Muito se fala de santidade e santificação nos cultos das igrejas evangélicas. O apóstolo Paulo nos avisa que devemos desenvolver nossa salvação (Fp 3.12). Gostaria de propor uma reflexão em relação a santificação relacionada ao ambiente em que vivemos como forma de desenvolvimento da salvação.
Usando o livro de Deuteronômio como referência bíblica,
quando Deus orientou o povo no deserto, ensinou a ter um procedimento de cuidado em relação a diversas questões da vida cotidiana. Também a mesma lei de uma forma geral em seu conjunto de princípios, orientações e diretrizes, visava a construção de uma sociedade cuja vida fosse justa e o impacto disso gerasse um nível de relacionamento pacífico e alegre. Ora, uma das necessidades básicas para que uma sociedade se desenvolva é a manutenção da saúde. E um requisito para que haja promoção da saúde é o saneamento.
Saneamento básico inclui ações de abastecimento de água, esgotamento sanitário, melhorias sanitárias domiciliares, manejo de resíduos, prevenção a enchentes e desastres e epidemias, além de educação.
Um dos preceitos que aparece interessantemente no Deuteronômio é o cuidado das fezes. Quando entendemos que o contexto retrata o povo vivendo aos milhares em acampamento, em proximidade de tendas, no deserto, compreendemos a relevância de imediato.
Diz o texto:
"Também terás um lugar fora do arraial, para onde sairás. E entre as tuas armas terás uma pá; e será que, quando estiveres assentado, fora, então com ela cavarás e, virando-te, cobrirás o que defecaste. Porquanto o Senhor teu Deus anda no meio de teu arraial, para te livrar, e entregar a ti os teus inimigos; pelo que o teu arraial será santo, para que ele não veja coisa impura em ti, e se aparte de ti".
(Deuteronômio 23:12-14)
Apesar de geralmente entendermos essa relação direta entre demografia e saúde dentro dessa citação acima tal preceito nos chama atenção imediatamente por citar abertamente e oportunamente a expressão "santo", a qual vem de "santidade", junto a um preceito ambiental. Mas por que? O que tem a ver santidade com saneamento?
Uma leitura superficial nos leva a pensar que o Deus não andaria no meio do povo com fezes espalhadas em qualquer canto como se isso fosse um fator de rejeição a algo natural, rejeição a materialidade do ser humano, ao aspecto físico da vida e sua condição biológica. Temos que entender que o sentido de fezes como algo indesejável quem dá somos nós humanos. Um subproduto do próprio organismo criado por Deus como sendo nojento é uma visão nossa, não de Deus. Na realidade não se trata de vaidade divina como se essa "sujeira" fosse em si mesma prejudicar Deus como se Deus fosse afetado e prejudicado. Na realidade é o contrário. Deus entende que somos matéria e geramos resíduos naturais tal como qualquer organismo que ele criou. No entanto, Deus propõe ação de cuidado protetivo e preventivo em relação ao ser humano. Deus sabe que o ser humano enquanto ser ecológico em sua interatividade com o ambiente estará gradualmente perdendo condições de espaço de vida por conta de competição com outros organismos que se multiplicam em meio de decomposição e na proximidade com algo que pode contaminar o povo através de uma doença isso gera depreciação, dificuldades de lutar (daí a referência a palavra "inimigo" no texto), de se manter, prejuízos sociais e econômicos. Deus não quer pessoas excluídas, nem prejudicadas, por isso Deus detesta o descaso dos governos em relação ao saneamento, já que a ausência deste gera um ciclo vicioso de pobreza econômica, social e ambiental, deterioração da saúde, violência e morte. Assim sendo é injustiça e fora da sustentabilidade do Reino do céu. A “corporeidade” dos humanos é plenamente reconhecida por Deus e Ele faz o homem reconhecer a si próprio em sua "corporeidade", mas busca-se o modo mais sábio de conviver com ela e com o ambiente. É óbvio que as condições ensinadas no texto do Deuteronômio são temporais, ou seja, até então naquele contexto sociogeográfico. Tal prática evolui na proporção dos avanços tecnológicos sociais gerando o ideal em relação a interação com o ambiente. É também a devolução (o virar-se) da matéria da natureza adiquirida e transformada pelo ser humano e agora devolvida a natureza de forma a ser ainda aproveitada nos processos de reciclagem natural, ou seja, a conversão da matéria (de orgânico para inorgânico novamente). Hoje em dia existem tecnologias sociais como o Biodigestor, que pode gerar energia a partir de resíduos orgânicos.
De uma forma geral Santidade significa condição de vida que segue os princípios perfeitos do criador. Significa tornar durável: consagrar. Empregar, destinar, promover seu tempo. Tal termo pode ser atribuido a pessoas, objetos, tempos, ou lugares que tem caráter inviolável, respeitável, purificador. Já saneamento é sanear, ou significa tornar são, remediar, sanar, sendo assim, Santidade e Saneamento se perpassam.
Na realidade por ser santo Deus quer um povo sanado, são, saudável, porque Deus é bom.
Logo, também, é dever da igreja e dos cristãos assumir que nossa relação com o ambiente é um fator de santidade. Lutar por melhorias em seus bairros e comunidades, ensinando, praticando, propondo, mobilizando, protestando conforme cada caso.
Somos povo herdeiro de um Deus que fez água sair da rocha, que abasteceu seu povo, que ensinou a cuidar das casas, a amar nossos pares por meio de atitudes intrínseca e extrínsecas de cuidado sob diversas formas de expressão e em todos os níveis e realidades de vida, individual, social, mental, econômico e ambiental, e que ao conjunto disso tudo podemos chamar de relações ecológicas ou mais propriamente sustentabilidade. Quando Jesus diz que veio dar vida em abundância se refere justamente a promoção de um ser pleno e integral.
Somos herança de santidade, fomos sanados na cruz do cordeiro imaculado, nossas máculas foram perdoadas, de forma que não podemos nos permitir a iniquidade. Tal palavra ("iniquidade") aparece na Bíblia várias vezes e significa "injustiça". Falta de saneamento é injustiça. Não atoa a própria literatura médica e científica chama os problemas de saúde de iniquidades. Sim, falta de saneamento é pecado. Falta de água em boas condições, falta de esgoto com tratamento, falta de limpeza e de gerenciamento de lixo é falta de cuidado, assim sendo é falta de amor. O reino de Deus vivo é justiça, paz e alegria plena que se expressa em todos os cantos e expressões do nosso ser, e gera e desenvolve tais sentidos na sociedade. Assim sendo devemos cuidar da nossa casa e do bairro em termos de limpeza enquanto indivíduos e enquanto coletividade, e enquanto governo. Lembrando particularmente que nós cristãos nos atribuimos uns aos outros como Corpo. A responsabilidade pela saúde desse corpo é de todos, tendo Cristo como cabeça, como Mestre da boa e agradável relação (vontade). Somos um povo comunitário porque igreja é comunidade, por isso o bem de um deve ser para todos, e a ausência de algo necessário para um deve ser suprida por todos. Se a rua ou o bairro estão sujos proponha um mutirão em sua igreja e saiam na rua para limpar. Expresse a glória de Deus. Não importa a hora (mesmo que seja na hora do culto litúrgico, pois o culto a Deus se faz em qualquer lugar e em qualquer hora. Nossa maneira de viver é um culto a Deus e nós somos expressão desse culto. Como disse Jesus àquela mulher samaritana que estava se abastecendo de água do poço e necessitava de água viva, que no significado da bíblia era aquela água boa, e Jesus a explica e diz ser ele a água potável (viva) e bem tratada e clareia dizendo que "Vem a hora e esta é a hora em que os verdadeiros adoradores adorarão a Deus em espírito e em verdade", (independente do tempo e do espaço, independente de templo, de igreja, e do que fazer)... Jo 4.23
Amém!
Paz de Cristo,
Jorge Tonnera Jr
Coletivo Igrejas Ecocidadãs RJ
Biólogo, especialista em gestão ambiental e trabalha como educador ambiental na Companhia de Limpeza Urbana do Rio de JAneiro-COMLURB
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sexta-feira, 16 de agosto de 2013
domingo, 4 de agosto de 2013
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
Crise Ambiental e Cristianismo: o papel da Igreja na sustentabilidade
Em Junho, quando dos eventos da Rio+20, tive o prazer de participar da Cúpula dos Povos e ouvir duas vezes a palestra do Cláudio Oliver, a qual abaixo está transcrita. Uma eu assisti na Catedral Presbiteriana do Rio e a outra foi no instituto Bennet. Confesso que sua fala repercute ainda em mim ecoando em termos de pensamentos mais maduros e conceitos que se afastam de paradigmas e rumam a novas formas de se pensar ecologia e educação ambiental. Segue abaixo a sua fala na mesa de diálogo "Crise Ambiental e Cristianismo: o papel da Igreja na sustentabilidade".
Crise Ambiental e Cristianismo: o papel da Igreja na sustentabilidade
Crise Ambiental e Cristianismo: o papel da Igreja na sustentabilidade
Uma mesa de Diálogo com Marina Silva, Michelon e Dellambre
Claudio Oliver
Como algumas pessoas me pediram, segue abaixo a transcrição de minha fala na mesa de diálogo realizada no dia 16/6/2012, no Rio de Janeiro
“Que bom é que se reúnem representantes de igrejas para poder falar sobre a crise ambiental e poder ver a igreja finalmente se debruçando sobre este tema.
Obviamente não se pode deixar de notar que esta preocupação e debruçar chegam com 20 anos de atraso (seriam 40? O que estávamos discutindo quando o relatório do Clube de Roma nos alertou quanto à necessidade de darmos limites ao crescimento em 1972?). Vinte anos de atraso para a igreja moderna perceber algo mais quente no ar.
