domingo, 26 de maio de 2013

A integração do espaço público. As Bicicletas e a Mobilidade Urbana no Rio de Janeiro: Caminho para todos.

Este é um texto que escrevi para a Ong "A Partir do Rio", a pedido do Leonardo Alves de Lima. Compartilhem e opinem. Para nós é muito importante.
http://www.apartirdorio.org.br/titulo/

 A integração do espaço público

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 As Bicicletas e a Mobilidade Urbana no Rio de Janeiro
Caminho para todos.

Viver nesse mundo sempre foi se movimentar de um lugar a outro,   mais ainda desde que o mundo é “urbe”. Ora, a urbe acabou se tornando sinônimo de  deslocamento, da mesma forma, nem sempre trânsito foi sinônimo de carro ou pior ainda, de engarrafamento. De forma que mobilidade hoje é o termo que urge à urbe para uma forma de fazer a vida transitar e torná-la mais fluida. Assim sendo, Mobilidade vai lidar com o direito de todos por um espaço adequado às necessidades biológicas, sociais e econômicas da sociedade, da mesma forma, também abordará a justiça, já que em termos de direitos nem todo grupo social tem tido o mesmo uso-fruto da possibilidade do livre transitar, ou pelo menos não de maneira de igualdade de direitos. Na verdade, o trânsito tem se tornado cada vez mais na urbe, espaço de exclusão.

Temos sofrido muito com a falta de mobilidade sustentável. Por exemplo, a demora que um trabalhador leva no trajeto: casa-trabalho x trabalho-casa não é computado em termos de jornada de trabalho. É sabido que a forma como é feita a mobilidade extenua sua condição de produtividade e qualidade de vida. E mais, a violência no trânsito e do trânsito tem se tornado algo comum. Não se trata só do deslocamento de veículos em desacordo às normas de trânsito que promove violência. Não me refiro somente a isto, o que está além é a própria falta de mobilidade como geradora violência. Na verdade, a falta de mobilidade é em si uma das várias formas de violência urbana. Isso porque se ao mesmo tempo em que um ciclista é atropelado por um carro ou ônibus por um dos dois não haver respeitado o direito de compartilhar uma via, também é bem verdade que enquanto o trânsito se mantém estático gera frustrações e sentimentos de angústia e revolta, somadas a toda sorte de conflitos pessoais acumulados durante a semana. Um simples buzinar pode ser um indício/início de agressividade. No trânsito parado as pessoas se olham de formas fechadas, competitivas e não raramente apáticas. Henry Ford costumava dizer que um mercado nunca fica saturado de bons produtos. A quantidade de carros em uma via e a maneira de vivermos hoje revela que essa máxima não é verdadeira.

Para que tenhamos uma mobilidade urbana viva e sustentável precisamos ter a capacidade de integrar e diversificar os modais de transporte. Além disso, é mais que necessário diversificar e aumentar o número de centros de desenvolvimento para que uma quantidade grande de moradores de municípios adjacentes não precisem ir trabalhar tão longe de suas casas.

Dentro deste cenário e realidade há um modal de transporte que tem e terá fundamental importância na mudança de mobilidade e na fluidez e liberdade de trânsito da cidade, promovendo mais identificação com a cidade e qualidade de vida. Refiro-me às bicicletas. Estas que desde há tanto tempo atrás eram veículos de transporte, mas ao passar dos anos e mudanças culturais, sociais e econômicas se tornaram meros instrumentos de lazer domingueiros.

Quebrar o paradigma carioca de que bicicleta é puramente um objeto de lazer se faz necessário cada vez mais. No entanto, em meio a isso é comum se ouvir que “lugar de ciclista é na ciclovia”, ou pior ainda “lugar de ciclista é na calçada”. Ora, quando se convencionou que os veículos motores, particularmente os carros, são os donos da rua? Os destinatários de um processo de construção de mobilidade são pessoas, independente de como escolheram transitar. A rua e a cidade devem ser para pessoas e não para coisas. Quando se convencionou que os veículos motores, particularmente os carros, seriam a melhor forma de se conduzir e detentores únicos e privilegiados do direito de ir e vir? Simples, quando transitamos levamos conosco pra qualquer lugar que seja nossos valores e conjunto de crenças a partir da cosmovisão que nos move. O inconsciente coletivo que quando cristalizado se torna estático para as nossas vidas e não permite pensar diferente maneiras, alternativas à rotina nos impossibilitam de mudar. Na maioria das vezes quando se vive todos os dias indo e vindo em coletivos lotados o que vem a mente do cidadão é “quando eu comprar um carro isso vai acabar”. Desmistificar o status da carapaça metálica que blinda o ser humano em seu automóvel de seu poder e ego e individualismo é necessário.

É bom que se diga que as bicicletas têm seus direitos e devem compartilhar a rua e que apesar de que ciclovias são feitas para bicicletas, as bicicletas não são feitas para ciclovias, mas sim para gerar possibilidades de trânsito. E apesar de ser um senso comum que ciclovias são necessárias para uma melhor mobilidade urbana é importante afirmar que ciclovias não são sinônimos de “paz no trânsito” nem a solução da mobilidade urbana, mas sim parte dela.

A lei protege o menor, a partir do senso de responsabilidade do maior dando oportunidade de todos dividirem e compartilharem o mesmo espaço. É observado que tem crescido a quantidade de ciclistas na cidade do Rio de Janeiro. Nos últimos oito anos houve um aumento de 84,3% do uso deste modal. Mais de 1,2 milhão de viagens de bicicleta por dia, o que representa 5% de todos os deslocamentos na cidade, segundo a ONG Transporte Ativo. Isto é bom. E mais ainda, estudos feitos no EUA revelaram que o carro já não é mais tão atraente para o jovem de lá. Creio que isso será uma tendência aqui também. Talvez já esteja sendo.

A bicicleta talvez seja a máquina mais multiuso que o homem já inventou. Certamente uma das mais importantes. Resgatar o senso de multiplicidade da bicicleta, a mesma que foi responsável por permitir ampliar a nossa variedade genética ao deslocar nossos antepassados de lugares para lugares em romances até então impensados e inesperados, socializar, trabalhar, até a possibilidade de gerar energia elétrica. Ela é um veículo que transpassa a cidade e imaginar cidades, nos termos de mobilidade urbana está implícito o apreciar o lugar que está passando bem a sua frente.

Uma experiência marcante tem sido as “bicicletadas” (Massa Crítica), toda última sexta-feira do mês. Estas são intervenções no trânsito em que vários ciclistas de várias partes da cidade se encontram e saem para pedalar coletivamente para assim ocupar o espaço das vias de trânsito mostrando que a bicicleta é um veículo de transporte. Os grupos agem em rede como Bike Anjo (voluntários que se encarregam de conduzir iniciantes da bicicleta ao trabalho), a bicicletada Jardinária, a Nuvem Sound System, e A Cyclofônica também são outras manifestações.  Há dois anos eu nunca imaginava que havia um movimento no Rio de Janeiro, a partir de bicicletas e seus amantes e entusiastas pedalantes, nem imaginava o tanto como as bicicletas poderiam oferecer a mim e a cidade.

A bicicleta leva-nos além do trânsito e do lugar, nos liberta. Sem bicicletas futuramente não haverá trânsito (no sentido correto da palavra, que é deslocar-se de um lugar a outro). Espaços de vida devem ser vivificados. A função social e biológica, e assim sendo, ecológica de todo espaço é permitir a vida. Sem trânsito não há vida.


Jorge Tonnera Jr.
Biólogo especialista em Gestão Ambiental, trabalha como Professor de Educação Ambiental na Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro – COMLURB; é membro do Coletivo Igrejas Ecocidadãs – RJ, e participa de massas críticas (Bicicletadas). Escreve no seu blog “Essa Novidade de Vida”.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Uruguai troca arma de fogo por bicicleta

Uruguai troca arma de fogo por bicicleta e laptop

Conhecida como “Armas para a Vida”, o programa oferece dois benefícios em troca das armas de fogo: uma “ceibalita”, uma espécie de laptop uruguaio, ou uma bicicleta.
Fonte: Envolverde

bike Uruguai troca arma de fogo por bicicleta
Foto: pachenha


O velho Pepe, o presidente do Uruguai José Mujica, continua a implantar ideias inusitadas para promover grandes mudanças em sua população. Dessa vez, o presidente que legalizou o aborto e o casamento gay, lançou uma campanha de desarmamento diferente.
Conhecida como “Armas para a Vida”, o programa oferece dois benefícios em troca das armas de fogo: uma “ceibalita”, uma espécie de laptop uruguaio, ou uma bicicleta. Segundo o comunicado oficial essas são armas “para a vida”, porque uma dispara o conhecimento, enquanto a outra serve para a saúde física.
Além da campanha, o executivo deve enviar ao Parlamento uruguaio uma nova legislação sobre armas para regularizar os cidadãos que possuem armas irregulares. O texto prevê prisões de um a 12 anos para cidadãos que portam armas não legalizadas. Caso seja aprovada, o a regularização ou entrega dos armamentos deverá ser feita em até seis meses.

