o mundo do outro, e mais ainda resolver o fato de que há um outro mundo, o mundo de um terceiro, uma terceira pessoa, a qual está deformada, por algum motivo que geralmente não sabemos, e se coloca a margem de si e de tudo e acaba deformando seu mundo e os outros mundos. Mas no final o mundo é um só. A perspectiva pode ser diversa, mas a realidade é uma só.

A ameaça é: "há um interesse privado", interesse esse que ultrapassa as fronteiras do "eu-outro-mundo-Deus". Ou ainda, talvez não hajam fronteiras e melhor dizendo rompem as interconexões entre a quadridimensionalidade da vida, o "eu-outro-mundo-Deus". Sim, são alguns interesses privados por aqueles que desejam um cenário novo a partir de uma maneira rápida que desconsidera o sofrimento do outro e opta por calamidade e destruição. Assim se debruça e se apresenta um manipulador. Por meio do seu egoísmo, ganância, levianismo, leva a destruição, acaba trazendo a guerra a um espaço coletivo de vida, uma casa, uma rua ou um bairro, uma cidade, estados ou até uma nação, ou no caso do filme a Terra, planeta desejado, pequeno, mas extraordinário, inclusive pela potencialidade daqueles que habitam e são chamados de homo-sapiens, ainda que demens também.
Determinados diálogos são marcantes e arrepiantes e que nos empolgam.
Loki fala ao Hulk: "Chega! Todos vocês estão abaixo de mim. Eu sou um deus, criatura, que você tem aborrecido e eu não vou ser intimidado, por um ..."
Loki não consegui terminar o diálogo, pois Hulk espanca o deus e ridiculariza sua pequenez e fraqueza.

Em determinados momentos achamos que somos deus, e como um deus que nunca seremos naturalmente nos tornamos um egodestrutivo para nós e para os outros. Às vezes agimos como se fossemos deus, mas como deus não somos acabamos sendo injustos. Também por vezes recebemos o golpe que a vida nos dar para mostrar quão ínfimos nós somos.
Tony Stark (Homem de Ferro) categoricamente a Loki: "Se não salvarmos a Terra pode ter certeza que ao menos vamos vingá-la(...) Nós vamos atrás de você".

Quantas vezes Deus, o criador, o Deus da Bíblia, se coloca como o vingador diante de um cenário destruído, já quebrado... Ora, ele se coloca como o vingador da terra, do pobre, do oprimido, se coloca contra o que despreza a sua glória e vai atrás do injusto, não sem antes é claro tentar trazê-lo de volta ao caminho, a verdade e a vida; o Caminho do caminho. E o que é a glória desse Deus? A manifestação dele nos diversos espaços e tempo da vida, do mundo. É amor, é a cultura, é a diversidade biológica, os fenômenos físicos-químicos, a manifestação no homem ao criar técnicas e tecnologia a fim de desenvolver a vida, e Jesus, a Glória encarnada e expressa por atitudes de justiça e comunhão.
Um outro detalhe muito interessante em "Os Vingadores" é o personagem Agente Coulson. Num primeiro momento para nós é apenas um personagem que perpassou os filmes do Homem de Ferro e naturalmente reaparece com participação especial em Os Vingadores e que talvez não seja bem identificado, mas indo a fundo veremos que o Agente Coulson, o qual foi um personagem criado especificamente para o cinema, ou seja, não existia nas HQ's, acaba se demonstrando aos poucos como um arquétipo de todos nós. Nós pessoas comuns que gostamos de heróis, que gostaríamos de ser heróis, que vemos e nos referenciamos, uma singela homenagem aqueles que como eu e você amamos heróis no meio da ação, e que ao percurso do filme em um dos momentos de tensão acaba sendo o estímulo para a equipe fadada se conhecerem como são ou deveriam ser, heróis. Ele, que era fã do Capitão se torna a peça fundamental na re-união dos Vingadores.
Talvez, Coulson seja nós sendo o que devemos ser... agentes de comunhão, ou em outras palavras, simplesmente heróis.

Talvez por ser mais evidente essas coisas, por ser mais humano e até mesmo mais interessante minha preferência pela Marvel, a "Casa das Ideias", como é chamada também, e seus personagens e histórias, tão bem representada por Stan Lee, por exemplo, e seus personagens, ao invés da DC Comics dos Batmans e Super-Homens da vida, ainda que tenham também sua notoriedade e contribuição cultural e entretenimento.
"Os Vingadores (Avengers, 2012), é uma versão modernizada e atualizada, eu diria, da primeira aventura dos Vingadores, de 1963, e assim portanto naturalmente e livremente há algumas diferenças, o que não diminui  em nada, muito pelo contrário só deixa mais interessante.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

O museu das possibilidades

Primeiro museu científico a tratar das possibilidades de construção do futuro, o Museu do Amanhã levará o público a refletir sobre o impacto de suas ações no planeta. Seu conteúdo, concebido com base em uma proposta curatorial inovadora, foi apresentado pela primeira vez nesta quarta-feira (2), no Rio de Janeiro.
 


Além do físico e doutor em cosmologia Luiz Alberto Oliveira, que assina a curadoria, participaram do encontro o diretor artístico Andres Clerici, que falou sobre o design expositivo, e o renomado arquiteto espanhol Santiago Calatrava, que deu detalhes do projeto arquitetônico e suas características sustentáveis.
 


O Museu do Amanhã é uma iniciativa da Prefeitura do Rio de Janeiro e da Fundação Roberto Marinho, com o Banco Santander como Patrocinador Master e o apoio do Governo do Estado, por meio de sua Secretaria do Ambiente, do Governo Federal, por meio da Finep, e da Secretaria dos Portos. "O Museu do Amanhã será o ícone da revitalização da zona portuária do Rio de Janeiro. Vai ficar para a cidade como o Maracanã, os Arcos da Lapa, o Cristo Redentor", disse o prefeito da cidade, Eduardo Paes.
 


O Museu do Amanhã será um museu de ciências diferente. Os museus de ciência atuam normalmente em duas linhas: uns exploram os vestígios do passado (como os de história natural); outros se voltam para evidências e experiências do presente (como os de ciência e tecnologia). O Museu do Amanhã propõe uma terceira via, a de explorar possibilidades. Por meio de ambientes audiovisuais, instalações interativas e jogos, o público será levado a examinar o passado, manipular as várias tendências da atualidade e imaginar futuros possíveis para os próximos 50 anos. Assim, o Museu conduzirá a uma reflexão sobre os sintomas da nova era geológica do Antropoceno, na qual o homem se tornou uma força capaz de alterar o clima, degradar biomas, interferir em ecossistemas.
 