Igualmente é bom que se esteja discutindo tal tema, pois pelo menos se pode observar que parte da igreja deixa de confundir o fim do presente sistema ou do sistema-mundo (aion) com o fim da criação (Kosmos). Consciente ou inconscientemente, isso representa a retomada de uma tradição que inclui a vitória sobre a morte, a perspectiva da restauração e a retomada da responsabilidade sobre o planeta como expressão da relação com Deus.
No entanto, essa possibilidade implica em um risco de, sem perceber, se continuar permitindo que a narrativa a dirigir e informar a agenda e a ação da igreja (como tem sido praxe na história moderna da igreja) continue sendo imposta de fora para dentro, a partir do centro e da lógica do sistema e do império presentes.
A relação do ser humano com a terra abre e fecha a narrativa bíblica. Somos seres formados da terra fértil (Adamá), não da argila pouco intemperizada . Somos seres do horizonte A do solo. Adamá é a matéria prima da qual é feito Adam ( o ser humano), ou se preferir a versão latina, o húmus que dá origem à humanidade e também à humildade, posição necessária para se aproximar e tratar do assunto. Nossa rebeldia foi a primeira coisa a trazer maldição sobre a terra, o solo se torna gerador de plantas daninhas e de luta para comer (Gen. 3:17). Da mesma forma no fim da Bíblia, os vinte quatro anciãos cantam a pauta que guiará o julgamento final: “E iraram-se as nações, e veio a tua ira, e o tempo dos mortos, para que sejam julgados, e o tempo de dares o galardão aos profetas, teus servos, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra.” Apocalipse 11:18 (sem grifo no original). Ao deixarmos de lado essa abertura e fechamento do tema nas escritura - e o fato de que o tema da terra e de seu cultivo estão presentes em um de cada três capítulos da Bíblia - para assumirmos a lógica do sistema (a da economia e das finanças) e do Império presente (o do deus mercado e de seu único e suficiente mediador: o dinheiro) como ponto de partida – agora como uma tal “economia verde” - patinamos, somos mais uma vez rebocados e corremos o risco de deixar de enxergar possibilidades.
Na minha humilde opinião, insistir em não tocar em algumas “vacas sagradas”, em alguns “dados como certo”, nos coloca na posição e na agenda que nos leva de reboque por um mundo que corre em velocidade máxima para o abismo e para o colapso. No mínimo, e por misericórdia, tal posição pode nos fazer inócuos diante do quadro atual.
Algumas “vacas sagradas do sistema precisam, como eu disse, ser desafiadas:
- O MITO DO PROGRESSO ETERNO. Um mito que só pode ser crido por um louco ou por economistas da ordem presente, que crêem em um crescimento permanente em um mundo finito, sem se darem conta que a única coisa a crescer indefinidamente é um câncer. Este mito que divide e oprime seres humanos que optam pela vida simples como se fossem cidadãos de segunda categoria, ou que acusa de sectários aqueles que não aceitam acriticamente a máxima de que todo progresso é benvindo. Foi o progresso que deu origem à próxima vaca sagrada.
-A CRENÇA NO DESENVOLVIMENTO COMO OBJETIVO. Ao ser aceito como objetivo a ser buscado, a busca pelo deenvolvimento nos desvia de um outro objetivo estabelecido e proposto por aquele que nos chamou a ser sua igreja. Ele não disse “ Eu vim para que vocês se desenvolvam”, mesmo que esse desenvolvimento seja sustentável. A razão pela qual Ele veio e nosso objetivo proposto por ele é outro: a vida abundante, uma expressão infelizmente confundida com vida com excesso, como a que nos propõe a lógica do consumo e da intermediação monetária, seja esta consciente, sustentável ou qualquer outra. Precisamos reencantar e reassumir a abundância como opção ao excesso, e nos arrepender do excesso de tudo que o mercado nos oferece, de comida a educação, de facilidades a delegação de responsabilidades. E para que todos tenham acesso a esta abundância é mister que se mexa em outra “vaca sagrada”: A ECONOMIA.
-Essa ciência somente existe se crermos, como ela e seus promotores insistem em repetir, em um mundo escasso, o que coloca Deus em uma posição de incompetência de origem como criador, ao ter pensado e realizado tal mundo sem capacidade de sustentar-se. E nos diminui a seres cheios de necessidades ilimitadas, das quais somos insaciáveis, o que nos transforma na imagem e semelhança de uma bactéria patogênica causadora do consumo (o nome antigo da tuberculose). Esta auto-imagem de consumidor nos afasta do caminho proposto do domínio próprio e da celebração dos limites, da renúncia e do sagrado. Conceitos que estão na origem do caminho proposto pelo mestre.
-Precisamos recordar que o termo “desenvolvimento sustentável” foi estabelecido pela médica norueguesa Gro Harlem em 1983, como reação à constatação feita pelo Clube de Roma quase onze anos antes de sua invenção, de que era imperativo IMPOR LIMITES AO CRESCIMENTO. Esta constatação deu origem a uma outra agenda bem mais interessante: a do DECRESCIMENTO (proposta por Nicholas Georgescu-Roegen, o pai da bioeconomia e propagandeada hoje por Serge Latouche). Mas antes de tudo, ela nos remete a lembrança de algo muito anterior e próprio do cristianismo: aprender a viver satisfeito, celebrar os limites, abraçar a renúncia e sacralizar a vida – aqui ditas não como palavras bonitas mas como proposta de agenda agressiva e antissistêmica radical. Na minha humilde opinião esta me parece muito mais coincidente com o ensino do mestre Jesus e com o caminho que a de um desenvolvimento, seja ele de que tipo for. Jesus é aquele que assumiu sua agenda pelo princípio da Kenosis (o esvaziamento das prerrogativas e direitos). Impõem-se a nós a mesma atitude que nele houve (Fil. 2:5) e a prioridade de assumir uma “agenda kenótica para o planeta” COM URGÊNCIA! Abrindo mão de direitos e assumindo, ou reassumindo, as nossas obrigações. Deixando de lado os sonhos de grandeza, não só dos mascates da telefé, como se costuma ter em mente, mas também de nossos pequenos reininhos ministeriais e colocando no lugar desses sonhos, a imaginação necessária para se aprender a viver uma vida simples, pacata e quieta. Abrindo mão de prerrogativas e voltando a indicar o caminho pelo exemplo e não pela liderança.
Por fim, podemos assumir uma postura de lealdade se voltarmos a lembrar à imagem de quem fomos criados e a partir dessa imagem construir outras narrativas a nos informar para a vida. Como já disse, não somos consumidores, a defender nossos “direitos”. A primeira declaração da Bíblia é de que somos imagem e semelhança de um Deus generoso, criativo, bondoso e cuidadoso nos detalhes. Ele nos colocou em um jardim para o observar (Avad) e para o guardar e preservar ( Shamar), Gen. 2:15. Olhar para a terra como nosso origem, nossa casa e nossa primeira identidade, como gente do solo, é reassumir tais princípios e assim nos colocarmos na dianteira de uma mundo que sofre com dores de parto e aguarda a manifestação daqueles que se chamam a si mesmos de “filhos de Deus”
A Ele , toda a glória.”
Lido, copiado e compartilhado a partir do blog do Cláudio Oliver: http://naruacomdeus.blogspot.com.br/
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sexta-feira, 1 de junho de 2012
domingo, 8 de abril de 2012
Com 44% de ateus, Holanda usa igrejas como livrarias e cafés
Ao meu modo de ver a princípio é muito interessante você ver Catedrais e locais institucionais de culto cristão sendo usados para funções culturais, sobretudo para livraria. Aqui no Brasil muitos cinemas fecharam e foram comprados por igrejas como a "Universal do Reino Bispo Macedo". Mas vejam bem. Não se trata de ver como perda, mas talvez como ganho. Até o simples fato de uma pessoa ler um livro num local que remete ao culto do Cristo quem sabe de alguma forma até aproxime de uma maneira diferente essa pessoa descrente para perto de Deus. Tudo coopera para o bem, e o Espírito Santo é quem move as igrejas. Então não vejo como algo tão terrível. Além do mais igreja nunca deveria ter se transformado em espaço físico, mas ter sido mantida a ideia do fundador da igreja, o Senhor Jesus Cristo, como coletivo de pessoas. E mais ainda sabemos que as igrejas se reunião inicialmente dentro de casas comuns. É bem verdade sim que uma catedral é linda e é um louvor a Deus, mas saibam aqueles que confundem o espaço com o coletivo vivo que Catedral e Igrejas físicas não são templos do Deus Jesus. Nós enquanto coletivo, a igreja viva, somos o verdadeiro Templo. É claro que quanto as transformações desses antigos espaços de culto cristão deve haver exceções. Ninguém gostaria de ver uma catedral virar um local de tráfico humano e de drogas, por exemplo. Bom vale pensar. Quanto ao índice de ateísmo, isso realmente é mais triste do que uma Catedral fechar...
As igrejas e templos da Holanda estão cada vez mais vazios e as ordens religiosas não têm recursos para mantê-los. Por isso esses edifícios estão sendo utilizados por livrarias, cafés, salão de cabeleireiro, pistas de dança, restaurantes, casas de show e por aí vai.
De acordo com pesquisa de 2007, a mais recente, os ateus compõem 44% da população holandesa; os católicos, 28%; os protestantes, 19%; os muçulmanos, 5%, e os fiéis das demais religiões, 4%.
A maioria da população ainda acredita em alguma crença, mas, como ocorre em outros países, nem todos são assíduos frequentadores de celebrações e cultos religiosos.
Algumas adaptações de igrejas têm sido elogiadas, como a de Maastricht, onde hoje funciona a livraria Selexyz (primeira foto acima). A arquitetura realmente impressiona.
O Café Olivier (a segunda foto), em Utrecht, também ficou bonito e agradável. Ao fundo, em um mezanino, se destaca o órgão da antiga igreja – um belo enfeite.
