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domingo, 30 de setembro de 2012

Amós, O Código Florestal e a Bíblia.

Os profetas tem a missão de nos direcionar e nos lembrar de Deuteronômio. Este é um dos livros do Antigo Testamento que possuem estatutos, leis e juízos, ou como dizem os judeus, simplesmente a Lei (dada de Deus ao homem). Necessário dizer que não uma lei que visava o proibir, mas uma outra maneira de se viver, sem oprimir, sem ser injusto, que visa a vida em primeiro lugar. Deuteronômio é a releitura de várias das leis, estatutos e juízos anteriormente já proferidas por Moiséis com o intuito de mostrar aos hebreus a importância e as consequências de suas escolhas, às quais seriam mediadas perante tais leis. Assim sendo, é o livro da lembrança da Lei, afim  da escolha da vida ou da morte às quais estão relacionadas diretamente e indiretamente às nossas escolhas que são capazes de repercutir em todos os níveis de relação. Cerca de 90% da lei era de statutos sobre relações de convivência em termos de vida seja consigo ou em sociedade e com o ambiente, tais como tempo de uso do solo, pagamento salarial, relação
trabalhista etc. Somente os poucos 10% eram regras de cerimonialismo religioso formal propriamente dito.

Lemos no capítulo 28 do Deuteronômio que ao seguir tais estatutos, ou seja, as relações ecológicas (ambientais, sociais e econômicas), e se o povo vivesse
essas relações de maneira justa, seriam benditos no campo e na cidade (verso 3), e o fruto do ventre, ou seja, os filhos, seriam abençoados e benditos tal como o fruto da terra, bem como os animais. A saber vemos uma interconexão causal entre o ser humano e o meio ambiente, mais precisamente naquele contexto o campo, bem como a biocenose (comunidade viva) dele. Entendemos que o cuidado da criação está acompanhado do cuidado do ser humano, e o cuidado do ser humano está acompanhado do cuidado da criação. Sendo assim uma convivência comum que nos destina ao senhorio (domínio outorgado) da terra, e ao senhorio da humanidade e de toda criação ao Senhor da vida, que é Deus, pois que todas essas leis visam a preservação da vida, a qual é manifestação de Deus e expressa sob diversas formas a glória desse Ser que a tudo sustenta pelas leis e poder que nos convida a sermos co-criadores, ou simplesmente desenvolvedores da vida...

A reconciliação da vida em todos os seus estratos, em todos os níveis relacionais, sendo o todo sistêmico compreendendo o aspecto pessoal, social, econômico e ambiental, e assim sendo ecossistêmico, revelado também pela glória de Deus que a Teoria ecossistemica nos leva a enchergar um mundo de diversidades que se intercruzam e se dependem, se
relacionam, se complementam, se protegem, se desenvolvem e necessitam uma da outra, coevoluem, se transformam...

Daí, conforme dito, Deuteronômio era uma base e referência para se conviver e habitar em um lugar num tempo e espaço comum. De tempos em tempos o povo e/ou suas autoridades se desviavam das leis, estatutos e juízos de Deus, e por isso o próprio Deus fazia com que homens levassem o povo a andar devolta segundo a Lei. Tais homens qforam chamados para denuciar as injustiças e chamar ao arrependimento, anunciar julgamento e consolo. Estes eram os profetas. Um desses homens era Amós, homem que exerceu o chamado para profetizar, mas nunca se colocou tal chamado e o que fez como um título. Nas suas próprias palavras ele mesmo diz que não era profeta nem filho de profeta, e foi chamado do seu campo para dizer o que tinha que dizer apenas.
Amós era um proprietário de terra, e ao que se entende segundo implícito no texto era uma pessoa de posse. Mais especificamente um agropecuarista, pois diz o texto que ele criava gados e cultivava sicômoros. Sendo assim era um homem que conhecia e lidava com relações sociais, econômicas e ambientais. Amós sabia, por exemplo, que não deveria semear 2 sementes do mesmo tipo na mesma terra, conformo prescrito pela Lei e lembrada em Deuteronômio, pois tal forma de cultivo propiciaria com o passar dos anos a perda da variabilidade genética daquela planta. Hoje sabemos disso através da ecologia, a qual revela por seus estudos científicos a importância da conservação das sementes chamadas crioulas para que não gera perda de informação do ambiente local da planta possibilitando praga, e assim perda de lavoura e gerando pobreza e por conseguinte injustiças.
De fato é justamente as Injustiças, especialmente as sociais, o centro do oráculo de Deus no livro de Amós. Injustiças sociais, as quais levam Israel à ruína.
Dentro dessas injustiças se apresenta como principais as relacionadas a economia: ganância e enriquecimento ilícito, e sistema econômico administrativo que propiciava concentração de renda . A
crítica de Deus por intermédio de Amós tem nome e é endereçada: os ricos e poderosos, pessoas influentes e que oprimiam os pobres e ignorantes.
Poucos com muito e muitos com pouco, sendo os poucos exercendo grande pressão em relação aos muitos. Valores ilícitos e balanças que impedem de pobres comprarem. Comerciantes ladrões e os atravessadores sem escrúpulo que deixavam os pobres sem possibilidades de comprar e vender as mercadorias por preço justo.
Várias são as pessoas oprimidas tais como mulheres empregas, devedores, escravos,  trabalhadores que sustentam o Estado. No entanto chamo atenção aqui, até pelo que especificamente estou tratando, o fato de uma das principais vítimas sendo o pequeno camponês, aquele com o mínimo para sobreviver. Este sendo um que corre sério risco de perder casa, terra e liberdade, dentro d eum cenário de uma política expansionista, pois que Israel crescia em termos econômicos, mas não em termos de justiça. Destaque também em relação a crítica contra o orgulho e as falsas seguranças.