"Nós estamos querendo inventar um novo tipo de museu, que será um lugar para perguntas e explorações de possibilidades, com um conteúdo para desafiar o pensamento; uma arte para envolver novos sentidos e uma cultura para provocar novas emoções. Todo museu tem coleções, o Museu do Amanhã vai colecionar possibilidades de futuro. A filosofia do Museu do Amanhã é que o amanhã é hoje e está sendo construído por todos nós", explicou o secretáriogeral da Fundação Roberto Marinho, Hugo Barreto.
 


Para estruturar o conteúdo do Museu, Luiz Alberto Oliveira - que, na fase de concepção curatorial, trabalhou em parceria com o jornalista e professor de cultura brasileira Leonel Kaz - explorou três eixos narrativos. O primeiro é o da polaridade entre as Ciências Cósmicas (que lidam com sistemas demasiado grandiosos ou diminutos) e as Ciências Terrestres (todas as demais, incluindo a Biologia e as Humanidades). O segundo eixo aborda três dimensões da existência terrestre: a história das formações da Matéria; os desdobramentos da organização da Vida e a emergência do Pensamento. Estes domínios serão explorados segundo quatro grandes tendências que, em escala planetária, definirão nosso futuro comum: as mudanças climáticas, o aumento da população e da longevidade; a crescente integração econômica, social e comunicacional; e a multiplicação e diversificação dos artefatos, paralela ao decréscimo dos biomas. O terceiro eixo, enfim, enfatiza o comportamento humano e a Ética. Duas grandes diretrizes, a da sustentabilidade e a da convivência, deverão nortear o percurso.

"O amanhã é uma construção coletiva e pessoal, é reflexo de escolhas que fazemos cotidianamente. O Museu do Amanhã será um espaço para pensarmos sobre como viveremos no mundo e como viveremos uns com os outros", afirmou o curador Luiz Alberto Oliveira.
 


"Pretendemos mostrar uma visão humanística do amanhã, pois este é um museu de ideias. As experiências propostas aos visitantes farão com que ele se sinta parte de um todo", complementou o diretor artístico Andres Clerici. O designer americano Ralph Appelbaum assina a concepção museográfica.
 


Como uma das âncoras do Projeto Porto Maravilha, o Museu do Amanhã será erguido no Píer Mauá, em meio a uma grande área verde. Serão cerca de 30 mil m², com jardins, espelhos d'água, ciclovia e área de lazer. O prédio terá 15 mil m² e arquitetura sustentável. O projeto arquitetônico, concebido por Calatrava, prevê a utilização de recursos naturais do local - como, por exemplo, a água da Baía de Guanabara, que será utilizada na climatização do interior do Museu e reutilizada no espelho d´água. No telhado da construção, grandes estruturas de aço, que se movimentam como asas, servirão de base para placas de captação de energia solar. Com isso, o Museu do Amanhã vai buscar a certificação Leed (Liderança em Energia e Projeto Ambiental), concedida pelo Green Building Council (USGBC).
 


"Um passeio ao redor do Museu será uma lição de sustentabilidade, de botânica, uma aula do que significa energia solar'", explicou Calatrava. "O edifício será como um organismo e vai se relacionar diretamente com a paisagem do entorno".
 


A construção do Museu do Amanhã está incluída no conjunto de obras da prefeitura realizadas pelo Consórcio Porto Novo, através da maior Parceria Público-Privada (PPP) do País. Assim como as demais intervenções do Porto Maravilha, o projeto orçado em R$ 215 milhões será custeado pela venda dos CEPACs (Certificados de Potencial Adicional de Construção) - sem recursos do tesouro municipal. O Museu conta ainda com investimento de R$ 65 milhões do Banco Santander, seu patrocinador. A inauguração está prevista para 2014.

(Ascom da Prefeitura do Rio de Janeiro)



cães podem ter feito homem moderno superar Neandertal

Estudo: cães podem ter feito homem moderno superar Neandertal

Por mais de 32 mil anos, os cães têm sido fiéis companheiros do ser humano, vivendo, comendo e respirando enquanto ele passava de morador das cavernas a construtor de cidades.
Nesse tempo, o planeta perdeu nossos primos mais próximos – e, muitos argumentam, nosso maior competidor: o Neandertal, que havia ocupado o território que hoje é a Europa por 250 mil anos.
Agora, um antropólogo sugere que estes dois fatos possam estar relacionados – e foi a amizade próxima entre seres humanos e companheiros caninos que pesou a favor do homem moderno.
O pesquisador Pat Shipman afirma que as vantagens de um cão domesticado foram tão fundamentais para a evolução do homem que o fez ‘derrotar’ as espécies primatas competidoras.
Shipman analisou os resultados de escavações de ossos fossilizados de canídeos da Europa, do tempo quando humanos e Neandertais se sobrepuseram.
A pesquisa, primeiramente, estabeleceu um quadro para as relações do melhor amigo do homem. Ela constatou que humanos primitivos acrescentavam dentes caninos a joias, o que demostra como os animais eram venerados. Além disso, eles raramente eram representados nas imagens das cavernas – o que indica que os cães eram tratados com uma reverência maior do que a dispensada aos animais caçados.
As vantagens que os cães deram ao homem primitivo foram enormes – os próprios animais eram maiores do que os cachorros modernos, sendo pelo menos do tamanho de um pastor alemão.
Em razão disso, eles poderiam ser usados como animais de carga, levando carcaças de animais e suprimentos de um lugar ao outro, deixando que os humanos reservassem suas energias para a caça.
Em retorno, os animais ganhavam calor, comida e companhia, ou, como Shipman descreve, “um círculo virtuoso de cooperação”.
Os cães também podem ter tido influência em como os seres humanos se comunicam. Cachorros e humanos são os únicos animais que têm grandes “brancos nos olhos”, e que seguem o olhar de outra pessoa. Essa característica não foi encontrada em outras espécies, o que pode significar que, com a evolução da relação homem-cão, ambos teriam aprendido a usar pistas não verbais com mais frequência.
Assim, cachorros se tornaram uma das primeiras ferramentas que a humanidade começou a usar, e a relação se desenvolveu de ambos os lados, se tornando muito arraigada em nossa psique.
E, antigamente, quando qualquer vantagem era necessária para sobreviver, o Neandertal pode, simplesmente, ter sido incapaz de lidar com as novas espécies que se moviam rapidamente pela Europa. “Os cachorros não foram um incidente na nossa evolução em Homo sapiens, eles foram essenciais para ela. Eles são o que nos fizeram humanos”, garante Shipman.
 