Uma igreja do século 19 de Amsterdã virou o “templo do pop”, o Paradiso, onde se apresentam badaladas bandas de rock e cantores nacionais e internacionais, entre os quais alguns brasileiros, como o Seu Jorge.
Até agora, ao que consta, não apareceu em nenhum desses locais alguém para expulsar os vendilhões do templo.
Leia mais em http://www.paulopes.com.br/2010/10/com-44-de-ateus-holanda-usa-igrejas.html#ixzz1rVQGbYnu
Reprodução deste texto só poderá ser feita com o crédito e link da origem.
Com 44% de ateus, Holanda usa igrejas como livrarias e cafés
| Livraria Selexyz, em Maastricht |
| Café Olivier, em Utrecht |
De acordo com pesquisa de 2007, a mais recente, os ateus compõem 44% da população holandesa; os católicos, 28%; os protestantes, 19%; os muçulmanos, 5%, e os fiéis das demais religiões, 4%.
A maioria da população ainda acredita em alguma crença, mas, como ocorre em outros países, nem todos são assíduos frequentadores de celebrações e cultos religiosos.
Algumas adaptações de igrejas têm sido elogiadas, como a de Maastricht, onde hoje funciona a livraria Selexyz (primeira foto acima). A arquitetura realmente impressiona.
O Café Olivier (a segunda foto), em Utrecht, também ficou bonito e agradável. Ao fundo, em um mezanino, se destaca o órgão da antiga igreja – um belo enfeite.
Uma igreja do século 19 de Amsterdã virou o “templo do pop”, o Paradiso, onde se apresentam badaladas bandas de rock e cantores nacionais e internacionais, entre os quais alguns brasileiros, como o Seu Jorge.
Até agora, ao que consta, não apareceu em nenhum desses locais alguém para expulsar os vendilhões do templo.
| Igreja de Amsterdã virou casa de show |
Leia mais em http://www.paulopes.com.br/2010/10/com-44-de-ateus-holanda-usa-igrejas.html#ixzz1rVQGbYnu
Reprodução deste texto só poderá ser feita com o crédito e link da origem.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
O que a Igreja poderia aprender com o Carnaval?
Por
Hermes C. Fernandes
Seria lícito tomar o desfile do Carnaval como analogia de nossa caminhada cristã? Certamente, a maioria dirá que não. Afinal de contas, o Carnaval é a festa pagã por excelência, onde, além de toda promiscuidade, entidades pagãs são homenageadas.
Eu poderia gastar muitas linhas tecendo críticas justas a esta festa em que tantas famílias são desfeitas, e inúmeras vidas destruídas. Porém hoje, quero pegar a contramão.
Por que será que os cristãos sempre enfatizam os aspectos ruins de qualquer manifestação cultural?
Se vivêssemos nos tempos primitivos da igreja cristã, como reagiríamos ao fato de Paulo tomar as Olimpíadas como analogia da trajetória cristã neste mundo?
Ora, os jogos olímpicos celebravam os deuses do Olimpo. Portanto, era uma festa idólatra. Os atletas competiam nus. Sem contar as orgias que se seguiam às competições. Sinceramente, não saberia dizer qual seria pior, as Olimpíadas ou o Carnaval.
Porém Paulo soube enxergar alguma beleza por trás daquela manifestação cultural. A disposição dos atletas, além do seu preparo e empenho, foram destacados pelo apóstolo como virtudes a serem cultivadas pelos seguidores de Cristo.
E quanto ao Carnaval? Haveria nele alguma beleza, alguma virtude que pudesse ser destacada do meio de tanta licenciosidade? Acredito que sim.
Embora jamais tenha participado, talvez por ter nascido em berço evangélico tradicional, posso enxergar alguma ordem no meio do caos carnavalesco.
Destaco a criatividade dos foliões, principalmente dos carnavalescos na composição das fantasias, dos carros alegóricos, do samba-enredo. Eles buscam a perfeição. Diz-se que o desfile do ano seguinte começa a ser preparado quando termina o Carnaval. É, de fato, um trabalho árduo que demanda muito empenho.
Se houvesse por parte de muitos cristãos uma parcela da dedicação encontrada nos barracões de Escolas de Samba, faríamos um trabalho muito mais elaborado para Deus. Buscaríamos a excelência, em vez de nos contentar com tanta mediocridade.
O desfile começa com a concentração. É ali que é dado o grito de guerra da Escola, seguido pelo aquecimento dos tamborins.
A concentração equivale à congregação. Nosso lugar de culto (comumente chamado de “templo” ou “igreja”) é onde nos concentramos e aquecemos nosso espírito. Porém, a obra acontece lá fora, “na avenida” do mundo.
Gosto quando Paulo fala que somos conduzidos por Cristo em Seu desfile triunfal. O apóstolo compara a marcha cristã pelo mundo às paradas triunfais promovidas pelo império romano. Era um espetáculo cruento, no qual os presos eram expostos publicamente, acorrentados arrastados pelas ruas da cidade. Era assim que Roma exibia sua supremacia, e impunha seu poder. Paulo toma emprestada a figura deste majestoso e horroroso evento para afirmar que Cristo está nos exibindo ao Mundo como aqueles que foram conquistados por Seu amor.
Muitos cristãos acreditam ingenuamente que a guerra se dá na concentração. Por isso, a igreja atual é tão em-si-mesmada, isto é, voltada para dentro de si. Ela passou a ser um fim em si mesmo.
A avenida nos espera!
À frente vai a comissão de frente, seguida pelo carro alegórico abre-alas. Compete aos componentes dessa comissão a primeira impressão.
A comissão de frente da igreja de Cristo é formada pelos que nos precederam, que abriram caminho para as novas gerações. Não podemos permitir que caiam no esquecimento. Também são os missionários, que deixam sua pátria para abrir caminho em outros rincões. Grande é sua responsabilidade, e alto é o preço que se dispõem a pagar para que o Evangelho de Cristo chegue à populações ainda não alcançadas. Paulo fazia parte da comissão de frente da igreja primitiva. Chegamos a esta conclusão quando lemos o que escreveu aos coríntios: “Para anunciar o evangelho nos lugares que estão além de vós, e não em campo de outrem” (2 Co.10:16). Ele preferia pescar em alto mar, e não aquário dos outros.
A Escola de Samba é dividida em alas, cada uma com fantasias e carro alegórico próprios. Porém, o samba-enredo é o mesmo. O que é cantado lá na frente, é sincronicamente cantado na última ala da Escola. A voz do puxador do samba, bem como a batida harmoniosa da bateria, ecoando por toda a avenida, garantem esta sincronia. Não pode haver espaços vazios entre as alas. Há harmonia até nas cores das fantasias. Ninguém entra na avenida vestido como quiser. Imagine se as variadas denominações que compõem o Corpo Místico de Cristo se relacionassem da mesma maneira, respeitando cada uma o espaço da outra, porém dentro de uma evolução harmoniosa. No meio do desfile encontramos o casal de porta-bandeira. Eles exibem orgulhosamente o pavilhão da Escola. Seus gestos e passos são cuidadosamente combinados, para que a bandeira receba as honras devidas.
É triste verificar o quanto a bandeira do Evangelho tem sido chacoalhada, pois os que a deveriam ostentar, são os primeiros a desonrá-la com seu mal testemunho.
Os cristãos primitivos se dispunham a pagar com a própria vida para que seu testemunho de fé fosse validado e o nome de Cristo fosse honrado.
Ao término do desfile chega o momento da dispersão. É hora de partir, levando a certeza de que todos deram o melhor de si. Alguns saem machucados, com os pés sangrando, com as forças exauridas. Mas todos saem alegres, esperançosos de que sua escola seja a campeã. Aprenderam a sublimar a dor enquanto desfilam. Ignoram o cansaço. Vencem os limites do seu corpo. Tudo pela alegria de ver sua escola se sagrando campeã. Mas no fim, chega a hora de tirar a fantasia, descer dos carros alegóricos, cuidar das feridas nos pés. Mesmo assim, ninguém reclama.
Todos estamos a caminho do fim do desfile. O momento da dispersão está chegando, quando deixaremos este corpo, nossa fantasia, e seremos saudados pela Eternidade. Que diremos nesta hora? Não haverá novos desfiles. Terá chegado o fim de nossa trajetória? Não! Será apenas o começo de uma nova fase existencial. Deixaremos nossas fantasias, para nos revestirmos de novas vestes celestiais. Falaremos como Paulo em sua carta de despedida a Timóteo:
“...o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” (2 Tm.4:6b-8).
Aproveitemos os instantes em que estamos na avenida desta vida, celebremos a verdadeira alegria, infelizmente ainda desconhecida por muitos foliões, e que não terminará em cinzas.
Hermes Fernandes é um dos mentores da Santa Subversão Reinista no Genizah
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Hermes C. Fernandes
Seria lícito tomar o desfile do Carnaval como analogia de nossa caminhada cristã? Certamente, a maioria dirá que não. Afinal de contas, o Carnaval é a festa pagã por excelência, onde, além de toda promiscuidade, entidades pagãs são homenageadas.
Eu poderia gastar muitas linhas tecendo críticas justas a esta festa em que tantas famílias são desfeitas, e inúmeras vidas destruídas. Porém hoje, quero pegar a contramão.
Por que será que os cristãos sempre enfatizam os aspectos ruins de qualquer manifestação cultural?
Se vivêssemos nos tempos primitivos da igreja cristã, como reagiríamos ao fato de Paulo tomar as Olimpíadas como analogia da trajetória cristã neste mundo?
Ora, os jogos olímpicos celebravam os deuses do Olimpo. Portanto, era uma festa idólatra. Os atletas competiam nus. Sem contar as orgias que se seguiam às competições. Sinceramente, não saberia dizer qual seria pior, as Olimpíadas ou o Carnaval.