Coibição
Segundo o jornal uruguaio El Observador, “a decisão coincide com o avanço – no ano passado e no presente – dos crimes vinculados ao narcotráfico que levaram a oposição a questionar o governo”.
As autoridades uruguaias trabalham com a hipótese de a maioria das armas de fogo utilizadas por criminosos foram roubadas de cidadãos. Não há dados oficiais sobre o número armas irregulares no país, mas há cerca de 580 mil armas de fogo registradas.

 



sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

“Plantamos, eles arrasam, voltamos a plantar”

14/2/2013 - 10h08

“Plantamos, eles arrasam, voltamos a plantar”


por Eva Bartlett, da IPS

plantamos “Plantamos, eles arrasam, voltamos a plantar”
Um Abed planta uma oliveira como símbolo de apoio aos agricultores palestinos. Foto: Eva Bartlett/IPS

Zeitoun, Gaza, 14/2/2013 – Tawfiq Mandil, de 45 anos, é um das centenas de agricultores e ativistas no distrito de Zeitoun, em Gaza, a meio quilômetro da fronteira com Israel, que participam de um novo chamado para boicotar os produtos dos assentamentos judeus. “O exército israelense destruiu minha casa e meus cinco dunams de terras (um dunam equivale a mil metros quadrados) no último dia da ofensiva de 2009, bem como outras 20 casas”, afirmou.
Com cartazes onde se lia “Boicote aos produtos agrícolas israelenses” e “Apoiemos os agricultores palestinos”, Mandil e outros se reuniram no dia 9 para plantar oliveiras em terra arrasada por Israel e para renovar o chamado ao boicote a produtos desse país. Mandil afirmou que o boicote é a única esperança de justiça para os produtores palestinos. “Esperamos que isto pressione Israel a deixar de nos atacar e que nos permita usar nossa terra como sempre usamos”, acrescentou.
O fato de a mobilização acontecer perto da “zona de amortização” foi significativo. As autoridades israelenses proíbem os palestinos de se aproximarem a menos de 300 metros da fronteira entre Gaza e Israel. Porém, o exército israelense realiza ataques contra palestinos até a dois quilômetros da fronteira, em algumas áreas, afetando dessa forma mais de 35% das terras agrícolas de Gaza.
“Ao comercializar com os assentamentos judeus, os Estados não cumprem sua obrigação de cooperar de forma ativa para acabar com o avanço colonial israelense”, declarou o agricultor. “Portanto, se deve considerar uma proibição à comercialização com os assentamentos entre outras opções que terceiros países devem adotar para cumprirem suas obrigações de acordo com a lei internacional”, destacou.
A organização de direitos humanos palestina Al Haq divulgou um documento no mês passado condenando o comércio com os assentamentos israelenses. O estudo tem o título de Fazendo um festim com a ocupação: a ilegalidade da produção dos assentamentos e a responsabilidade dos Estados-membros da União Europeia de acordo com o direito internacional. “Embora a União Europeia tenha condenado de forma bastante clara os assentamentos e sua expansão, continua importando o que neles é produzido, e ao fazer isso ajuda a manter sua existência”, disse em um comunicado de imprensa o diretor-geral da Al Haq, Shawan Jabarin.
“Mais de 80 palestinos ficaram feridos e pelo menos quatro morreram em ataques israelenses em diversas zonas da fronteira desde o cessar-fogo adotado em novembro de 2012 entre Israel e a resistência palestina”, disse o ativista britânico Adie Mormech, de 35 anos, radicado em Gaza. “Há uma ação simultânea de protesto na Cisjordânia ocupada”, contou. “Estão plantando perto da colônia de Yitzhar, que é famosa por sua violência contra os palestinos. Em todo o mundo, cerca de 30 países realizam ações em solidariedade com os agricultores e pescadores palestinos”.
Um Abed, de 65 anos, se mostra desafiador. “Hoje estamos plantando oliveiras. Se Deus quiser, no próximo ano vamos plantar limões, tâmaras e palmeiras. Nós plantamos, eles arrasam, plantamos novamente”, enfatizou. Esta nova campanha é parte de uma onda de iniciativas semelhantes lançadas em Gaza nos últimos anos. Estudantes universitários de Gaza redobraram seu chamado ao boicote em 2012, publicando no site YouTube vídeos pedindo aos simpatizantes da Palestina na comunidade internacional que dessem apoio político, e não apenas assistência econômica ou humanitária.
A Campanha Palestina para o Boicote Acadêmico e Cultural Contra Israel (Pacbi) ganhou aos poucos apoio internacional, inclusive de universidades e acadêmicos da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos. Um crescente número de associações culturais e religiosas, como a quáquer Friends Fiduciary Corporation, estão retirando seus investimentos de empresas que têm lucro ou apoiam a ocupação israelense na Palestina. A Igreja Unida do Canadá apoiou em agosto passado o boicote aos artigos produzidos nos assentamentos.
Haidar Eid, professor da Universidade de Al Aqsa, em Gaza, e membro da Pacbi, explicou em que implica a campanha Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS). “Chamamos à implantação da Resolução 242 do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), que indica uma retirada das forças de ocupação da Faixa de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém oriental”, afirmou. “A segunda demanda é a implantação da Resolução 194, para devolver a todos os refugiados palestinos os povoados e as aldeias de onde foram expulsos por razões étnicas em 1948. Queremos igualdade”, ressaltou.
A sociedade civil e os estudantes de Gaza estão na vanguarda da campanha BDS, mas também o governo da Faixa, a cargo do Hamás (Movimento de Resistência Islâmica), deu passos importantes para levá-la adiante, destacou o ativista norte-americano Joe Catron. “A campanha contra a Adidas começou em março de 2012, quando essa empresa patrocinava uma maratona em diversas partes de Jerusalém, incluindo algumas internacionalmente conhecidas como ocupadas. O Ministério de Juventude e Esportes de Gaza pediu à Liga Árabe que boicotasse a Adidas em resposta a isto, o que vários países fizeram”, contou à IPS.
Em setembro de 2012, o Ministério da Agricultura de Gaza decidiu proibir a entrada na Faixa da maioria das frutas israelenses. Agora “os agricultores palestinos podem cultivar as frutas para nosso consumo”, disse o diretor de Mercado do Ministério, Tahsen Al Saqa. “Devemos apoiar e proteger nossos produtores. Foram economicamente devastados desde 2006 pela proibição israelense de exportarem”, declarou. “O boicote é a chave, e está crescendo. O impulso é tal que não vai parar”, assegurou Adie Mormech. Envolverde/IPS
(IPS)

http://envolverde.com.br/ips/inter-press-service-reportagens/plantamos-eles-arrasam-voltamos-a-plantar/

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

A oração. No olhar fotográfico

A oração. No olhar fotográfico de Carol Leite


Carol Leite tem 24 anos, é jornalista e fotógrafa pernambucana que aceitou nosso convite de fazer imagens que a remetem à prática pessoal da oração. Carol é membro da 1ª Igreja Batista do Recife, PE. “Acredito que fomos todos chamados pra comunicar a graça e é isso que tento fazer quando escrevo e fotografo. O que eu mais amo nessa vida é gente e por isso comunico como gente, sobre gente e para gente”, diz ela.
As fotos de Carol vão ilustrar os boletins Últimas deste mês, na expectativa do novo livro da Ultimato: “A Oração Nossa de Cada Dia, de Carlos Queiroz. Confira abaixo as imagens (que serão adicionadas semanalmente) e a descrição da fotógrafa.

“Ele carrega telhas. E assim vejo a oração: o telhado da casa em construção que sou. Me protege, me guarda, é formado por pequenas telhas. Ora esquecidas ou quebradas, me deixando na chuva e no sol. Quando no lugar, faz de mim mais que uma casa, um lar dEle, de mim e de outros”. (Carol Leite)

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

O Descaminho de Saruman,

Quando li esse texto logo abaixo, pela primeira vez, gostei muito. Vale a pena ler e ainda mais que o recém lançado filme O Hobbit estará mais uma vez apaixonantemente inspirando muitos de nós a ler e reler Senhor dos Anéis e Tolkien.

Texto lido e copiado de http://isabelaabescasaca.blogspot.com.br/2011/05/o-descaminho-de-saruman.html

O Descaminho de Saruman

— Sim, podem me chamar de Gandalf. (...) Alegrem-se! Encontramo-nos de novo! Na virada da maré. A grande tempestade se aproxima, mas a maré virou.
— Gandalf! — disse Gimli. — Mas você está todo de branco!
— Sim, sou branco agora — disse Gandalf. — Na verdade, eu sou Saruman, quase poderíamos dizer, Saruman como ele deveria ter sido. (Trecho do capítulo O Cavaleiro Branco d'O Senhor dos Anéis, As Duas Torres)
Esse pequeno trecho da obra de J. R. R. Tolkien, deixa explicito que o istari Saruman, ou na linguagem leiga, o mago Saruman, desviou-se do propósito original para o qual foi enviado a Terra-Média pelos valar, quando cobiçou o Um Anel para si. Todavia, a traição de Saruman é ainda maior que isto, pois, este, voltou-se contra sua própria condição de istari.

