De um lado temos a pacificação governamental militar midiática empresarial das favelas cariocas. De outro temos no inconsciente coletivo declarações de jornalistas e de pessoas comuns justificando agressões individuais e coletivas ocorridas junto a pessoas a margem da sociedade e da lei e bandidos. Esse período que estamos vivendo me faz pensar no senso de justiça, especialmente em como a Bíblia trata o tema de maneira desde o início em Gênesis. Noé, por exemplo, foi chamado de pregoeiro (pregador) da justiça. Em Noé temos um homem justo que optava por ir na contramão do senso comum em meio a um mundo violento, de olho por olho, dente por dente, cabeça por cabeça, roubo por roubo. Um homem com sua família vivendo de maneira paltada na justiça do bem comum num mundo sem justiça, onde o que se chamava de justiça era atos feitos com base no interesse próprio, no senso privado. Um mundo doente porque quando o homem violenta outro até a terra sofre e é degradada, pois ela passa a ser instrumento de disputas e perde sua função social surgindo assim a monocultura, o latifúndio, a especulação imobiliária, e todo esse sistema que degrada o ambiente e por consequência degrada o homem e se perpetua, até que o próprio sistema entre em crise, se retroalimente da crise. O ciclo de injustiça e opressão, nascem a partir da opressão e são mantidos pela opressão. A sociedade está cheia de traumas psicológicos, morais e políticos não resolvidos ao mesmo tempo em que busca apenas seus próprios interesses, sonhos de consumo, um conceito de bem estar adulterado onde ser cidadão de bem é seguir as regras de uma paz civil mascarada e reclamar, mas aceitar
a democracia representativa de um governo iníquo sem lutar pelo interesse coletivo. O grande exemplo disso é justamente pacificar morros e favelas enquanto os justiceiros pegam no asfalto os "resíduos" da "pacificação". Somado a isso há espetacularização da mídia que cria medo no inconsciente de uma classe média. Nesse cenário os partidos se infiltram nas manifestações populares e seus líderes se escondem atrás de gente que vai na frente. O cenário futuro também não é animador, pois a próxima eleição para governador do estado está cheio de candidatos que não são bons. Pra piorar a estatística diz que o possível eleito será um antigo governante que dominou o estado com sua família há alguns anos atrás. Mais uma volta no ciclo. Pensar em Noé é pensar numa esperança além do que se vê. É ser íntegro e lutar. Continuar a viver sem negociar ideais, e sobretudo caminhar segundo os valores que estabelecem justiça através do amor. Como o apóstolo Paulo vem a dizer: "...e passo a ensinar caminho sobremodo excelente" (...).(I Coríntios).
Jorge Tonnera Jr
Mostrando postagens com marcador Justiça. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Justiça. Mostrar todas as postagens
sábado, 19 de abril de 2014
sexta-feira, 18 de abril de 2014
Páscoa contra o consumismo em tempos de opressão e falsa pacificação de um estado de direito e de bem estar.
O que tornaria a Páscoa relevante nos nossos dias? Ao que convencionou-se segundo o espírito do nosso tempo ser uma festa, um feriado onde se doa e compra-se (e muito) chocolates, onde os ovos ocupam destaque e possuem valor econômico muito superior ao de um bem alimentar básico.
Não, eu não sou contra o comer ovo de páscoa nem vou dizer para ninguém não comprar. Há um certo sentido que é interessante. Talvez mais que o Natal essa comemoração está destituída do espírito que a originou desde os tempos dos antigos hebreus, enquanto festa dos oprimidos libertos, até a atualização dela pelos cristãos primitivos iniciada por Jesus Cristo, enquanto celebração dos oprimidos libertos para não oprimir. O tempo em que estamos inseridos a torna não somente importante como necessária., pois vivemos um tempo em que se mata e se justifica. Onde o oprimido se torna opressor.
O que seria viável, necessário e subversivo em torno da páscoa a ponto de refazÊ-la comunitariamente?
Sim, pois a festa sempre foi coletiva e não simplesmente familiar núcleo casa.
A páscoa se dá a partir da manifestação de deus. Um deus que vai até o excluído, o estrangeiro, o destituído, o perseguido. Esse era o perfil do povo hebreu vivendo no Egito. Esse deus se apresenta com o nome de "Eu Sou". Ele diz eu sou o que sou. O mundo egípcio da época em termos de cenário possuia conhecimento, terras estatais, cidades, prosperidade, rica cultura, gestão ambiental, economia e sobretudo gente, sendo algumas
dessas não consideradas tão gente por serem temidas. Como forma de se precaver contra uma possibilidade de tomada, ou melhor, perda de poder político, o faraó que se considerava deus, em sua megalomaníaca forma de dominar criou um estatuto informal de controle dos hebreus. Cria uma política de segurança pública egípcia. Exterminava os jovens hebreus, controlava o acesso a comida, mas não tinham acesso a certas coisas, fazia ter alimento, mas trabalhavam para trabalhar.
Na época de Cristo, quando a páscoa foi atualizada, havia também uma política de segurança pública. Manifestações eram constantes e reprimidas. Havia uma turbulência social, um cenário de inquietude, onde se esperava um rei que rompesse com o império. No entanto, aquele povo que foi liberto há muitos anos atrás estava sendo oprimido ao mesmo tempo em que estava oprimindo os seus iguais. Classes dominavam poder e exerciam regras moralistas. Havia um clima de aparências. Eles eram escravos, mas não
sabiam, assim Jesus se dirigiu a um determinado grupo de judeus. Escravos modernos diferente dos antigos pais hebreus, mas escravos do sistema e sobretudo escravos de si mesmos, a qual é a pior escravidão. Um ciclo de injustiças e ódio e pobreza. Palácios de nobres e casas pobres visíveis onde um olhava o outro, ao mesmo tempo em que havia pessoas invisíveis em centros. Contudo, ainda assim eles lembravam daquela antiga
páscoa.
Jesus trazia consigo a justiça do Reino. Uma justiça que abria caminho a partir de João Batista retificando e aplanando ideias. Quem tem reparta, quem corrompe não corrompa e quem é corrompido deixe de receber por isso. Justiça essa que era trazida desde os tempos da origem do "começar o começo"(Leia-se Genesis). O mundo de Cristo era violento, excludente. A ideia atualizada por Cristo de Páscoa se dá como uma ressignificação em termos de reconciliação onde não haveria mais muralhas sociais e que por meio dessas relações sociais ressignificadas a vida poderia tomar novo rumo e vivenciada coletivamente, colaborativamente e solidariamente por meio do amor. Assim, trabalho, acesso a terra, direitos humanos, saúde, soberania alimentar, acesso a água e saneamento, habitação, uma nova formação da família, humanizar, redistribuir, compartilhar, uma economia não violenta, uma comunicação não violenta. Quando Cristo reparte o pão da ceia e passa o copo do vinho e diz que era seu corpo era ele distribuindo a riqueza. Era ele enquanto deus dando continuidade a vida, sustentabilidade, no sentido mais puro e simples, no qual cada um tem sua parte e responsabilidade, resposta a habilidade de viver, deveria sobrar para todas aquelas pessoas aquela quantidade de comida. Uma satisfação, onde aquele grupo se constituia em uma nova família por meio de um novo relacionamento, uma nova comunidade, na via da ternura, não no sentido pelego, mas num sentido de igualdade e justiça, o sentido de responsabilidade de amar. Essa resposta e habilidade de amar empodera a comunidade. Esse repartir tinha em si mesmo o "cuidar e cultivar" de Genesis, aquele mandamento de Deus ao homem do Jardim do Éden, pois que o pão e vinho (trigo e uva) vêm do acesso a terra, e sendo assim a proteção a terra é condição de vida justa e condição para compartilhar o pão e o vinho. Em um único gesto tantos sentidos. Isso responde a nossa pergunta inicial do texto: O que tornaria a Páscoa relevante nos nossos dias?
Essa páscoa seria revolução a medida que adentrava na mente de cada um. A comunidade seria empoderada no amor e distribuiria amor. Em tudo a paz... mas a paz que Cristo pregou e que verdadeiramente liberta é diferente da paz que as pessoas buscam a partir dos sistemas filosóficos, econômicos e políticos. Uma paz interior que aprisiona a partir do meio é falsa. Uma paz que se exclui seja por meio de grades fisicas de um condominio, grades geográficas de um espaço natural como um monastério ou uma ecovila que se
isola do mundo também não é uma paz perfeita, ou ainda grades sensoriais onde as pessoas se desistressam, se interiorizam, meditam, mas buscam a paz delas e não a paz de todos, não é paz é alienação. Uma paz civil, socialzinha é diferente da paz da justiça de deus.
Uma paz consumista é o que se prega por meio da busca da paz interior. Da mesma forma a ampliação do poder de compra da população pelo governo não garante paz. Todas essas pazes são diferentes da paz santa, a paz que sagra as relações Deus com o homem, homem consigo mesmo, homem com os outros seus, homem com seu meio ambiente e com esse ser ecossistemico. O conto da serpente é a própria paz travestida de se sentir bem apenas. A paz não é se sentir confortável. Não é se sentir bem simplesmente, nem
sermos meros "cidadãos de bem". A pacificação de Cristo é uma paz que causa desconforto. Nos joga pra fora, porque libertação é ser jogado pra fora e ir de encontro ao outro. É sair do eu e se ligar ao outro.
Em tempos de pacificação das favelas, locais que há anos sofrem e reciclam a opressão, nascem a partir da opressão e são mantidos pela opressão é preciso repensar o sentido de Páscoa. Um justo morreu para libertar muitos. Assim sendo é um compromisso de quem comemora Páscoa buscar justiça. A sociedade está cheia de traumas pscológicos, morais e políticos que não podem ser acabados com uma paz moralista nem egoísta.
Compartilhemos o que temos de melhor: o amor. Que possamos dar o nosso melhor, o amor, o qual não é genuínamente nosso, mas foi distribuido e compartilhado e assim herdado de Jesus Cristo para libertar muitos também.
Paz do Cristo
Na contenção, no amor, na justiça, por transformação.
JORGE TONNERA JR.
Não, eu não sou contra o comer ovo de páscoa nem vou dizer para ninguém não comprar. Há um certo sentido que é interessante. Talvez mais que o Natal essa comemoração está destituída do espírito que a originou desde os tempos dos antigos hebreus, enquanto festa dos oprimidos libertos, até a atualização dela pelos cristãos primitivos iniciada por Jesus Cristo, enquanto celebração dos oprimidos libertos para não oprimir. O tempo em que estamos inseridos a torna não somente importante como necessária., pois vivemos um tempo em que se mata e se justifica. Onde o oprimido se torna opressor.
O que seria viável, necessário e subversivo em torno da páscoa a ponto de refazÊ-la comunitariamente?
Sim, pois a festa sempre foi coletiva e não simplesmente familiar núcleo casa.
A páscoa se dá a partir da manifestação de deus. Um deus que vai até o excluído, o estrangeiro, o destituído, o perseguido. Esse era o perfil do povo hebreu vivendo no Egito. Esse deus se apresenta com o nome de "Eu Sou". Ele diz eu sou o que sou. O mundo egípcio da época em termos de cenário possuia conhecimento, terras estatais, cidades, prosperidade, rica cultura, gestão ambiental, economia e sobretudo gente, sendo algumas
dessas não consideradas tão gente por serem temidas. Como forma de se precaver contra uma possibilidade de tomada, ou melhor, perda de poder político, o faraó que se considerava deus, em sua megalomaníaca forma de dominar criou um estatuto informal de controle dos hebreus. Cria uma política de segurança pública egípcia. Exterminava os jovens hebreus, controlava o acesso a comida, mas não tinham acesso a certas coisas, fazia ter alimento, mas trabalhavam para trabalhar.
Na época de Cristo, quando a páscoa foi atualizada, havia também uma política de segurança pública. Manifestações eram constantes e reprimidas. Havia uma turbulência social, um cenário de inquietude, onde se esperava um rei que rompesse com o império. No entanto, aquele povo que foi liberto há muitos anos atrás estava sendo oprimido ao mesmo tempo em que estava oprimindo os seus iguais. Classes dominavam poder e exerciam regras moralistas. Havia um clima de aparências. Eles eram escravos, mas não
sabiam, assim Jesus se dirigiu a um determinado grupo de judeus. Escravos modernos diferente dos antigos pais hebreus, mas escravos do sistema e sobretudo escravos de si mesmos, a qual é a pior escravidão. Um ciclo de injustiças e ódio e pobreza. Palácios de nobres e casas pobres visíveis onde um olhava o outro, ao mesmo tempo em que havia pessoas invisíveis em centros. Contudo, ainda assim eles lembravam daquela antiga
páscoa.