Porém Paulo soube enxergar alguma beleza por trás daquela manifestação cultural. A disposição dos atletas, além do seu preparo e empenho, foram destacados pelo apóstolo como virtudes a serem cultivadas pelos seguidores de Cristo.
E quanto ao Carnaval? Haveria nele alguma beleza, alguma virtude que pudesse ser destacada do meio de tanta licenciosidade? Acredito que sim.
Embora jamais tenha participado, talvez por ter nascido em berço evangélico tradicional, posso enxergar alguma ordem no meio do caos carnavalesco.
Destaco a criatividade dos foliões, principalmente dos carnavalescos na composição das fantasias, dos carros alegóricos, do samba-enredo. Eles buscam a perfeição. Diz-se que o desfile do ano seguinte começa a ser preparado quando termina o Carnaval. É, de fato, um trabalho árduo que demanda muito empenho.
Se houvesse por parte de muitos cristãos uma parcela da dedicação encontrada nos barracões de Escolas de Samba, faríamos um trabalho muito mais elaborado para Deus. Buscaríamos a excelência, em vez de nos contentar com tanta mediocridade.
O desfile começa com a concentração. É ali que é dado o grito de guerra da Escola, seguido pelo aquecimento dos tamborins.
A concentração equivale à congregação. Nosso lugar de culto (comumente chamado de “templo” ou “igreja”) é onde nos concentramos e aquecemos nosso espírito. Porém, a obra acontece lá fora, “na avenida” do mundo.
Gosto quando Paulo fala que somos conduzidos por Cristo em Seu desfile triunfal. O apóstolo compara a marcha cristã pelo mundo às paradas triunfais promovidas pelo império romano. Era um espetáculo cruento, no qual os presos eram expostos publicamente, acorrentados arrastados pelas ruas da cidade. Era assim que Roma exibia sua supremacia, e impunha seu poder. Paulo toma emprestada a figura deste majestoso e horroroso evento para afirmar que Cristo está nos exibindo ao Mundo como aqueles que foram conquistados por Seu amor.
Muitos cristãos acreditam ingenuamente que a guerra se dá na concentração. Por isso, a igreja atual é tão em-si-mesmada, isto é, voltada para dentro de si. Ela passou a ser um fim em si mesmo.
A avenida nos espera!
À frente vai a comissão de frente, seguida pelo carro alegórico abre-alas. Compete aos componentes dessa comissão a primeira impressão.
A comissão de frente da igreja de Cristo é formada pelos que nos precederam, que abriram caminho para as novas gerações. Não podemos permitir que caiam no esquecimento. Também são os missionários, que deixam sua pátria para abrir caminho em outros rincões. Grande é sua responsabilidade, e alto é o preço que se dispõem a pagar para que o Evangelho de Cristo chegue à populações ainda não alcançadas. Paulo fazia parte da comissão de frente da igreja primitiva. Chegamos a esta conclusão quando lemos o que escreveu aos coríntios: “Para anunciar o evangelho nos lugares que estão além de vós, e não em campo de outrem” (2 Co.10:16). Ele preferia pescar em alto mar, e não aquário dos outros.
A Escola de Samba é dividida em alas, cada uma com fantasias e carro alegórico próprios. Porém, o samba-enredo é o mesmo. O que é cantado lá na frente, é sincronicamente cantado na última ala da Escola. A voz do puxador do samba, bem como a batida harmoniosa da bateria, ecoando por toda a avenida, garantem esta sincronia. Não pode haver espaços vazios entre as alas. Há harmonia até nas cores das fantasias. Ninguém entra na avenida vestido como quiser. Imagine se as variadas denominações que compõem o Corpo Místico de Cristo se relacionassem da mesma maneira, respeitando cada uma o espaço da outra, porém dentro de uma evolução harmoniosa. No meio do desfile encontramos o casal de porta-bandeira. Eles exibem orgulhosamente o pavilhão da Escola. Seus gestos e passos são cuidadosamente combinados, para que a bandeira receba as honras devidas.
É triste verificar o quanto a bandeira do Evangelho tem sido chacoalhada, pois os que a deveriam ostentar, são os primeiros a desonrá-la com seu mal testemunho.
Os cristãos primitivos se dispunham a pagar com a própria vida para que seu testemunho de fé fosse validado e o nome de Cristo fosse honrado.
Ao término do desfile chega o momento da dispersão. É hora de partir, levando a certeza de que todos deram o melhor de si. Alguns saem machucados, com os pés sangrando, com as forças exauridas. Mas todos saem alegres, esperançosos de que sua escola seja a campeã. Aprenderam a sublimar a dor enquanto desfilam. Ignoram o cansaço. Vencem os limites do seu corpo. Tudo pela alegria de ver sua escola se sagrando campeã. Mas no fim, chega a hora de tirar a fantasia, descer dos carros alegóricos, cuidar das feridas nos pés. Mesmo assim, ninguém reclama.
Todos estamos a caminho do fim do desfile. O momento da dispersão está chegando, quando deixaremos este corpo, nossa fantasia, e seremos saudados pela Eternidade. Que diremos nesta hora? Não haverá novos desfiles. Terá chegado o fim de nossa trajetória? Não! Será apenas o começo de uma nova fase existencial. Deixaremos nossas fantasias, para nos revestirmos de novas vestes celestiais. Falaremos como Paulo em sua carta de despedida a Timóteo:
“...o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” (2 Tm.4:6b-8).
Aproveitemos os instantes em que estamos na avenida desta vida, celebremos a verdadeira alegria, infelizmente ainda desconhecida por muitos foliões, e que não terminará em cinzas.
Hermes Fernandes é um dos mentores da Santa Subversão Reinista no Genizah
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quarta-feira, 16 de novembro de 2011
CAMINHADA CONTRA A CORRUPÇÃO - Dia 20/11/11
Por intermédio e idealização da JOCUM Rio, estaremos realizando uma CAMINHADA CONTRA A CORRUPÇÃO em Copacabana, mobilizando a juventude cristã no mês de Novembro.
20 de Novembro – Caminhada contra a corrupção na orla de Copacabana, 13:00 – 17:00h.
Estaremos protestando contra a corrupção política e toda injustiça que provém dessas coisas. Estaremos contra os atos as escuras e todo desvio que empobrece o Brasil. Sabemos que somos detentores de muitas riquezas. Precisamos é distribui-las. Governo, Políticos, Grandes empresários e Religiosos. São esses os grandes gafanhotos devoradores do Brasil, que mais parecem ter saído da Babilônia. Mas há também os gafanhotos pequenos cortadores...esse somos nós. Isso porque os mecanismos sociais que provocam injustiças são os mesmos dentro de nós, dentro das nossas casas, empresas ou governo. Ou seja, a sociedade é um todo corrupta. Fome de pão no asfalto e sede água na caatinga são reflexos de fome de paz e sede de justiça dentro de cada um nós.
É importante dizer que a corrupção passa pela nossa vida todos os dias e por vezes deixamos passá-la como se fosse um detalhe que fantasiamos de necessidade, irreverência ou inocência. Agimos assim na fila do supermercado, na propina ao guarda de trânsito, no "gato" da TV a Cabo, no não devolvermos o que pegamos emprestado, no não devolver o troco errado, no querer tirar vantajem em tudo e sobre todos, no "fecho contigo se tu fechar comigo", no voto por interesse, no não declaro a receita federal, e em tantas outras coisas. O que ocorre nas casas da política governamental é apenas por extensão a um nível maior o que ocorre no barzinho da esquina ou na casa de muitas famílias, que afinal de contas também são casas de política, pois todo ser humano é político. Até nos Âmbitos religiosos a corrupção está presente.
Assim como na época do profeta Amós, o reinado de Israel vivia uma época aparentemente gloriosa que ampliava seus domínios (2 Rs 14:25) (6:1-3.13-14), e um culto religioso que disfarçava a ausência de uma fé justa amparando e ocultando as múltiplas opressões e injustiças. Temos vivido um tempo bem parecido como o de Amós. A palavra de Amós incomodava porque ele anunciava que o julgamento de Deus viria para os poderosos e também para os religiosos que não se incomodavam. Ele falou de ricos que acumulavam cada vez mais; ele falou de mulheres ricas que, para viverem no luxo, estimulavam seus maridos a explorar os fracos; falou também dos que roubavam e exploravam e expressavam uma hipócrita religiosidade "compensatória" que naturalmente era associada ao dinheiro; também os juízes que julgavam injustamente; e os empreendedores comerciais que prejudicavam e mantinham um ciclo de compra e venda por preço justo. Sendo assim, toda uma realidade de insustentabilidade que diante de Deus era revoltante. "Rugiu o leão, quem não temerá? Falou o Senhor DEUS, quem não profetizará? (Amós 3:8)
Amós como visionário era capaz de ver a tragédia em situações cotidianas, tudo isso criando um regime de opressão mas também o Livro de Amós termina com uma mensagem de esperança (9:11-15). Diz o Senhor que "Naquele dia tornarei a levantar o tabernáculo caído de Davi, e repararei as suas brechas, e tornarei a levantar as suas ruínas, e o edificarei como nos dias da antiguidade". (Amós 9:11)
Deixo uma música para pensármos através da sua letra o nosso cotidiano corrupto. A música se chama "Tão Iguais" da banda Dead Fish.
Eu grito pelo meu país
Que finge,
Os absurdos tão normais
Onde estou.
Eu desejei o teu lugar
Quis agir da mesma forma
Aqui todos são iguais!
Impunidade usada pra vencer
Comprada com seus votos
E sua omissão
Legislar ou pedir pão
Não seja tão honesto
Ou irá morrer!
Se resignar e aceitar,
Se eles são apenas dez?
Não terá o seu quinhão
Tão sujo quanto o deles
Normalidade!
Senso Comum!