Os magos são figuras associadas amplamente ao conhecimento da natureza. Como exemplos populares, podemos citar Belchior, Baltazar e Gaspar, os três Reis Magos da Bíblia, que tinham conhecimento do movimento estrelar. Ou então, o druida Merlin, do Ciclo Arthuriano, com seus conhecimentos florestais.

É neste ponto que Saruman trai-se! Pois, este volta-se para o mundo das engrenagens e alia-se aos orcs, inimigos declarados das coisas naturais.

— Saruman é um Mago — respondeu Barbárvore. — (...) Eu costumava conversar com ele. Houve um tempo em que estava sempre perambulando por minhas florestas. Era educado naquela época, sempre pedindo minha permissão (pelo menos quando me encontrava); e sempre ansioso por escutar. Eu lhe disse coisas que ele nunca descobriria por conta própria, mas nunca me retribuiu da mesma forma. Não consigo recordar de ele me ter contado qualquer coisa.
— Acho que agora entendo o que ele pretende. Está tramando para se transformar num Poder. Tem um cérebro de metal e rodas, e não se preocupa com os seres que crescem, a não ser enquanto o servem. E agora fica claro que ele é um traidor negro.
— Aliou-se a seres maus, aos orcs. Bem, hum! Pior que isso: vem fazendo alguma coisa a eles, alguma coisa perigosa. Porque esses isengardenses são mais semelhantes a homens maus. Os seres malignos que vieram na Grande Escuridão têm como marca a característica de não suportarem o sol; mas os orcs de Saruman suportam, mesmo que o odeiem. Fico imaginando o que ele terá feito. Seriam eles homens que ele arruinou, ou teria ele misturado a raça dos orcs e a dos homens? Isso seria uma maldade negra! (Trecho do capítulo Barbárvore d'O Senhor dos Anéis, As Duas Torres)

Esta passagem d'O Senhor dos Anéis, demonstra uma preocupação de Tolkien, com um acontecimento real de seu tempo, que era o processo desenfreado industrialização.

Corey Olsen, professor do Washington College, diz: "Tolkien era muito preocupado, desde a infância, com o processo de industrialização, em grande parte porque ele o via como um reflexo da corrupção humana. Isto é, na opinião dele, o impulso de industrializar estava intimamente conectado com o impulso de dominar, e para Tolkien, o desejo de dominar é o mesmo, quer se dominem pessoas ou árvores e plantas." (Citação retirada do episódio A Mitologia de Tolkien, do documentário Confronto dos Deuses, produzido pelo History Channel)

Assim, Saruman pode personificar esse processo de corrupção, industrialização, mau uso da tecnologia e manipulação genética.

Justamente ele é derrotado por Barbárvore e os outros Ents, que são as forças da natureza.

Desta forma, J. R. R. Tolkien nos deixa uma lição. Não devemos nos afastar ou desrespeitar o mundo natural, pois, as conseqüências disto são devastadoras!

Caio Fábio citando As Crônicas de Narnia (anos 90)

Em meados dos anos 90, antes do grande sucesso de As Crônicas de Narnia terem chegado ao público brasileiro, Caio Fábio citou certa vez durante uma pregação ao ar livre para uma multidão, falando da referencia de Aslan como Jesus e a lei do amor que rompe o grilhão da morte.
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=UH4-hSBys8Y



abraços

jorge

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Natal 2012, dia em que o Deus-Trindade faz a operação “Ocupa Terra”


Natal 2012, dia em que o Deus-Trindade faz a operação “Ocupa Terra”
Antonio Cechin,irmão marista, agente de Pastoral em diversas periferias da região metropolitana de Porto Alegre, assessor de Comunidades Eclesiais de Base do Rio Grande do Sul, dos catadores e recicladores e autor do livro Empoderamento Popular. Uma pedagogia de libertação (Porto Alegre: Estef, 2010)

Eis o artigo lidoe  copiado de http://www.ihu.unisinos.br/noticias/516676-natal-2012-dia-em-que-o-deus-trindade-faz-a-operacao-ocupa-terra