copiado de : AMBIENTE Brasil
 
Segundo o site Seu Cachorro, as muitas espécies de cães selvagens ainda são pouco conhecidas e temidas pela maioria das pessoas. Muitos acreditam que eles sejam os ancestrais dos cães domésticos, mas isso não é inteiramente verdade. Os cães domésticos e selvagens de hoje são descendentes de antigas espécies de cães selvagens. O gênero Tomarctus, atualmente extinto é provavelmente o ancestral de todos os canídeos de hoje. É esta espécie ancestral em comum que determina as semelhanças existentes entre nossos cães domésticos e as mais de 35 espécies atuais de cães selvagens.
Todos eles evoluiram até os dias de hoje e seria incorreto considerar os cães selvagens mais primitivos que os domésticos. Tanto cães domésticos quanto cães selvagens são espécies bem adaptadas ao seu meio e resultado de um longo processo evolutivo (Devemos Lembrar que aqui consideramos cães selvagens todos os outros membros da família dos canídeos e não apenas os representantes do gênero canis.)
http://www.seucachorro.com/caes-selvagens/
 
 

Obras de Murat serão expostas no Galpão das Artes Urbanas a partir de 17 de maio

O Galpão das Artes da Comlurb inaugura, a partir de 17 de maio a noite a exposição Murat, de Heitor Luiz Murat. O artista plástico trabalha com arte digital, utilizando-se de softwares antigos mesclado-os com mais modernos para assim fazer belíssimos trabalhos digitais. A exposição, com entrada gratuita, pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h, no Galpão das Artes Urbanas Helio Pellegrino (Rua PadreLeonel Franca s/nº  Gávea), até o dia 30de junho. Suas obras buscam um outro olhar, utilizando softwares antigos aumentando o ciclo de vida útil dos mesmos, assim, promovendo a redução do lixo eletrônico, que é o efeito colateral da revolução de alta tecnologia. O cyber artista que é pioneiro em arte informatizada já expôs suas obras em mais de dez países, dentre eles na Inglaterra pelo circuito universitário, e ganhou diversos prêmios nacionais e internacionais como a Medalha Joaquim Nabuco e a Medalha Antônio Parreiras, prêmios dedicados a grandes personalidades em destaque no meio Acadêmico Artístico e Cultural.

Heitor Murat é professor inativo da Universidade Federal Fluminense e pós-doutor em psicologia de organizações com formação em consultoria na IBM. Carioca, cresceu na Lagoa, bairro da Zona sul da cidade do Rio de Janeiro.

De:
http://www.rio.rj.gov.br/web/guest/exibeconteudo?article-id=2816833

domingo, 13 de maio de 2012

"O velho tupinambá pregou a sustentabilidade que Jesus Cristo ensinou".

No século XVI  um historiador registrou o seguinte diálogo:
"Os nossos tupinambás muito se admiram dos franceses e outros estrangeiros se darem ao trabalho de ir buscar o seu arabutan (madeira pau-brasil). Uma vez um velho perguntou-me:
- Por que vindes vós outros, maírs e perôs (franceses e portugueses), buscar lenha de tão longe para vos aquecer ? Não tendes madeira em vossa terra ?
Respondi que tínhamos muita, mas não daquela qualidade, e que não a queimávamos, como ele supunha, mas dela extraímos tinta para tingir, tal qual o faziam eles com os seus cordões de algodão e suas plumas. Retrucou o velho imediatamente:
- E porventura precisais de muito ?
- Sim, respondi-lhe, pois no nosso país existem negociantes que possuem mais panos, facas, tesouras, espelhos e outras mercadorias do que podeis imaginar e um só deles compra todo o pau-brasil com que muitos navios voltam carregados.

- Ah! retrucou o selvagem, tu me contas maravilhas; acrescentando depois de bem compreender o que eu lhe dissera: Mas esse homem tão rico de que me falas não morre?
- Sim, disse eu, morre como os outros.

Mas os selvagens são grandes discursadores e costumam ir em qualquer assunto até o fim, por isso perguntou-me de novo:
- E quando morrem para quem fica o que deixam ?
- Para seus filhos, se os têm, respondi; na falta destes, para os irmãos ou parentes próximos.

- Na verdade, continuou o velho, que como vereis, não era nenhum tolo, agora
vejo que vós outros maírs sois grandes loucos, pois atravessais o mar e sofreis grandes incômodos, como dizeis quando aqui chegais, e trabalhais tanto para amontoar riquezas para vossos filhos ou para aqueles que vos sobrevivem ! Não será a terra que vos nutriu suficiente para alimentá-los também ? Temos pais, mães e filhos a quem amamos; mas estamos certos de que depois de nossa morte a terra que nos nutriu também os nutrirá, por isso descansamos sem maiores cuidados.
(publicado no livro "Viagem à terra do Brasil" de Jean de Léry)

Que diálogo seria esse?????
É um diálogo entre um velho índio tupinambá e um europeu, o próprio escritor. O europeu era Jean de Léry, Pastor missionário Protestante que fez parte do grupo de 14 calvinistas que vieram de Genebra. Estes segundo relatos históricos vieram participar da criação de uma colônia francesa na Baía da Guanabara. Tal colônia empreitada seria chamada de “França Antártica” e dirigida por Villegagnon e possui uma história muito interessante uma vez que a liberdade de culto estava ligado a criação da colônia.

No entanto o discurso a que foi escrito acima traz um sentido último de adiquirir e vender riquezas da biodiversidade brasileira. Segundo José Pádua, historiador ambiental, estaria impresso ali a expansão dos europeus e a formação da economia-mundo capitalista.

Vemos aí nesse interessante diálogo e sabendo da influência calvinista nas respostas do huguenote Lery a necessidade de nós cristãos reassumirmos nossa identidade diante do mandato cultural proposto por Deus e lermos as Escrituras Sagradas com um olhar dentro de uma cosmovisão judaico cristã considerando o evangelho algo integral e o ministério da reconciliação de Jesus Cristo, que é

algo fantástico e muito maior do que uma primeira impressão ou a salvação/transformação de um mundo que ainda não veio fisicamente (novo céu e  nova terra), mas sim a salvação/transformação desse mesmo mundo em que estamos para o presente século, como primícias da posteriori, como insinuação do por vir fisicamente (novo céu e  nova terra).
Vemos no diálogo a questão da cosmovisão que cada um de nós carregamos e levamos para onde vamos e onde estamos. Duas cosmovisões que se colidem. Um choque cultural e acima de tudo ecológico. O paradigma dominate (do Europeu) e o paradoxo do Reino, representado pelo índio, que como na parábola de Cristo, está escondido, nesse caso, no coração do Tupinambá. O diálogo é claro e mostra a oposição da visão de mundo que aliás está presente nos dias de hoje principalmente na sociedade chamada pelos cristãos de secular, mas que também em muitos casos está presente nas igrejas, de maneira pior que o que se tem na sociedade secular, sobretudo e inclusive evangélicos da Teologia da prosperidade.
A visão de estoques, tão diferente da visão de partir um pão. O acumular, que é tão distante do partilhar. E por que não a comunhão (o que é meu é teu e o que é teu é teu).