(Me lembro com se fosse ontem do meu pai me falando preu estudar pra ser alguem na vida. E disse coisas sobre o caso, era Aracelli e Ana Angélica, dizia que não ia dar em nada, lembro dos seus discursos sobre honestidade, de como deverímamos ser e agir)
Eu desejei este lugar,
Quis agir da mesma forma,
Aceitar os mais iguais!
Eu desejei o meu lugar,
Vou agir da minha forma,
Quero coisas mais reais!
(As 2 ultimas estrofes cantadas Simultaneamente)
(Tempos depois o meu velho se foi e descobri que saber não bastava...)
Tente conceber! Tente
Vislumbrar!
Que é tão igual quanto os
Que odeia!
Tudo isso vai mudar?
(...Precisava ser alguem e ter um nome, um brilho ou um padrinho, não abri a mão do que aprendi para que ser o que eles desejavam que eu fosse, por isso prometi fazer alguma coisa, por todos que sejam honestos, por mim, por La Madre, minha avó, meus amores, amigos, irmãos e por todos que sofrem neste estado do Espírito Santo)
Contamos com a sua participação e disposição em caminharmos juntos para a expansão do Reino de Deus na cidade do Rio de Janeiro.
Tenho percebido que Deus tem dirijido um forte clamos por justiça tanto aqui no Brasil quanto em outras partes do mundo. Os ocupa Wallstreets da vida e outros movimentos, bem como as inconformismos de pessoas da igreja que Deus tem trazido de dentro pra fora como Amós.
Quando virem o Reino então se dirá:
... "e justiça para todos".
Amém!!
Jorge Tonnera Jr.
Para mais informações:
Tel: (21) 2283-2285
Email: info@jocumrio.org.br O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.
...e justiça para todos..
..
Que finge,
Os absurdos tão normais
Onde estou.
Eu desejei o teu lugar
Quis agir da mesma forma
Aqui todos são iguais!
Impunidade usada pra vencer
Comprada com seus votos
E sua omissão
Legislar ou pedir pão
Não seja tão honesto
Ou irá morrer!
Se resignar e aceitar,
Se eles são apenas dez?
Não terá o seu quinhão
Tão sujo quanto o deles
Normalidade!
Senso Comum!
(Me lembro com se fosse ontem do meu pai me falando preu estudar pra ser alguem na vida. E disse coisas sobre o caso, era Aracelli e Ana Angélica, dizia que não ia dar em nada, lembro dos seus discursos sobre honestidade, de como deverímamos ser e agir)
Eu desejei este lugar,
Quis agir da mesma forma,
Aceitar os mais iguais!
Eu desejei o meu lugar,
Vou agir da minha forma,
Quero coisas mais reais!
(As 2 ultimas estrofes cantadas Simultaneamente)
(Tempos depois o meu velho se foi e descobri que saber não bastava...)
Tente conceber! Tente
Vislumbrar!
Que é tão igual quanto os
Que odeia!
Tudo isso vai mudar?
(...Precisava ser alguem e ter um nome, um brilho ou um padrinho, não abri a mão do que aprendi para que ser o que eles desejavam que eu fosse, por isso prometi fazer alguma coisa, por todos que sejam honestos, por mim, por La Madre, minha avó, meus amores, amigos, irmãos e por todos que sofrem neste estado do Espírito Santo)
Contamos com a sua participação e disposição em caminharmos juntos para a expansão do Reino de Deus na cidade do Rio de Janeiro.
Tenho percebido que Deus tem dirijido um forte clamos por justiça tanto aqui no Brasil quanto em outras partes do mundo. Os ocupa Wallstreets da vida e outros movimentos, bem como as inconformismos de pessoas da igreja que Deus tem trazido de dentro pra fora como Amós.
Quando virem o Reino então se dirá:
... "e justiça para todos".
Amém!!
Jorge Tonnera Jr.
Para mais informações:
Tel: (21) 2283-2285
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...e justiça para todos..
..
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
ERA UMA CASA MUITO ENGRAÇADA
Leiam o texto e reflitam. Lido originalmente no http://solomon1.com/
ERA UMA CASA MUITO ENGRAÇADA
Essa noite, eu tive um sonho de sonhador, sonhei com uma igreja esquisita. Ela não tinha muros, piso, púlpito, bancos ou aparelhagem de som. A igreja era só as pessoas. E as pessoas não tinham títulos ou cargos, ninguém era chamado de líder, pois a igreja tinha só um líder, o Messias. Ninguém era chamado de mestre, pois todos eram membros da mesma família e tinham só um Mestre. Tampouco alguém era chamado de pastor, apóstolo, bispo, diácono ou Irmão. Todos eram conhecidos pelos nomes, Maria, Pedro, Afonso, Julia, Ricardo…
Todos os que criam pensavam e sentiam do mesmo modo. Não que não houvesse ênfases diferentes, pois Tiago dizia: “Vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem das obras, para que ninguém se glorie”, enquanto Paulo dizia: “A pessoa é aceita por Deus por meio das suas obras e não somente pela fé”. Mas, mesmo assim, havia amor, entendimento e compreensão entre as pessoas e suas muitas ênfases.
Não havia teólogos nem cursos bíblicos, nem era necessário que ninguém ensinasse, pois o Espírito ensinava a todos e cada um compartilhava o que aprendia com o restante. E foi dessa forma que o Agenor, advogado, aprendeu mais sobre amor e perdão com Dinorá, faxineira.
Não havia gente rica em meio a igreja, pois ninguém possuía nada. Todos repartiam uns com os outros as coisas que estavam em seu poder de acordo com os recursos e necessidades de cada um. Assim, César que era empresário, não gastava consigo e com sua família mais do que Coutinho, ajudante de pedreiro. Assim todos viviam, trabalhavam e cresciam, estando constantemente ligados pelo vínculo do amor, que era o maior valor que tinham entre eles.
Quando eu perguntei sobre o horário de culto, Marcelo não soube me responder e disse que o culto não começava nem acabava. Deus era constantemente cultuado nas vidas de cada membro da igreja. Mas ele me disse que a igreja normalmente se reunia esporadicamente, pelo menos uma vez por semana em que a maioria podia estar presente. Normalmente era um churrasco feito no sítio do Horácio e da Paula, mas no sábado em que eu participei, foi uma macarronada com frango na casa da Filomena. As pessoas iam chegando e todos comiam e bebiam o suficiente.
Depois de todos satisfeitos, Paulo, bem desafinado, começou a cantar uma canção. Era um samba que falava de sua alegria de estar vivo e de sua gratidão a Deus. Maurício acompanhou no cavaquinho e todos cantaram juntos. Afonso quis orar agradecendo a Deus e orou. Patrícia e Bela compartilharam suas interpretações sobre um trecho do evangelho que estavam lendo juntas. Depois foi a vez de Sueli puxar uma canção. Era um bolero triste, falando das saudades que sentia do marido que havia falecido há pouco tempo. Todos cantaram e choraram com ela. Dessa vez foi Tiago que orou. Outras canções, orações, hinos e palavras foram ditas e todas para edificação da igreja.
Quando o sol estava se pondo, Filomena trouxe um enorme pão italiano e um tonelzinho com um vinho que a família dela produzia. O ápice da reunião havia chegado, pela primeira vez o silêncio tomou conta do lugar. Todos partiram o pão, encheram os copos de vinho e os olhos de lágrimas. Alguns abraçados, outros encurvados, todos beberam e comeram em memória de Cristo.
Acordei com um padre da Inquisição batendo à minha porta. Junto dele estavam pastores, bispos, policiais, presidentes, ditadores, homens ricos e um mandado de busca. Disseram que houvera uma denúncia e que havia indícios de que eu era parte de um complô anarquista para acabar com a religião. Acusaram-me de freqüentar uma igreja sem líderes, doutrina ou hierarquia; me ameaçaram e falaram: “Ninguém vai nos derrubar!”. Expliquei: “Vocês estão enganados, não fui a lugar nenhum, não encontrei ninguém ou participei de nada… aquela é apenas a igreja dos meus sonhos”.
Por Tonho
Fundador do Underground – Missão Portas Abertas
segunda-feira, 4 de abril de 2011
U2 e a Igreja chamada Vertigo.
Este artigo abaixo do Pastor Carlos Bezerra Jr é bem interessante e esclarecedor.
U2 e a Igreja chamada Vertigo,
U2 e a Igreja chamada Vertigo,
por Carlos Bezerra Junior.
“Hello, hello! I’m at a place called vertigo...” Foi ouvindo estes versos que eu me dei conta de onde estava: no estádio do Morumbi, assistindo ao show da banda U2, que tocava a segunda música do dia, em São Paulo. Perto de mim, o prefeito José Serra. A reação à apresentação dos roqueiros irlandeses é geralmente essa mesmo. Ficamos meio que tontos diante do cenário gigante, da performance perfeita, do carisma de Bono. Depois do show, recebi vários e-mails de irmãos questionando o conteúdo cristão das músicas do U2 e das bandeiras sustentadas pelo vocalista. Resolvi escrever o que penso.
Seriam eles cristãos? Sim, eles são. Alguns podem torcer o nariz para essa afirmação. Conheço todos os argumentos contrários de cor, e, sobre isso, penso sobre como o nosso olhar se tornou superficial nos últimos anos, ou, então, como a nossa teologia se tornou rasa. Excluímos do nosso círculo quem não segue os mesmos padrões de comportamento. Enquanto isso, o “Você também” do U2 prefere incluir.
Não sei se a maioria quer enxergar o miolo da questão, se quer tocar a alma desses artistas. Aos que desejam isso, sugiro uma leitura atenta das músicas. O U2 fala, principalmente, da loucura da vida moderna, das nossas cidades, da ausência de sentido das guerras, das conquistas, dos fracassos. Num mundo vertiginoso, eles procuram algo que os faça “sentir” –é o que diz “Vertigo”. Mas é também o que diz “I still haven’t found what I’m looking for”, na qual Bono canta a sua busca por entender o sentido da condição humana.