O ano de 2012 com certeza passará para a história como o ano continuador das primaveras árabes. De modo especial, como o ano comandado desde o centro do império econômico-político do mundo com uma operação de nome “Ocupa Nova York. Como um rastilho de pólvora, a primeira operação OCUPA, incenciou quase todos os países do universo com “ocupas” os mais diversos: ocupa Grécia, ocupa Praças da Espanha, ocupa Paris, ocupa Itália, etc. etc. Profetizam até que no continente europeu, a operação ocupa vai alcançar país atrás de país, percorrendo a todos sem exceção.
Aqui mesmo, entre nós, na onda febril das ocupações , houve também uma pequena Ocupa Porto Alegre a uns três meses atrás, no embalo das tantas mundo a fora. Homens e mulheres ficaram pelo menos durante uns três meses, ocupando a praça da matriz dia e noite, bem ao estilo hippie. Adquiriram notoriedade quando receberam visita inesperada e surpreendente de alguns índios da região da Raposa Serra do Sol, quais novos magos vindos do setentrião a fim de distribuir parabéns aos ocupantes sulistas e pedir apoio para similares ocupações acontecendo em outros recantos do Brasil.
Sabemos o que aconteceu. Os índios não conseguiram autorização, em horário de que dispunham, para uma visita à catedral, contígua à praça ocupada. Quando menos esperavam, ouviram acordes de melodias religiosas ecoando pela praça, provenientes do interior do templo. Imbuídos que estavam do espírito de “ocupação”, não pestanejaram. Acompanhados de alguns acampados locais, entraram na igreja pela porta amplamente aberta. Pelo corredor central foram avançando até a altura da mesa do altar aonde o arcebispo presidia um solene pontifical.
Um dos concelebrantes vendo o inédito cortejo se achegando tão próximo, aparentemente ameaçador, veio-lhes ao encontro. Os arrivistas não se detiveram. Índios à frente, o grupo subiu os últimos três degraus. Dirigiram-se todos para as cadeiras atrás do altar que, naquele instante, haviam ficado vazias dos celebrantes, já alçados para ocupar o entorno do altar e dar prosseguimento ao culto. Uma pessoa local que acompanhava os aborígenes, falou ao ouvido de um dos celebrantes dando a razão de ser do inesperado cortejo. Haviam adentrado porque os nativos visitantes também queriam participar, fazendo juntos suas orações. A partir do instante em que se acomodaram nas cadeiras, numa tranquilidade absoluta, acompanharam os rituais até seu final. Ao mesmo tempo em que o culto se encerrava, encerraram também os índios com seus acompanhantes a pequena operação ocupa catedral. Pequena sim, porém não a menor do mundo, pelo aspecto inusitado que tomou, quanto ao ambiente ocupado e a qualidade de todo inesperada, de ter sido da parte de nativos.
Nós brasileiros, estamos mais do que acostumados com operações ocupa fazendas, ocupa repartições publicas, especialmente a “ocupa Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra)”, sempre que se trata de urgir desapropriação de terras para plantar, por parte de gente sem terra.
Nas periferias dos meios urbanos, não passa um dia sequer que, em algum lugar do Brasil, não haja um ocupa terrenos para gente pobre morar. Com o Povo da Rua (carroceiros, carrinheiros, catadores), nós mesmos acompanhamos operações ocupa-elefantes-brancos, tipo ruínas, algum prédio abandonado, túneis desativados da viação férrea, para implantação de coletivos de trabalho com resíduos sólidos.
A ocupação mais espetacular que, mansamente foi sendo feita pelos carrinheiros, foi a ocupação do Centro Histórico da cidade Porto Alegre. Construíram ao lado da rodoviária e da Secretaria de Segurança do RS, uma vila inteira de malocas, em cima dos trilhos desativados da viação férrea. Hoje é a Vila Santa Teresinha, assentamento realizado por Olívio Dutra quando ministro das cidades do governo Lula. Um enclave assim de excluídos carrinheiros, no coração da cidade, é inédito com certeza em cidade que é capital de estado.
Natal é Vida que nasce, porque Deus é Vida em plenitude. A primeira lei divina da criação é que a Vida para medrar, para desabrochar, necessita de um espaço. A semente da Vida, tanto vegetal ou animal quanto a vida humana, sem ocupar um mínimo de espaço vital, não pode vingar.
Nosso Deus Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo, um único Deus em três pessoas, amam-se a tal ponto, que formam um único Deus. Juntas, por infinito amor à criação e particularmente às pessoas humanas, as três planejaram enviar o Filho Jesus à terra. “O Deus Filho veio para cumprir a vontade do Pai”, como vem profetizado em salmo do Antigo Testamento. Como é Amor, quer ser acolhido também com Amor, pelas criaturas humanas.
Começa então a realizar-se o projeto da encarnação divina. Deus solicita através do mensageiro Gabriel o consentimento de Maria. Ela de tanto meditar em seu coração a Palavra de Deus revelada na bíblia, assiste agora o Verbo (a Palavra) se fazendo carne em seu ventre. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” diz o evangelista João. Jesus, semelhantemente a qualquer um de nós seres humanos, ocupou seu primeiro espaço de humana criatura, no recôndito seio de Maria, sua Mãe.
Transcorridos nove meses desde a concepção, ocupado totalmente o espaço do ventre materno, a Vida do feto necessitou de um espaço maior. No dia 25 de dezembro do ano 1, Jesus tem que deixar para trás o ventre da Mãe, de alguma forma tem de realizar uma páscoa, isto é um rito de passagem já ao nascer. Do seio da mãe para o planeta Terra, como o faz toda e qualquer criança ao nascer. Já que Ele vinha para o meio dos seus “e os seus não O quiseram receber” sempre nas palavras de João, o Menino de Nazaré ocupa o espaço que a materialidade de seu corpo humano necessita. De imediato ocupa uma manjedoura de animais, dentro de uma gruta nas periferias de Belém.
Ontem como hoje a ocupação de espaços da terra, sempre assustou os poderosos do mundo que, normalmente, são poderosos porque se fazem donos de terra, de muita terra. O rei Herodes que imperava na Palestina, temendo que o Rei Jesus lhe fizesse concorrência de poder, alertado pelos doutores e sumos sacerdotes do templo que explicaram aos magos aonde poderia ter nascido o Menino anunciado pela estrela, mandou matar todas as crianças de dois anos para baixo. Iludiu-se a si mesmo pensando ter matado o Messias em meio a tanto sangue derramado..
Mais tarde, esse Menino do Presépio, no sermão da montanha, transformou em bem-aventurança a ocupação dos espaços necessários para a vida poder ser, quando disse: “Bem-aventurados os mansos porque possuirão a terra!” Ele considera felizes, santos, aqueles que desarmados, pacificamente, fazem ocupação de espaços para se realizarem dignamente.
No Natal desta derradeira semana do ano 2012, o divino profeta com sua ocupação de uma manjedoura e de uma gruta, grita ao mundo inteiro, como gritou através dos anjos naquela noite abençoada: “Glória a Deus nas alturas e Paz aos homens por ele amados!” O Filho de Deus, comunitarista por excelência pelo sonho que nos trouxe pregando um Reino de Deus eminentemente comunitário, muito antes do comunista Marx e com autenticidade divina, grita neste final de ano das ocupações em todo o universo: “Pobres do mundo uni-vos e ocupai os espaços de que necessitais a fim de poderdes viver uma autêntica Vida, digna de Filhos de Deus!”
Como Catequistas da Libertação, anunciando o Ano da Fé que é 2013, somos obrigados a ler a sequência das operações “ocupa” que invadem o mundo, como o Sinal dos Tempos de hoje. É ao mesmo tempo a natureza em dores de parto com tantas catástrofes naturais acontecidas, quanto “a manifestação dos filhos de Deus” que estão reforçando sempre mais o exército dos militantes biófilos, amantes da vida, em luta contra os necrófilos ou amantes da morte, no seguimento do grito havido na Rio+20.
Será isso Catequese Libertadora? Será isso Teologia da Libertação?... É apenas o beabá do cristianismo desde dois mil anos, lecionado nas escolas cristãs e nas Faculdades de Teologia desde tempos muito anteriores a Santo Tomás de Aquino que, em plena idade Média ensinava isso. É só abrir a Suma Teológica e lá encontraremos: “Quando uma pessoa ou um grupo de pessoas são carentes em suas necessidades básicas e fundamentais, em tal situação, tudo no mundo passa a ser comum, tal como era no início da Criação. Deus fez o mundo para todos e para que todos tenham vida e Vida em plenitude. Isso significa que um faminto tem direito de ir a um lugar em que haja comida, nem que seja na geladeira da minha casa e de lá tirar o alimento de que necessita. Se alguém não tem um lugar onde reclinar a cabeça para dormir e descansar, em qualquer residência ou qualquer abrigo, em qualquer cama ou catre que encontrar, tem o direito de deitar e descansar a fim de recuperar as forças e sair prosseguindo sua vida.
João Batista que escutamos preparando o Natal, quando interrogado sobre o que deveriam fazer para a chegada do Messias, respondia: “Quem tem duas túnicas, dê uma a quem não tem!” Com fé nas operações “ocupa” como obra divina, cantemos sempre de novo no Ano da Fé, o canto das Comunidades de Base do Brasil:

A TERRA É DE TODOS, disse Deus a Adão.
Ocupa e cultiva, tira dela o teu pão.

Eis o plano de Deus, plano da Criação:
A terra é de todos e todos homens irmãos.

Depois que Deus fez a terra, fez os bichos, fez Adão.
Fez também a mulher, a primeira união.

Adão ‘stava feliz por toda a criação
Muito alegre com a mulher, seu segundo coração.

O capeta com inveja de ver Adão feliz,
Faz-lhe traição pra roubar-lhe o paraíso.

Depois que o homem pecou, logo veio a maldição.
Esqueceu o plano de Deus e matou o seu irmão.

Foi o homem que mudou, Deus não muda não.
A terra é de todos e não só dos tubarão.

Para nós trabalhadores a terra é nosso canto.
Vamos lutar por ela, com amor no entanto.

A união é importante, a coragem também é.
Exija seus direitos seja homem ou mulher.

Lutemos com fé, não sejamos desanimados,
Pois o Cristo Salvador, está sempre ao nosso lado.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O evangelho, segundo o Rappa

Minha Alma (A Paz Que Eu Nao Quero)  - Banda O Rappa

O Rappa - Minha Alma ( A Paz Que Eu Não Quero ) - Eletronic Video Sing
A minha alma tá armada e apontada
Para cara do sossego!
(Sêgo! Sêgo! Sêgo! Sêgo!)
Pois paz sem voz, paz sem voz
Não é paz, é medo!
(Medo! Medo! Medo! Medo!)

As vezes eu falo com a vida,
As vezes é ela quem diz:
"Qual a paz que eu não quero conservar
Pra tentar ser feliz ?" 2x

A minha alma tá armada e apontada
Para a cara do sossego!
(Sêgo! Sêgo! Sêgo! Sêgo!)
Pois paz sem,paz sem voz,
Não é paz é medo
(Medo! Medo! Medo! Medo!)

As vezes eu falo com a vida,
As vezes é ela quem diz:
''Qual a paz que eu não quero conservar
Pra tentar ser feliz ?'' 2x

As grades do condomínio
São prá trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que tá nessa prisão

Me abrace e me dê um beijo,
Faça um filho comigo,
Mas não me deixe sentar na poltrona
No dia de domingo (domingo!)

Procurando novas drogas de aluguel
Neste vídeo coagido,
É pela paz que eu não quero seguir admitindo.

As vezes eu falo com a vida,
As vezes é ela quem diz:
‘’Qual a paz que eu não quero conservar
Pra tentar ser feliz ?’’ 2x

As grades do condomínio
São prá trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que tá nessa prisão

Me abrace e me dê um beijo,
Faça um filho comigo,
Mas não me deixe sentar na poltrona
No dia de domingo (domingo!)

Procurando novas drogas de aluguel
Neste vídeo coagido,
É pela paz que eu não quero seguir admitindo. 2x

Me abrace e me dê um beijo,
Faça um filho comigo,
Mas não me deixa sentar na poltrona
No dia de domingo! (domingo!)