Jesus trazia consigo a justiça do Reino. Uma justiça que abria caminho a partir de João Batista retificando e aplanando ideias. Quem tem reparta, quem corrompe não corrompa e quem é corrompido deixe de receber por isso. Justiça essa que era trazida desde os tempos da origem do "começar o começo"(Leia-se Genesis). O mundo de Cristo era violento, excludente. A ideia atualizada por Cristo de Páscoa se dá como uma ressignificação em termos de reconciliação onde não haveria mais muralhas sociais e que por meio dessas relações sociais ressignificadas a vida poderia tomar novo rumo e vivenciada coletivamente, colaborativamente e solidariamente por meio do amor. Assim, trabalho, acesso a terra, direitos humanos, saúde, soberania alimentar, acesso a água e saneamento, habitação, uma nova formação da família, humanizar, redistribuir, compartilhar, uma economia não violenta, uma comunicação não violenta. Quando Cristo reparte o pão da ceia e passa o copo do vinho e diz que era seu corpo era ele distribuindo a riqueza. Era ele enquanto deus dando continuidade a vida, sustentabilidade, no sentido mais puro e simples, no qual cada um tem sua parte e responsabilidade, resposta a habilidade de viver, deveria sobrar para todas aquelas pessoas aquela quantidade de comida. Uma satisfação, onde aquele grupo se constituia em uma nova família por meio de um novo relacionamento, uma nova comunidade, na via da ternura, não no sentido pelego, mas num sentido de igualdade e justiça, o sentido de responsabilidade de amar. Essa resposta e habilidade de amar empodera a comunidade. Esse repartir tinha em si mesmo o "cuidar e cultivar" de Genesis, aquele mandamento de Deus ao homem do Jardim do Éden, pois que o pão e vinho (trigo e uva) vêm do acesso a terra, e sendo assim a proteção a terra é condição de vida justa e condição para compartilhar o pão e o vinho. Em um único gesto tantos sentidos. Isso responde a nossa pergunta inicial do texto: O que tornaria a Páscoa relevante nos nossos dias?
Essa páscoa seria revolução a medida que adentrava na mente de cada um. A comunidade seria empoderada no amor e distribuiria amor. Em tudo a paz... mas a paz que Cristo pregou e que verdadeiramente liberta é diferente da paz que as pessoas buscam a partir dos sistemas filosóficos, econômicos e políticos. Uma paz interior que aprisiona a partir do meio é falsa. Uma paz que se exclui seja por meio de grades fisicas de um condominio, grades geográficas de um espaço natural como um monastério ou uma ecovila que se
isola do mundo também não é uma paz perfeita, ou ainda grades sensoriais onde as pessoas se desistressam, se interiorizam, meditam, mas buscam a paz delas e não a paz de todos, não é paz é alienação. Uma paz civil, socialzinha é diferente da paz da justiça de deus.
Uma paz consumista é o que se prega por meio da busca da paz interior. Da mesma forma a ampliação do poder de compra da população pelo governo não garante paz. Todas essas pazes são diferentes da paz santa, a paz que sagra as relações Deus com o homem, homem consigo mesmo, homem com os outros seus, homem com seu meio ambiente e com esse ser ecossistemico. O conto da serpente é a própria paz travestida de se sentir bem apenas. A paz não é se sentir confortável. Não é se sentir bem simplesmente, nem
sermos meros "cidadãos de bem". A pacificação de Cristo é uma paz que causa desconforto. Nos joga pra fora, porque libertação é ser jogado pra fora e ir de encontro ao outro. É sair do eu e se ligar ao outro.
Em tempos de pacificação das favelas, locais que há anos sofrem e reciclam a opressão, nascem a partir da opressão e são mantidos pela opressão é preciso repensar o sentido de Páscoa. Um justo morreu para libertar muitos. Assim sendo é um compromisso de quem comemora Páscoa buscar justiça. A sociedade está cheia de traumas pscológicos, morais e políticos que não podem ser acabados com uma paz moralista nem egoísta.
Compartilhemos o que temos de melhor: o amor. Que possamos dar o nosso melhor, o amor, o qual não é genuínamente nosso, mas foi distribuido e compartilhado e assim herdado de Jesus Cristo para libertar muitos também.
Paz do Cristo
Na contenção, no amor, na justiça, por transformação.
JORGE TONNERA JR.
domingo, 30 de setembro de 2012
Amós, O Código Florestal e a Bíblia.
Os profetas tem a missão de nos direcionar e nos lembrar de Deuteronômio. Este é um dos livros do Antigo Testamento que possuem estatutos, leis e juízos, ou como dizem os judeus, simplesmente a Lei (dada de Deus ao homem). Necessário dizer que não uma lei que visava o proibir, mas uma outra maneira de se viver, sem oprimir, sem ser injusto, que visa a vida em primeiro lugar. Deuteronômio é a releitura de várias das leis, estatutos e juízos anteriormente já proferidas por Moiséis com o intuito de mostrar aos hebreus a importância e as consequências de suas escolhas, às quais seriam mediadas perante tais leis. Assim sendo, é o livro da lembrança da Lei, afim da escolha da vida ou da morte às quais estão relacionadas diretamente e indiretamente às nossas escolhas que são capazes de repercutir em todos os níveis de relação. Cerca de 90% da lei era de statutos sobre relações de convivência em termos de vida seja consigo ou em sociedade e com o ambiente, tais como tempo de uso do solo, pagamento salarial, relação
trabalhista etc. Somente os poucos 10% eram regras de cerimonialismo religioso formal propriamente dito.
Lemos no capítulo 28 do Deuteronômio que ao seguir tais estatutos, ou seja, as relações ecológicas (ambientais, sociais e econômicas), e se o povo vivesse
essas relações de maneira justa, seriam benditos no campo e na cidade (verso 3), e o fruto do ventre, ou seja, os filhos, seriam abençoados e benditos tal como o fruto da terra, bem como os animais. A saber vemos uma interconexão causal entre o ser humano e o meio ambiente, mais precisamente naquele contexto o campo, bem como a biocenose (comunidade viva) dele. Entendemos que o cuidado da criação está acompanhado do cuidado do ser humano, e o cuidado do ser humano está acompanhado do cuidado da criação. Sendo assim uma convivência comum que nos destina ao senhorio (domínio outorgado) da terra, e ao senhorio da humanidade e de toda criação ao Senhor da vida, que é Deus, pois que todas essas leis visam a preservação da vida, a qual é manifestação de Deus e expressa sob diversas formas a glória desse Ser que a tudo sustenta pelas leis e poder que nos convida a sermos co-criadores, ou simplesmente desenvolvedores da vida...
A reconciliação da vida em todos os seus estratos, em todos os níveis relacionais, sendo o todo sistêmico compreendendo o aspecto pessoal, social, econômico e ambiental, e assim sendo ecossistêmico, revelado também pela glória de Deus que a Teoria ecossistemica nos leva a enchergar um mundo de diversidades que se intercruzam e se dependem, se
relacionam, se complementam, se protegem, se desenvolvem e necessitam uma da outra, coevoluem, se transformam...
Daí, conforme dito, Deuteronômio era uma base e referência para se conviver e habitar em um lugar num tempo e espaço comum. De tempos em tempos o povo e/ou suas autoridades se desviavam das leis, estatutos e juízos de Deus, e por isso o próprio Deus fazia com que homens levassem o povo a andar devolta segundo a Lei. Tais homens qforam chamados para denuciar as injustiças e chamar ao arrependimento, anunciar julgamento e consolo. Estes eram os profetas. Um desses homens era Amós, homem que exerceu o chamado para profetizar, mas nunca se colocou tal chamado e o que fez como um título. Nas suas próprias palavras ele mesmo diz que não era profeta nem filho de profeta, e foi chamado do seu campo para dizer o que tinha que dizer apenas.
Amós era um proprietário de terra, e ao que se entende segundo implícito no texto era uma pessoa de posse. Mais especificamente um agropecuarista, pois diz o texto que ele criava gados e cultivava sicômoros. Sendo assim era um homem que conhecia e lidava com relações sociais, econômicas e ambientais. Amós sabia, por exemplo, que não deveria semear 2 sementes do mesmo tipo na mesma terra, conformo prescrito pela Lei e lembrada em Deuteronômio, pois tal forma de cultivo propiciaria com o passar dos anos a perda da variabilidade genética daquela planta. Hoje sabemos disso através da ecologia, a qual revela por seus estudos científicos a importância da conservação das sementes chamadas crioulas para que não gera perda de informação do ambiente local da planta possibilitando praga, e assim perda de lavoura e gerando pobreza e por conseguinte injustiças.
Várias são as pessoas oprimidas tais como mulheres empregas, devedores, escravos, trabalhadores que sustentam o Estado. No entanto chamo atenção aqui, até pelo que especificamente estou tratando, o fato de uma das principais vítimas sendo o pequeno camponês, aquele com o mínimo para sobreviver. Este sendo um que corre sério risco de perder casa, terra e liberdade, dentro d eum cenário de uma política expansionista, pois que Israel crescia em termos econômicos, mas não em termos de justiça. Destaque também em relação a crítica contra o orgulho e as falsas seguranças.
A fome e a falta de chuva e a consequente falta de água para beber são relatados no livro como um aviso de Deus, dentre outros vários chamados para arrependimento. Ou seja, a fome e a sede não são o último estado. O último estado degradante é uma destruição, a ruína total.
Num cenário não muito diferente vemos o Brasil, país extramamente injusto em relação as questões de terra e relações ambientais. No cenário local e nacional a perda de árvores resulta em fome e em sede, justamente pela falta dos serviços ambientais gerados por não deixar uma quantia representativa mínima de árvores. Nosso país ainda hoje não fez uma reforma agrária. Vivemos numa nação onde poucos tem vastas áreas de terra, os chamados latifúndios, e muitos tem poucas terras, sendo estes últimos exatamente os que alimentam, abastecem a nação. Estes tem sido pressionados pelos latifundiários a serem contra o Código Florestal, os quais atribuem a este instrumento legal que protege florestas uma impossibilidade de plantar e produzir o suficiente para que se tenha renda para estes agricultores e alimento para a sociedade. No entanto sabemos que existem alternativas de manejo e formas que possibilitem tanto a produção quanto a conservação, práticas relacionadas a chamada agroecologia.
Pode-se plantar comida com árvores. Além do que devemos nos lembrar que árvores ajudam a preservar cursos d'água, bem como influenciar no clima local em relação ao calor e chuva. Tais serviços, os quais são garantia de manutenção da produção de alimentos, a partir da conservação e reserva de determinadas faixas de extensões verdes, uma vez que tais dispositivos legais visam a continuidade de condições e serviços edáficos e climáticos, serviços que conservam e protegem rios, os quais são necessários para abastecer os plantios, serviços que influenciam a evapotranspiração, a qual permite a
chuva, serviços que permitem a troca de nutrientes por meio da produção e disperção de folhas que ciclam os nutrientes do solo, bem como a atração e permanencia da presença de animais dispersores e polinizadores, Leia-se APPs, e reserva legal. Ressalta-se também o triste fato de que Estes que produzem com suas poucas terras e alimentam nossas casas muitas vezes vivem presos nas mãos de atravessadores que ligam o agricultor ao comprador secundário, os quais ditam os valores a um preço exploratório. Vemos também aqui o império das monocultoras, às quais destroem ao longo do tempo os nossos solos, alteram a biocenose, gerando pragas por conta da ausência de determinados seres, e numa retroalimentação de morte , um ciclo de maldição, uma vez que o solo já débil
necessita de correções e o uso de adubos químicos, estes alteram o metabolismo das plantas acabam atraindo pragas, que exigem agrotóxicos.
Os pequenos agricultores reféns de um mesmo sistema seguem muitas vezes práticas daninhas que necessitam de uso contínuo de agrotóxicos, os quais prejudicam a saúde
dos que se alimentam desses alimentos, bem como dos agricultores que aplicam tais venenos. Veja como cada ação compromete a um nível de relacionamento, o qual vai comprometendo os níveis subsequentes. Muitas vezes num ciclo de destruição os agricultores (leia-se aqui pequenos proprietários de agricultura familiar) são
expulsos pelo próprio sistema que exigiu a destruição das áreas que serviam para segurança bem como do sistema de plantio, pois que a terra se torna sem recurso e o homem da terra se vê sem nada e foge do seu próprio cenário em busca de nova
oportunidade, a qual muitas vezes só acentuam seu problema ficando presos em cidades opressoras, desqualificado e desempregado fazendo agora parte de um exército de reserva do capitalismo. No caso os poderosos que oprimem os pobres são os ricos, os empresários, os religiosos, os políticos, os quais se manifestam sob um coletivo de agregados entitulados "bancada". Sem querer polarizar tal questão complexa, mas sem deixar de dizer o que anos acontece, que é o interesse privado sobrepondo o interesse coletivo, deixando de a vida ser em primeiro lugar, há um grupo que vive de oprimir.