As cidades sem nome, onde as luzes cegam, os arranjos eletrônicos que causam estranhamento... São esses os cenários desenhados pelo U2 em seu lamento pela tristeza do mundo, que vem desde o domingo sangrento de “Sunday Bloody Sunday”. A crítica musical muitas vezes o classifica como piegas. Porém a maneira como os irlandeses se colocam no hit parade, carregados de influências que vão dos Beatles aos punks Ramones, apresentando criações originalíssimas e baladas que marcam gerações, é surpreendente. Em todas as letras, há conceitos cristãos claros, e as bandeiras –como a coexistência pacífica das religiões, e não o ecumenismo— são as mais evangélicas que conheci.
Há canções específicas em que o Evangelho é declarado de forma explícita, porém os que não são cristãos não a compreendem dessa forma. Dos primeiros CDs da banda até o consagrado “War”, as referências à fé predominam. Em “Boy”, o trabalho de estréia do U2, Bono canta em “I Will Folow” (“Eu Seguirei”): “I was on the outside when you said/ You needed me/ I was looking at myself/ I was blind, I could not see. (Eu estava por fora quando você disse. Preciso de você. Eu estava observando a mim mesmo/ Eu estava cego, não podia ver)”. Entre “Boy” e “War”, está “October”, considerado um dos trabalhos mais cristãos da banda.
Além das declarações de fé do U2, o testemunho público de Bono confirma o que ele canta. O envolvimento do vocalista no Jubileu 2000, movimento que propõe o perdão da dívida externa dos países africanos, o forçou a atrasar em um ano o lançamento do novo CD. Há 25 anos casado com a mesma mulher, Bono fala com presidentes, discursa, prega em seus shows usando o palco como púlpito. Em qualquer oportunidade, ele está chamando atenção para a pobreza e a injustiça social.
Tudo isso pode parecer novidade para nós, brasileiros, mas para irlandeses e americanos, a confissão de fé dos roqueiros do U2 é praticamente domínio público. Este fato está sendo corrigido com o lançamento de “Walk On A Jornada Espiritual do U2”, tradução do livro de Steve Stockman (W4 Editora). Neste ensaio, vemos a compilação de milhares de entrevistas de Bono Vox ao longo dos anos e descobrimos que ele mesmo parou de tocar no assunto igreja para evitar maiores transtornos pessoais e na carreira da banda. Mas há muitas outras coisas interessantes a conferir no livro.
O passado do jovem vocalista em Dublin, o tempo de escola bíblica, é um dos capítulos interessantes. Entendemos o que era o movimento evangélico daquele lugar naqueles tempos. Era o auge da guerra entre católicos e protestantes e a igreja não estava encerrada entre as quatros paredes do templo, e sim nas trincheiras. As canções não eram apenas de louvor, mas também de protesto por tamanha incoerência de ambos os lados da batalha. Quem não se lembra da cena de Sinéad O’Connor, a cantora careca de “Nothing Compares 2 U”, queimando a fotografia do Papa?
O U2 é um produto da Igreja, mas não para consumo interno. Hoje, vejo em Bono inúmeras expressões do Evangelho, e dos valores que aprendemos aos domingos (ou que deveríamos estar aprendendo), vejo a tentativa frutífera de atingir para além do gueto que criamos, para além dos muros do templo. E isso, convenhamos, assusta a qualquer um. Ao mesmo tempo revela uma coragem que a maioria dos nossos músicos maravilhosos não tem. Aqui eu escrevo sem ironia: nós, cristãos, abastecemos o setor fonográfico há anos, com músicos que, fora da igreja, ajudam a embalar multidões com boa música cantada por não-cristãos, enquanto dentro produzem canções muitas vezes repetitivas e sem criatividade, sem força para ir além do muitas vezes mesquinho e vazio mercado evangélico.
Não conheço Bono o suficiente para saber se ele é um exemplo a ser seguido, mas não posso ignorar a verdade de suas bandeiras. Quando assisto a um megashow como o que ele fez em São Paulo, considerado por muitos o maior show de rock da história do Brasil, não posso deixar de me sentir desafiado e de me identificar com a proposta desses malucos irlandeses. Como político, sempre rejeitei o gueto. Sempre me recusei a, como vereador, me restringir a ser um despachante de igreja, a viver de favores, fechado num mundinho autodenominado cristão.
Nunca entendi que Jesus pregava a salvação para aqueles que fossem “bonzinhos”. Entendi que o céu era para aqueles que acolhessem o estrangeiro, para os que desse água ao sedento, comida ao faminto. Talvez seja essa a pergunta perseguida por Bono: o que é a salvação? A julgar por algumas letras e discursos da banda, a salvação é sinônimo de humanização. A partir do momento em que nos tornamos mais humanos, mais parecidos com Jesus nos tornamos. E, acima de tudo, a salvação é para todos, não apenas para um grupo de iniciados.
Para concluir, o U2 nos ensina que o projeto de expressar os valores da Igreja para o além-muro pode dar certo, seja em canções, seja em políticas públicas. Não sei se poderia considerar heresia ouvir uma multidão como a que lotou o Morumbi cantando os versos de “40”, composição do CD “War”, na qual Bono é explícito em sua fé. Na música, ele diz: “You set my feet upon a rock. And made my footsteps firm. Many will see, many will see and hear (Você pôs meus pés sobre a rocha. E firmou os meus passos. Muitos verão, muitos verão, e ouvirão)”. Posso dar o testemunho de quem viu isso ao vivo, como eu. É emocionante. Ouvir o nome do Senhor exaltado dessa forma é de arrepiar.
CARLOS BEZERRA JR. é médico ginecologista e obstetra, pastor da Comunidade da Graça e vereador de São Paulo
quinta-feira, 31 de março de 2011
U2 chegando...fé, igreja, evangelho, e nada de religião! Apenas Caminhe (Walk on)!
Como muitos já sabem o U2 irá tocar em 3 noites em São Paulo. Eu estarei lá, se Deus permitir, no dia 09/04/11.
Uma coisa que me atrai na banda e suas músicas são as melodias e riffs e as letras bem humanas influenciadas pela fé cristã. Ao longo dos próximos dias eu vou postar alguns artigos bem interessantes que falam do U2 e sua fé. Por hora deixo aqui uma música do Reino, e se chama "Walk On", que é do álbum All That You Can't Leave Behind, que foi o décimo álbum de estúdio dessa banda de rock irlandesa.
"Walk On" foi originalmente escrito sobre e dedicado a Aung San Suu Kyi, a ativista birmanesa, tal significado fez com que fosse proibida na Birmânia, hoje Mianmar, já que ela é símbolo da luta pela democracia. Ela passou a maior parte dos últimos 20 anos encarcerada. Após os ataques de 11 de setembro essa música teve mais um sentido. Ela realmente toca, é muito espiritual, uma das mais espirituais deles, se é que existe mais espiritual ou menos...rss Lembro que uma vez eu estava num supermercado desses da vida e na seção de música e eletrônicos tinha um aparelho DVD e uma TV rodando um DVD do U2 (não me lembro se era da Vertigo Tour ou Elevation Tour) e cuja última música era "Walk On" e ao final meus olhos estavam cheios de lágrimas não sei muito bem porquê. Na gravação do clip eles fizeram duas versões e uma delas foi feita aqui no Rio de Janeiro. A capa do álbum que contém esta música é a banda num aeroporto, que aliás o clip de Beatiful Day se passa num aeroporto. Na capa há um sinal de partida "F21-36", no entanto, isso foi mudado para J33-3, em referência ao versículo bíblico de Jeremias 33:3, que diz "Clama a mim e eu te responderei coisas grandes e firmes que não sabes". Bono se refere a este versículo como o "número do telefone de Deus". Segue aí "Walk On", uma das músicas que mais me tocam e que é a que mais gosto de ouvir do U2. O vídeo possui a tradução da letra da música que significa melhor "Caminhe" ou "ande em frente".
A letra tem uma frase que diz o siguinte "Um lugar em que tem que se crer para poder ser visto". E é isso mesmo. Ver pra crer é algo tão pequeno...
Caminhando, em direção ao alvo.
Jorge Tonnera Júnior
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| Aung San Suu Kyi |
segunda-feira, 7 de março de 2011
Maria e o Dilema Ecológico
Nadando na internet me deparei com um excelente artigo de Hermes Fernandes através do seu blog: http://hermesfernandes.blogspot.com/
Maria e o Dilema Ecológico
“Sabemos que toda a criação geme como se estivesse com dores de parto até agora. Não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos...” Romanos 8:22-23
Através deste texto, nos deparamos com a figura de duas grávidas, à semelhança de Maria e sua prima Isabel. Trata-se, primeiramente, da Criação como um todo, e em segundo lugar, nós, a Igreja de Cristo.
A Criação está grávida de uma nova Terra, enquanto a Igreja está grávida de um novo Céu. Há um parentesco entre ambas, e a gravidez de ambas está intimamente relacionadas, sendo parte de um único propósito, que deve se cumprir "assim na Terra como no Céu".
Quando Cristo foi levantado na Cruz, colocando-Se entre o céu e a terra, Ele reuniu em Si mesmo todas as coisas que há no céu, e todas as coisas que há na terra (Ef.1:10). Houve então o casamento entre os dois lados da realidade única criada por Deus. Céu e Terra contraíram núpcias para gerar um novo cosmos.
A gravidez da criação se deu quando Cristo, a semente incorruptível, foi colocado no “ventre da terra” (Mt.12:40). O corpo de Jesus era a semente divina que engravidaria a criação. Ele mesmo comparou-Se ao “grão de trigo”, que deveria morrer para poder frutificar (Jo.12:24). Seu sepultamento é comparado à semeadura: “Semeia-se em ignomínia, é ressuscitado em glória. Semeia-se em fraqueza, é ressuscitado em poder” (1 Co.15:43).