A fome e a falta de chuva e a consequente falta de água para beber são relatados no livro como um aviso de Deus, dentre outros vários chamados para arrependimento. Ou seja, a fome e a sede não são o último estado. O último estado degradante é uma destruição, a ruína total.
Num cenário não muito diferente vemos o Brasil, país extramamente injusto em relação as questões de terra e relações ambientais. No cenário local e nacional a perda de  árvores resulta em fome e em sede, justamente pela falta dos serviços ambientais gerados por não deixar uma quantia representativa mínima de árvores. Nosso país ainda hoje não fez uma reforma agrária. Vivemos numa nação onde poucos tem vastas áreas de terra, os chamados latifúndios, e muitos tem poucas terras, sendo estes últimos exatamente os que alimentam, abastecem a nação. Estes tem sido pressionados pelos latifundiários a serem contra o Código Florestal, os quais atribuem a este instrumento legal que protege florestas uma impossibilidade de plantar e produzir o suficiente para que se tenha renda para estes agricultores e alimento para a sociedade. No entanto sabemos que existem alternativas de manejo e formas que possibilitem tanto a produção quanto a conservação, práticas relacionadas a chamada agroecologia. 

Pode-se plantar comida com árvores. Além do que devemos nos lembrar que árvores ajudam a preservar cursos d'água, bem como influenciar no clima local em relação ao calor e chuva. Tais serviços, os quais são garantia de manutenção da produção de alimentos, a partir da conservação e reserva de determinadas faixas de extensões verdes, uma vez que tais dispositivos legais visam a continuidade de condições e serviços edáficos e climáticos, serviços que conservam e protegem rios, os quais são necessários para abastecer os plantios, serviços que influenciam a evapotranspiração, a qual permite a
chuva, serviços que permitem a troca de nutrientes por meio da produção e disperção de folhas que ciclam os nutrientes do solo, bem como a atração e permanencia da presença de animais dispersores e polinizadores, Leia-se APPs, e reserva legal. Ressalta-se também o triste fato de que Estes que produzem com suas poucas terras e alimentam nossas casas muitas vezes vivem presos nas mãos de atravessadores que ligam o agricultor ao comprador secundário, os quais ditam os valores a um preço exploratório. Vemos também aqui o império das monocultoras, às quais destroem ao longo do tempo os nossos solos, alteram a biocenose, gerando pragas por conta da ausência de determinados seres, e numa retroalimentação de morte , um ciclo de maldição, uma vez que o solo já débil
necessita de correções e o uso de adubos químicos, estes alteram o metabolismo das plantas acabam atraindo pragas, que exigem agrotóxicos.

Os pequenos agricultores reféns de um mesmo sistema seguem muitas vezes práticas daninhas que necessitam de uso contínuo de agrotóxicos, os quais prejudicam a saúde
dos que se alimentam desses alimentos, bem como dos agricultores que aplicam tais venenos. Veja como cada ação compromete a um nível de relacionamento, o qual vai comprometendo os níveis subsequentes. Muitas vezes num ciclo de destruição os agricultores (leia-se aqui pequenos proprietários de agricultura familiar) são
expulsos pelo próprio sistema que exigiu a destruição das áreas que serviam para segurança bem como do sistema de plantio, pois que a terra se torna sem recurso e o homem da terra se vê sem nada e foge do seu próprio cenário em busca de nova
oportunidade, a qual muitas vezes só acentuam seu problema ficando presos em cidades opressoras, desqualificado e desempregado fazendo agora parte de um exército de reserva do capitalismo. No caso os poderosos que oprimem os pobres são os ricos, os empresários, os religiosos, os políticos, os quais se manifestam sob um coletivo de agregados entitulados "bancada". Sem querer polarizar tal questão complexa, mas sem deixar de dizer o que anos acontece, que é o interesse privado sobrepondo o interesse coletivo, deixando de a vida ser em primeiro lugar, há um grupo que vive de oprimir.
Em Amós, o cenário do Reino do Norte de Israel é muito parecido com o nosso aqui no Brasil, sendo tais poderosos classes como as nossas enumeradas acima.
Ao final das denúncias e juízos no livro de Amós, um novo cenário esperançoso e belo anima-nos a buscármos a justiça. A beleza apocaliptica do final do livro de Amós se reflete na vida em função da vida, a qual trabalha e gera vida. Vinhas e colheitas se transbordando, pessoas em suas terras e que não perderiam seu espaço de vida. Uma continuidade perpétua, assim como perpétuo é o amor de Deus, que sempre leva ao estado original pela graça, ao estado de vida, potencializada e que desenvolve.
O Deuteronômio e o livro de Amós nos mostram que o Código Florestal é um assunto de todos, sejamos nós pessoas do campo ou da cidade, sejam agricultores ou aqueles que não plantam comida.
Particularmente quem lê Amós não pode sair o mesmo depois de terminar a sua leitura. Todos por meio desse livro somos
convidados, recebemos um convite racional, pessoal e coletivo, pessoal e nacional de profetizármos contra a injustiça social, ou seja, ir contra esse movimento destrutivo que degrada o homem e seu espaço de vida, seu meio, sua cultura, sua identidade. Amós recebeu um chamado pessoal de Deus, o que é o motivo inicial de seu profetizar. No entanto, Amós viu nas visões o que estava acontecendo com a nação e o povo, o que também o motivou a sair de seu lar e ir profetizar. Teve misericórdia e compaixão pelo próximo. Amou a Deus em primeiro lugar e depois amou ao próximo. E nós??? Nós vemos quase que diariamente imagens e reportagens que nos mostram o que está acontecendo no campo, na terra, na cidade. Tais reportagens e imagens não deveriam ocupar de certa forma a mesma função das visões que Amós teve e nos motivar a clamármos e agirmos por amor as pessoas e como repostas ao desejo de justiça de Deus, de um Reino que não feito de comida nem bebida, mas de paz, justiça e alegria no Espírito Santo?

nEle q é Senhor e nos chama a cuidármos de nossa terra nosso campo, nossa cidade a nossa nação.

Jorge Tonnera Jr
Biólogo especialista em Gestão Ambiental e Educador Ambiental
Membro do Coletivo Igrejas Ecocidadãs - RJ
tonnerapunk@yahoo.com.br

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Em que medida você apoia a guerra?

Hoje pela manhã li um excelente texto no blog Habitat do site do Yahoo. Replico ele abaixo. Parabéns a autora Tatiana Achcar pela visão, e capacidade de compreender essa noção de produção, co-criação e socialização...isso me faz sempre pensar no mandato cultural de Deus ao homem no Genesis (Bíblia), em que o Eterno coloca o homem no jardim para desenvolver a vida como um todo. E ainda quando Jesus ressucita e o evangelho de João nos dá margem a imaginar que ele estava lavrando a terra no horto junto ao sepulcro, conforme escrevi no texto que escrevi chamado "Páscoa: a história de um relacionamento. Da libertação a identidade". , postado aqui no blog.