Voltando a um dos momentos do diálogo:
- E quando morrem para quem fica o que deixam ?
- Para seus filhos, se os têm, respondi; na falta destes, para os irmãos ou

parentes próximos.

O conceito de Sustentabilidade é "satisfazer as necessidades das pessoas que vivem hoje sem prejudicar as necessidades delas amanhã e mais ainda sem prejudicar as necessidades das pessoas que ainda não viram o mundo de amanhã”.
Nesse sentido, dentro desse diálogo terminal, a visão do Europeu parece num primeiro momento e descontextualizadamente algo bem lógico em termos de sobrevivência e de sustentabilidade num sentido de seguridade, de manter coisas para quem virá, conforme o conceito usual de sustentabilidade. No entanto na prática essa ideia de acumular para os filhos não passa de ilusão e roubo de mundos (Leia-se mundos aqui como espaço-tempo e conjunto de relacionamentos).
O índio do diálogo age como fosse um ignorante, mas ao fim a ignorância não era mais dele e sim do europeu calvinista. E O mais interessante nisso tudo é que o diálogo do velho tupinambá vai de encontro com o diálogo de Jesus Cristo com os discipulos sobre a ansiosa solicitude pela vida.(Mt 6:19-21; 25-34), em que o Mestre nos adverte em relação a acumular riquezas e ao querermos falsas
necessidades, se preocupar com o por vir e ansiedade de sobrevivência:
"Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração".
(Mateus 6:19-21)

"Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário? Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua
estatura? E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam; E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé? Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? (Porque todas estas coisas os gentios procuram). De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas;
Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
Não vos inquieteis, pois, pelo dia amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal".
(Mateus 6:25-34)


Jesus é categorico ao concluir esse ensino dizendo "buscai pois em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas." Qual seria nesse caso exposto do diálogo o "Reino" e a "justiça" dentro de um mundo indígena a qual eles (europeus) não eram partes
integradas??? E mais, qual seria o "tudo vos será acrescendtado"? 
Penso que o Reino se refere a vontade plena de Deus na terra, e a justiça referida para esse diálogo se refere ao compartilhar da vida, da cultura, ter relações justas de benefícios mutualísticos em que cada um se benefeciaria da presença do outro de maneira plena. Dado isso, os europeus teriam suas
necessidades (verdadeiras necessidades) supridas ao encontrar lugar, alimento, relacionamento humano e recursos para si e para desenvolvimento mútuo da vida.
Tal pensamento de sustentabilidade de Jesus Cristo deveria estar no pensamento dos portugueses e franceses ditos "Cristãos", mas não estava. Ao que vemos o europeu acabou recebendo uma mensagem evangelizadora e missionária por parte do índio. É irônico...Esse pensamento de sustentabilidade daquele indígena deveria estar no pensamento de nós cristãos de hoje.
  Que possamos nós voltarmos num nível de equilíbrio, de relações prósperas a partir de justiça social. É isso que Jesus propõe. Devemos desnaturalizar o que hoje se supõe ser certo e até mesmo normal: a acumulação capitalista, o ter ao invés do ser, a busca pela riqueza como "jogo da vida", o lucro desmedido, o desperdício, o consumismo, o mundo dos descartáveis (geramos muito lixo).

Talvez o Velho apesar de sua naturalidade sapiente não imaginou o estrago que a
partir daquela "troca" seria feito no litoral onde vivia, mais de 500 anos depois desse diálogo e o quanto a falta do evangelho faltou na mente dos colonialistas, escravistas, empresários, latifundiários e de todos nós brasileiros, particularmente cariocas (apenas 7% sobrou da mata atlântica).
Na realidade dentro desse diálogo há um contexto muito mais amplo do que como estou colocando. Por exemplo, a questão do tipo de árvore, a forma do corte destas, o vínculo entre produção e consumo e a nossa identidade, o tolerar dos índios, suas perspectivas de trocas e ganhos com aquilo, questões de poder, status, tecnologia, a questão do interesse por tudo o que é novidade etc.
Conforme já dito é o sentido último de tudo aquilo e a cosmovisão que nada mais é que reflexo de um conjunto de crenças e valores temporais ditando o que é importante e o que nos move.
Talvez Lery, que foi um grande observador e registrou de maneira muito rica a nossa natureza e a cultura dos índios, tenha voltado balançado para casa. O missionário calvinista Jean de Léry que tentou explicar o "espírito do capitalismo" a um tupinambá, ao contrário do que podemos imaginar, nos relata José Augusto Pádua, historiador ambiental, em seu belo artigo chamado "Jean de
Léry, o pau-brasil e o velho tupinambá" (http://www.uel.br/prograd/maquinacoes/art_1.html), "foi tocado em algum nível pelo que o Velho estava dizendo, reconhecendo que ele “não era nenhum tolo” e que os índios odiavam os avarentos. Mais ainda, permitindo-se uma auto-reflexão crítica sobre a própria aventura dos europeus, Léry termina o parágrafo de maneira algo melancólica, lembrando de um escritor que dizia terem os índios do Peru temido fortemente que os europeus corrompessem seus costumes, por serem como “espuma do mar, isto é, gente sem país, homens sem descanso, que não param em parte alguma para cultivar a terra”.
Lembremos que Deus nos colocou no mundo, mais específicamente num jardim, ou melhor, Horto, no Éden para cultivar e guardar.
"E tomou o SENHOR Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar". (Gênesis 2:15)
Embora todos os seres humanos precisem de evangelho (Boa nova), será que em determinados momentos não são eles que precisam de evangelho e missões? Será que não somos nós?! Missão não é sinônimo de globalização. Talvez devamos voltar as perguntas mais simples e objetivas, questionar a nossa crença para crescermos na nossa fé. Deixar-se livre para indagações, dúvidas e perguntas
infantis, que não são idiotas, mas sim encontros conosco mesmos. Pensemos como o velho índio e façamo-nos as mesmas perguntas:

Por que vindes?
Não tendes recursos?
E porventura precisais de muito?