Quando houver chegado a hora da colheita, por causa daquela semente incorruptível semeada no ventre da terra, nossos corpos ressuscitarão incorruptíveis. E toda a criação, que hoje é cativa pela corrupção, se revestirá de incorruptibilidade. O cosmos inteiro será transfigurado!
A gravidez da igreja iniciou-se quando o Espírito Santo, como semente incorruptível, foi depositado em nós, a Igreja, por ocasião do Pentecostes (1 Pe.1:23).
Assim como coube ao Espírito gerar Jesus no ventre de Maria, compete ao Espírito gerar em nós a imagem de Cristo (2 Co.3:18). Nas palavras de Paulo, Cristo está sendo gerado em nós (Gl.4:19). A cada etapa desta gestação espiritual, ficamos mais parecidos com o Senhor Jesus. Quando Cristo vier em glória, será a hora do parto, e finalmente, nos manifestaremos ao mundo (1 Jo.3:2).
Paulo diz que a gravidez da Criação e a gravidez da Igreja estão profundamente relacionadas. Há, por parte da criação, uma “ardente expectativa” pela manifestação dos filhos de Deus (Rm.8:19). Segundo o apóstolo, tal manifestação proporcionará plena liberdade à criação (vv.20-21).
Então, surge a questão: De que maneira a igreja e a criação deveriam interagir durante o tempo de gravidez de ambas?
Encontramos nas Escrituras cristãs a história de outras duas grávidas, que nos oferece um padrão que deveríamos seguir em nosso relacionamento com a criação.
Maria e Isabel eram primas. Uma era ainda bem jovem e virgem, a outra já era avançada em idade e estéril.
A primeira a receber o anúncio de que se engravidaria foi Isabel. Aquele a quem ela daria a luz seria o profeta do Senhor, enviado especialmente para Lhe preparar o caminho (Lc.1:17). O mesmo anjos que apareceu a Zacarias, seu marido, foi ao encontro da jovem Maria, para anunciar-lhe o nascimento do Salvador do Mundo, Jesus.
Maria vivia em Nazaré da Galiléia, enquanto que Isabel, sua prima, vivia na região montanhosa de Judá. Quando o anjo Gabriel informou a Maria que sua prima também estava grávida, seu coração desejou profundamente encontrá-la.
“Naqueles dias levantou-se Maria, foi apressada às montanhas, a uma cidade de Judá, entrou na casa de Zacarias e saudou a Isabel” (Lc.1:39-40).
Embora Maria estivesse logo no início de sua gravidez, ela não esperou que sua prima viesse lhe visitar. Em vez disso, ela tomou a iniciativa, saindo-lhe ao encontro, disposta a enfrentar o terreno íngreme das montanhas.
Por que a iniciativa partiu de Maria, em vez de Isabel? Porque Isabel só recebeu o anúncio de sua gravidez, enquanto Maria foi informada sobre a sua gravidez e a de sua prima. Ela conhecia o que sua prima desconhecia. Ela era portadora de uma mensagem mais abrangente, que incluía ela e Isabel.
Podemos tomá-las como alegorias da Igreja e da Criação.
Isabel representa a criação, já avançada em idade, mas prestes a dar à luz uma nova criação. Maria representa a Igreja de Cristo, grávida d’Aquele que fora destinado a reger as nações (Ap.12:1-5).
Assim como Maria gerou Jesus, o Cabeça do Corpo, a igreja é o útero no qual o Espírito Santo está gerando aqueles que formam o Seu Corpo Místico. Jesus é o Novo Homem, o segundo Adão, enquanto a Igreja é a nova Eva, mãe da Nova Humanidade (1 Co.15:45).
Assim como Maria saiu ao encontro de Isabel, a Igreja deve sair ao encontro da Criação, e não o inverso. Mesmo antes da manifestação plena dos Filhos de Deus, a Igreja deve deixar sua zona de conforto, enfrentar o terreno íngreme e pedregoso do mundo, para encontrar-se com a Criação.
O texto prossegue: “Ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre, e Isabel foi cheia do Espírito Santo” (Lc.1:41).
Muito dos cataclismos naturais que temos assistido ultimamente, nada mais são do que as contrações de uma natureza gestante. Provavelmente, Isabel já havia sentido muitas contrações, mas o que ela sentiu no momento em que ouviu a saudação de Maria foi completamente diferente. A criança que era gerada em seu ventre saltava de alegria, cheia do Espírito Santo. Tal deve ser a reação da natureza, quando a Igreja de Cristo sai-lhe ao encontro.
Sair ao encontro da criação é entrar em sintonia com seus problemas, e trabalhar para que ela tenha uma gravidez tranqüila. É claro que os gemidos são inevitáveis. Ainda testemunharemos muitos terremotos, furacões, secas, e outros fenômenos naturais, que nos advertem quanto à proximidade do fim. Não do fim do mundo, mas do fim da gestação, quando um novo mundo emergirá. Quanto mais próximo estivermos do advento de Cristo, mais intensas serão as contrações, até que se rompa a bolsa d’água, os raios do Sol da Justiça sejam vistos no horizonte.
Apesar disso, podemos deixar nossa passividade, e trabalhar pelo bem-estar do meio-ambiente, defendendo um modo vida sustentável, e o futuro das próximas gerações. Como devemos tratar uma grávida? Da mesma maneira devemos lidar com a Criação. Assim como João foi cheio do Espírito, saltando no ventre de Isabel, quando a Criação ouvir a saudação da Igreja, ela se encherá do Espírito e será restaurada (Sl.104:30).
Através deste texto, nos deparamos com a figura de duas grávidas, à semelhança de Maria e sua prima Isabel. Trata-se, primeiramente, da Criação como um todo, e em segundo lugar, nós, a Igreja de Cristo.
A Criação está grávida de uma nova Terra, enquanto a Igreja está grávida de um novo Céu. Há um parentesco entre ambas, e a gravidez de ambas está intimamente relacionadas, sendo parte de um único propósito, que deve se cumprir "assim na Terra como no Céu".
Quando Cristo foi levantado na Cruz, colocando-Se entre o céu e a terra, Ele reuniu em Si mesmo todas as coisas que há no céu, e todas as coisas que há na terra (Ef.1:10). Houve então o casamento entre os dois lados da realidade única criada por Deus. Céu e Terra contraíram núpcias para gerar um novo cosmos.
A gravidez da criação se deu quando Cristo, a semente incorruptível, foi colocado no “ventre da terra” (Mt.12:40). O corpo de Jesus era a semente divina que engravidaria a criação. Ele mesmo comparou-Se ao “grão de trigo”, que deveria morrer para poder frutificar (Jo.12:24). Seu sepultamento é comparado à semeadura: “Semeia-se em ignomínia, é ressuscitado em glória. Semeia-se em fraqueza, é ressuscitado em poder” (1 Co.15:43).
Quando houver chegado a hora da colheita, por causa daquela semente incorruptível semeada no ventre da terra, nossos corpos ressuscitarão incorruptíveis. E toda a criação, que hoje é cativa pela corrupção, se revestirá de incorruptibilidade. O cosmos inteiro será transfigurado!
A gravidez da igreja iniciou-se quando o Espírito Santo, como semente incorruptível, foi depositado em nós, a Igreja, por ocasião do Pentecostes (1 Pe.1:23).
Assim como coube ao Espírito gerar Jesus no ventre de Maria, compete ao Espírito gerar em nós a imagem de Cristo (2 Co.3:18). Nas palavras de Paulo, Cristo está sendo gerado em nós (Gl.4:19). A cada etapa desta gestação espiritual, ficamos mais parecidos com o Senhor Jesus. Quando Cristo vier em glória, será a hora do parto, e finalmente, nos manifestaremos ao mundo (1 Jo.3:2).
Paulo diz que a gravidez da Criação e a gravidez da Igreja estão profundamente relacionadas. Há, por parte da criação, uma “ardente expectativa” pela manifestação dos filhos de Deus (Rm.8:19). Segundo o apóstolo, tal manifestação proporcionará plena liberdade à criação (vv.20-21).
Então, surge a questão: De que maneira a igreja e a criação deveriam interagir durante o tempo de gravidez de ambas?
Encontramos nas Escrituras cristãs a história de outras duas grávidas, que nos oferece um padrão que deveríamos seguir em nosso relacionamento com a criação.
Maria e Isabel eram primas. Uma era ainda bem jovem e virgem, a outra já era avançada em idade e estéril.
A primeira a receber o anúncio de que se engravidaria foi Isabel. Aquele a quem ela daria a luz seria o profeta do Senhor, enviado especialmente para Lhe preparar o caminho (Lc.1:17). O mesmo anjos que apareceu a Zacarias, seu marido, foi ao encontro da jovem Maria, para anunciar-lhe o nascimento do Salvador do Mundo, Jesus.
Maria vivia em Nazaré da Galiléia, enquanto que Isabel, sua prima, vivia na região montanhosa de Judá. Quando o anjo Gabriel informou a Maria que sua prima também estava grávida, seu coração desejou profundamente encontrá-la.
“Naqueles dias levantou-se Maria, foi apressada às montanhas, a uma cidade de Judá, entrou na casa de Zacarias e saudou a Isabel” (Lc.1:39-40).
Embora Maria estivesse logo no início de sua gravidez, ela não esperou que sua prima viesse lhe visitar. Em vez disso, ela tomou a iniciativa, saindo-lhe ao encontro, disposta a enfrentar o terreno íngreme das montanhas.
Por que a iniciativa partiu de Maria, em vez de Isabel? Porque Isabel só recebeu o anúncio de sua gravidez, enquanto Maria foi informada sobre a sua gravidez e a de sua prima. Ela conhecia o que sua prima desconhecia. Ela era portadora de uma mensagem mais abrangente, que incluía ela e Isabel.