Em Amós, o cenário do Reino do Norte de Israel é muito parecido com o nosso aqui no Brasil, sendo tais poderosos classes como as nossas enumeradas acima.
Ao final das denúncias e juízos no livro de Amós, um novo cenário esperançoso e belo anima-nos a buscármos a justiça. A beleza apocaliptica do final do livro de Amós se reflete na vida em função da vida, a qual trabalha e gera vida. Vinhas e colheitas se transbordando, pessoas em suas terras e que não perderiam seu espaço de vida. Uma continuidade perpétua, assim como perpétuo é o amor de Deus, que sempre leva ao estado original pela graça, ao estado de vida, potencializada e que desenvolve.
O Deuteronômio e o livro de Amós nos mostram que o Código Florestal é um assunto de todos, sejamos nós pessoas do campo ou da cidade, sejam agricultores ou aqueles que não plantam comida.
Particularmente quem lê Amós não pode sair o mesmo depois de terminar a sua leitura. Todos por meio desse livro somos convidados, recebemos um convite racional, pessoal e coletivo, pessoal e nacional de profetizármos contra a injustiça social, ou seja, ir contra esse movimento destrutivo que degrada o homem e seu espaço de vida, seu meio, sua cultura, sua identidade. Amós recebeu um chamado pessoal de Deus, o que é o motivo inicial de seu profetizar. No entanto, Amós viu nas visões o que estava acontecendo com a nação e o povo, o que também o motivou a sair de seu lar e ir profetizar. Teve misericórdia e compaixão pelo próximo. Amou a Deus em primeiro lugar e depois amou ao próximo. E nós??? Nós vemos quase que diariamente imagens e reportagens que nos mostram o que está acontecendo no campo, na terra, na cidade. Tais reportagens e imagens não deveriam ocupar de certa forma a mesma função das visões que Amós teve e nos motivar a clamármos e agirmos por amor as pessoas e como repostas ao desejo de justiça de Deus, de um Reino que não feito de comida nem bebida, mas de paz, justiça e alegria no Espírito Santo?
nEle q é Senhor e nos chama a cuidármos de nossa terra nosso campo, nossa cidade a nossa nação.
Jorge Tonnera Jr
Biólogo especialista em Gestão Ambiental e Educador Ambiental
Membro do Coletivo Igrejas Ecocidadãs - RJtonnerapunk@yahoo.com.br
trabalhista etc. Somente os poucos 10% eram regras de cerimonialismo religioso formal propriamente dito.
Lemos no capítulo 28 do Deuteronômio que ao seguir tais estatutos, ou seja, as relações ecológicas (ambientais, sociais e econômicas), e se o povo vivesse
essas relações de maneira justa, seriam benditos no campo e na cidade (verso 3), e o fruto do ventre, ou seja, os filhos, seriam abençoados e benditos tal como o fruto da terra, bem como os animais. A saber vemos uma interconexão causal entre o ser humano e o meio ambiente, mais precisamente naquele contexto o campo, bem como a biocenose (comunidade viva) dele. Entendemos que o cuidado da criação está acompanhado do cuidado do ser humano, e o cuidado do ser humano está acompanhado do cuidado da criação. Sendo assim uma convivência comum que nos destina ao senhorio (domínio outorgado) da terra, e ao senhorio da humanidade e de toda criação ao Senhor da vida, que é Deus, pois que todas essas leis visam a preservação da vida, a qual é manifestação de Deus e expressa sob diversas formas a glória desse Ser que a tudo sustenta pelas leis e poder que nos convida a sermos co-criadores, ou simplesmente desenvolvedores da vida...
A reconciliação da vida em todos os seus estratos, em todos os níveis relacionais, sendo o todo sistêmico compreendendo o aspecto pessoal, social, econômico e ambiental, e assim sendo ecossistêmico, revelado também pela glória de Deus que a Teoria ecossistemica nos leva a enchergar um mundo de diversidades que se intercruzam e se dependem, se
relacionam, se complementam, se protegem, se desenvolvem e necessitam uma da outra, coevoluem, se transformam...
Daí, conforme dito, Deuteronômio era uma base e referência para se conviver e habitar em um lugar num tempo e espaço comum. De tempos em tempos o povo e/ou suas autoridades se desviavam das leis, estatutos e juízos de Deus, e por isso o próprio Deus fazia com que homens levassem o povo a andar devolta segundo a Lei. Tais homens qforam chamados para denuciar as injustiças e chamar ao arrependimento, anunciar julgamento e consolo. Estes eram os profetas. Um desses homens era Amós, homem que exerceu o chamado para profetizar, mas nunca se colocou tal chamado e o que fez como um título. Nas suas próprias palavras ele mesmo diz que não era profeta nem filho de profeta, e foi chamado do seu campo para dizer o que tinha que dizer apenas.
Amós era um proprietário de terra, e ao que se entende segundo implícito no texto era uma pessoa de posse. Mais especificamente um agropecuarista, pois diz o texto que ele criava gados e cultivava sicômoros. Sendo assim era um homem que conhecia e lidava com relações sociais, econômicas e ambientais. Amós sabia, por exemplo, que não deveria semear 2 sementes do mesmo tipo na mesma terra, conformo prescrito pela Lei e lembrada em Deuteronômio, pois tal forma de cultivo propiciaria com o passar dos anos a perda da variabilidade genética daquela planta. Hoje sabemos disso através da ecologia, a qual revela por seus estudos científicos a importância da conservação das sementes chamadas crioulas para que não gera perda de informação do ambiente local da planta possibilitando praga, e assim perda de lavoura e gerando pobreza e por conseguinte injustiças.
De fato é justamente as Injustiças, especialmente as sociais, o centro do oráculo de Deus no livro de Amós. Injustiças sociais, as quais levam Israel à ruína.
Dentro dessas injustiças se apresenta como principais as relacionadas a economia: ganância e enriquecimento ilícito, e sistema econômico administrativo que propiciava concentração de renda . A crítica de Deus por intermédio de Amós tem nome e é endereçada: os ricos e poderosos, pessoas influentes e que oprimiam os pobres e ignorantes.
Poucos com muito e muitos com pouco, sendo os poucos exercendo grande pressão em relação aos muitos. Valores ilícitos e balanças que impedem de pobres comprarem. Comerciantes ladrões e os atravessadores sem escrúpulo que deixavam os pobres sem possibilidades de comprar e vender as mercadorias por preço justo. Dentro dessas injustiças se apresenta como principais as relacionadas a economia: ganância e enriquecimento ilícito, e sistema econômico administrativo que propiciava concentração de renda . A crítica de Deus por intermédio de Amós tem nome e é endereçada: os ricos e poderosos, pessoas influentes e que oprimiam os pobres e ignorantes.
Várias são as pessoas oprimidas tais como mulheres empregas, devedores, escravos, trabalhadores que sustentam o Estado. No entanto chamo atenção aqui, até pelo que especificamente estou tratando, o fato de uma das principais vítimas sendo o pequeno camponês, aquele com o mínimo para sobreviver. Este sendo um que corre sério risco de perder casa, terra e liberdade, dentro d eum cenário de uma política expansionista, pois que Israel crescia em termos econômicos, mas não em termos de justiça. Destaque também em relação a crítica contra o orgulho e as falsas seguranças.
A fome e a falta de chuva e a consequente falta de água para beber são relatados no livro como um aviso de Deus, dentre outros vários chamados para arrependimento. Ou seja, a fome e a sede não são o último estado. O último estado degradante é uma destruição, a ruína total.
Num cenário não muito diferente vemos o Brasil, país extramamente injusto em relação as questões de terra e relações ambientais. No cenário local e nacional a perda de árvores resulta em fome e em sede, justamente pela falta dos serviços ambientais gerados por não deixar uma quantia representativa mínima de árvores. Nosso país ainda hoje não fez uma reforma agrária. Vivemos numa nação onde poucos tem vastas áreas de terra, os chamados latifúndios, e muitos tem poucas terras, sendo estes últimos exatamente os que alimentam, abastecem a nação. Estes tem sido pressionados pelos latifundiários a serem contra o Código Florestal, os quais atribuem a este instrumento legal que protege florestas uma impossibilidade de plantar e produzir o suficiente para que se tenha renda para estes agricultores e alimento para a sociedade. No entanto sabemos que existem alternativas de manejo e formas que possibilitem tanto a produção quanto a conservação, práticas relacionadas a chamada agroecologia.
Pode-se plantar comida com árvores. Além do que devemos nos lembrar que árvores ajudam a preservar cursos d'água, bem como influenciar no clima local em relação ao calor e chuva. Tais serviços, os quais são garantia de manutenção da produção de alimentos, a partir da conservação e reserva de determinadas faixas de extensões verdes, uma vez que tais dispositivos legais visam a continuidade de condições e serviços edáficos e climáticos, serviços que conservam e protegem rios, os quais são necessários para abastecer os plantios, serviços que influenciam a evapotranspiração, a qual permite a
chuva, serviços que permitem a troca de nutrientes por meio da produção e disperção de folhas que ciclam os nutrientes do solo, bem como a atração e permanencia da presença de animais dispersores e polinizadores, Leia-se APPs, e reserva legal. Ressalta-se também o triste fato de que Estes que produzem com suas poucas terras e alimentam nossas casas muitas vezes vivem presos nas mãos de atravessadores que ligam o agricultor ao comprador secundário, os quais ditam os valores a um preço exploratório. Vemos também aqui o império das monocultoras, às quais destroem ao longo do tempo os nossos solos, alteram a biocenose, gerando pragas por conta da ausência de determinados seres, e numa retroalimentação de morte , um ciclo de maldição, uma vez que o solo já débil
necessita de correções e o uso de adubos químicos, estes alteram o metabolismo das plantas acabam atraindo pragas, que exigem agrotóxicos.
Os pequenos agricultores reféns de um mesmo sistema seguem muitas vezes práticas daninhas que necessitam de uso contínuo de agrotóxicos, os quais prejudicam a saúde
dos que se alimentam desses alimentos, bem como dos agricultores que aplicam tais venenos. Veja como cada ação compromete a um nível de relacionamento, o qual vai comprometendo os níveis subsequentes. Muitas vezes num ciclo de destruição os agricultores (leia-se aqui pequenos proprietários de agricultura familiar) são
expulsos pelo próprio sistema que exigiu a destruição das áreas que serviam para segurança bem como do sistema de plantio, pois que a terra se torna sem recurso e o homem da terra se vê sem nada e foge do seu próprio cenário em busca de nova
oportunidade, a qual muitas vezes só acentuam seu problema ficando presos em cidades opressoras, desqualificado e desempregado fazendo agora parte de um exército de reserva do capitalismo. No caso os poderosos que oprimem os pobres são os ricos, os empresários, os religiosos, os políticos, os quais se manifestam sob um coletivo de agregados entitulados "bancada". Sem querer polarizar tal questão complexa, mas sem deixar de dizer o que anos acontece, que é o interesse privado sobrepondo o interesse coletivo, deixando de a vida ser em primeiro lugar, há um grupo que vive de oprimir.
Em Amós, o cenário do Reino do Norte de Israel é muito parecido com o nosso aqui no Brasil, sendo tais poderosos classes como as nossas enumeradas acima.
Ao final das denúncias e juízos no livro de Amós, um novo cenário esperançoso e belo anima-nos a buscármos a justiça. A beleza apocaliptica do final do livro de Amós se reflete na vida em função da vida, a qual trabalha e gera vida. Vinhas e colheitas se transbordando, pessoas em suas terras e que não perderiam seu espaço de vida. Uma continuidade perpétua, assim como perpétuo é o amor de Deus, que sempre leva ao estado original pela graça, ao estado de vida, potencializada e que desenvolve.
O Deuteronômio e o livro de Amós nos mostram que o Código Florestal é um assunto de todos, sejamos nós pessoas do campo ou da cidade, sejam agricultores ou aqueles que não plantam comida.