Em que medida você apoia a guerra?Por Tatiana Achcar | Habitat – qui, 9 de ago de 2012.. .
http://br.noticias.yahoo.com/blogs/habitat/em-que-medida-você-apoia-guerra-000316339.html#more-id
Mentes bélicas acreditam que a guerra é uma ocupação natural do homem. A agricultura também é uma ocupação natural do homem. São opostos? Agricultura industrial é um tipo de guerra, derruba floresta, rouba terra dos pobres, contamina solo, ar e água, explora trabalhadores, usa pesticidas oriundos de armas químicas das guerras mundiais. No entanto, cultivar alimentos representa um espectro de atividade humana muito maior do que a guerra e muito mais antigo do que uma ação autolegitimada pelo Estado. Ela vem antes mesmo do nascimento das cidades-estado. Cultivar alimentos pode ser a antítese da guerra, a cura para as doenças sociais, a melhora de um mundo dividido em caixinhas e fronteiras? Quando você cuida de seus tomates, você está produzindo mais que tomates? Quanto mais?

Muita gente deseja superar as guerras do nosso tempo de maneira indireta, por meio de jardins e hortas. Eles estão na frente e no centro da esperança e dos sonhos por um mundo melhor, ou um bairro melhor, ou o espaço fértil onde os dois tornam-se um. Existem ativistas e apoiadores de um novo sistema alimentar, pequenos hortelões, grandes agricultores orgânicos e um monte de gente interessada e praticante da agricultura feita nas cidades. Esses projetos urbanos querem romper com a alienação do sistema alimentar, do trabalho, da inclusão e do uso da terra, com os conflitos entre produção e consumo, prazer e trabalho, com a ação destruidora da agricultura industrial e com os problemas crescentes da escassez de comida e da perda de sementes.

Em São Paulo, um grupo de hortelões urbanos juntou a fome com a vontade de comer. Muniu-se de enxadas, pás, restos de coisas úteis (pallets, papelão), mudas e sementes e foi pro front. A missão: fazer uma horta comunitária na praça das Corujas, na Vila Beatriz, um lugar que ficou abandonado por anos e foi recuperado há pouco. Nem tão antigamente esse canto era conhecido como Fazendinha pela vocação rural que o antigo morador dava ao lugar.

A praça das Corujas é a primeira praça da cidade com uma composteira de jardim, onde folhas e galhos viram adubo para a horta. Bingo! É também uma das poucas (senão a única) praça da região que tem um córrego descoberto, coisa rara nas bandas ricas da cidade. É bom ver água corrente! A sub prefeitura de Pinheiros deu aval para a intervenção, vai oferecer mão de obra para cercar a área dos canteiros e outras cossitas más. Faz dois domingos que a turma se reúne lá para sujar mão, pé e o que for preciso. Descobrimos uma área alagada ao lado das bananeiras que vai servir para regar a horta. Bingo! Cavar buraco, acomodar a caixa d'água e cobrir com filtros foi uma das tarefas do último encontro. Logo mais haverá um reservatório de água. Ali, as aparentes dicotomias se misturam e os ideais que plantamos, cultivamos e colhemos é sem fim.

De que canteiro você tem cuidado? O que você quer cultivar? Esperança, saúde, prazer, justiça, comunidade? As hortas e jardins representam a utopia possível da nossa época, mas também são uma armadilha. Uma horta pode ser tanto o solo que você permanece para se comprometer com o mundo ou a maneira como você se retira dele. E a diferença não é sempre óbvia.
 ..

domingo, 8 de abril de 2012

Páscoa: a história de um relacionamento. da libertação a identidade.

Essa não é a história de uma religião. É a história de um relacionamento.
Cristianismo, não é uma religião; mas sim um relacionamento. (Podemos dizer que o cristianismo histórico, esse sim é religião, a religião do Constantino. No entanto o cristianismo enquanto o relacionamento de Deus com o homem e toda a sua criação, bem como do homem com o todo não é religião, nem tão pouco algo institucional. Jamais poderia ser institucionalizado). Todo império tem sua religião, mas porquanto o Reino do céu ser apenas a plena vontade do Deus vivo,e não um império, podemos afirmar que a vontade de Deus é o maior relacionamento que existe.


 São duas palavras que começam com o mesma prefixo "RE": Religião e Relacionamento. Enquanto Religião vem de "religar", é a babaca hipótese arrogante de chegar a Deus. Já o cristianismo, enquanto Relacionamento é Deus chegando ao homem.
Impossível pensar que o homem poderia chegar a Deus. É como diz CS Lewis autor de Crônicas de Narnia: "Se Deus não se revelar ninguém pode conhecê-lo".

Ele não somente se revelou como revelou quem somos. Através dele vemos o homem que Deus quer e o Deus que o homem precisa. Essa mesma pessoa homem e Deus é presa e sofre diversas humilhações, espancamento, tortura, há quem pense até que passou nessa sessão de tortura abuso sexual. Mas sendo ele portador de toda causa e fim, de todo amor e tendo consigo a vida que jamais seca foi crucificado. Três dias depois ressucitou. E mais! Ele também prometeu voltar.

... Mais de 2.000 mil anos depois e Jesus ainda não voltou como prometido... o que poderia frustrar qualquer pessoa e levantar toda sorte de piada e negação dos críticos de seus seguidores e daqueles que torcem para que Deus não exista.

Mas mesmo assim creio que ele voltará, ainda que demore mais 2.000 anos, se preciso. E por quê??? Qual apoio tenho eu? Que base sólida tenho para continuar visando essa expectativa???

Creio pelo simples fato do que ele pregou: o amor; ter sido tão coerente, tão atual, tão pessoal e íntimo quanto um pai falando com um filho no ouvido bem de perto. Creio porque o significado final de Páscoa é que o amor liberta! Que amando por meio dele já não seremos mais cativos do pecado, o qual nos mantinha presos. Creio que por isso é uma questão de respeito a verdade. Respeito também a verdade porque ele ensinou tudo o que precisávamos, não deixando nada faltando. E é também uma questão de respeito a verdade porque ninguém foi como ele. Uma visão superficial nos levaria a enquadrá-lo como ingênuo, louco, um mestre como outros, mas uma visão profunda, a qual somente pela Bíblia compreendida de geneses a apocalipse nas entrelinhas de seus contextos narrativos e culturais pode entender realmente não só o Jesus histórico como entender que o Jesus histórico e o da fé são a mesma pessoa, e que o Jesus histórico é o Jesus atemporal, ou como "Eu Sou o que sou". O mais humano dos humanos,e o único Deus revelado encarnado.