Essas foram a sequencias das perguntas do indio. E agora? Vc consegue ver Jesus diante dos discípulos fazendo o mesmo tipo de pergunta? Eu vi. Era o mesmo jeito que Jesus ensinava. Ele era o mestre do questionamento, que ensinava como ninguém através de parábolas, as quais são pedagogicamente como piadas, por conta da quebra de expectativa e giro de história.
Essa conversa do índio e Lery tem um lado engraçado e é semelhante a parábolas do Senhor. Jesus usaria essa história para nós se hoje estivessemos assentados com ele sendo admoestados por meio de sua vida. Poderemos assim continuar a perguntar:


Os rico os quais muitas vezes nos espelhamos ou queremos ter tanto quanto não morre?
Quando morrem para quem fica o que deixam? 


Que cada geração tire apenas o que for dentro da justiça de Deus, a sua parte como a orientação que Deus deu a respeito do maná no deserto.
Temos o que precisamos em seu Reino quando sabemos o que é esse Reino.


Paz, sustentabilidade e vida!!Amém!
Jorge Tonnera Jr

Mãe, Porta do Reino dos céus

"Mãe é o nome que substitui Deus nos lábios e corações de todas as crianças"... (Diálogo entre os personagens Eric Draven e a dependente química Darla no filme O corvo).
Não foi a religião que trouxe Deus até o homem, mas a maternidade. A maternidade foi o caminho escolhido pelo Deus da vida para amar a sua própria criação de pertinho e dar a boa notícia que seu Reino é chegado (Justiça e amor).



Jorge Tonnera Jr

segunda-feira, 7 de maio de 2012

País rico é país com saneamento adequado

Vale a pena questionar. Penso que devemos questionar o conceito de pobreza e de riqueza bem como de liberdade e felicidade, e ainda também desenvolvimento e progresso e crescimento.
O artigo que se encontra postado abaixo foi copiado via link: http://www.revistadae.com.br/novosite/noticias_interna.php?id=6532

País rico é país com saneamento adequado   
Roberto Macedo

País rico é país sem pobreza, diz o lema do governo Dilma Rousseff. Mas cabe perguntar: que pobreza o governo tem em mente e quer eliminar? Se for medida pelo critério de renda, mesmo com o avanço da chamada classe C - a tal "nova classe média" -, boa parte desta é ainda pobre tanto no valor absoluto de sua renda como em termos de comparações internacionais. E há ainda as classes D e E.

Pode ser que o governo defina um nível conveniente de renda mínima ao medir o seu esforço de eliminar a pobreza. Mas nem assim esconderia o fato de que o País não seria rico se somente isso ocorresse. Esse nível de renda seria baixo e a pobreza não se limita aos rendimentos. Há outros aspectos fundamentais, como o nível e a qualidade do ensino e do atendimento à saúde recebidos em termos médios pela população, sabidamente muito baixos no Brasil. São carências seculares que não serão resolvidas em um ou dois mandatos presidenciais. E há mais aspectos da pobreza também carentes de atenção. Entre eles, a falta de saneamento adequado, que se desdobra em água tratada, esgotamento sanitário, coleta de lixo e drenagem de águas pluviais - esta para evitar as enchentes e os seus repetidos desastres. Quanto a isso o Brasil também está longe de chegar ao que se passa em países ricos.

Sabia que as carências de saneamento são sérias no Brasil, mas recentemente percebi que são ainda bem mais graves do que imaginava. Isso aconteceu ao assistir a uma palestra do economista Gesner Oliveira em reunião recente do Conselho de Economia da Associação Comercial de São Paulo. Além de sólida formação acadêmica e de sua condição de professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, ele tem hoje uma importante credencial para falar sobre o assunto: a experiência em lidar com ele como presidente da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) no governo José Serra.

O palestrante pintou um quadro dramático da precariedade do saneamento básico brasileiro, em particular nas áreas urbanas, o foco de sua análise. Assim, dados de 2010 ou próximos desse ano - como outros que são citados abaixo - mostram que apenas 25% das capitais tinham mais de 80% dos seus domicílios ligados a redes de esgoto. E há casos gravíssimos. Assim, numa reportagem de jornal mostrada na ocasião algumas foram chamadas de "capitais da porcaria", entre elas Porto Velho (apenas 2% de domicílios ligados), Belém (6%), Macapá (7%) e Manaus (11%), numa lista que inclui também quatro capitais nordestinas com taxas entre 30% e 37%.

Dados sobre o Brasil mostram ainda 40 milhões de pessoas sem rede de água tratada, 107 milhões (!) sem rede de esgoto, 134 milhões sem esgoto tratado e 8,2 milhões (!) sem banheiros em seus domicílios.

A situação de alguns países ricos foi apresentada e os dados confirmam o título deste artigo. Assim, na Alemanha 100% dos municípios têm água tratada, 100% têm coleta de esgoto e em 99% deles há tratamento do coletado. Na Itália os índices são de 98%, 90% e 94%; em Portugal, 97%, 95% e 84%; na França, 99%, 95% e 84%, respectivamente.

Numa breve referência ao saneamento rural, uma avaliação da ONU mostrou que a situação brasileira é pior do que a de países como Sudão, Timor Leste e Afeganistão. Quanto ao lixo, 42% dos resíduos sólidos coletados no País têm destinação imprópria, pois vão para lixões e aterros inadequados. E apenas 6% dos municípios têm algum sistema de drenagem.

É óbvia a correlação entre a disponibilidade de saneamento básico e melhores condições de saúde no entorno dos domicílios atendidos, mas foi interessante conhecer uma estimativa de que cada real gasto com saneamento representa a economia de quatro com tratamentos de saúde.

Dado esse triste quadro, o que se faz em contrário é claramente insuficiente para limpar toda a sujeira que revela. Há carência de investimentos e dificuldades de planejamento e de gestão. O Brasil tem seu Plano Nacional de Saneamento Básico, que prevê a universalização desse serviço até 2030 mediante investimentos totais de R$ 263 bilhões, e no valor médio anual, de R$ 13 bilhões, o que significaria dobrar a média dos últimos cinco anos, que, se mantida, deixaria essa universalização para 2060 (!).

Toda vez que ouço falar de planos governamentais ponho um pé atrás, pois muitos ficam só no plano das hipóteses. E não vejo de onde vai sair todo esse dinheiro de fontes governamentais. Por isso vi com simpatia algumas propostas apresentadas pelo palestrante, entre elas o recurso a parcerias público-privadas, pois sozinhos os governos federal, estaduais e municipais não dão conta dos problemas nessa área. E a busca de aumentos da produtividade de sistemas já instalados, inclusive ampliações e novos que virão.

No abastecimento de água, aumentos substanciais de produtividade seriam alcançados se reduzidas fortemente as perdas nas redes de abastecimento, que alcançam perto de 40% (!). Isso geraria receita adicional e liberaria recursos para mais investimentos. No esgotamento sanitário, que exige muito bombeamento, também há perspectivas de ganhos de produtividade com equipamentos mais eficientes no uso da energia.