Particularmente quem lê Amós não pode sair o mesmo depois de terminar a sua leitura. Todos por meio desse livro somos convidados, recebemos um convite racional, pessoal e coletivo, pessoal e nacional de profetizármos contra a injustiça social, ou seja, ir contra esse movimento destrutivo que degrada o homem e seu espaço de vida, seu meio, sua cultura, sua identidade. Amós recebeu um chamado pessoal de Deus, o que é o motivo inicial de seu profetizar. No entanto, Amós viu nas visões o que estava acontecendo com a nação e o povo, o que também o motivou a sair de seu lar e ir profetizar. Teve misericórdia e compaixão pelo próximo. Amou a Deus em primeiro lugar e depois amou ao próximo. E nós??? Nós vemos quase que diariamente imagens e reportagens que nos mostram o que está acontecendo no campo, na terra, na cidade. Tais reportagens e imagens não deveriam ocupar de certa forma a mesma função das visões que Amós teve e nos motivar a clamármos e agirmos por amor as pessoas e como repostas ao desejo de justiça de Deus, de um Reino que não feito de comida nem bebida, mas de paz, justiça e alegria no Espírito Santo?
nEle q é Senhor e nos chama a cuidármos de nossa terra nosso campo, nossa cidade a nossa nação.
Jorge Tonnera Jr
Biólogo especialista em Gestão Ambiental e Educador Ambiental
Membro do Coletivo Igrejas Ecocidadãs - RJtonnerapunk@yahoo.com.br
Marcadores:
A peleja do Cordeiro contra o Monstro da Destruição,
ambientalista,
Amós,
Código Florestal,
denúncia,
Ecologia além da superfície,
Justiça,
O Reino,
política,
profeta,
ruralista,
Terra
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Arte, fé e justiça se encontram num festival
Compartilhando via este blog uma matéria legal do Carlinhos Veiga pela Ultimato.
Arte, fé e justiça se encontram num festival
Essa foi a 39ª edição desse festival que reuniu em 2012 cerca de 22 mil participantes. Foi impressionante ver tanta gente junta, de diferentes matizes cristãs, eclesiásticas e missionárias, desde alas mais conservadoras a outras de vanguarda, de diferentes colorações teológicas, num convívio respeitoso e fraterno, algo que anda bem difícil de se ver hoje em dia. Dividiam aquele espaço igrejas conhecidas no Brasil, bem como missões, movimentos e ONGs que também atuam por aqui como Mocidade Para Cristo, Jocum, A Rocha, Interserve, Labri, L’Arche (A Arca), entre inúmeras outras.
A programação acontecia em 22 espaços distintos, simultaneamente. Durante todo o dia eram apresentados inúmeros shows musicais, peças teatrais, comédias, arte circense, mostra de cinema, artes visuais e fotografia, mas também lançamentos de livros seguidos de debates com os autores, palestras, oficinas, entre outras atividades. Alguns desses espaços eram reservados para atividades com crianças.
O maior palco do Greenbelt, o “Main Stage”, era a única estrutura capaz de reunir de uma só vez todos os participantes. Era nele que aconteciam os grandes shows das noites e a celebração da eucaristia – um dos momentos mais significativos do evento. Nesse tempo, realizado no domingo pela manhã, todos paravam suas atividades e se dirigiam ao “palcão”, para a realização desse grande culto.
Talvez você esteja pensando: e a infra-estrutura para receber essa multidão? Onde eles se hospedavam? Onde comiam? E os banheiros para
O Greenbelt é organizado e mantido por um grupo de entidades parceiras, entre elas a Igreja Metodista da Inglaterra, Church Times, Christian Aid e os Greenbelt Angels – um grupo de mantenedores voluntários que se comprometem em contribuir, orar e trabalhar pela realização do evento. Ao todo são mais de 2.000 equipantes envolvidos.
Segundo os organizadores, o Greenbelt não é apenas um evento de entretenimento. É muito mais. Pretende ser um espaço onde as pessoas que por ali passam saiam desejando viver mais, amar mais e promover mais justiça e mais generosidade por meio de suas ações. E, pelo que me pareceu, isso acontece.
Para conhecer mais, assista o vídeo e visite o site.
http://ultimato.com.br/sites/carlinhosveiga/2012/09/12/arte-fe-e-justica-se-encontram-num-festival/
domingo, 24 de junho de 2012
DECLARAÇÃO FINAL da CÚPULA DOS POVOS NA RIO+20 POR JUSTIÇA SOCIAL E AMBIENTAL
DECLARAÇÃO FINAL
CÚPULA DOS POVOS NA RIO+20 POR JUSTIÇA SOCIAL E AMBIENTAL
EM DEFESA DOS BENS COMUNS, CONTRA A MERCANTILIZAÇÃO DA VIDA
Movimentos sociais e populares, sindicatos, povos e organizações da sociedade civil de todo o mundo presentes na Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental, vivenciaram nos acampamentos, nas mobilizações massivas, nos debates, a construção das convergências e alternativas, conscientes de que somos sujeitos de uma outra relação entre humanos e humanas e entre a humanidade e a natureza, assumindo o desafio urgente de frear a nova fase de recomposição do capitalismo e de construir, através de nossas lutas, novos paradigmas de sociedade.
A Cúpula dos Povos é o momento simbólico de um novo ciclo na trajetória de lutas globais que produz novas convergências entre movimentos de mulheres, indígenas, negros, juventudes, agricultores/as familiares e camponeses, trabalhadore/as, povos e comunidades tradicionais, quilombolas, lutadores pelo direito a cidade, e religiões de todo o mundo. As assembléias, mobilizações e a grande Marcha dos Povos foram os momentos de expressão máxima destas convergências.
As instituições financeiras multilaterais, as coalizões a serviço do sistema financeiro, como o G8/G20, a captura corporativa da ONU e a maioria dos governos demonstraram irresponsabilidade com o futuro da humanidade e do planeta e promoveram os interesses das corporações na conferência oficial. Em constraste a isso, a vitalidade e a força das mobilizações e dos debates na Cúpula dos Povos fortaleceram a nossa convicção de que só o povo organizado e mobilizado pode libertar o mundo do controle das corporações e do capital financeiro.
Há vinte anos o Fórum Global, também realizado no Aterro do Flamengo, denunciou os riscos que a humanidade e a natureza corriam com a privatização e o neoliberalismo. Hoje afirmamos que, além de confirmar nossa análise, ocorreram retrocessos significativos em relação aos direitos humanos já reconhecidos. A Rio+20 repete o falido roteiro de falsas soluções defendidas pelos mesmos atores que provocaram a crise global. À medida que essa crise se aprofunda, mais as corporações avançam contra os direitos dos povos, a democracia e a natureza, sequestrando os bens comuns da humanidade para salvar o sistema economico-financeiro.
As múltiplas vozes e forças que convergem em torno da Cúpula dos Povos denunciam a verdadeira causa estrutural da crise global: o sistema capitalista associado ao patriarcado, ao racismo e à homofobia.
As corporações transnacionais continuam cometendo seus crimes com a sistemática violação dos direitos dos povos e da natureza com total impunidade. Da mesma forma, avançam seus interesses através da militarização, da criminalização dos modos de vida dos povos e dos movimentos sociais promovendo a desterritorialização no campo e na cidade.
Avança sobre os territórios e os ombros dos trabalhadores/as do sul e do norte. Existe uma dívida ambiental histórica que afeta majoritariamente os povos do sul do mundo que deve ser assumida pelos países altamente industrializados que causaram a atual crise do planeta.
O capitalismo também leva à perda do controle social, democrático e comunitario sobre os recursos naturais e serviços estratégicos, que continuam sendo privatizados, convertendo direitos em mercadorias e limitando o acesso dos povos aos bens e serviços necessários à sobrevivencia.
A atual fase financeira do capitalismo se expressa através da chamada economia verde e de velhos e novos mecanismos, tais como o aprofundamento do endividamento público-privado, o super-estímulo ao consumo, a apropriação e concentração das novas tecnologias, os mercados de carbono e biodiversidade, a grilagem e estrangeirização de terras e as parcerias público-privadas, entre outros.
As alternativas estão em nossos povos, nossa história, nossos costumes, conhecimentos, práticas e sistemas produtivos, que devemos manter, revalorizar e ganhar escala como projeto contra-hegemônico e transformador.
A defesa dos espaços públicos nas cidades, com gestão democrática e participação popular, a economía cooperativa e solidária, a soberania alimentar, um novo paradigma de produção, distribuição e consumo, a mudança da matriz energética, são exemplos de alternativas reais frente ao atual sistema agro-urbano-industrial.
A defesa dos bens comuns passa pela garantia de uma série de direitos humanos e da natureza, pela solidariedade e respeito às cosmovisões e crenças dos diferentes povos, como, por exemplo, a defesa do “Bem Viver” como forma de existir em harmonia com a natureza, o que pressupõe uma transição justa a ser construída com os trabalhadores/as e povos. A construção da transição justa supõe a liberdade de organização e o direito a contratação coletiva e políticas públicas que garantam formas de empregos decentes.
Reafirmamos a urgência da distribuição de riqueza e da renda, do combate ao racismo e ao etnocídio, da garantia do direito a terra e território, do direito à cidade, ao meio ambiente e à água, à educação, a cultura, a liberdade de expressão e democratização dos meios de comunicação, e à saúde sexual e reprodutiva das mulheres.
O fortalecimento de diversas economias locais e dos direitos territoriais garantem a construção comunitária de economias mais vibrantes. Estas economias locais proporcionam meios de vida sustentáveis locais, a solidariedade comunitária, componentes vitais da resiliência dos ecossistemas. A maior riqueza é a diversidade da natureza e sua diversidade cultural associada e as que estão intimamente relacionadas.
Os povos querem determinar para que e para quem se destinam os bens comuns e energéticos, além de assumir o controle popular e democrático de sua produção. Um novo modelo enérgico está baseado em energias renováveis descentralizadas e que garanta energia para a população e não para corporações.
A transformação social exige convergências de ações, articulações e agendas comuns a partir das resistências e proposições necessárias que estamos disputando em todos os cantos do planeta. A Cúpula dos Povos na Rio+20 nos encoraja para seguir em frente nas nossas lutas.
Rio de Janeiro, 15 a 22 de junho de 2012.
Comitê Facilitador da Sociedade Civil na Rio+20 - Cúpula dos Povos
CÚPULA DOS POVOS NA RIO+20 POR JUSTIÇA SOCIAL E AMBIENTAL
EM DEFESA DOS BENS COMUNS, CONTRA A MERCANTILIZAÇÃO DA VIDA
Movimentos sociais e populares, sindicatos, povos e organizações da sociedade civil de todo o mundo presentes na Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental, vivenciaram nos acampamentos, nas mobilizações massivas, nos debates, a construção das convergências e alternativas, conscientes de que somos sujeitos de uma outra relação entre humanos e humanas e entre a humanidade e a natureza, assumindo o desafio urgente de frear a nova fase de recomposição do capitalismo e de construir, através de nossas lutas, novos paradigmas de sociedade.
A Cúpula dos Povos é o momento simbólico de um novo ciclo na trajetória de lutas globais que produz novas convergências entre movimentos de mulheres, indígenas, negros, juventudes, agricultores/as familiares e camponeses, trabalhadore/as, povos e comunidades tradicionais, quilombolas, lutadores pelo direito a cidade, e religiões de todo o mundo. As assembléias, mobilizações e a grande Marcha dos Povos foram os momentos de expressão máxima destas convergências.
As instituições financeiras multilaterais, as coalizões a serviço do sistema financeiro, como o G8/G20, a captura corporativa da ONU e a maioria dos governos demonstraram irresponsabilidade com o futuro da humanidade e do planeta e promoveram os interesses das corporações na conferência oficial. Em constraste a isso, a vitalidade e a força das mobilizações e dos debates na Cúpula dos Povos fortaleceram a nossa convicção de que só o povo organizado e mobilizado pode libertar o mundo do controle das corporações e do capital financeiro.
Há vinte anos o Fórum Global, também realizado no Aterro do Flamengo, denunciou os riscos que a humanidade e a natureza corriam com a privatização e o neoliberalismo. Hoje afirmamos que, além de confirmar nossa análise, ocorreram retrocessos significativos em relação aos direitos humanos já reconhecidos. A Rio+20 repete o falido roteiro de falsas soluções defendidas pelos mesmos atores que provocaram a crise global. À medida que essa crise se aprofunda, mais as corporações avançam contra os direitos dos povos, a democracia e a natureza, sequestrando os bens comuns da humanidade para salvar o sistema economico-financeiro.
As múltiplas vozes e forças que convergem em torno da Cúpula dos Povos denunciam a verdadeira causa estrutural da crise global: o sistema capitalista associado ao patriarcado, ao racismo e à homofobia.
As corporações transnacionais continuam cometendo seus crimes com a sistemática violação dos direitos dos povos e da natureza com total impunidade. Da mesma forma, avançam seus interesses através da militarização, da criminalização dos modos de vida dos povos e dos movimentos sociais promovendo a desterritorialização no campo e na cidade.