Páscoa não é uma simples questão fé, mas uma profunda e crítica prospecção, introspecção e reflexão filosófica de quem somos e o que podemos e deveríamos ser.

Vejamos um detalhe pouco percebido nos acontecimentos que se seguem à ressurreição de Jesus Cristo. Pouco tempo depois de Jesus ressucitar, então Maria que era sua discípula foi o procurar e não encontrou o corpo do Senhor Jesus. Mas logo em seguida Maria olha e próximo dali lá estava o Senhor Jesus possivelmente lavrando a terra, pois Maria pensou que Jesus fosse o jardineiro daquele local e ali havia um horto (João 19:41 e João 20: 11,17). Leia Geneses e veja se isso te lembra alguma coisa: "Ora, o Senhor plantou um jardim no Éden e pôs nele o homem para o cultivar e o guardar."(Gn 2:15) Há um interessante e extraordinário paralelismo entre esses dois textos. É Jesus em termos simbólicos dizendo: "Resgatei a identidade e a vida do homem, aquele que eu coloquei para lavrar a terra.
Vamos repensar mais ainda esse fato. Depois de Jesus ressucitar ele é confundido com um jardineiro por Maria Madalena, conforme já dito, pois possivelmente Jesus estava lavrando a terra ao lado do sepulcro, já que ali tinha um horto, segundo a Bíblia. Ok. Talvez você possa pensar que ele estivesse simplesmente guardando sua identidade. De fato isso tem a ver com identidade. Mas principalmente tem a ver com a nossa identidade. Na verdade ele estava é simbolicamente recriando o homem Adão do Geneses em termos de função. 
Fico imaginando, que Jesus, poderia muito bem sair fazendo todo um barulho, ridicularizando aqueles que o humilharam. Poderia sair com uma pirotecnia pra dizer: "voltei hein!". Mas não, ele simplesmente preferiu voltar-se para a singeleza e humildade de identidade do ser humano atribuida ao cultivo e guarda da terra, simplesmente. Esse é o Deus que devolve ao homem o verdadeiro homem/humanidade, e por conseguinte quem é o Deus verdadeiro para habitar com o homem. Jesus lavrava a terra como símbolo de ter ele resgatado a identidade do homem, já que a identidade nossa está no cultivar e guardar a terra, pois que Deus nos colocou no Horto do Eden para desenvolvermos a vida a partir da terra. Interessante e emocionante. demais.
Considerando que o jardim do Eden mais provavelmente era um Horto, e não um jardim como entendemos literalmente num sentido europeu, em termos ecológicos ser criado (o homem Adão) dentro de um Horto e fazendo a gestão ambiental como um jardineiro é uma visão muito mais interssante quanto tanto mais real e profunda. Na Bíblia o que é profundo te leva mais a realidade. Paradoxal como sempre. Senão não seria meu amado Jesus. rsss

Quer comemorar a Páscoa? Fica a dica. Plante uma árvore, abençoe o solo através de uma semente, a qual crescerá tal árvore e esta abençoará muitos animais e muitas pessoas com seus serviços ecológicos e seu valor intrínseco. Ressucite uma área degradada, prejudicada, suja, destituida de valor ou de identidade, uma área morta culturalmente, e você levará vida e identidade a um povo. Ir pelos campos para abençoar os solos e as semeaduras ainda hoje faz a Igreja Ortodoxa na manhã de Páscoa.




 Somos libertos e livres para amar e com através desse amor desenvolvamos a vida na terra em todos os sentidos que isso possa ter. 
Páscoa é comunhão plena. É comunhão com Deus, com o homem, com todos os demais seres e com a Terra, pois o Deus intangível e infindável se torna organicamente visível (encarna) e ceia a nossa liberdade pelo amor e nos tira do cativeiro do egoísmo e da destruição.

Aleluia. Hosana!

Ora, vem Senhor Jesus.

Jorge Tonnera Jr.
Biólogo educador e gestor ambiental



terça-feira, 14 de junho de 2011

Novo Código Florestal não resolverá problema dos minifúndios, diz Ipea, conforme eu já tinha dito aqui...

Bom, pessoal, eu já havia comentado esse fato de que essa birrinha dos "políticoagricultores" com o Código Florestal não se trata de assunto muito sério e sim continuidade em modelo fundiário. Sabemos que o problema de produção está na distribuição de terra e na não reforma agrária. Foi o que dentre outras coisas postei aqui no blog no post "Código Florestal e a agrofloresta: um conceito contra uma retórica de Sesmarias". Por isso fiz questão de publicar aqui essa notícia do IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.




Novo Código Florestal não resolverá problema dos minifúndios, diz Ipea
(Por clipping)

A anistia proposta pelo projeto do novo Código Florestal para o desmatamento feito em propriedades rurais de menor extensão não vai resolver o problema da maioria dos pequenos agricultores no sentido de oferecer área suficiente para sua subsistência, conclui um novo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgado nesta quarta-feira (8).

O texto do novo Código Florestal propõe que imóveis rurais de até quatro módulos fiscais sejam isentos de recompor a reserva legal – área de mata que os proprietários não podem desmatar, que varia de 20% a 80% do total da propriedade, dependendo da região onde se situa.

O Ipea aponta, no entanto, que 65% das propriedades rurais brasileiras são minifúndios, ou seja, têm menos de um módulo fiscal. O módulo fiscal é uma área que varia em cada estado. Uma unidade deve ser suficiente, segundo a realidade da produção local, para sustentar uma família.

Sendo a maioria das propriedades menor que um módulo fiscal, anistiar desmatamento ou mesmo permitir que desmatem ainda mais não resolveria o problema que seus proprietários enfrentam para subsistir, segundo argumenta o Ipea. A inviabilidade de recompor a reserva em pequena propriedades é um dos principais argumentos ruralistas a favor da anistia proposta para imóveis de até quatro módulos fiscais, como está no texto enviado da Câmara dos Deputados para o Senado, onde agora tramita.