Procurando novas drogas de aluguel
Neste vídeo coagido,
É pela paz que eu não quero seguir admitido. 2x

É pela paz que eu não quero seguir
É pela paz que eu não quero seguir
É pela paz que eu não quero seguir admitido. 2x


Para assistir o premiado vídeoclipe:
http://letras.mus.br/o-rappa/28945/

 

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Joey Ramone - Merry Christmas (I Don't Want To Fight Tonight) (New Album 2012)




A conspiração do Natal


Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar.” (Gn 3,14-15).
“Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco” (Is 7,14)

Chamado de "Proto-Evangelho", o texto de Geneses 3, 14:15 é o "gérmen de todas as promessas futuras". A geneses de todas as revoluções. Já Isaías confirma, atualiza e dá um fôlego na esperança dos seus contemporâneos, e deixa mais claro a ideia de Geneses. Acima disso, essas duas
profecias revelam também que o fato de que  revela um Deus que interage ao extremo na sua criaturas. Embora é Deus o caminho, a ideia, o propositor e o Salvador, Ele confere e dá a mulher papel preponderante na mudança do mundo. Sim, o texto diz que, Ela, a mulher, traz dentro de si o gene da manifestação da glória do um Deus, o seu criador da mulher e da humanidade. E ao mesmo tempo da o papel a humanidade, diferentemente d eoutros textos os quais reservam ao homem pepéis centrais para a humanidade, este é a mulher que representa a humanidade  como sendo a criação ela propria a humanidade tambem responsavel por participar do trazer a salvação a Terra. NOvamente repito aqui que Não por seus esforços, mas por iniciativa e misericordia e amor de Deus. TAl como Paulo diz ... não por obras para que ninguem se glorie, mas é dom de Deus. O homem não pode se achegara  Deus. Essa é a diferença de Deus para as religiões. Estas são parte do desejo humanod e se religar a Deus,estas são as respostas do homem ao desejo de estar com Deus. Sâo nulas. Jesus Cristo é a resposta de Deus ao homem diante do desejo dele (Deus) estar com o homem.
Bom, passam-se os anos, impérios levantam, caem, e levantam-se outro, um após outro. e eis que em torno de .......(ano), agora quem domina o mundo é o Império Romano, império que ocupou ..... Km do planeta e dentre tantos territórios é detentor da Terra de Israel e de seu centro religioso, Jerusalém, ou também conhecido Cidade da paz,  onde um povo que cria num único Deus era cerceado por um sistema operante que limitava a vida das pessoas, oprimia e roubava, matava e destruía sonhos. O clero religioso esforçava-se para mostrar uma pureza inalcansável a qual nem eles eram. Sendo eles sujos por dentro se pintavam de branco por fora para aparentar importância, status e honra, cegos guiando cegos. Já A política não se preocupava com ética. Negava o pobre e a vítima. Um mito de um político que liberta-se esse povo dos romanos foi colocado diante do povo. De maneira que todos esperavam um rei surgir pela crença de uma revolução externa, como se dentro de nós tudo estivesse e não importasse. O q acontecia no outro lado do mundo enquanto isso.  "A humanidade está arruinada e diante de um novo programa de dores e aflições." que se cicla. A religião local se mistura  prostitui com a política profana do império romano. O desejo de ser puro sendo profano caminham, grupos excluídos se limitam aos seus guetos, divisões, revoltas, pobreza, seitas fervecentes, cansaço, senso comum que aprisiona, vergonha, tudo isso é um mini-cenário local que revela faceta de uma humanidade caída, que expressa a ignorÂncia de toda a humanidade, de sentimentos comuns a todo ser humano, independente de crença, cor, etnia, ou lugar.
Uma agenda de degradação ond eo homem é autor exclusivo e individual de sua história. O ser humano se esvaindo, dominando e sendo dominado, cada vez se deslocando em um eixo em oposição a tudo q se chama Deus (  ), 
enaltecendo seus próprios nomes pessoais, impérios, valorizando "o esforço, o material, o consumo, a individualidade, o prazer pelo prazer, e a superação por conta própria, uma crença que cresce de fora pra dentro. Seja os pobres, seja os ricos, os mesmos desejos, e não há resolução em inverter a posição dos atores sociais, pois o oprimido logo se torna opressor.(   )
É nesse cenário que adentra no mundo o primeiro som do Evangelho, o choro de um bebê. Era Jesus. Era Deus enaltecendo a humanidade. Jesus, O impacto ambiental. Era Deus se esvaziando, e rumando a sua agenda, o seu programa de vida, de libertação, de cooperativismo, de colaboração ele mesmo se deslocando em direção ao homem contrapondo as próprias crençãs humanas de "meus p´roprios meios", de esforços humanos de querer ser deus ou de se achegar a Deus. Era Deus quebrando o paradigmas por meio de ser um paradoxo vivente. Era Deus levando as últimas a sua conspiração iniciada da profecia do Geneses. Era Deus clamando, era Deus rindo, era sua revolução. Estava implantada na terra a chegada de um Reino dos céus, um reino d ejustiça, paz e alegria, onde se preserva a identidade, se compartilha dividindo, onde se vive pelo outro, onde todos são iguais mas diferentes, onde um não anula o outro nem autofaga o pequeno por favor, onde se cria relacionamentos duradouros e eternos, onde se esvazia para encher, onde se completa no outro, onde o amor é o diretriz, princípio, fim e meio e  objetivo da economia, diretriz da cidade, princípio do trabalho, formador de culturas, faz da justiça e do direito verdade, promove saúde, faz encontros e liga a cada criatura ao seu ambiente e aos demais seres (ecologiza), ensina e educa, divide deveres, e confia autoridade, poder, dons e talentos, o qual anos mais tarde seria confirmado e gritado no deserto por um homem que era nada menos que o verdadeiro sumo-sacerdote de Jerusalém, mas que foi levado para o deserto pelo próprio Deus quando ele próprio Deus se viu ultrajado pela nojeira religiosa de homens que se associavam a um império e faziam politicagem com o que era santo. Assim o proprio Deus sai do templo de Jerulasém e se refugia no deserto em protesto e como protesto despojou seu sumo-sacerdote de roupas sacerdotais, pois esta foi usurpada pelos falsos sacerdotes, assim como despojou a comida própria dos sacerdotes, pois os falsos sacerdotes roubaram do verdadeiro sumo. É levado para o deserto para abrir caminho para o Verbo de Deus projetar para todos verem esse Reino.
A conspiração do Natal profetizada pela notícia de que Da semente da mulher sairia um que esmagaria a cabeça da serpente"Em certo sentido, é aplicável a toda nova criação que aceita caminhar com Cristo o caminho da reconciliação de todas as coisas, visto que, pelo quando operamos e ministramos amor uns aos outros conforme Cristo nos mostrou, estamos continuamente destruindo os planos da serpente". Assim também por isso mesmo "A serpente será inimiga da mulher por toda vida. " Será inimiga de tudo o que gera vida, pois o diabo veio para matar, roubar e destruir tudo que se chama vida, pois ele é a negação do que é santo. Em contraposto, a mulher será sempre inimiga da serpente, pois que a mulher somos nós, a humanidade revivida e ressussitada e adjunta  à familia Trindade. A mulher é a compreensão da justiça e de como Deus é santo, revela o que é santo,Nós, que temos nossa identidade nessa Trindade geradora de vida, que nos faz sermos co-criadores, desenvolvedores e potencializadores de tudo que manifesta vida pisamos na serpente todas vez que religamos relacionamentos, operamos e ministramos vida, restituímos e cosntruímos vidas, pessoas, lugares, ideias, culturas, economias, ecossistemas.
A linguagem do natal é de chegada, como se um desconhecido conhecido batesse na porta e pedisse para residir um dia na sua casa. Podemos compreender a Biblia com a exposição desse desconhecido conhecido revelando quem ele é e por meio disso me revelando quem eu sou, bem como ensinando justiça para um mundo injusto.
Toda grande transformação na humanidade é antecipada por uma profecia. Que assim seja , o Natal, a profecia relida todo ano de um Reino de boas novas já começado pelo Messias, o Um Deus que se fez criança e cresceu para morrer e revelar o Um Deus que ama como caracterizado em I Corintios 13. É perdoador, tudo sofre, tudo espera, .....
 A profecia da semente da mulçher Esta é realmente a primeira profecia da biblia,e toda a Bíblia gira a partir dela e nela. E espera porque nos perdemos de Deus.
"O grande castigo que aparece no texto de geneses como consequencia da crença em crescer e ser Deus será a perda da familiaridade com Deus". A perda da família Trindade. Sendo o homem a imagem e semelhança dessa família que se chama Deus, o Deus trindade, nos tornamos desmontado, desmembrado de si mesmos e de Deus quando preferimos ser uma " não família" e a parte, um deus de si mesmo e promovemos mortes por meio de olho por olho, roubamos tirando oportunidade do futuro, negamos a vida do presente não repartindo recursos com o próximo, disputando quem terá mais, acumulando, não dando direitos, corrompendo o próximo, iludindo e sendo iludindo. Só um câncer cresce e chega a um nível que o corpo não consegue suportar e mata o próprio corpo. Em contraposição a essa tendência e esse movimento de entropia e degradação,
a solidariedade de se chegar a uma terra comum onde se possa compartilhar a vida e Deus e se tornar uma família só, Deus e o homem, O Deus Trindade (O Deus família, o Deus copmunidade) e o homem sociável, sociedade, o homem comunidade, o homem ecossistema é a conspiração do Natal, o Reino dos céus implantado, a boa notícia de que Deus está conosco e é um conosco. Foi isso o que Deus quis iniciar com Israel para que em Cristo toda as famílias da terra fosse bendita e fossem também um com Deus.
A Promessa é anunciada a salvação. A nós cabe vive-la e anuncia-la diariamente até a (re)volta do Cristo, Deus encarnado, Verbo que se anuncia, se comunica, dialóga e se joga na comunidade humana, a abraça e a coloca debaixo de suas asas como uma galinha.

Amém!!!