Avança sobre os territórios e os ombros dos trabalhadores/as do sul e do norte. Existe uma dívida ambiental histórica que afeta majoritariamente os povos do sul do mundo que deve ser assumida pelos países altamente industrializados que causaram a atual crise do planeta.
O capitalismo também leva à perda do controle social, democrático e comunitario sobre os recursos naturais e serviços estratégicos, que continuam sendo privatizados, convertendo direitos em mercadorias e limitando o acesso dos povos aos bens e serviços necessários à sobrevivencia.
A atual fase financeira do capitalismo se expressa através da chamada economia verde e de velhos e novos mecanismos, tais como o aprofundamento do endividamento público-privado, o super-estímulo ao consumo, a apropriação e concentração das novas tecnologias, os mercados de carbono e biodiversidade, a grilagem e estrangeirização de terras e as parcerias público-privadas, entre outros.
As alternativas estão em nossos povos, nossa história, nossos costumes, conhecimentos, práticas e sistemas produtivos, que devemos manter, revalorizar e ganhar escala como projeto contra-hegemônico e transformador.
A defesa dos espaços públicos nas cidades, com gestão democrática e participação popular, a economía cooperativa e solidária, a soberania alimentar, um novo paradigma de produção, distribuição e consumo, a mudança da matriz energética, são exemplos de alternativas reais frente ao atual sistema agro-urbano-industrial.
A defesa dos bens comuns passa pela garantia de uma série de direitos humanos e da natureza, pela solidariedade e respeito às cosmovisões e crenças dos diferentes povos, como, por exemplo, a defesa do “Bem Viver” como forma de existir em harmonia com a natureza, o que pressupõe uma transição justa a ser construída com os trabalhadores/as e povos. A construção da transição justa supõe a liberdade de organização e o direito a contratação coletiva e políticas públicas que garantam formas de empregos decentes.
Reafirmamos a urgência da distribuição de riqueza e da renda, do combate ao racismo e ao etnocídio, da garantia do direito a terra e território, do direito à cidade, ao meio ambiente e à água, à educação, a cultura, a liberdade de expressão e democratização dos meios de comunicação, e à saúde sexual e reprodutiva das mulheres.
O fortalecimento de diversas economias locais e dos direitos territoriais garantem a construção comunitária de economias mais vibrantes. Estas economias locais proporcionam meios de vida sustentáveis locais, a solidariedade comunitária, componentes vitais da resiliência dos ecossistemas. A maior riqueza é a diversidade da natureza e sua diversidade cultural associada e as que estão intimamente relacionadas.
Os povos querem determinar para que e para quem se destinam os bens comuns e energéticos, além de assumir o controle popular e democrático de sua produção. Um novo modelo enérgico está baseado em energias renováveis descentralizadas e que garanta energia para a população e não para corporações.
A transformação social exige convergências de ações, articulações e agendas comuns a partir das resistências e proposições necessárias que estamos disputando em todos os cantos do planeta. A Cúpula dos Povos na Rio+20 nos encoraja para seguir em frente nas nossas lutas.
Rio de Janeiro, 15 a 22 de junho de 2012.
Comitê Facilitador da Sociedade Civil na Rio+20 - Cúpula dos Povos
domingo, 13 de maio de 2012
"O velho tupinambá pregou a sustentabilidade que Jesus Cristo ensinou".
No século XVI um historiador registrou o seguinte diálogo:
"Os nossos tupinambás muito se admiram dos franceses e outros estrangeiros se darem ao trabalho de ir buscar o seu arabutan (madeira pau-brasil). Uma vez um velho perguntou-me:
- Por que vindes vós outros, maírs e perôs (franceses e portugueses), buscar lenha de tão longe para vos aquecer ? Não tendes madeira em vossa terra ?
Respondi que tínhamos muita, mas não daquela qualidade, e que não a queimávamos, como ele supunha, mas dela extraímos tinta para tingir, tal qual o faziam eles com os seus cordões de algodão e suas plumas. Retrucou o velho imediatamente:
- E porventura precisais de muito ?
- Sim, respondi-lhe, pois no nosso país existem negociantes que possuem mais panos, facas, tesouras, espelhos e outras mercadorias do que podeis imaginar e um só deles compra todo o pau-brasil com que muitos navios voltam carregados.
- Ah! retrucou o selvagem, tu me contas maravilhas; acrescentando depois de bem compreender o que eu lhe dissera: Mas esse homem tão rico de que me falas não morre?
- Sim, disse eu, morre como os outros.
Mas os selvagens são grandes discursadores e costumam ir em qualquer assunto até o fim, por isso perguntou-me de novo:
- E quando morrem para quem fica o que deixam ?
- Para seus filhos, se os têm, respondi; na falta destes, para os irmãos ou parentes próximos.
- Na verdade, continuou o velho, que como vereis, não era nenhum tolo, agora
vejo que vós outros maírs sois grandes loucos, pois atravessais o mar e sofreis grandes incômodos, como dizeis quando aqui chegais, e trabalhais tanto para amontoar riquezas para vossos filhos ou para aqueles que vos sobrevivem ! Não será a terra que vos nutriu suficiente para alimentá-los também ? Temos pais, mães e filhos a quem amamos; mas estamos certos de que depois de nossa morte a terra que nos nutriu também os nutrirá, por isso descansamos sem maiores cuidados.
(publicado no livro "Viagem à terra do Brasil" de Jean de Léry)
Que diálogo seria esse?????
É um diálogo entre um velho índio tupinambá e um europeu, o próprio escritor. O europeu era Jean de Léry, Pastor missionário Protestante que fez parte do grupo de 14 calvinistas que vieram de Genebra. Estes segundo relatos históricos vieram participar da criação de uma colônia francesa na Baía da Guanabara. Tal colônia empreitada seria chamada de “França Antártica” e dirigida por Villegagnon e possui uma história muito interessante uma vez que a liberdade de culto estava ligado a criação da colônia.
No entanto o discurso a que foi escrito acima traz um sentido último de adiquirir e vender riquezas da biodiversidade brasileira. Segundo José Pádua, historiador ambiental, estaria impresso ali a expansão dos europeus e a formação da economia-mundo capitalista.
Vemos aí nesse interessante diálogo e sabendo da influência calvinista nas respostas do huguenote Lery a necessidade de nós cristãos reassumirmos nossa identidade diante do mandato cultural proposto por Deus e lermos as Escrituras Sagradas com um olhar dentro de uma cosmovisão judaico cristã considerando o evangelho algo integral e o ministério da reconciliação de Jesus Cristo, que é
algo fantástico e muito maior do que uma primeira impressão ou a salvação/transformação de um mundo que ainda não veio fisicamente (novo céu e nova terra), mas sim a salvação/transformação desse mesmo mundo em que estamos para o presente século, como primícias da posteriori, como insinuação do por vir fisicamente (novo céu e nova terra).
Vemos no diálogo a questão da cosmovisão que cada um de nós carregamos e levamos para onde vamos e onde estamos. Duas cosmovisões que se colidem. Um choque cultural e acima de tudo ecológico. O paradigma dominate (do Europeu) e o paradoxo do Reino, representado pelo índio, que como na parábola de Cristo, está escondido, nesse caso, no coração do Tupinambá. O diálogo é claro e mostra a oposição da visão de mundo que aliás está presente nos dias de hoje principalmente na sociedade chamada pelos cristãos de secular, mas que também em muitos casos está presente nas igrejas, de maneira pior que o que se tem na sociedade secular, sobretudo e inclusive evangélicos da Teologia da prosperidade.
A visão de estoques, tão diferente da visão de partir um pão. O acumular, que é tão distante do partilhar. E por que não a comunhão (o que é meu é teu e o que é teu é teu).
Voltando a um dos momentos do diálogo:
- E quando morrem para quem fica o que deixam ?
- Para seus filhos, se os têm, respondi; na falta destes, para os irmãos ou
parentes próximos.
O conceito de Sustentabilidade é "satisfazer as necessidades das pessoas que vivem hoje sem prejudicar as necessidades delas amanhã e mais ainda sem prejudicar as necessidades das pessoas que ainda não viram o mundo de amanhã”.
Nesse sentido, dentro desse diálogo terminal, a visão do Europeu parece num primeiro momento e descontextualizadamente algo bem lógico em termos de sobrevivência e de sustentabilidade num sentido de seguridade, de manter coisas para quem virá, conforme o conceito usual de sustentabilidade. No entanto na prática essa ideia de acumular para os filhos não passa de ilusão e roubo de mundos (Leia-se mundos aqui como espaço-tempo e conjunto de relacionamentos).
O índio do diálogo age como fosse um ignorante, mas ao fim a ignorância não era mais dele e sim do europeu calvinista. E O mais interessante nisso tudo é que o diálogo do velho tupinambá vai de encontro com o diálogo de Jesus Cristo com os discipulos sobre a ansiosa solicitude pela vida.(Mt 6:19-21; 25-34), em que o Mestre nos adverte em relação a acumular riquezas e ao querermos falsas
necessidades, se preocupar com o por vir e ansiedade de sobrevivência:
"Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração".
(Mateus 6:19-21)
"Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário? Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua
estatura? E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam; E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé? Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? (Porque todas estas coisas os gentios procuram). De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas;
Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
Não vos inquieteis, pois, pelo dia amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal".
(Mateus 6:25-34)
Jesus é categorico ao concluir esse ensino dizendo "buscai pois em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas." Qual seria nesse caso exposto do diálogo o "Reino" e a "justiça" dentro de um mundo indígena a qual eles (europeus) não eram partes
integradas??? E mais, qual seria o "tudo vos será acrescendtado"?
Penso que o Reino se refere a vontade plena de Deus na terra, e a justiça referida para esse diálogo se refere ao compartilhar da vida, da cultura, ter relações justas de benefícios mutualísticos em que cada um se benefeciaria da presença do outro de maneira plena. Dado isso, os europeus teriam suas
necessidades (verdadeiras necessidades) supridas ao encontrar lugar, alimento, relacionamento humano e recursos para si e para desenvolvimento mútuo da vida.
Tal pensamento de sustentabilidade de Jesus Cristo deveria estar no pensamento dos portugueses e franceses ditos "Cristãos", mas não estava. Ao que vemos o europeu acabou recebendo uma mensagem evangelizadora e missionária por parte do índio. É irônico...Esse pensamento de sustentabilidade daquele indígena deveria estar no pensamento de nós cristãos de hoje.
Que possamos nós voltarmos num nível de equilíbrio, de relações prósperas a partir de justiça social. É isso que Jesus propõe. Devemos desnaturalizar o que hoje se supõe ser certo e até mesmo normal: a acumulação capitalista, o ter ao invés do ser, a busca pela riqueza como "jogo da vida", o lucro desmedido, o desperdício, o consumismo, o mundo dos descartáveis (geramos muito lixo).
Talvez o Velho apesar de sua naturalidade sapiente não imaginou o estrago que a
partir daquela "troca" seria feito no litoral onde vivia, mais de 500 anos depois desse diálogo e o quanto a falta do evangelho faltou na mente dos colonialistas, escravistas, empresários, latifundiários e de todos nós brasileiros, particularmente cariocas (apenas 7% sobrou da mata atlântica).
Na realidade dentro desse diálogo há um contexto muito mais amplo do que como estou colocando. Por exemplo, a questão do tipo de árvore, a forma do corte destas, o vínculo entre produção e consumo e a nossa identidade, o tolerar dos índios, suas perspectivas de trocas e ganhos com aquilo, questões de poder, status, tecnologia, a questão do interesse por tudo o que é novidade etc.
Conforme já dito é o sentido último de tudo aquilo e a cosmovisão que nada mais é que reflexo de um conjunto de crenças e valores temporais ditando o que é importante e o que nos move.
Talvez Lery, que foi um grande observador e registrou de maneira muito rica a nossa natureza e a cultura dos índios, tenha voltado balançado para casa. O missionário calvinista Jean de Léry que tentou explicar o "espírito do capitalismo" a um tupinambá, ao contrário do que podemos imaginar, nos relata José Augusto Pádua, historiador ambiental, em seu belo artigo chamado "Jean de
Léry, o pau-brasil e o velho tupinambá" (http://www.uel.br/prograd/maquinacoes/art_1.html), "foi tocado em algum nível pelo que o Velho estava dizendo, reconhecendo que ele “não era nenhum tolo” e que os índios odiavam os avarentos. Mais ainda, permitindo-se uma auto-reflexão crítica sobre a própria aventura dos europeus, Léry termina o parágrafo de maneira algo melancólica, lembrando de um escritor que dizia terem os índios do Peru temido fortemente que os europeus corrompessem seus costumes, por serem como “espuma do mar, isto é, gente sem país, homens sem descanso, que não param em parte alguma para cultivar a terra”.