Concluo com outro dado particularmente chocante, que evidencia os efeitos danosos da carga tributária elevadíssima, tão alta como nunca antes neste país. De impostos federais a Sabesp pagou em 2009 o total de R$ 1,26 bilhão, perto da metade a título de contribuições que se dizem sociais (uma tem explicitamente esse nome e outra é a Cofins, também com seu quê de social). No mesmo ano a Sabesp investiu um total não longe disso, R$1,8 bilhão, o qual poderia ser substancialmente ampliado se o governo federal promovesse uma forte desoneração tributária desse setor tão importante para aliviar as condições de pobreza em que vive grande parte da população brasileira.


Roberto Macedo é economista (UFMG, USP e Harvard), professor associado à Faap e consultor econômico e de ensino superior.


O Estado de São Paulo

domingo, 8 de abril de 2012

Com 44% de ateus, Holanda usa igrejas como livrarias e cafés

Ao meu modo de ver a princípio é muito interessante você ver Catedrais e locais institucionais de culto cristão sendo usados para funções culturais, sobretudo para livraria. Aqui no Brasil muitos cinemas fecharam e foram comprados por igrejas como a "Universal do Reino Bispo Macedo". Mas vejam bem. Não se trata de ver como perda, mas talvez como ganho. Até o simples fato de uma pessoa ler um livro num local que remete ao culto do Cristo quem sabe de alguma forma até aproxime de uma maneira diferente essa pessoa descrente para perto de Deus. Tudo coopera para o bem, e o Espírito Santo é quem move as igrejas. Então não vejo como algo tão terrível. Além do mais igreja nunca deveria ter se transformado em espaço físico, mas ter sido mantida a ideia do fundador da igreja, o Senhor Jesus Cristo, como coletivo de pessoas. E mais ainda sabemos que as igrejas se reunião inicialmente dentro de casas comuns. É bem verdade sim que uma catedral é linda e é um louvor a Deus, mas saibam aqueles que confundem o espaço com o coletivo vivo que Catedral e Igrejas físicas não são templos do Deus Jesus. Nós enquanto coletivo, a igreja viva, somos o verdadeiro Templo. É claro que quanto as transformações desses antigos espaços de culto cristão deve haver exceções. Ninguém gostaria de ver uma catedral virar um local de tráfico humano e de drogas, por exemplo. Bom vale pensar. Quanto ao índice de ateísmo, isso realmente é mais triste do que uma Catedral fechar...

Com 44% de ateus, Holanda usa igrejas como livrarias e cafés


Livraria Selexyz, em Maastricht
Café Olivier, em Utrecht
As igrejas e templos da Holanda estão cada vez mais vazios e as ordens religiosas não têm recursos para mantê-los. Por isso esses edifícios estão sendo utilizados por livrarias, cafés, salão de cabeleireiro, pistas de dança, restaurantes, casas de show e por aí vai.

De acordo com pesquisa de 2007, a mais recente, os ateus compõem 44% da população holandesa; os católicos, 28%; os protestantes, 19%; os muçulmanos, 5%, e os fiéis das demais religiões, 4%.

A maioria da população ainda acredita em alguma crença, mas, como ocorre em outros países, nem todos são assíduos frequentadores de celebrações e cultos religiosos.

Algumas adaptações de igrejas têm sido elogiadas, como a de Maastricht, onde hoje funciona a livraria Selexyz (primeira foto acima). A arquitetura realmente impressiona.

O Café Olivier (a segunda foto), em Utrecht, também ficou bonito e agradável. Ao fundo, em um mezanino, se destaca o órgão da antiga igreja – um belo enfeite.

Uma igreja do século 19 de Amsterdã virou o “templo do pop”, o Paradiso, onde se apresentam badaladas bandas de rock e cantores nacionais e internacionais, entre os quais alguns brasileiros, como o Seu Jorge.

Até agora, ao que consta, não apareceu em nenhum desses locais alguém para expulsar os vendilhões do templo.

Igreja de Amsterdã virou casa de show


Leia mais em http://www.paulopes.com.br/2010/10/com-44-de-ateus-holanda-usa-igrejas.html#ixzz1rVQGbYnu
Reprodução deste texto só poderá ser feita com o crédito e link da origem.

Páscoa: a história de um relacionamento. da libertação a identidade.

Essa não é a história de uma religião. É a história de um relacionamento.
Cristianismo, não é uma religião; mas sim um relacionamento. (Podemos dizer que o cristianismo histórico, esse sim é religião, a religião do Constantino. No entanto o cristianismo enquanto o relacionamento de Deus com o homem e toda a sua criação, bem como do homem com o todo não é religião, nem tão pouco algo institucional. Jamais poderia ser institucionalizado). Todo império tem sua religião, mas porquanto o Reino do céu ser apenas a plena vontade do Deus vivo,e não um império, podemos afirmar que a vontade de Deus é o maior relacionamento que existe.


 São duas palavras que começam com o mesma prefixo "RE": Religião e Relacionamento. Enquanto Religião vem de "religar", é a babaca hipótese arrogante de chegar a Deus. Já o cristianismo, enquanto Relacionamento é Deus chegando ao homem.
Impossível pensar que o homem poderia chegar a Deus. É como diz CS Lewis autor de Crônicas de Narnia: "Se Deus não se revelar ninguém pode conhecê-lo".

Ele não somente se revelou como revelou quem somos. Através dele vemos o homem que Deus quer e o Deus que o homem precisa. Essa mesma pessoa homem e Deus é presa e sofre diversas humilhações, espancamento, tortura, há quem pense até que passou nessa sessão de tortura abuso sexual. Mas sendo ele portador de toda causa e fim, de todo amor e tendo consigo a vida que jamais seca foi crucificado. Três dias depois ressucitou. E mais! Ele também prometeu voltar.

... Mais de 2.000 mil anos depois e Jesus ainda não voltou como prometido... o que poderia frustrar qualquer pessoa e levantar toda sorte de piada e negação dos críticos de seus seguidores e daqueles que torcem para que Deus não exista.

Mas mesmo assim creio que ele voltará, ainda que demore mais 2.000 anos, se preciso. E por quê??? Qual apoio tenho eu? Que base sólida tenho para continuar visando essa expectativa???