No natal não se comemora A natalidade de Deus


O que acontece quando todo mundo espera algo que demora?
aos que esperam estes merecem a glória
Quando veem o que esperam é como água que refresca
Como brilho nos olhos e espera contra a demora
Toda crença é fé e toda fé é como pesca
que alça sem ver e vem a tona o que se espera
essa fé me faz ser o que eu não era pois eu era como peixe fora dágua

No natal não se comemora A natalidade de Deus
mas do homem novo para uma nova humanidade
Cristo Jesus é Deus encarnado
O Verbo que anuncia a verdade
Um Reino de boas novas
Notícas de Justiça, paz e alegria por caridade

CAridade de Deus para nós é seu Filho nos amar
AMar ao próximo é a única coisa que eu devo a toda pessoa
Para que sejamos um cristão temos que ser um Cristo e assim o amor praticar contra a luz que destoa
Ninguem conhece a Deus até que Deus conheceu o homem
Deus todo ao hoemm todo
O homem que Deus quer e o Deus que o homem precisa

sem medo de quem seria contra a verdade
ele veio falar com gente
se empoeirar de tanto caminhar
falar da nossa mente
diante da vaidade das vaidades
e de tudo que nos faz carente

e assim se fez o natal
Ali era a Santa Trindade
o encontro do tempo e a eternidade
sejamos todos reciclados

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

É (Planta e Raiz)

É Preciso Perdoar

(Planta e Raiz)

 
Tempo vem para me ensinar
O que o meu pai não me ensinou
Leva essa magoa embora
Se voce tem um grande amor
E esse alguem não lhe perdoou
Dê tempo pra ela agora
Mais não deixa ela partir
Não deixe ela escapar
Deixe o tempo reagir
Deixe o tempo atuar
Ela não vai resistir
Ela vai se entregar
E se não se decidir
Só vai ter tempo pra chorar
Abra o coração pra esse amor
Perdão faz bem pra vida inteira


Escute a música pelo link: http://www.youtube.com/watch?v=b6x0Z1KRFy8

Gente Pequena salvando gente menor ainda. Assim é "O Hobbit".