Podemos tomá-las como alegorias da Igreja e da Criação.
Isabel representa a criação, já avançada em idade, mas prestes a dar à luz uma nova criação. Maria representa a Igreja de Cristo, grávida d’Aquele que fora destinado a reger as nações (Ap.12:1-5).
Assim como Maria gerou Jesus, o Cabeça do Corpo, a igreja é o útero no qual o Espírito Santo está gerando aqueles que formam o Seu Corpo Místico. Jesus é o Novo Homem, o segundo Adão, enquanto a Igreja é a nova Eva, mãe da Nova Humanidade (1 Co.15:45).
Assim como Maria saiu ao encontro de Isabel, a Igreja deve sair ao encontro da Criação, e não o inverso. Mesmo antes da manifestação plena dos Filhos de Deus, a Igreja deve deixar sua zona de conforto, enfrentar o terreno íngreme e pedregoso do mundo, para encontrar-se com a Criação.
O texto prossegue: “Ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre, e Isabel foi cheia do Espírito Santo” (Lc.1:41).
Muito dos cataclismos naturais que temos assistido ultimamente, nada mais são do que as contrações de uma natureza gestante. Provavelmente, Isabel já havia sentido muitas contrações, mas o que ela sentiu no momento em que ouviu a saudação de Maria foi completamente diferente. A criança que era gerada em seu ventre saltava de alegria, cheia do Espírito Santo. Tal deve ser a reação da natureza, quando a Igreja de Cristo sai-lhe ao encontro.
Sair ao encontro da criação é entrar em sintonia com seus problemas, e trabalhar para que ela tenha uma gravidez tranqüila. É claro que os gemidos são inevitáveis. Ainda testemunharemos muitos terremotos, furacões, secas, e outros fenômenos naturais, que nos advertem quanto à proximidade do fim. Não do fim do mundo, mas do fim da gestação, quando um novo mundo emergirá. Quanto mais próximo estivermos do advento de Cristo, mais intensas serão as contrações, até que se rompa a bolsa d’água, os raios do Sol da Justiça sejam vistos no horizonte.
Apesar disso, podemos deixar nossa passividade, e trabalhar pelo bem-estar do meio-ambiente, defendendo um modo vida sustentável, e o futuro das próximas gerações. Como devemos tratar uma grávida? Da mesma maneira devemos lidar com a Criação. Assim como João foi cheio do Espírito, saltando no ventre de Isabel, quando a Criação ouvir a saudação da Igreja, ela se encherá do Espírito e será restaurada (Sl.104:30).
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quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Martin Luther King e Racismo Ambiental
Esta semana o Reverendo Dr. Martin luther King Jr completaria 82 anos.
Gosto das fotos dele, pois é como se estivesse distante e ao mesmo tempo perto, como se estivesse olhando para o futuro realmente, mas dentro do presente. Seu discurso mais
famoso e lembrado é "Eu Tenho Um Sonho". Viveu a realidade desde cedo
do que é ser excluído e oprimido. Soube o que é não ter direito ou ter menos direitos do que outros que por alguma autoridade autoatribuída rouba o direito do outro.
Representante verdadeiro do Reino dos céus, foi um pastor protestante da igreja batista, que buscou mudar a realidade de um país através de campanha de não violência por meio do amor ao próximo.
Doutorado em filosofia pela Universidade de Boston, a cosmovisão cristã em que todos foram criados iguais por Deus estava sempre presente em seus atos e discursos, pois aquele que opta por Jesus deve ter um grande respeito em relação à integralidade da vida. É como King disse: "O ser humano deve desenvolver, para todos os seus conflitos, um método que rejeite a vingança, a agressão e a retaliação. A base para esse tipo de método é o amor." Dentre sua militância, 381 dias co-liderou um boicote aos ônibus de Montgomery por conta da segregação racial nos ônibus. Com isso a Suprema Corte amaricana decretou a incostitucionalidade do decreto que exigia segregação racial em ônibus, permitindo negros e brancos usarem o mesmo ônibus com os mesmos direitos.
King participou de várias marchas, algumas das suas lutas objetivavam conseguir o direito ao voto, o fim das discriminações no trabalho e a justiça sócio-econômica, quanto a esse último destaque para a chamada Campanha dos Pobres, que tinha por objetivo principal garantir ajuda para as comunidades mais pobres do país.
Em 11 anos ( 1957 - 1968 ), viajou por vários lugares, mobilizante e chamando a atenção com seus discursos. Destaque para a mobilização de mais de 200.000 pessoas em marcha pelo fim da segregação racial em Washington. Ocasião em que "Eu Tenho um Sonho" (I have a dream), seu discurso mais famoso foi assistido por milhares de pessoas. Como
resultado dessas manifestações foram criadas a lei dos Direitos Civis, de 1964, e a lei dos Direitos de Voto, de 1965.
resultado dessas manifestações foram criadas a lei dos Direitos Civis, de 1964, e a lei dos Direitos de Voto, de 1965.
Martin Luther King morreu em 1968, assassinado a tiros, quando em
Memphis por ocasião estava num hotel, onde prestaria apoio para uma marcha em favor da greve de coletores de lixo.
Memphis por ocasião estava num hotel, onde prestaria apoio para uma marcha em favor da greve de coletores de lixo.
A face do racismo vai sendo desmascarada. Quando a degradação ambiental se torna Racismo, há um racismo ambiental
Da experiência dos movimentos sociais dos negros e minorias dos Estados Unidos por direitos civis, e após alguns casos emblemáticos ligados à contaminação ambiental em locais onde grupos menos favorecidos residiam, como o caso de 1978 (14 anos após o presidente Lyndon Johnson declarar guerra contra a pobreza), do conjunto
habitacional de classe média baixa junto a um canal aterrado com dejetos químicos em Love Canal (NY), o movimento negro conseguiu com que o US General Accounting Office (GAO), conhecido como "o braço investigativo do Congresso", fizesse uma pesquisa, por intermédio da qual se acabou descobrindo que a distribuição espacial dos depósitos
de resíduos perigosos e indústrias muito poluidoras estavam relacionadas a distribuição espacial de grupos pobres, ou seja, locais com muitos negros, já que a maioria dos pobres nos EUA é negra, assim sendo uma forma de apartheid.
No entanto o racismo ambiental não apenas tinha como vítimas os negros, mas locais como as zona de ocupação latina do leste de Los Angeles ou mesmo as reservas indígenas, bem como mulheres, ou seja, os pobres de um modo geral, através da poluição nas zonas de moradias, no trabalho ou desestabilização da vida com a implantação de grandes
projetos.
Robert Bullard, um negro, foi considerado pai do movimento de justiça ambiental, a partir do esforço de luta em 1982, no caso de um Aterro de PCB no condado de Warren, população majoritariamente negra na Carolina do Norte.
Os termos de racismo ambiental e justiça ambiental surgiram dessa oposição. Residentes pediram o auxílio da United Church of Christ ( Igreja Unida de Cristo) através da Comissão para justiça racial. Na liberação do relatório em 1987, o Reverendo Benjamin Chavis, diretor executivo de CRJ, inventou o termo “racismo ambiental” para o fato de intencionalmente selecionarem comunidades da cor para locais de eliminação dos resíduos e a fábricas poluidoras. A Igreja Unida de Cristo continuou a lutar pela justiça ambiental, e em 2007 liberou um relatório novo referente aos vinte anos da luta.
Nesta história toda vale destacar também a participação do branco Ken Ferruccio, um instrutor de Inglês que tinha King como referência. Ele aplicou o pensamento de Martin Luther King a essa questão, articulou o movimento.
Centenas de cidadãos marcharam protestando, e mais de 550 pessoas foram presas na que foi a maior exposição de desobediência civil no sul do país desde que o Dr. Martin Luther King, Jr., marchou com milhares de pessoas através do Alabama.
Com o apoio de igrejas Ken recebeu um número de bolsas que financiaram a Ecumênica Coligação de Liderança Ambiental, cujo objetivo era incentivar os líderes da igreja a agir em seu compromisso de gestão ambiental, e exortando o Governador Hunt para desintoxicar o aterro de PCB.
A ligação entre questão ambiental e a social foi por anos substimadas, algo que é um erro de compreensão, haja visto que trata-se de uma coisa só. Ainda que hoje também ahja preconceitos quanto a associação, o é de uma forma menos expressa, ficando mais presente aos velhos paradigmas de políticos jurássicos que ainda não foram extintos.
A noção de “justiça e racismo ambiental” exprime uma evolução da consciência e da militância no campo dos direitos civis como uma das brilhantes frases de Martin Luther King: “O que me preocupa não é o grito dos violentos, nem o barulho dos corruptos, dos desonestos, dos sem-caráter ou dos sem-ética. O que me preocupa é o silencio dos bons.”
Eu gostaria de parafrasiar o grande discurso de Martin Luther King "I have a dream" (Eu tenho um sonho):
Eu tenho um sonho...
Eu tenho um sonho que um dia vou ver pessoas compartilhando o mesmo espaço onde sua condição social, sua cor, sexo, etnia ou credo não seja motivo de exclusão.
Eu tenho um sonho que um dia as encostas dos morros não sejam mais ocupadas, e que essas pessoas e seus descendentes, os quais viviam nelas possam morar onde pudessem realmente escolher um lugar seguro.
Eu tenho um sonho que um dia as águas não vão cobrir mais o território, cultura e os direitos de povos em favor de grupos que pedem modernidade e benefícios duvidosos.
"Nós não estaremos satisfeitos até que a justiça corra como água e a retidão como um caudaloso rio." (Martin lutther King)
"...toda realidade depende de fundamentos morais. Em outras palavras, que este é um universo moral, e que há leis morais suportando o universo tanto quanto leis físicas." Martin Luther King
“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.” (Jesus Cristo – Mt 5:9).
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