Lembremos que Deus nos colocou no mundo, mais específicamente num jardim, ou melhor, Horto, no Éden para cultivar e guardar.
"E tomou o SENHOR Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar". (Gênesis 2:15)
Embora todos os seres humanos precisem de evangelho (Boa nova), será que em determinados momentos não são eles que precisam de evangelho e missões? Será que não somos nós?! Missão não é sinônimo de globalização. Talvez devamos voltar as perguntas mais simples e objetivas, questionar a nossa crença para crescermos na nossa fé. Deixar-se livre para indagações, dúvidas e perguntas
infantis, que não são idiotas, mas sim encontros conosco mesmos. Pensemos como o velho índio e façamo-nos as mesmas perguntas:
Por que vindes?
Não tendes recursos?
E porventura precisais de muito?
Essas foram a sequencias das perguntas do indio. E agora? Vc consegue ver Jesus diante dos discípulos fazendo o mesmo tipo de pergunta? Eu vi. Era o mesmo jeito que Jesus ensinava. Ele era o mestre do questionamento, que ensinava como ninguém através de parábolas, as quais são pedagogicamente como piadas, por conta da quebra de expectativa e giro de história.
Essa conversa do índio e Lery tem um lado engraçado e é semelhante a parábolas do Senhor. Jesus usaria essa história para nós se hoje estivessemos assentados com ele sendo admoestados por meio de sua vida. Poderemos assim continuar a perguntar:
Os rico os quais muitas vezes nos espelhamos ou queremos ter tanto quanto não morre?
Quando morrem para quem fica o que deixam?
Que cada geração tire apenas o que for dentro da justiça de Deus, a sua parte como a orientação que Deus deu a respeito do maná no deserto.
Temos o que precisamos em seu Reino quando sabemos o que é esse Reino.
Paz, sustentabilidade e vida!!Amém!
Jorge Tonnera Jr
"Os nossos tupinambás muito se admiram dos franceses e outros estrangeiros se darem ao trabalho de ir buscar o seu arabutan (madeira pau-brasil). Uma vez um velho perguntou-me:
- Por que vindes vós outros, maírs e perôs (franceses e portugueses), buscar lenha de tão longe para vos aquecer ? Não tendes madeira em vossa terra ?
Respondi que tínhamos muita, mas não daquela qualidade, e que não a queimávamos, como ele supunha, mas dela extraímos tinta para tingir, tal qual o faziam eles com os seus cordões de algodão e suas plumas. Retrucou o velho imediatamente:
- E porventura precisais de muito ?
- Sim, respondi-lhe, pois no nosso país existem negociantes que possuem mais panos, facas, tesouras, espelhos e outras mercadorias do que podeis imaginar e um só deles compra todo o pau-brasil com que muitos navios voltam carregados.
- Ah! retrucou o selvagem, tu me contas maravilhas; acrescentando depois de bem compreender o que eu lhe dissera: Mas esse homem tão rico de que me falas não morre?
- Sim, disse eu, morre como os outros.
Mas os selvagens são grandes discursadores e costumam ir em qualquer assunto até o fim, por isso perguntou-me de novo:
- E quando morrem para quem fica o que deixam ?
- Para seus filhos, se os têm, respondi; na falta destes, para os irmãos ou parentes próximos.
- Na verdade, continuou o velho, que como vereis, não era nenhum tolo, agora
vejo que vós outros maírs sois grandes loucos, pois atravessais o mar e sofreis grandes incômodos, como dizeis quando aqui chegais, e trabalhais tanto para amontoar riquezas para vossos filhos ou para aqueles que vos sobrevivem ! Não será a terra que vos nutriu suficiente para alimentá-los também ? Temos pais, mães e filhos a quem amamos; mas estamos certos de que depois de nossa morte a terra que nos nutriu também os nutrirá, por isso descansamos sem maiores cuidados.
(publicado no livro "Viagem à terra do Brasil" de Jean de Léry)
Que diálogo seria esse?????
É um diálogo entre um velho índio tupinambá e um europeu, o próprio escritor. O europeu era Jean de Léry, Pastor missionário Protestante que fez parte do grupo de 14 calvinistas que vieram de Genebra. Estes segundo relatos históricos vieram participar da criação de uma colônia francesa na Baía da Guanabara. Tal colônia empreitada seria chamada de “França Antártica” e dirigida por Villegagnon e possui uma história muito interessante uma vez que a liberdade de culto estava ligado a criação da colônia.
No entanto o discurso a que foi escrito acima traz um sentido último de adiquirir e vender riquezas da biodiversidade brasileira. Segundo José Pádua, historiador ambiental, estaria impresso ali a expansão dos europeus e a formação da economia-mundo capitalista.
Vemos aí nesse interessante diálogo e sabendo da influência calvinista nas respostas do huguenote Lery a necessidade de nós cristãos reassumirmos nossa identidade diante do mandato cultural proposto por Deus e lermos as Escrituras Sagradas com um olhar dentro de uma cosmovisão judaico cristã considerando o evangelho algo integral e o ministério da reconciliação de Jesus Cristo, que é
algo fantástico e muito maior do que uma primeira impressão ou a salvação/transformação de um mundo que ainda não veio fisicamente (novo céu e nova terra), mas sim a salvação/transformação desse mesmo mundo em que estamos para o presente século, como primícias da posteriori, como insinuação do por vir fisicamente (novo céu e nova terra).
Vemos no diálogo a questão da cosmovisão que cada um de nós carregamos e levamos para onde vamos e onde estamos. Duas cosmovisões que se colidem. Um choque cultural e acima de tudo ecológico. O paradigma dominate (do Europeu) e o paradoxo do Reino, representado pelo índio, que como na parábola de Cristo, está escondido, nesse caso, no coração do Tupinambá. O diálogo é claro e mostra a oposição da visão de mundo que aliás está presente nos dias de hoje principalmente na sociedade chamada pelos cristãos de secular, mas que também em muitos casos está presente nas igrejas, de maneira pior que o que se tem na sociedade secular, sobretudo e inclusive evangélicos da Teologia da prosperidade.
A visão de estoques, tão diferente da visão de partir um pão. O acumular, que é tão distante do partilhar. E por que não a comunhão (o que é meu é teu e o que é teu é teu).
Voltando a um dos momentos do diálogo:
- E quando morrem para quem fica o que deixam ?
- Para seus filhos, se os têm, respondi; na falta destes, para os irmãos ou
parentes próximos.
O conceito de Sustentabilidade é "satisfazer as necessidades das pessoas que vivem hoje sem prejudicar as necessidades delas amanhã e mais ainda sem prejudicar as necessidades das pessoas que ainda não viram o mundo de amanhã”.
Nesse sentido, dentro desse diálogo terminal, a visão do Europeu parece num primeiro momento e descontextualizadamente algo bem lógico em termos de sobrevivência e de sustentabilidade num sentido de seguridade, de manter coisas para quem virá, conforme o conceito usual de sustentabilidade. No entanto na prática essa ideia de acumular para os filhos não passa de ilusão e roubo de mundos (Leia-se mundos aqui como espaço-tempo e conjunto de relacionamentos).
O índio do diálogo age como fosse um ignorante, mas ao fim a ignorância não era mais dele e sim do europeu calvinista. E O mais interessante nisso tudo é que o diálogo do velho tupinambá vai de encontro com o diálogo de Jesus Cristo com os discipulos sobre a ansiosa solicitude pela vida.(Mt 6:19-21; 25-34), em que o Mestre nos adverte em relação a acumular riquezas e ao querermos falsas
necessidades, se preocupar com o por vir e ansiedade de sobrevivência:
"Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração".
(Mateus 6:19-21)
"Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário? Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua
estatura? E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam; E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé? Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? (Porque todas estas coisas os gentios procuram). De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas;
Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
Não vos inquieteis, pois, pelo dia amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal".
(Mateus 6:25-34)
Jesus é categorico ao concluir esse ensino dizendo "buscai pois em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas." Qual seria nesse caso exposto do diálogo o "Reino" e a "justiça" dentro de um mundo indígena a qual eles (europeus) não eram partes
integradas??? E mais, qual seria o "tudo vos será acrescendtado"?
Penso que o Reino se refere a vontade plena de Deus na terra, e a justiça referida para esse diálogo se refere ao compartilhar da vida, da cultura, ter relações justas de benefícios mutualísticos em que cada um se benefeciaria da presença do outro de maneira plena. Dado isso, os europeus teriam suas
necessidades (verdadeiras necessidades) supridas ao encontrar lugar, alimento, relacionamento humano e recursos para si e para desenvolvimento mútuo da vida.
Tal pensamento de sustentabilidade de Jesus Cristo deveria estar no pensamento dos portugueses e franceses ditos "Cristãos", mas não estava. Ao que vemos o europeu acabou recebendo uma mensagem evangelizadora e missionária por parte do índio. É irônico...Esse pensamento de sustentabilidade daquele indígena deveria estar no pensamento de nós cristãos de hoje.
Que possamos nós voltarmos num nível de equilíbrio, de relações prósperas a partir de justiça social. É isso que Jesus propõe. Devemos desnaturalizar o que hoje se supõe ser certo e até mesmo normal: a acumulação capitalista, o ter ao invés do ser, a busca pela riqueza como "jogo da vida", o lucro desmedido, o desperdício, o consumismo, o mundo dos descartáveis (geramos muito lixo).
Talvez o Velho apesar de sua naturalidade sapiente não imaginou o estrago que a
partir daquela "troca" seria feito no litoral onde vivia, mais de 500 anos depois desse diálogo e o quanto a falta do evangelho faltou na mente dos colonialistas, escravistas, empresários, latifundiários e de todos nós brasileiros, particularmente cariocas (apenas 7% sobrou da mata atlântica).
Na realidade dentro desse diálogo há um contexto muito mais amplo do que como estou colocando. Por exemplo, a questão do tipo de árvore, a forma do corte destas, o vínculo entre produção e consumo e a nossa identidade, o tolerar dos índios, suas perspectivas de trocas e ganhos com aquilo, questões de poder, status, tecnologia, a questão do interesse por tudo o que é novidade etc.
Conforme já dito é o sentido último de tudo aquilo e a cosmovisão que nada mais é que reflexo de um conjunto de crenças e valores temporais ditando o que é importante e o que nos move.
Talvez Lery, que foi um grande observador e registrou de maneira muito rica a nossa natureza e a cultura dos índios, tenha voltado balançado para casa. O missionário calvinista Jean de Léry que tentou explicar o "espírito do capitalismo" a um tupinambá, ao contrário do que podemos imaginar, nos relata José Augusto Pádua, historiador ambiental, em seu belo artigo chamado "Jean de
Léry, o pau-brasil e o velho tupinambá" (http://www.uel.br/prograd/maquinacoes/art_1.html), "foi tocado em algum nível pelo que o Velho estava dizendo, reconhecendo que ele “não era nenhum tolo” e que os índios odiavam os avarentos. Mais ainda, permitindo-se uma auto-reflexão crítica sobre a própria aventura dos europeus, Léry termina o parágrafo de maneira algo melancólica, lembrando de um escritor que dizia terem os índios do Peru temido fortemente que os europeus corrompessem seus costumes, por serem como “espuma do mar, isto é, gente sem país, homens sem descanso, que não param em parte alguma para cultivar a terra”.
Lembremos que Deus nos colocou no mundo, mais específicamente num jardim, ou melhor, Horto, no Éden para cultivar e guardar.
"E tomou o SENHOR Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar". (Gênesis 2:15)
Embora todos os seres humanos precisem de evangelho (Boa nova), será que em determinados momentos não são eles que precisam de evangelho e missões? Será que não somos nós?! Missão não é sinônimo de globalização. Talvez devamos voltar as perguntas mais simples e objetivas, questionar a nossa crença para crescermos na nossa fé. Deixar-se livre para indagações, dúvidas e perguntas
infantis, que não são idiotas, mas sim encontros conosco mesmos. Pensemos como o velho índio e façamo-nos as mesmas perguntas:
Por que vindes?
Não tendes recursos?
E porventura precisais de muito?
Essas foram a sequencias das perguntas do indio. E agora? Vc consegue ver Jesus diante dos discípulos fazendo o mesmo tipo de pergunta? Eu vi. Era o mesmo jeito que Jesus ensinava. Ele era o mestre do questionamento, que ensinava como ninguém através de parábolas, as quais são pedagogicamente como piadas, por conta da quebra de expectativa e giro de história.