Na toca do Hobbit

No dia de hoje, todos nós, admiradores de J.R.R. Tolkien ao redor do mundo, nerds, cristãos, ateus de todas as raças, tribos e culturas, reunidas em torno de um anel, celebramos a estreia do filme O Hobbit, baseado em seu livro. Trata-se na verdade de uma história que havia sido contada pela primeira vez aos seus filhos. Mas antes de falarmos sobre o livro, vamos apresentar o autor brevemente.
Quem foi J.R.R. Tolkien
O famoso filólogo de Oxford nasceu em 1892, na África do Sul, e morreu em 1973, em Oxford. Foi autor de obras de ficção pelas quais é mais conhecido e consagrado, já traduzidos para o português, além de contos e poemas, ainda pouco conhecidos no Brasil e textos acadêmicos.
Uma primeira curiosidade quanto ao sobrenome de John Ronald Reuel Tolkien é que o nome provavelmente deriva da palavra alemã “tollkühn”, que quer dizer “arrojado”, “audacioso” ou “destemido”. E, de fato, as obras de Tolkien refletem um pouco isso.
O seu terceiro nome, Reuel, igualmente pouco comum, que foi herdado do seu avô, tem alguma origem hebraica. Ele aparece no Antigo Testamento como equivalente de Revel, que era o nome do sogro de Moisés (Nm 10. 29), filho de Esaú (Gn 36.4) e que significa “amigo de Deus”.
Um episódio bastante curioso do período que passou na África do Sul foi o seu encontro com uma enorme aranha. Tolkien confessava que tinha pesadelos com essas criaturas em tamanho gigante. As aranhas gigantes viriam a se tornar personagens importantes tanto no O Hobbit e quanto em O Senhor dos Anéis.
Após a morte prematura do pai enquanto a esposa e filhos passavam alguns dias fora, sua mãe decidiu voltar à Inglaterra com Tolkien e seu irmão mais novo, Hilary. Viveu em considerável isolamento também pelo fato de ter sido repudiada pela sua família protestante, devido à sua conversão ao catolicismo. A viúva passou então a assumir toda a educação dos filhos.
Desde pequeno, Tolkien costumava observar e atentar para todos os detalhes das paisagens e particularmente da topografia dos lugares que o cercavam. Ele nunca mais esquecia um lugar avistado e certamente todos eles influenciaram a criação do seu mundo imaginário.
Sua mãe despertou e desenvolveu em Tolkien uma paixão especial pelas línguas, especialmente as germânicas, o galês e o finlandês, que aparentemente formaram a base para o desenvolvimento dos idiomas de Terra Média. Esta tendência ficou ainda mais acentuada com o seu ingresso na escola de gramática St. Philip´s, onde costumava engajar-se bastante nas atividades culturais e organizar clubes de leitura. Ele manteve todas as amizades que fez ali até a fase adulta, quando perdeu quase todas com a Primeira Guerra Mundial. Foi naquele clube que ele fez as suas primeiras experiências com a filologia, que acabaria elegendo como sua área de especialização e carreira. Desde cedo também ele desenvolveu uma verdadeira obscessão por “inventar” línguas, o que lhe deu a base para as línguas élficas e de outros povos de Terra Média. Finalmente, outra paixão sua (e talvez seja essa que atraia tanto os nerds de todo o mundo) era a leitura de todo tipo de literatura, mas especialmente, da mitologia e de obras medievais, que conferiram todo o tom à Terra Média.
Infelizmente, a mãe de Tolkien não viria a presenciar o extraordinário desenvolvimento do filho; ela faleceu aos 34 anos de idade, em decorrência de diabetes, ainda sem tratamento na época. Como se sabe, infelizmente, a rivalidade entre católicos e protestantes é antiga na Inglaterra. De certa forma, Tolkien culpava a família protestante de sua mãe por tê-la levado à morte por abandono. Isso, associado às lembranças que tinha da devoção da sua mãe à Igreja Católica, teve grande influência sobre a conversão dele e de seu irmão ao Catolicismo em 1900. Pouco antes de morrer, sua mãe confiou os filhos às boas mãos de um padre muito amigo, Francis Morgan. Ela lhe passou a incumbência de proporcionar a melhor educação possível a eles.
No orfanato em que os irmãos foram internados, Tolkien conheceu o que viviria a ser a sua esposa, muitos anos mais tarde e distante dela a pedido do padre, apenas depois de ele ter se formado em letras. Entretanto o casal foi logo separado novamente: Tolkien havia sido convocado para servir na Primeira Grande Guerra. Mas Judith deu um jeito de ter um encontro amoroso com ele em um bosque durante esse período, que inspirou um conto de amor cortês.
Graças a uma “febre de trincheira”, Tolkien pôde ao menos regressar ao lar e iniciar a sua brilhante e premiada carreira em Oxford. Foi assim que ele foi agraciado, em 1917, com a possibilidade de presenciar o nascimento do seu primeiro filho, no mesmo ano em que fazia os seus primeiros ensaios e incursões pelo mundo de Terra-Média, na forma de contos esparsos. Mal sabia ele na época, que jamais pararia de escrever estas histórias que, ironicamente, permaneceriam inacabadas. O título original que ele deu àquelas histórias reunidas foi “The Book of Lost Tales”. Anos mais tarde, elas viriam a ser compiladas e editadas postumamente pelo seu filho, Christopher, sob o título de “O Silmarillion”. Esta impressionante obra retrata o trabalho de uma vida toda de dedicação minuciosa e revisão paciente. É curioso observar que Tolkien começou a escrevê-la, antes mesmo da publicação de O Hobbit, em uma tentativa de traduzir o mundo de Terra-Média para crianças. A obra também está muito relacionada a O Senhor dos Anéis.
Apesar de acadêmico de mão cheia, que também publicou obras técnicas, poucos leitores e fãs sabem que ele era professor catedrático e nem desconfiariam disso, na maior parte das vezes pela linguagem acessível e concreta (com uma abundância de descrições de paisagens personagens) que ele empregava.
Pois, se considerarmos o que e como escreviam os seus colegas naqueles tempos, temos boas razões para afirmar que Tolkien foi um dos poucos intelectuais da sua época, preocupados em falar ao homem comum. Ele se empenhava em unir a teoria que ensinava à prática, criando mundos que vão muito além do campus universitário.
Essa familiaridade, principalmente de O Hobbit, deu-se pelo fato de ele ter sido inspirado nas histórias que Tolkien costumava contar aos seus filhos, hábito infelizmente já bastante esquecido entre nós.1
Na verdade, quando Tolkien apresentou o livro ao seu editor, o filho dele pediu para lê-lo primeiro e o aprovou inteiramente. Mas o livro, embora seja mais “digerível” do que O Senhor dos Anéis, também pode ser lido principalmente por adultos que estejam atentos ao que importa nele: a moral e os valores humanos universais como a coragem, a fidelidade, a amizade, a esperança, a fé e, principalmente, o amor.
O Hobbit é católico?
No artigo Por que O Hobbit é católico (revista Época), Luís Antônio Giron, vê esses valores como “virtudes teologais”, e uma das quatro similitudes ou alusões católicas na obra, que acabava de ver. A primeira seria o fato de Bilbo, o bolseiro e personagem principal da história (que apenas rivaliza em algumas cenas com Gandalf) ter saído em sua aventura, na companhia de treze anões, pela reconquista do tesouro dos anões, que estava em posse de um dragão; isso seria uma alusão a um processo iniciático rumo à santificação (ou até ao papado). Quanto a esse, eu veria muito mais uma alusão à travessia de Abraão pelo deserto em busca da Terra Prometida. A segunda seria a ideia de submissão da estrutura toda da história a uma hierarquia transcendente. Aqui entra a figura de Bilbo e sua obediência, junto com seus companheiros, às ordens pré-estabelecidas, o que é ainda mais reforçado em O Senhor dos Anéis, em que ele passa por uma espécie de morte e ressurreição, mas isso para se santificar e subir na hierarquia dos profetas. Então, poderíamos também comparar tanto Bilbo quanto Gandalf à própria figura de Cristo, seu sacrifício e ressurreição de quem ambos são espelho. A terceira alusão é a já mencionada acima. A quarta seria a ideia de Providência Divina, que o comentarista localiza na jornada dos heróis da história, mas a meu ver, ela se encontra pulverizada por todo o livro, como constante presente do começo ao fim em Hobbit, da mesma forma que em O Senhor dos Anéis.
Então, para além de serem “católicas”, essas obras de Tolkien focam, na verdade, temas comuns aos cristãos, protestantes e católicos e adeptos de muitas outras religiões, mesmo porque elas se baseiam não apenas na Bíblia, mas também na mitologia e autores medievais da igreja não dividida, como Agostinho e Tomás de Aquino, sem falar no bom senso. E trata-se de uma proposta cuja atualidade é mais do que real, tendo em vista as divisões que ainda hoje reinam entre alguns católicos e alguns protestantes ou quaisquer cristãos ou não cristãos.
As alusões e transposições feitas por Giron, portanto, são válidas, mas não podem ser absolutizadas, como tanto Tolkien, quanto o seu amigo, C.S. Lewis, outro renomado professor e escritor, advertiam seus leitores a não fazer, sob pena de tornar as suas obras alegorias simbolistas, ou seja, que adoram os símbolos e as imagens por si mesmos e não os valorizam apenas por, através delas ou pelo reflexo delas, conseguirmos enxergar uma realidade maior, para as quais elas apontam e remetem.
Tolkien e C. S. Lewis
C.S. Lewis2, outro autor mencionado por Giron, era anglicano (e, portanto, protestante, e não católico, como informou o colunista) e tinham muita coisa em comum com Tolkien. Compartilhavam por exemplo o gosto pela mitologia e ficção. Lewis se destacou ainda no campo da apologética, tornando-se conhecido no mundo cristão por sua defesa da fé no contexto universitário, sendo apreciado tanto por católicos, quanto protestantes, quanto adeptos de outras religiões, ou de nenhuma. Ele influenciou e continua influenciando a fé de vários professores, teólogos e ministros que contribuíram e fizeram a diferença nesse deserto que muitas vezes é o mundo acadêmico. O que a maioria dos leitores não sabe é que Tolkien teve um importante papel na própria conversão de Lewis, como ficou registrado na sua autobiografia, “Surpreendido pela Alegria” 3.
A amizade entre os dois iniciou-se no ano seguinte ao ingresso de Lewis como professor em um College de Oxford e perdurou até a morte do último. Interessante neste sentido é o registro que Lewis faz em seu diário das primeiras impressões, não muito favoráveis que teve de Tolkien:
Ele é um sujeitinho lustroso, pálido e carrancudo. Devia ser chato demais para ler um Spenser – que só deve interessar para as aulas de inglês - na concepção dele, a literatura só deve servir para a diversão de pessoas entre seus trinta e quarenta anos de idade... No fundo é gente boa: só está precisando de uns bons corretivos. 4
E há alguma verdade nessa primeira impressão, em que Lewis também comenta em seu diário que sempre o aconselharam a manter distância (de forma preconceituosa, como ele dá a entender, usando de sarcasmo) de dois tipos de pessoas: os filólogos e os papistas. Tolkien acumulava essas duas características, mas esses, que poderiam ter sido obstáculos à sua aproximação, não os impediu de terem uma amizade que duraria toda uma vida.
Em algumas cartas, ele revela sua visão de Tolkien, como o grande homem que foi, mas também aponta para alguns defeitos. Lewis o julgava pouco sistemático e excessivamente “turrão”, praticamente impermeável à influência de quem quer que fosse às suas obras.5
E, de fato, muitos leitores queixam-se da grande quantidade de minúcias nas suas descrições, que muitas vezes podem ser confusas e alguns personagens, contraditórios. Outros reclamam da grande quantidade de poemas que aparecem em O Senhor dos Anéis. É claro que ninguém é obrigado a apreciar poesia ou o tipo de literatura extensa e refinada que Tolkien escrevia. Temos fortes razões até para a suspeita de que há cada vez menos leitores do tipo de literatura peculiar a Tolkien. Entretanto, como procuraremos mostrar mais adiante, sua obra permanece viva. Qual pode ser a explicação para este persistente sucesso e para a tentativa de resgate da sua obra nos últimos tempos?
A crítica dessa nova incursão de Peter Jackson com os hobbits pelo mundo de Hollywood já gerou avaliações “mornas”, por ser longo demais na opinião deles (a saga é dividida em três partes) e pelas tecnologias empregadas (embora já tivesse versões 3 D e 2 D). Mas tudo leva a querer que O Hobbit tenha tudo, não apenas para chegar aos pés de O Senhor dos Anéis, agora com mais experiência do co-diretor, como para superar todas as expectativas.
Isso, não porque a história do hobbit, Bilbo, tio de Frodo, que dá sequência à caça ao anel, seja bombástico e cheio de efeitos cinematográficos, mas porque se trata de uma história insólita, da redenção de um povo de anões que estava sendo escravizado por um dragão. Gente pequena, salvando gente menor ainda. Eis aí o paradoxo. E no meio do caminho, tinha um anel. O que ele fazia lá e o que tem a ver com o resto da história eu deixo para o leitor e espectador do filme adivinhar. Não quero estragar esse gosto da descoberta, que certamente não é única e unilateral.
Em todos os casos, Tolkien buscava ser coerente com as suas convicções e particularmente com o seu pressuposto, de que a literatura mitológica é a que melhor integra história e língua, realidade e ficção. Sua hipótes era de que as verdades expressas pela linguagem mitológica têm a mesma racionalidade que aquelas expressas pela linguagem científica. Mas ela tem a vantagem de apelar tanto para a razão, quanto para a imaginação e emoções, campos dificilmente expressos pela linguagem formal. Para Tolkien, o mito permite uma visão da realidade negada à ciência, numa perspectiva holística e não fragmentária, aberta para a totalidade do real. Daí que ele o tenha escolhido como modelo para o seu tipo de literatura. Foi precisamente a sua concepção de mito e particularmente a forma como ele o relacionava ao cristianismo que tanto chamou a atenção e fascinou Lewis e o desafiou a fazer as suas próprias incursões pelo universo dos valores cristãos universalizáveis, ou seja, que não precisariam ostentar esse nome.
Por isso, ele identificava na literatura mitológica o que chamava de “Evangelium” ou “envangelho” em latim, o anúncio da boa nova da redenção da humanidade. E toda obra do criador humano, que é imagem e semelhança do divino, é por ele chamada de “sub-criação”, ou criação em outro plano.
Após a sua morte em 1973, aos 81 anos de idade, depois de contrair uma doença grave, foram criadas inúmeras sociedades, que passaram a cuidar da preservação da sua memória, como a “The Tolkien Society” ou a “Brazilian Tolkien Society”. 6 Elas se encarregaram da divulgação e reedição permanente das suas obras por todo o mundo.
Em suma, nada melhor, do que as palavras do próprio autor, para sintetizar a essência da sua vida e obra:
Nasci em 1892 e passei toda a infância numa região chamada “The Shire” 7, numa época anterior à mecanização da lavoura. Em outras palavras, e o que importa ressaltar é que sou cristão (o que se pode inferir muito bem das minhas histórias), na verdade sou católico romano. Já este segundo “fato” pode não ser tão facilmente inferido... na verdade o que sou mesmo é um hobbit (em todos os aspectos, exceto pelo tamanho 8). Gosto muito dos jardins, árvores e lavouras não mecanizadas; fumo cachimbo e aprecio boa comida caseira... gosto dos trajes alinhados e tenho a pachorra de usar coletes, numa era tão sem graça, quanto a nossa. Amo cogumelos (colhidos diretamente do campo); meu senso de humor é coloquial (mesmo os meus críticos mais simpáticos costumam considera-lo tedioso); costumo ir dormir tarde e (de preferência) acordo tarde. Não sou de viajar muito.9
Notas:
1. Por mais estranho que possa parecer este hábito ao público de hoje, é interessante notar que ele também já foi praticado no Brasil em tempos de Monteiro Lobato, por exemplo. Aliás, há diversos pontos de contato e coincidências entre as duas biografias e obras.
2. Catedrático de literatura inglesa medieval e renascentista e crítico literário das universidades de Oxford e Cambridge, C.S. Lewis viveu entre 1898 e 1963. É autor de obras acadêmicas da área e foi um dos participantes da elaboração do Dicionário de Oxford e de livros sobre crítica literária e literatura. É autor ainda de livros teológicos e contos, poesias e obras de ficção de grande repercussão internacional como “As Crônicas de Nárnia” (Martins Fontes) e “Cartas de um Diabo a seu Aprendiz” (Vozes) entre outros.
3. Lewis, C.S. Surpreendido pela Alegria, São Paulo: Mundo Cristã, 1998.
4. Duriez, 1992, 256. .
5. Lewis, Letters, 1966, 287.
6. O endereço da homepage da sociedade é . Ela contém dados atualizados sobre premiações, além de uma excelente biografia, lista de obras, entretenimento e dados para maiores estudos. A sociedade inglesa também possui informações importantes para o pesquisador e interessado: .
7. Este foi o nome dado também ao território ocupado pelos hobbits em Terra-Média. Na tradução brasileira, a região foi chamada de “Condado”.
8. Os hobbits, seres que sempre são os personagens principais das obras de Tolkien, caracterizam-se, entre outras coisas, por sua estatura quase que nanica, eles moram em tocas bem confortáveis e caseiras e, como Tolkien mesmo, não gostam muito de viajar.
9. Tolkien, J.R.R. Letters of Tolkien, Carta de 25 de outubro, 1958, em Duriez, Manual de J.R.R. Tolkien, 1992, 253.
 