Segundo o Ipea, os resultados obtidos indicam que as alterações do Código Florestal “impactarão significativamente sobre a área com vegetação natural existente nos biomas brasileiros e sobre os compromissos assumidos pelo Brasil para redução de emissões de carbono”.

O instituto aponta ainda que seria mais interessante investir numa melhoria dos meios de produção no campo em vez de permitir a expansão da área agricultável. “Predomina no Brasil a agricultura monocultora de larga escala e a pecuária extensiva de gado bovino. O uso de pastagens para criação de bovinos ocupa, no Brasil, 74% das áreas destinadas à agropecuária. O índice de lotação médio é de 1,08 cabeça por hectare”, nota o estudo, que questiona se agropecuária convencional é a mais adequada para a agricultura familiar, em especial para os minifúndios, dada a pouca área disponível para produção, mesmo sem conservação da reserva legal.

Para o Ipea, alternativas devem ser buscadas para viabilizar a efetiva aplicação das leis ambientais, “visando conciliar o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental”.

Recompensa a infrator – O estudo destaca ainda que a anistia proposta no projeto do novo Código Florestal implica em punir o proprietário rural que está cumprindo a legislação atual, já que haverá uma tendência que seu imóvel se desvalorize. O proprietário que conservou sua reserva legal receberá menos por uma terra com vegetação conservada do que outro que tem uma terra idêntica, mas totalmente desmatada, já que ela estará de acordo com a nova lei e terá mais área para produção. (Fonte: Globo Natureza)

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Pastoral da Terra divulga lista de 30 ambientalistas ameaçados de morte

A PAstoral da Terra divulgou uma lista de 30 ambientalistas ameaçados de morte. Oremos pelos perseguidos na causa da terra. A pastoral da Terra está fazendo seu papel, sendo agente do Reino ao expor que há pessoas que estão sendo perseguidas e apoiar os perseguidos de um mundo brasileiro que poucos conhecem e os governos negligenciam. “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus” (MT 5:10).  “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (RM 14:17). Pastoral da Terra divulga lista de 30 ambientalistas ameaçados de morte


Cremos no que está escrito: "venha o Teu Reino e seja feita a Tua vontade" (Mateus 6:10-11). Mas também temos que crer que essa vontade está em nós e que como portadores dessa vontade não podemos nos calar diante das injustiças. Nós somos a ferramenta desse Reino. Temos que de alguma forma procurar participar da justiça. Suspiramos pelo Reino de Deus. Mas temos que ser conscientes que renunciar a si mesmo, tomar, cada dia, a sua cruz faz parte disso.


Leiam a notícia:



Por clipping


A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgou, nesta semana, uma lista com o nome de 30 pessoas que trabalham no campo e de ambientalistas que já sofreram ameaças de morte ou sobreviveram a atentados violentos no país, entre os anos de 2000 a 2010.
De acordo com a organização, a lista completa apresenta 165 pessoas que foram ameaçados de morte mais de uma vez. Uma outra lista, que foi apresentada para o governo Federal, tem 1.855 nome de trabalhadores no campo que sofreram algum tipo de ameaça no período. Destes, 207 receberam mais de uma ameaça e 42 foram assassinados.
Segundo a CPT, o Ministério da Justiça informou que teria condições de oferecer proteção policial apenas para os 30 ambientalistas que já sofreram um atentando, considerados os mais graves.
Em menos de uma semana, quatro pessoas morreram na Região Norte, três delas no Pará e uma em Rondônia. No Pará, a morte de um agricultor, segundo a Polícia local, não tem relação com a morte de ambientalistas na mesma região. Há possibilidade de elo do agricultor com tráfico de drogas. No entanto, a Delegacia de Conflitos Agrários ainda investiga o caso antes de descartar que o assassinato tenha ocorrido por questão agrária.
Nesta segunda-feira (30), para conter os conflitos agrários na Região Norte do país, o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, analisou uma lista com 125 nomes feita pela CPT de ambientalistas e trabalhadores rurais ameaçados de morte. (Fonte: Glauco Araújo/ G1)





quarta-feira, 20 de abril de 2011

A Páscoa da Terra e a Ressurreição do Universo

"A Páscoa da Terra e a Ressurreição do Universo"



A páscoa é uma celebração. Literalmente significa "passagem". É uma celebração decretada por Deus. Historicamente falando a Páscoa se dá após um ultimato de Javé (único e verdadeiro Deus) ao Faraó, por este resistir a Javé e não querer abrir mão da escravidão dos hebreus. Depois de desmoralizar todos os falsos deuses egípcios, Javé, o único e verdadeiro Deus terminou por desmoralizar o faraó. O Faraó era um homem que se considerava deus. Após isso e já com um reino em frangalhos, com seus deuses ridicularizados e reduzidos a nada (nada mais do que são) e com o próprio faraó em cacos diante da morte dos primogênitos (inclusive o seu),o Faraó cedeu e os hebreus foram embora do Egito. Isso tudo está registrado no livro da Bíblia chamado "Exodus" (que significa "Saída").


Desse tempo em diante os judeus passaram então a celebrar a Páscoa (Pessah) comemorando a saída do Egito, a passagem da escravidão para a liberdade.
Javé é o Deus que celebra e conclama aos seus celebrarem. Isso é maravilhoso. É como se dissesse: "Celebrem, façam festas, comemorem a vida e o direito a ela, a liberdade, a felicidade e o amor e a paz! Isso é Páscoa"... Assim a páscoa é a festa do êxodo, a festa da libertação. Encerra uma história de escravidão, falta de respeito à vida como um todo, um sistema que deposita um jugo pesado ao ser humano e que engole a natureza. A Páscoa é a saída de um mundo de fel e a entrada num mundo que mana leite e mel.(Exodo 3:8)

A situação dos hebreus no Egito é algo que nos remete a figura da Terra e de toda a criação enquanto sob o jugo de um tempo, causado pelo homem, sujeita a todo tipo de vaidade. Como é dito em Romanos cap. 8, Paulo, o apóstolo do mundo não judeu, fala da criação presa no cativeiro da corrupção.