Creio pelo simples fato do que ele pregou: o amor; ter sido tão coerente, tão atual, tão pessoal e íntimo quanto um pai falando com um filho no ouvido bem de perto. Creio porque o significado final de Páscoa é que o amor liberta! Que amando por meio dele já não seremos mais cativos do pecado, o qual nos mantinha presos. Creio que por isso é uma questão de respeito a verdade. Respeito também a verdade porque ele ensinou tudo o que precisávamos, não deixando nada faltando. E é também uma questão de respeito a verdade porque ninguém foi como ele. Uma visão superficial nos levaria a enquadrá-lo como ingênuo, louco, um mestre como outros, mas uma visão profunda, a qual somente pela Bíblia compreendida de geneses a apocalipse nas entrelinhas de seus contextos narrativos e culturais pode entender realmente não só o Jesus histórico como entender que o Jesus histórico e o da fé são a mesma pessoa, e que o Jesus histórico é o Jesus atemporal, ou como "Eu Sou o que sou". O mais humano dos humanos,e o único Deus revelado encarnado.

Páscoa não é uma simples questão fé, mas uma profunda e crítica prospecção, introspecção e reflexão filosófica de quem somos e o que podemos e deveríamos ser.

Vejamos um detalhe pouco percebido nos acontecimentos que se seguem à ressurreição de Jesus Cristo. Pouco tempo depois de Jesus ressucitar, então Maria que era sua discípula foi o procurar e não encontrou o corpo do Senhor Jesus. Mas logo em seguida Maria olha e próximo dali lá estava o Senhor Jesus possivelmente lavrando a terra, pois Maria pensou que Jesus fosse o jardineiro daquele local e ali havia um horto (João 19:41 e João 20: 11,17). Leia Geneses e veja se isso te lembra alguma coisa: "Ora, o Senhor plantou um jardim no Éden e pôs nele o homem para o cultivar e o guardar."(Gn 2:15) Há um interessante e extraordinário paralelismo entre esses dois textos. É Jesus em termos simbólicos dizendo: "Resgatei a identidade e a vida do homem, aquele que eu coloquei para lavrar a terra.
Vamos repensar mais ainda esse fato. Depois de Jesus ressucitar ele é confundido com um jardineiro por Maria Madalena, conforme já dito, pois possivelmente Jesus estava lavrando a terra ao lado do sepulcro, já que ali tinha um horto, segundo a Bíblia. Ok. Talvez você possa pensar que ele estivesse simplesmente guardando sua identidade. De fato isso tem a ver com identidade. Mas principalmente tem a ver com a nossa identidade. Na verdade ele estava é simbolicamente recriando o homem Adão do Geneses em termos de função. 
Fico imaginando, que Jesus, poderia muito bem sair fazendo todo um barulho, ridicularizando aqueles que o humilharam. Poderia sair com uma pirotecnia pra dizer: "voltei hein!". Mas não, ele simplesmente preferiu voltar-se para a singeleza e humildade de identidade do ser humano atribuida ao cultivo e guarda da terra, simplesmente. Esse é o Deus que devolve ao homem o verdadeiro homem/humanidade, e por conseguinte quem é o Deus verdadeiro para habitar com o homem. Jesus lavrava a terra como símbolo de ter ele resgatado a identidade do homem, já que a identidade nossa está no cultivar e guardar a terra, pois que Deus nos colocou no Horto do Eden para desenvolvermos a vida a partir da terra. Interessante e emocionante. demais.
Considerando que o jardim do Eden mais provavelmente era um Horto, e não um jardim como entendemos literalmente num sentido europeu, em termos ecológicos ser criado (o homem Adão) dentro de um Horto e fazendo a gestão ambiental como um jardineiro é uma visão muito mais interssante quanto tanto mais real e profunda. Na Bíblia o que é profundo te leva mais a realidade. Paradoxal como sempre. Senão não seria meu amado Jesus. rsss

Quer comemorar a Páscoa? Fica a dica. Plante uma árvore, abençoe o solo através de uma semente, a qual crescerá tal árvore e esta abençoará muitos animais e muitas pessoas com seus serviços ecológicos e seu valor intrínseco. Ressucite uma área degradada, prejudicada, suja, destituida de valor ou de identidade, uma área morta culturalmente, e você levará vida e identidade a um povo. Ir pelos campos para abençoar os solos e as semeaduras ainda hoje faz a Igreja Ortodoxa na manhã de Páscoa.




 Somos libertos e livres para amar e com através desse amor desenvolvamos a vida na terra em todos os sentidos que isso possa ter. 
Páscoa é comunhão plena. É comunhão com Deus, com o homem, com todos os demais seres e com a Terra, pois o Deus intangível e infindável se torna organicamente visível (encarna) e ceia a nossa liberdade pelo amor e nos tira do cativeiro do egoísmo e da destruição.

Aleluia. Hosana!

Ora, vem Senhor Jesus.