É mestre e doutora em educação (USP) e doutoranda em estudos da tradução (UFSC). É autora de O Senhor dos Anéis: da fantasia à ética e tradutora de Um Ano com C.S. Lewis e Deus em Questão. Costuma se identificar como missionária no mundo acadêmico. É criadora e editora do site www.cslewis.com.br
 
 
 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

E se Niemeyer tivesse pedalado?

Esse eu captei pelo grupo yahoo de ciclistas que eu faço parte, "O Bicicletada Rio". É um excelente artigo que visa apenas rever conceitos intocáveis e dogmáticos e não depreciar alguém que em linhas foi realmente muito bom, soube apreciar o belo, sobretudo a beleza nos detalhes das curvas femininas. No entanto destrói sim bezerros de ouro, o que é muito bom, e ao mesmo tempo humaniza e convida a evoluir rumo a uma cidade comunitária, inclusiva, e não somente esteticamente apreciável.

 

E se Niemeyer tivesse pedalado?

Por Renata Falzoni

Oscar Niemeyer
Oscar Niemeyer


"O mais importante não é a Arquitetura, mas a Vida, os Amigos e este Mundo injusto que devemos modificar"

Arquiteta e brasileira que sou, devoto profundos admiração e respeito por Oscar Niemeyer e sua obra. Estou triste, de luto mesmo pois ele se foi.

Sou formada pela FAU Mackenzie, turma de 1977 e estudei muito a obra de Oscar Niemeyer, Lucio Costa, Le Corbusier e outras tantas lendas. Nunca nos foi dada qualquer chance a crítica ou questionamento.

Esses arquitetos nos foram apresentados como “os senhores absolutos” da verdade arquitetônica, da estética e da modernidade; inquestionáveis.

Nossa geração seguiu a fundo os dogmas do planejamento urbano calcado em amplos espaços, avenidas maravilhosas, edifícios magníficos, prédios soltos, sem vizinhos, comércio segregado, tudo grande e longe.

O lema era a total transparência da forma, esta determinada pela função. Pilotis soltos, o livre rabisco, curvas, enfim, aprendemos a escancarar a função no desenho, mas nunca pudemos questionar a quem serviria tanta beleza arquitetônica, se nela seria agradável de se viver ou mesmo se esses edifícios e essas cidades seriam sustentáveis, na escala de um ser humano ou inclusivas.

Niemeyer era amigo pessoal de Juscelino Kubistchek, o “presidente bossa nova”, mentor e patrocinador de Brasília, aquele que trouxe ao Brasil a indústria automobilística e nos conduziu a “modernidade”.

Niemeyer era de esquerda, comunista de carteirinha, sempre clamou por igualdade. Havia em seu escritório um cartaz escrito em próprio punho algo no estilo, “enquanto eu vir desigualdade, serei um comunista”.

Brasília é uma cidade projetada para quem tem cabeça tronco e rodas motorizadas, sendo que – posso estar enganada – nunca vi dessa turma de arquitetos e urbanistas, uma reflexão do quanto suas cidades não promoveram a igualdade que tanto pregavam. Muito pelo contrário, essas cidades segregam.

As cidades satélites de Brasília são prova viva que que algo deu errado. Nossa capital de cara não previu a moradia de quem a construiu, a moradia da mão de obra, dos trabalhadores, daqueles que precisam vir ao centro todos os dias trabalhar.

Brasília nasceu insustentável no quesito mobilidade urbana. Nasceu sob uma ótica nada “comunista” se formos associar a esse termo, uma política pública que promova a igualdade e a integração de uma população, independente da classe social.

Brasília é plana, ampla, com largas avenidas e seus gestores poderiam ter feito uma mea culpa muito rápida, trazendo a moradia de trabalhadores para próximo do centro e uma estrutura cicloviária, sem falar em calçadas.

Brasília não tem calçadas.

Mas não, nunca sequer se cogitou algo pelo estilo. Sucumbiu-se a especulação imobiliária, ao modelo carrodependente, sendo que não conheço cidade melhor para virar a sua própria mesa.

Me pergunto o que teria sido se Oscar Niemeyer, Lucio Costa e tantos outros tivessem pedalado como meio de transporte na década de 70, 80, quando o partido verde fez a sua revolução na Alemanha, influenciando a Dinamarca e os Países Baixos.

Teriam eles sacado aonde está o buraco da desigualdade social de nossas cidades?

Essa eterna necessidade e de se dar aos carros mais e mais espaço e em decorrência expulsar a classe trabalhadora dos centros? A degradação urbana decorrente, viadutos, pontes, marginais, congestionamento, poluição, barulho, mortes, doenças, isolamento de pessoas enclausuradas, transporte público ineficiente?

Um dia eu perdi a chance de expor em pessoa ao próprio Niemeyer essa análise tão fácil de entender pelos que se livraram do carro em centros urbanos.

Era no verão de 96 / 97, estava eu a correr a pé pelas redondezas do parque Ibirapuera, procurando o meu cão que havia fugido de casa e sumido pela região.

Vejo uma comitiva de pessoas que eu conhecia, caminhando pela Av. Quarto Centenário e nesse grupo, o próprio Niemeyer.

Atravessei a rua e fui conhece-lo, já com seus 89 anos.

Eles estavam inspecionando o Parque por ele projetado e foi nessa época que decidiram construir o Teatro que já fazia parte do conceito original.

Depois que eu me apresentei ele me perguntou: “_Mas o que você faz aqui?”.

Expliquei-lhe sobre o Milú, meu cão pastor, muito do tonto. -“Fugiu de casa com outros dois que já retornaram e ele não”.

Niemeyer na sua mansidão me respondeu:

_”Pois eu vi o seu cão menina, ele está lá no Manequinho Lopes, ele está rodando no estacionamento. Aproveite e diga ao meu motorista, você vai vê-lo, para vir aqui me buscar, pois eu estou cansado de caminhar’

Dito e feito, lá estavam o Cão Milú e ao seu lado, o motorista!

Devo mais essa a esse ilustre brasileiro!

Fonte: http://espn.estadao.com.br/post/297514_e-se-niemeyer-tivesse-pedalado

Getty
Niemeyer morreu na última quarta-feira, aos 104 anos
Niemeyer morreu na última quarta-feira, aos 104 anos


Um outro artigo que saiu esses dias, já a nível internacional faz uma análise de Brasília. Mesmo que não se concorde com tudo, vale sempre ler visões diferentes. Pessoalmente fiquei muito poucos dias em Brasília para eu emitir opinião tão formada. Deixo o link para apreciação de quem quiser ler. Eu li e achei bom o questionamento. mais uma vez repito que não deprecia o trabalho do Niemeyer. Muito pelo contrário. Esteticamente é único e tem beleza e diferença e tenta ser justo, mas sempre precisamos caminhar para um n´vel maior. O texto se chama "Niemeyer's Brasilia: Does it work as a city"? :
http://www.bbc.co.uk/news/magazine-20632277
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