Festa comum a judeus e a cristãos, no tempo dos antigos hebreus a páscoa como já vista simbolizava a saída do Egito, no entanto hoje compreendemos que o real sentido dela estava na figura do Messias.  "Chamou pois Moisés a todos os anciãos de Israel, e disse-lhes: Escolhei e tomai vós cordeiros para vossas famílias, e sacrificai a páscoa". (Êxodo 12:21) O cordeiro que era sacrificado e servia de alimento na Páscoa apontava para o Cordeiro de Deus (Jesus Cristo) que se sacrificou por nós.(Jo 1.29) O cordeiro que foi imolado e cujo sangue foi passado nas portas das casas simbolizava o sangue do Cristo que seria imolado num madeiro e do qual todos que estão nele são lavados. A páscoa da Antiga Aliança  prefigurava a Cristo, pois Cristo é nossa Páscoa (1 Coríntios 5.7.). Assim como os judeus comemoraram a saída e libertação da escravidão, nós cristãos comemoramos a libertação da nossa alma. Somos libertos do pecado, a verdadeira prisão (1Co 5:7, Jo 8:32-36 e Mt 11:28). "Se pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”, foi o que Jesus disse para um grupo de judeus que se consideravam livres por serem descendentes de hebreus (João 8.36). Por isso com a vinda do Cristo a páscoa comemora nossa saída da corrupção do mundo para o reino dos céus (que significa a plena vontade de Deus em tudo e em todos), o reino do Filho do seu amor(Colossenses 1:13). 


Na Páscoa da Antiga Aliança se sacrificava um cordeiro toda vez para lembrar dessa passagem. Na páscoa da Nova Aliança não tem mais cordeiro no banquete. Agora é pão e vinho. Em síntese o pão representa o corpo do Cristo, corpo este que era igual ao de Adão, o qual foi oriundo da terra (Génesis 2:7), e o vinho simboliza o sangue de Jesus derramado na cruz. O corpo de Jesus padeceu, foi agredido de diversas formas de tal maneira que sangrou bastante e o desfigurou tal como uma rosa esmagada, como profetizou Isaías. Este sangue escorreu e penetrou no solo, o solo de Israel, o solo com os mesmos elementos químicos que formou Adão, o solo do planeta. Sim, o sangue do Cordeiro, o Cristo único escorreu e penetrou no solo. Quando Jesus morreu houve chuva, a qual suas águas se misturaram com o sangue dele lavando e levando para partes mais abaixo do solo e adentrou nos seres vivos (microorganismos) desse solo. Também o calor evaporou-o levando-o para o ar. Toda a criação, todos os elementos que compõem a nós e o planeta receberam esse sangue.


Está escrito na Bíblia: "(...) pois nEle foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dEle e para Ele. Ele é antes de todas as coisas. NEle tudo subsiste.
Havendo Deus por Cristo feito a paz, pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliou todas as coisas consigo mesmo, tanto as que estão nos céus como as que estão na Terra, A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas más obras, agora contudo vos reconciliou”(Cl. 1:15 a 21).


Pouco tempo depois de Jesus ressucitar, então Maria que era sua discípula foi o procurar e não encontrou o corpo do Senhor Jesus. Mas logo em seguida Maria olha e próximo dali lá estava o Senhor Jesus possivelmente lavrando a terra, pois Maria pensou que Jesus fosse o jardineiro daquele local e ali havia um horto (João 19:41 e João 20: 11,17). Leia Genesis e veja se isso te lembra alguma coisa: "Ora, o Senhor plantou um jardim no Éden e pôs nele o homem para o cultivar e o guardar."(Gn 2:15) Formidável, né? Queima o meu coração!!...




O sangue de Jesus é o penhor da libertação. A Terra tem sua liberdade garantida. Por isso também a criação geme como em dores de parto que prenunciam a volta do salvador, e ela aguarda com ardente expectativa a revelação dos filhos de Deus (Romanos 8:19).


Nesta semana mais precisamente no dia 22/04/2011 é a data conhecida como sexta-feira santa, dia que tradicionalmente diz-se que Jesus Cristo morreu. Também neste dia por curiosidade ou não, é o Dia que é comemorado o Dia da Terra, comemoração que surge na década de 90 e que remete ao primeiro protesto nacional contra a poluição, ocorrido nos anos 80. Só poderemos comemorar o Dia da Terra se de fato a cruz for a Páscoa da Terra. E de fato é. Jesus derramou seu sangue, que penetrou no chão dessa Terra, que será Terra dos Santos. Jesus é o penhor da vida e da ressurreição do planeta e de todo o universo.

Romanos capítulo 8 a partir do versículo 18 conclama: "Pois tenho para mim que as aflições deste tempo presente não se podem comparar com a glória que em nós há de ser revelada.
Porque a criação aguarda com ardente expectativa a revelação dos filhos de Deus.
Porquanto a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa daquele que a sujeitou,
na esperança de que também a própria criação há de ser liberta do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.
Porque sabemos que toda a criação, conjuntamente, geme e está com dores de parto até agora;
e não só ela, mas até nós, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, aguardando a nossa adoção, a saber, a redenção do nosso corpo".


Uma tradução mais contemporânea escreve o início deste texto bíblico acima da seguinte maneira: “Um dia o próprio Universo ficará livre do poder destruidor que o mantém escravo e tomará parte na gloriosa liberdade dos filhos de Deus.” (Rm 8.21)


Irmãos, uma nova terra e um novo céu nos esperam. A Páscoa é a passagem para uma "novidade de vida". Nos projetemos nessa Páscoa lembrando que Jesus Cristo é a salvação de nós e de toda a vida e do universo.


"Levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima", diz as Escrituras. (Lucas 21,20-28).


EM Páscoa,
Jorge Tonnera Júnior

Aloha!! !! Amém!

domingo, 17 de abril de 2011

Novo modelo de gravidade na Terra e uma antiga figura eternizada na memória

No finalzinho do mês passado foi divulgado na impressa que Europeus conseguiram projetar graficamente o mais novo e um dos mais exatos modelos da gravidade na Terra, revelando como a gravidade está distribuída ao longo do planeta. Segundo publicado no site da "Folha.com", "o modelo serve como referência para medir a movimentação dos oceanos, a mudança do nível do mar e a dinâmica do gelo, o que pode abrir precedente para entender com maior profundidade as mudanças climáticas (...), e processos que levam à formação de terremotos". Um tempo depois alguém fez uma charge dessa forma gráfica modelo comparando com o logo do famoso navegador (browser) da internet, o Mozilla Firefox. Mas antes disso, na verdade assim que vi a reportagem desse novo modelo, me veio quase instantaneamente uma imagem que me é muito familiar. Segue abaixo:

Novo modelo de gravidade na Terra


Uma antiga figura eternizada na memória


Quem já é leitor deste blog sabe que "O Pequeno Príncipe" não sai daqui.rsrsss...