Jorge Tonnera Jr.
Biólogo educador e gestor ambiental



A ressurreição como insurreição

07/04/2012
Há uma questão da existência social do ser humano que atormenta o espírito e para a qual a ressurreição do Crucificado pode trazer um raio de luz: que sentido tem a morte violenta dos que tombaram pela causa da justiça e da liberdade? Que futuro têm aqueles proletários, camponeses, índios, sequestrados, torturados, assassinados pelos órgãos de segurança dos regimes despóticos e totalitários, como os nossos da América Latina, em fim, os anônimos que historicamente foram trucidados por reivindicarem seus direitos e a liberdade para si e para toda uma sociedade?
Geralmente a história é contada pelos que triunfaram e na perspectiva de seus interesses. A nossa, a brasileira, foi escrita pela mão branca. Só com o historiador mulato Capistrano de Abreu apareceu a mão negra e mulata. O sofrimento dos vencidos quem o honrará? Seus gritos caninos que sobem ao céus quem os escutará?
A ressurreição de Jesus pode nos oferecer alguma resposta. Pois, quem ressuscitou foi um destes derrotados e crucificados, Jesus, feito servo sofredor e condenado à vergonha da crucificação.
Quem ressuscitou não foi um César no auge de sua glória, nem um general no apogeu de seu poderio militar, nem um sábio na culminância de sua fama, nem um sumo-sacerdote com perfume de santidade. Quem ressuscitou foi um Crucificado, executado fora dos muros da cidade, como lembra a Carta aos Hebreus, quer dizer, na maior exclusão e infâmia social.
Mas foi ele que herdou as primícias da vida nova. Pois a ressurreição não é a reanimação de um cadáver como aquele de Lázaro. A ressurreição é a floração plena de todas as virtualidades latentes dentro de cada ser humano. Ela revela o sentido terminal da vida: a irradiação suprema do “homo absconditus” (o humano escondido) que agora se faz o “homo revelatus”(o humano revelado).
A ressurreição de Jesus mostrou que Deus tomou o partido dos vencidos. O algoz não triunfa sobre sua vítima. Deus ressuscitou a vítima e com isso não defraudou nossa sede por um mundo finalmente justo e fraterno que coloca a vida no centro e não o lucro e os interesses dos poderosos. Só ressuscitando os vencidos, fazemos justiça a eles e lhes devolvemos a vida roubada, vida agora transfigurada. Sem essa reconciliação com o passado perverso, a história permaneceria um enigma e até um absurdo.
Os injustamente executados voltarão, com a bandeira branca da vida. O verdadeiro sentido da ressurreição se mostra como insurreição contra as injustiças deste mundo que condena o justo e dá razão ao criminoso.
Agora pode começar uma nova história, com um horizonte aberto para um futuro promissor para a vida, para a sociedade e para a Terra. Dizem historiadores que o mundo antigo não conhecia o sorriso. Mostrava a gargalhada do deus Baco ou o riso maldoso do deus Pan. O sorriso, comentam, foi introduzido pelo Cristianismo por causa da alegria da Ressurreição. Só pode sorrir verdadeiramente quando se exorcizou o medo e se sabe que a grande palavra final é vida e não morte. O sorriso, portanto, é filho da Ressurreição que celebra a vitória da vida sobre a morte, testemunha o encantamento sobre a frustração e proclama o amor incondicional sobre a indiferença e o ódio.
Este fato é religioso é somente acessível mediante a ruptura da fé. Admitindo que a ressurreição realmente aconteceu intra-historicamente, então seu significado transcende o campo religioso. Ganha uma dimensão existencial, social e cósmica. Na expressão de Teilhard de Chardin, a ressurreição configura um “tremendous” de dimensões evolucionárias, pois representa uma revolução dentro da evolução.
Se o Cristianismo tem algo singular a testemunhar, então é isso: a ressurreição como uma antecipação do fim bom do universo e a irrupção dentro da história ainda em curso do “novissimus Adam” como São Paulo chama a Cristo: o “Adão novíssimo”. Portanto, não é a saudade de um passado mas a celebração de um presente.
Depois disso, cabe apenas se alegrar, festejar, ir pelos campos para abençoar os solos e as semeaduras como o faz ainda hoje Igreja Ortodoxa na manhã de Páscoa.Entoemos, pois, o Aleluia da vida nova que se manifestou dentro do velho mundo.
Leonardo Boff é autor A nossa ressurreição na morte (Vozes).

sexta-feira, 6 de abril de 2012

O Segredo ou o Sagrado?

Gosto muito dos livros do Rabino Nilton Bonder. Embora naturalmente por minha cosmovisão cristã não concorde em tudo. Mas no geral é sempre uma boa leitura.
Atualmente estou lendo dois livros dele. Um deles se chama "O Sagrado". Este livro é bem contestador a medida que ele se opõe as duas vertentes mais presentes das filosofias de nossa época. Conforme diz em sua sinopse: "Numa era de incertezas e competição, o ser humano se sente carente de valor. O resgate desta estima tem hoje dois caminhos: o racionalismo e o esoterismo.Um quer redimir o ser humano pelo controle e o outro pelo privilégio; um pelo poder, o outro pelo desejo; um pela tecnologia, o outro pelo segredo". Continuando ele afirma e de certa maneira desafia a olhar por outra perspectiva. Ele diz que há uma terceira via, que distante do racionalismo que quer entender acima de todo custo e do esoterismo que quer evocar, há "o Sagrado", que acolhe incerteza, fortalecendo as escolhas, resgata a vida em sua totalidade, é simples e profundo ao mesmo tempo, potencializando o viver em sua integralidade, considerando outras realidades que não conseguimos ver. Sendo assim racional sem desprezar o que não se vê.O livro nos coloca como parte e não meio e fim. Como pertencentes da comunidade da vida ninguém tem que se achar no privilégio e direito de ter por simples querer. O tema e o próprio título É um coerente trocadilho perfeito que surge como crítica ao livro "O Segredo", famoso best-seller que tenta vender e convencer as pessoas com doses de "ciências" para elas crerem que o que elas pensam e desejam podem atrair tudo para si. O trocadilho do livro também é ao mesmo tempo uma crítica ao racionalismo que acha que a fé não passa de coisas encobertas e ainda não conhecidas e explicadas pela ciência, já que o racionalismo considera o conhecimento milenar religoso como nada mais que um algo ainda não revelado pela ciência, um segredo por hora não desnudo e não dissecado, que cabe a ciência descobrir e eliminar a versão religiosa.
A essência e a síntese desse livro, ao meu ver, pode ser encontrada no registro bíblico sobre as relações e a tensão psicológica entre três eixos-pessoas: Balaão (Bilam), o rei moabita Balaque e Israel, o povo de Deus (Números 23). O momento central é quando a subjetividade egoísta de Balaão o faz alterar a mensagem de Deus para ser de acordo com seus interesses pessoais, dada a tentação que Balaque lhe oferecera. É o desejo de ser mais importante que o que realmente importa, é o querer acima do poder. Um egocentrismo, um antropocentrismo onde o hedonismo se revela apesar de querer se travestir.
Nilton Bonder foi formidável ao desafiar tais interesses e nos levar a conclusão na raiz do que de fato é esse tal Segredo:
O Segredo nada mais é que a má e velha cobiça enrustida e fantasiada com nome romântico de "Lei da Atração". Ou senão o desejo de manipular as coisas, pessoas e até Deus, e crer que somos racionalmente capazes de conseguir tudo o que queremos, assentados num relativismo ético não aceitando assim absolutos morais estabelecidos, haja visto que os mesmos são considerados por estes que relativizam e usam o subjetivo para se conformar e ter desculpas para desviar-se do que é certo , como inerentes a pessoas e épocas, ou ainda levam ao sentimento a famosa ideia de "os fins justificam os meios", e assim sendo buscando derrubar as barreiras que não nos deixam conseguir tudo o que desejamos e cobiçamos nessa vida. Intentos que visam um bem-estar, muitas vezes relativos, com métodos incoerentes O materialismo se subdivide em racionalismo e exoterismo. Que ironia o racionalismo, que prega ser tão contra a espiritualidade e religiosidade está assentado no mesmo fundamento que o exoterismo...o qual é tão devaneio quanto crermos dominar o mundo com nossa razão e usá-lo conforme quero. "Transvertido de oculto, o segredo é o desejo por clareza, por manifestação daquilo que é imanifesto. Essa tentação que já vestiu muitas roupagens em distintas épocas ganha hoje o estilo do consumo, dos ideais capitalistas e do individualismo", diz Bonder. Penso eu que é o sistema pagão retroalimentando o pagão sistema.

Em Cristo, o Sagrado revelado e encarnado
Jorge Tonnera Jr.
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