Essa conversa do índio e Lery tem um lado engraçado e é semelhante a parábolas do Senhor. Jesus usaria essa história para nós se hoje estivessemos assentados com ele sendo admoestados por meio de sua vida. Poderemos assim continuar a perguntar:
Os rico os quais muitas vezes nos espelhamos ou queremos ter tanto quanto não morre?
Quando morrem para quem fica o que deixam?
Que cada geração tire apenas o que for dentro da justiça de Deus, a sua parte como a orientação que Deus deu a respeito do maná no deserto.
Temos o que precisamos em seu Reino quando sabemos o que é esse Reino.
Paz, sustentabilidade e vida!!Amém!
Jorge Tonnera Jr
Marcadores:
Crônicas,
desenvolvimento,
educação ambiental: bem além do politicamente correto,
França Antártica,
Índio,
Jean de Lery,
Justiça,
Missão Integral,
Missionário,
O Reino,
Pastor,
Tupinambá
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
O conceito ecológico de Deus e a corrupção e injustiça humana
Amós 4:8: E andaram errantes duas ou três cidades, indo a outra cidade para beberem água, mas não se saciaram; contudo não vos convertestes a mim, disse o SENHOR.
Amós. 4:13: Porque eis aqui o que forma os montes, e cria o vento, e declara ao homem qual seja o seu pensamento, o que faz da manhã trevas, e pisa os altos da terra; o SENHOR, o Deus dos Exércitos, é o seu nome.
Amós 9:6: Ele é o que edifica as suas câmaras superiores no céu, e fundou na terra a sua abóbada, e o que chama as águas do mar, e as derrama sobre a terra; o SENHOR é o seu nome.
Interessante Amós finalizar o início de sua profecia apresentando Deus, e particularmente apresentar Deus através do conceito de quem ele é, ou seja, o Criador de tudo, e ao longo da profecia anunciando Deus como mantenedor desse todo. Amós, que era criador de gado e cultivador de sicômoros reconhecia Deus como sendo aquele que criou tudo que existe, nos cerca e nos forma, o que é interessante sobretudo quando reconhecemos que ao longo de toda a profecia no livro de Amós o teor de sua mensagem é um grito contra as injustiças sociais e a corrupção. Isso porque em síntese podemos dizer que as corrupções que começam em nossa mente, e por vezes se associam, se expressam através das nossas cobiças e atitudes, formam hábitos e definem nosso caráter, e isso gera distorção em diversos níveis relacionais. Nossas relações são influenciadas seja no nível pessoal, social, econômico e ambiental, em resumo um disparate ecológico. Então vemos no percurso das profecias as denúncias e as visões, as quais se referem a desde destruições a estiagem prolongada. Sendo assim, tudo o que foi criado por Deus acaba sendo impactado pelo problema da corrupção e injustiça. O que explora quer mais, o que é explorado precisa de recurso para viver e acaba explorando o meio, e assim o pobre é empurrado contra o ambiente que vive ou a si próprio. O que explora o próximo explora o ambiente também e cria valores econômicos acima do real. Inviabiliza justas trocas, consome mais do que precisa e escasseia os que também precisariam ter sua parte.
Sendo Deus criador, mas também um Deus amoroso ele providencia uma transformação social através de si mesmo enviando o Filho do Homem (Jesus Cristo) anos mais tarde, que conforme Amós pronuncia "juntará as brechas". Sim, o Messias juntarás as brechas das relações quebradas pela corrupção. Em Cristo as injustiças serão cessadas e as relações com toda a criação reerguidas desde o nível intrapessoal (Deus e eu) a um nível socioeconômico (Eu e o próximo e nossas trocas) e nossa convivência relacional no mesmo espaço de vida e entre os diversos espaços de vida (ecossistemas e ambientes) (Eu e o meio ambiente). Assim, o fim da profecia é uma vida ressocializada, ou melhor, ecologicamente estável, sob uma nova ética, mais precisamente a verdadeira ética, a ética do amor, sendo essa expressa desde antes, desde os primórdios, mas que em Jesus ela foi traduzida e transfigurada/vivenciada e assim transmitida.
Nele, que é a vida integral e integrada,
Jorge Tonnera Jr
Amós. 4:13: Porque eis aqui o que forma os montes, e cria o vento, e declara ao homem qual seja o seu pensamento, o que faz da manhã trevas, e pisa os altos da terra; o SENHOR, o Deus dos Exércitos, é o seu nome.
Amós 9:6: Ele é o que edifica as suas câmaras superiores no céu, e fundou na terra a sua abóbada, e o que chama as águas do mar, e as derrama sobre a terra; o SENHOR é o seu nome.
Interessante Amós finalizar o início de sua profecia apresentando Deus, e particularmente apresentar Deus através do conceito de quem ele é, ou seja, o Criador de tudo, e ao longo da profecia anunciando Deus como mantenedor desse todo. Amós, que era criador de gado e cultivador de sicômoros reconhecia Deus como sendo aquele que criou tudo que existe, nos cerca e nos forma, o que é interessante sobretudo quando reconhecemos que ao longo de toda a profecia no livro de Amós o teor de sua mensagem é um grito contra as injustiças sociais e a corrupção. Isso porque em síntese podemos dizer que as corrupções que começam em nossa mente, e por vezes se associam, se expressam através das nossas cobiças e atitudes, formam hábitos e definem nosso caráter, e isso gera distorção em diversos níveis relacionais. Nossas relações são influenciadas seja no nível pessoal, social, econômico e ambiental, em resumo um disparate ecológico. Então vemos no percurso das profecias as denúncias e as visões, as quais se referem a desde destruições a estiagem prolongada. Sendo assim, tudo o que foi criado por Deus acaba sendo impactado pelo problema da corrupção e injustiça. O que explora quer mais, o que é explorado precisa de recurso para viver e acaba explorando o meio, e assim o pobre é empurrado contra o ambiente que vive ou a si próprio. O que explora o próximo explora o ambiente também e cria valores econômicos acima do real. Inviabiliza justas trocas, consome mais do que precisa e escasseia os que também precisariam ter sua parte.
Sendo Deus criador, mas também um Deus amoroso ele providencia uma transformação social através de si mesmo enviando o Filho do Homem (Jesus Cristo) anos mais tarde, que conforme Amós pronuncia "juntará as brechas". Sim, o Messias juntarás as brechas das relações quebradas pela corrupção. Em Cristo as injustiças serão cessadas e as relações com toda a criação reerguidas desde o nível intrapessoal (Deus e eu) a um nível socioeconômico (Eu e o próximo e nossas trocas) e nossa convivência relacional no mesmo espaço de vida e entre os diversos espaços de vida (ecossistemas e ambientes) (Eu e o meio ambiente). Assim, o fim da profecia é uma vida ressocializada, ou melhor, ecologicamente estável, sob uma nova ética, mais precisamente a verdadeira ética, a ética do amor, sendo essa expressa desde antes, desde os primórdios, mas que em Jesus ela foi traduzida e transfigurada/vivenciada e assim transmitida.
Nele, que é a vida integral e integrada,
Jorge Tonnera Jr
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
CAMINHADA CONTRA A CORRUPÇÃO - Dia 20/11/11
Por intermédio e idealização da JOCUM Rio, estaremos realizando uma CAMINHADA CONTRA A CORRUPÇÃO em Copacabana, mobilizando a juventude cristã no mês de Novembro.
20 de Novembro – Caminhada contra a corrupção na orla de Copacabana, 13:00 – 17:00h.
Estaremos protestando contra a corrupção política e toda injustiça que provém dessas coisas. Estaremos contra os atos as escuras e todo desvio que empobrece o Brasil. Sabemos que somos detentores de muitas riquezas. Precisamos é distribui-las. Governo, Políticos, Grandes empresários e Religiosos. São esses os grandes gafanhotos devoradores do Brasil, que mais parecem ter saído da Babilônia. Mas há também os gafanhotos pequenos cortadores...esse somos nós. Isso porque os mecanismos sociais que provocam injustiças são os mesmos dentro de nós, dentro das nossas casas, empresas ou governo. Ou seja, a sociedade é um todo corrupta. Fome de pão no asfalto e sede água na caatinga são reflexos de fome de paz e sede de justiça dentro de cada um nós.
É importante dizer que a corrupção passa pela nossa vida todos os dias e por vezes deixamos passá-la como se fosse um detalhe que fantasiamos de necessidade, irreverência ou inocência. Agimos assim na fila do supermercado, na propina ao guarda de trânsito, no "gato" da TV a Cabo, no não devolvermos o que pegamos emprestado, no não devolver o troco errado, no querer tirar vantajem em tudo e sobre todos, no "fecho contigo se tu fechar comigo", no voto por interesse, no não declaro a receita federal, e em tantas outras coisas. O que ocorre nas casas da política governamental é apenas por extensão a um nível maior o que ocorre no barzinho da esquina ou na casa de muitas famílias, que afinal de contas também são casas de política, pois todo ser humano é político. Até nos Âmbitos religiosos a corrupção está presente.
Assim como na época do profeta Amós, o reinado de Israel vivia uma época aparentemente gloriosa que ampliava seus domínios (2 Rs 14:25) (6:1-3.13-14), e um culto religioso que disfarçava a ausência de uma fé justa amparando e ocultando as múltiplas opressões e injustiças. Temos vivido um tempo bem parecido como o de Amós. A palavra de Amós incomodava porque ele anunciava que o julgamento de Deus viria para os poderosos e também para os religiosos que não se incomodavam. Ele falou de ricos que acumulavam cada vez mais; ele falou de mulheres ricas que, para viverem no luxo, estimulavam seus maridos a explorar os fracos; falou também dos que roubavam e exploravam e expressavam uma hipócrita religiosidade "compensatória" que naturalmente era associada ao dinheiro; também os juízes que julgavam injustamente; e os empreendedores comerciais que prejudicavam e mantinham um ciclo de compra e venda por preço justo. Sendo assim, toda uma realidade de insustentabilidade que diante de Deus era revoltante. "Rugiu o leão, quem não temerá? Falou o Senhor DEUS, quem não profetizará? (Amós 3:8)
Amós como visionário era capaz de ver a tragédia em situações cotidianas, tudo isso criando um regime de opressão mas também o Livro de Amós termina com uma mensagem de esperança (9:11-15). Diz o Senhor que "Naquele dia tornarei a levantar o tabernáculo caído de Davi, e repararei as suas brechas, e tornarei a levantar as suas ruínas, e o edificarei como nos dias da antiguidade". (Amós 9:11)
Deixo uma música para pensármos através da sua letra o nosso cotidiano corrupto. A música se chama "Tão Iguais" da banda Dead Fish.
Eu grito pelo meu país
Que finge,
Os absurdos tão normais
Onde estou.
Eu desejei o teu lugar
Quis agir da mesma forma
Aqui todos são iguais!
Impunidade usada pra vencer
Comprada com seus votos
E sua omissão
Legislar ou pedir pão
Não seja tão honesto
Ou irá morrer!
Se resignar e aceitar,
Se eles são apenas dez?
Não terá o seu quinhão
Tão sujo quanto o deles
Normalidade!
Senso Comum!
(Me lembro com se fosse ontem do meu pai me falando preu estudar pra ser alguem na vida. E disse coisas sobre o caso, era Aracelli e Ana Angélica, dizia que não ia dar em nada, lembro dos seus discursos sobre honestidade, de como deverímamos ser e agir)
Eu desejei este lugar,
Quis agir da mesma forma,
Aceitar os mais iguais!
Eu desejei o meu lugar,
Vou agir da minha forma,
Quero coisas mais reais!
(As 2 ultimas estrofes cantadas Simultaneamente)
(Tempos depois o meu velho se foi e descobri que saber não bastava...)
Tente conceber! Tente
Vislumbrar!
Que é tão igual quanto os
Que odeia!
Tudo isso vai mudar?
(...Precisava ser alguem e ter um nome, um brilho ou um padrinho, não abri a mão do que aprendi para que ser o que eles desejavam que eu fosse, por isso prometi fazer alguma coisa, por todos que sejam honestos, por mim, por La Madre, minha avó, meus amores, amigos, irmãos e por todos que sofrem neste estado do Espírito Santo)
Contamos com a sua participação e disposição em caminharmos juntos para a expansão do Reino de Deus na cidade do Rio de Janeiro.
Tenho percebido que Deus tem dirijido um forte clamos por justiça tanto aqui no Brasil quanto em outras partes do mundo. Os ocupa Wallstreets da vida e outros movimentos, bem como as inconformismos de pessoas da igreja que Deus tem trazido de dentro pra fora como Amós.
Quando virem o Reino então se dirá:
... "e justiça para todos".
Amém!!
Jorge Tonnera Jr.