Jorge

segunda-feira, 7 de março de 2011

Maria e o Dilema Ecológico

Nadando na internet me deparei com um excelente artigo de Hermes Fernandes através do seu blog: http://hermesfernandes.blogspot.com/

Maria e o Dilema Ecológico

“Sabemos que toda a criação geme como se estivesse com dores de parto até agora. Não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos...” Romanos 8:22-23

Através deste texto, nos deparamos com a figura de duas grávidas, à semelhança de Maria e sua prima Isabel. Trata-se, primeiramente, da Criação como um todo, e em segundo lugar, nós, a Igreja de Cristo.

A Criação está grávida de uma nova Terra, enquanto a Igreja está grávida de um novo Céu. Há um parentesco entre ambas, e a gravidez de ambas está intimamente relacionadas, sendo parte de um único propósito, que deve se cumprir "assim na Terra como no Céu".

Quando Cristo foi levantado na Cruz, colocando-Se entre o céu e a terra, Ele reuniu em Si mesmo todas as coisas que há no céu, e todas as coisas que há na terra (Ef.1:10). Houve então o casamento entre os dois lados da realidade única criada por Deus. Céu e Terra contraíram núpcias para gerar um novo cosmos.

A gravidez da criação se deu quando Cristo, a semente incorruptível, foi colocado no “ventre da terra” (Mt.12:40). O corpo de Jesus era a semente divina que engravidaria a criação. Ele mesmo comparou-Se ao “grão de trigo”, que deveria morrer para poder frutificar (Jo.12:24). Seu sepultamento é comparado à semeadura: “Semeia-se em ignomínia, é ressuscitado em glória. Semeia-se em fraqueza, é ressuscitado em poder” (1 Co.15:43).

Quando houver chegado a hora da colheita, por causa daquela semente incorruptível semeada no ventre da terra, nossos corpos ressuscitarão incorruptíveis. E toda a criação, que hoje é cativa pela corrupção, se revestirá de incorruptibilidade. O cosmos inteiro será transfigurado!

A gravidez da igreja iniciou-se quando o Espírito Santo, como semente incorruptível, foi depositado em nós, a Igreja, por ocasião do Pentecostes (1 Pe.1:23).

Assim como coube ao Espírito gerar Jesus no ventre de Maria, compete ao Espírito gerar em nós a imagem de Cristo (2 Co.3:18). Nas palavras de Paulo, Cristo está sendo gerado em nós (Gl.4:19). A cada etapa desta gestação espiritual, ficamos mais parecidos com o Senhor Jesus. Quando Cristo vier em glória, será a hora do parto, e finalmente, nos manifestaremos ao mundo (1 Jo.3:2).

Paulo diz que a gravidez da Criação e a gravidez da Igreja estão profundamente relacionadas. Há, por parte da criação, uma “ardente expectativa” pela manifestação dos filhos de Deus (Rm.8:19). Segundo o apóstolo, tal manifestação proporcionará plena liberdade à criação (vv.20-21).

Então, surge a questão: De que maneira a igreja e a criação deveriam interagir durante o tempo de gravidez de ambas?

Encontramos nas Escrituras cristãs a história de outras duas grávidas, que nos oferece um padrão que deveríamos seguir em nosso relacionamento com a criação.

Maria e Isabel eram primas. Uma era ainda bem jovem e virgem, a outra já era avançada em idade e estéril.

A primeira a receber o anúncio de que se engravidaria foi Isabel. Aquele a quem ela daria a luz seria o profeta do Senhor, enviado especialmente para Lhe preparar o caminho (Lc.1:17). O mesmo anjos que apareceu a Zacarias, seu marido, foi ao encontro da jovem Maria, para anunciar-lhe o nascimento do Salvador do Mundo, Jesus.

Maria vivia em Nazaré da Galiléia, enquanto que Isabel, sua prima, vivia na região montanhosa de Judá. Quando o anjo Gabriel informou a Maria que sua prima também estava grávida, seu coração desejou profundamente encontrá-la.

“Naqueles dias levantou-se Maria, foi apressada às montanhas, a uma cidade de Judá, entrou na casa de Zacarias e saudou a Isabel” (Lc.1:39-40).

Embora Maria estivesse logo no início de sua gravidez, ela não esperou que sua prima viesse lhe visitar. Em vez disso, ela tomou a iniciativa, saindo-lhe ao encontro, disposta a enfrentar o terreno íngreme das montanhas.

Por que a iniciativa partiu de Maria, em vez de Isabel? Porque Isabel só recebeu o anúncio de sua gravidez, enquanto Maria foi informada sobre a sua gravidez e a de sua prima. Ela conhecia o que sua prima desconhecia. Ela era portadora de uma mensagem mais abrangente, que incluía ela e Isabel.

Podemos tomá-las como alegorias da Igreja e da Criação.

Isabel representa a criação, já avançada em idade, mas prestes a dar à luz uma nova criação. Maria representa a Igreja de Cristo, grávida d’Aquele que fora destinado a reger as nações (Ap.12:1-5).

Assim como Maria gerou Jesus, o Cabeça do Corpo, a igreja é o útero no qual o Espírito Santo está gerando aqueles que formam o Seu Corpo Místico. Jesus é o Novo Homem, o segundo Adão, enquanto a Igreja é a nova Eva, mãe da Nova Humanidade (1 Co.15:45).

Assim como Maria saiu ao encontro de Isabel, a Igreja deve sair ao encontro da Criação, e não o inverso. Mesmo antes da manifestação plena dos Filhos de Deus, a Igreja deve deixar sua zona de conforto, enfrentar o terreno íngreme e pedregoso do mundo, para encontrar-se com a Criação.

O texto prossegue: “Ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre, e Isabel foi cheia do Espírito Santo” (Lc.1:41).

Muito dos cataclismos naturais que temos assistido ultimamente, nada mais são do que as contrações de uma natureza gestante. Provavelmente, Isabel já havia sentido muitas contrações, mas o que ela sentiu no momento em que ouviu a saudação de Maria foi completamente diferente. A criança que era gerada em seu ventre saltava de alegria, cheia do Espírito Santo. Tal deve ser a reação da natureza, quando a Igreja de Cristo sai-lhe ao encontro.

Sair ao encontro da criação é entrar em sintonia com seus problemas, e trabalhar para que ela tenha uma gravidez tranqüila. É claro que os gemidos são inevitáveis. Ainda testemunharemos muitos terremotos, furacões, secas, e outros fenômenos naturais, que nos advertem quanto à proximidade do fim. Não do fim do mundo, mas do fim da gestação, quando um novo mundo emergirá. Quanto mais próximo estivermos do advento de Cristo, mais intensas serão as contrações, até que se rompa a bolsa d’água, os raios do Sol da Justiça sejam vistos no horizonte.

Apesar disso, podemos deixar nossa passividade, e trabalhar pelo bem-estar do meio-ambiente, defendendo um modo vida sustentável, e o futuro das próximas gerações. Como devemos tratar uma grávida? Da mesma maneira devemos lidar com a Criação. Assim como João foi cheio do Espírito, saltando no ventre de Isabel, quando a Criação ouvir a saudação da Igreja, ela se encherá do Espírito e será restaurada (Sl.104:30).

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Faz-me, meu Senhor, instrumento de teu sopro de vida.



    Textos para a Reflexão       
Gênesis 2:15
      "E tomou o SENHOR Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar".

Isaías 6:8
      "Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim".


O cristão sendo portador do Espírito Santo do Deus vivo possui um papel como vitalizador, pois que Jesus é criador e o Seu Espírito é Vivificador. (Salmo 104* (hbr): “...Se retiras o teu espírito, morrem e
voltam ao pó.)



Assim, nós cristãos, estamos contra a corrida do mal, contra o devorador, e somos nós eleitos para difundirmos vida, dar-mos condição de vida, ajudar os vivos, resgatar os mortos, permitindo que Jesus os dê vida.
   




Que estejamos juntos nesse processo de comunhão!

Endireitemos as veredas, endireitemos os rios, endireitemos o mar, endireitemos a terra, endireitemos a cidade, endireitemos as coisas, tiremos o refugo, ó luz que dissipa as trevas, quebremos os grilhões (o latifúndio, a monocultura, e a escravidão, as opressões contra os trabalhadores oprimidos).

Quando orármos com a cabeça no chão, saibas e se humilhe que foi daí, da terra que fomos feitos, que Deus nos fez do pó da terra.

Quando jejuármos, lembremos que do Senhor vêm o fruto da terra, o Senhor é a nossa provisão e o nosso pão, o pão da vida.

Temos comido o corpo das criaturas, muitas das vezes sem respeito, sem lembrar de quem elas são. Que nos lembremos se formos comer.

Deus como Jesus tocou a terra, e o que nós estamos fazendo com esta Terra?
A água é reciclada naturalmente num ciclo sem fim onde ora está gasosa, ora líquida, ora sólida, ora fora de nós, ora dentro de nós. Imagine que algumas moléculas de água que está em você pode ter sido as mesmas
que Jesus bebeu e preencheu o corpo dele e que passou por um fruto, e que esteve num rato.

 Movimenta teu povo, Senhor, como Tu movimenta as águas, movimenta como Tu pairavas sobre as águas na criação.
Vem dissipar (com teu sopro) nosso desespero, nosso egoísmo, nossa injustiça, nosso apego, nossa mentalidade de donos, e ajuda-nos a dissipar o mal.
Herdeiros de tudo nós vendemos tudo inclusive nós mesmos. Ajuda-nos ressuscitar a vida, para os nossos filhos, os filhos dos nossos irmãos, os teus filhos, querido Pai.

Ó homens de boa vontade,

Ouvi o clamor que vem do ar,
Ouvi o clamor que vem da água,
Ouvi o clamor que sobe da terra,
ouvi o clamor dos seres que se movimentam,
Ouvi o clamor dos povos do mar, dos povos dos rios, dos povos das florestas, dos povos das cidades/urbes, dos povos sem terra.

Por Jesus,
Na peleja do Cordeiro contra o Monstro da Destruição.
Aloha a todos os habitantes deste planeta que está gemendo como em

dores de parto pela volta de Jesus!
Amém!!!!


Nota rápida: * A passagem citada do Salmo 104 corresponde à Bíblia Protestante, pois na Bíblia Católica esta passagem está no Salmo 103.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

A natureza da imagem e semelhança. Nossa natureza.


Cristo é o Filho (descendente) de Adão. Adão foi chamado a cultivar um jardim. Cristo, Filho de Adão é quem refreia a vaidade humana e nossas ambições que nos impedem de cultivar e nos leva a destruir. Como novo Adão, Cristo cumpri o que Adão não conseguiu efetivamente e eficazmente por ter sido infiel a Deus e assim também e consequentemente à terra. Toda aliança gera ruptura, e na aliança feita com Jesus nós deixamos para trás o nosso eu e nos achegamos ao Ele, nós deixamos a criatura velha para trás e nos tornamos nova criatura (nova criação) em novidade de vida cheios da boa nova (a nova de que a vida impera e prevalece e venceu a morte). Somos cidadãos de um Reino, um reino de sacerdotes, cujas ações são aromas de incenso suave e agradáveis ao nosso Deus, por isso mesmo tudo o que fazemos é parte de um culto a Deus, nossa vida é um culto a Deus. Assim seja o cultivo dos nossos laços familiares, seja o cultivo dos nossos laços humanitários, ou o cultivo da criação e nossos laços com ela. Acaso ainda não reconheçamos isso vamos mudar nossa cultura. A ação que a criação necessita vai exigir uma mudança (conversão!) nos próprios fundamentosda civilização moderna - o relacionamento dos seres humanos com a natureza mostrando a sua verdadeira natureza. A nossa natureza é a natureza de Cristo - imagem e semelhança do Deus vivo. Jesus é o resgate desta natureza, que por sua vez é o penhor de resgate de toda a natureza (criação).
"Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus.
Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou,
Na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.
Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora.
E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo". (Romanos 8: 19-23)

Nele, que é o penhor da minha vida e assim também da minha natureza.

Jorge Tonnera Jr.
Paz de Cristo!Aloha!!!
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