Para mais informações:
Tel: (21) 2283-2285
Email: info@jocumrio.org.br O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.
...e justiça para todos..
..
Que finge,
Os absurdos tão normais
Onde estou.
Eu desejei o teu lugar
Quis agir da mesma forma
Aqui todos são iguais!
Impunidade usada pra vencer
Comprada com seus votos
E sua omissão
Legislar ou pedir pão
Não seja tão honesto
Ou irá morrer!
Se resignar e aceitar,
Se eles são apenas dez?
Não terá o seu quinhão
Tão sujo quanto o deles
Normalidade!
Senso Comum!
(Me lembro com se fosse ontem do meu pai me falando preu estudar pra ser alguem na vida. E disse coisas sobre o caso, era Aracelli e Ana Angélica, dizia que não ia dar em nada, lembro dos seus discursos sobre honestidade, de como deverímamos ser e agir)
Eu desejei este lugar,
Quis agir da mesma forma,
Aceitar os mais iguais!
Eu desejei o meu lugar,
Vou agir da minha forma,
Quero coisas mais reais!
(As 2 ultimas estrofes cantadas Simultaneamente)
(Tempos depois o meu velho se foi e descobri que saber não bastava...)
Tente conceber! Tente
Vislumbrar!
Que é tão igual quanto os
Que odeia!
Tudo isso vai mudar?
(...Precisava ser alguem e ter um nome, um brilho ou um padrinho, não abri a mão do que aprendi para que ser o que eles desejavam que eu fosse, por isso prometi fazer alguma coisa, por todos que sejam honestos, por mim, por La Madre, minha avó, meus amores, amigos, irmãos e por todos que sofrem neste estado do Espírito Santo)
Contamos com a sua participação e disposição em caminharmos juntos para a expansão do Reino de Deus na cidade do Rio de Janeiro.
Tenho percebido que Deus tem dirijido um forte clamos por justiça tanto aqui no Brasil quanto em outras partes do mundo. Os ocupa Wallstreets da vida e outros movimentos, bem como as inconformismos de pessoas da igreja que Deus tem trazido de dentro pra fora como Amós.
Quando virem o Reino então se dirá:
... "e justiça para todos".
Amém!!
Jorge Tonnera Jr.
Para mais informações:
Tel: (21) 2283-2285
Email: info@jocumrio.org.br O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.
...e justiça para todos..
..
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Pastoral da Terra divulga lista de 30 ambientalistas ameaçados de morte
A PAstoral da Terra divulgou uma lista de 30 ambientalistas ameaçados de morte. Oremos pelos perseguidos na causa da terra. A pastoral da Terra está fazendo seu papel, sendo agente do Reino ao expor que há pessoas que estão sendo perseguidas e apoiar os perseguidos de um mundo brasileiro que poucos conhecem e os governos negligenciam. “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus” (MT 5:10). “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (RM 14:17). Pastoral da Terra divulga lista de 30 ambientalistas ameaçados de morte
Cremos no que está escrito: "venha o Teu Reino e seja feita a Tua vontade" (Mateus 6:10-11). Mas também temos que crer que essa vontade está em nós e que como portadores dessa vontade não podemos nos calar diante das injustiças. Nós somos a ferramenta desse Reino. Temos que de alguma forma procurar participar da justiça. Suspiramos pelo Reino de Deus. Mas temos que ser conscientes que renunciar a si mesmo, tomar, cada dia, a sua cruz faz parte disso.
Leiam a notícia:
Por clipping
A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgou, nesta semana, uma lista com o nome de 30 pessoas que trabalham no campo e de ambientalistas que já sofreram ameaças de morte ou sobreviveram a atentados violentos no país, entre os anos de 2000 a 2010.
De acordo com a organização, a lista completa apresenta 165 pessoas que foram ameaçados de morte mais de uma vez. Uma outra lista, que foi apresentada para o governo Federal, tem 1.855 nome de trabalhadores no campo que sofreram algum tipo de ameaça no período. Destes, 207 receberam mais de uma ameaça e 42 foram assassinados.
Segundo a CPT, o Ministério da Justiça informou que teria condições de oferecer proteção policial apenas para os 30 ambientalistas que já sofreram um atentando, considerados os mais graves.
Em menos de uma semana, quatro pessoas morreram na Região Norte, três delas no Pará e uma em Rondônia. No Pará, a morte de um agricultor, segundo a Polícia local, não tem relação com a morte de ambientalistas na mesma região. Há possibilidade de elo do agricultor com tráfico de drogas. No entanto, a Delegacia de Conflitos Agrários ainda investiga o caso antes de descartar que o assassinato tenha ocorrido por questão agrária.
Nesta segunda-feira (30), para conter os conflitos agrários na Região Norte do país, o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, analisou uma lista com 125 nomes feita pela CPT de ambientalistas e trabalhadores rurais ameaçados de morte. (Fonte: Glauco Araújo/ G1)
Cremos no que está escrito: "venha o Teu Reino e seja feita a Tua vontade" (Mateus 6:10-11). Mas também temos que crer que essa vontade está em nós e que como portadores dessa vontade não podemos nos calar diante das injustiças. Nós somos a ferramenta desse Reino. Temos que de alguma forma procurar participar da justiça. Suspiramos pelo Reino de Deus. Mas temos que ser conscientes que renunciar a si mesmo, tomar, cada dia, a sua cruz faz parte disso.
Leiam a notícia:
Por clipping
A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgou, nesta semana, uma lista com o nome de 30 pessoas que trabalham no campo e de ambientalistas que já sofreram ameaças de morte ou sobreviveram a atentados violentos no país, entre os anos de 2000 a 2010.
De acordo com a organização, a lista completa apresenta 165 pessoas que foram ameaçados de morte mais de uma vez. Uma outra lista, que foi apresentada para o governo Federal, tem 1.855 nome de trabalhadores no campo que sofreram algum tipo de ameaça no período. Destes, 207 receberam mais de uma ameaça e 42 foram assassinados.
Segundo a CPT, o Ministério da Justiça informou que teria condições de oferecer proteção policial apenas para os 30 ambientalistas que já sofreram um atentando, considerados os mais graves.
Em menos de uma semana, quatro pessoas morreram na Região Norte, três delas no Pará e uma em Rondônia. No Pará, a morte de um agricultor, segundo a Polícia local, não tem relação com a morte de ambientalistas na mesma região. Há possibilidade de elo do agricultor com tráfico de drogas. No entanto, a Delegacia de Conflitos Agrários ainda investiga o caso antes de descartar que o assassinato tenha ocorrido por questão agrária.
Nesta segunda-feira (30), para conter os conflitos agrários na Região Norte do país, o secretário-executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, analisou uma lista com 125 nomes feita pela CPT de ambientalistas e trabalhadores rurais ameaçados de morte. (Fonte: Glauco Araújo/ G1)
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Martin Luther King e Racismo Ambiental
Esta semana o Reverendo Dr. Martin luther King Jr completaria 82 anos.
Gosto das fotos dele, pois é como se estivesse distante e ao mesmo tempo perto, como se estivesse olhando para o futuro realmente, mas dentro do presente. Seu discurso mais
famoso e lembrado é "Eu Tenho Um Sonho". Viveu a realidade desde cedo
do que é ser excluído e oprimido. Soube o que é não ter direito ou ter menos direitos do que outros que por alguma autoridade autoatribuída rouba o direito do outro.
Representante verdadeiro do Reino dos céus, foi um pastor protestante da igreja batista, que buscou mudar a realidade de um país através de campanha de não violência por meio do amor ao próximo.
Doutorado em filosofia pela Universidade de Boston, a cosmovisão cristã em que todos foram criados iguais por Deus estava sempre presente em seus atos e discursos, pois aquele que opta por Jesus deve ter um grande respeito em relação à integralidade da vida. É como King disse: "O ser humano deve desenvolver, para todos os seus conflitos, um método que rejeite a vingança, a agressão e a retaliação. A base para esse tipo de método é o amor." Dentre sua militância, 381 dias co-liderou um boicote aos ônibus de Montgomery por conta da segregação racial nos ônibus. Com isso a Suprema Corte amaricana decretou a incostitucionalidade do decreto que exigia segregação racial em ônibus, permitindo negros e brancos usarem o mesmo ônibus com os mesmos direitos.
King participou de várias marchas, algumas das suas lutas objetivavam conseguir o direito ao voto, o fim das discriminações no trabalho e a justiça sócio-econômica, quanto a esse último destaque para a chamada Campanha dos Pobres, que tinha por objetivo principal garantir ajuda para as comunidades mais pobres do país.
Em 11 anos ( 1957 - 1968 ), viajou por vários lugares, mobilizante e chamando a atenção com seus discursos. Destaque para a mobilização de mais de 200.000 pessoas em marcha pelo fim da segregação racial em Washington. Ocasião em que "Eu Tenho um Sonho" (I have a dream), seu discurso mais famoso foi assistido por milhares de pessoas. Como
resultado dessas manifestações foram criadas a lei dos Direitos Civis, de 1964, e a lei dos Direitos de Voto, de 1965.
resultado dessas manifestações foram criadas a lei dos Direitos Civis, de 1964, e a lei dos Direitos de Voto, de 1965.
Martin Luther King morreu em 1968, assassinado a tiros, quando em
Memphis por ocasião estava num hotel, onde prestaria apoio para uma marcha em favor da greve de coletores de lixo.
Memphis por ocasião estava num hotel, onde prestaria apoio para uma marcha em favor da greve de coletores de lixo.
A face do racismo vai sendo desmascarada. Quando a degradação ambiental se torna Racismo, há um racismo ambiental
Da experiência dos movimentos sociais dos negros e minorias dos Estados Unidos por direitos civis, e após alguns casos emblemáticos ligados à contaminação ambiental em locais onde grupos menos favorecidos residiam, como o caso de 1978 (14 anos após o presidente Lyndon Johnson declarar guerra contra a pobreza), do conjunto
habitacional de classe média baixa junto a um canal aterrado com dejetos químicos em Love Canal (NY), o movimento negro conseguiu com que o US General Accounting Office (GAO), conhecido como "o braço investigativo do Congresso", fizesse uma pesquisa, por intermédio da qual se acabou descobrindo que a distribuição espacial dos depósitos
de resíduos perigosos e indústrias muito poluidoras estavam relacionadas a distribuição espacial de grupos pobres, ou seja, locais com muitos negros, já que a maioria dos pobres nos EUA é negra, assim sendo uma forma de apartheid.
No entanto o racismo ambiental não apenas tinha como vítimas os negros, mas locais como as zona de ocupação latina do leste de Los Angeles ou mesmo as reservas indígenas, bem como mulheres, ou seja, os pobres de um modo geral, através da poluição nas zonas de moradias, no trabalho ou desestabilização da vida com a implantação de grandes
projetos.
Robert Bullard, um negro, foi considerado pai do movimento de justiça ambiental, a partir do esforço de luta em 1982, no caso de um Aterro de PCB no condado de Warren, população majoritariamente negra na Carolina do Norte.
Os termos de racismo ambiental e justiça ambiental surgiram dessa oposição. Residentes pediram o auxílio da United Church of Christ ( Igreja Unida de Cristo) através da Comissão para justiça racial. Na liberação do relatório em 1987, o Reverendo Benjamin Chavis, diretor executivo de CRJ, inventou o termo “racismo ambiental” para o fato de intencionalmente selecionarem comunidades da cor para locais de eliminação dos resíduos e a fábricas poluidoras. A Igreja Unida de Cristo continuou a lutar pela justiça ambiental, e em 2007 liberou um relatório novo referente aos vinte anos da luta.
Nesta história toda vale destacar também a participação do branco Ken Ferruccio, um instrutor de Inglês que tinha King como referência. Ele aplicou o pensamento de Martin Luther King a essa questão, articulou o movimento.
Centenas de cidadãos marcharam protestando, e mais de 550 pessoas foram presas na que foi a maior exposição de desobediência civil no sul do país desde que o Dr. Martin Luther King, Jr., marchou com milhares de pessoas através do Alabama.
Com o apoio de igrejas Ken recebeu um número de bolsas que financiaram a Ecumênica Coligação de Liderança Ambiental, cujo objetivo era incentivar os líderes da igreja a agir em seu compromisso de gestão ambiental, e exortando o Governador Hunt para desintoxicar o aterro de PCB.
A ligação entre questão ambiental e a social foi por anos substimadas, algo que é um erro de compreensão, haja visto que trata-se de uma coisa só. Ainda que hoje também ahja preconceitos quanto a associação, o é de uma forma menos expressa, ficando mais presente aos velhos paradigmas de políticos jurássicos que ainda não foram extintos.
A noção de “justiça e racismo ambiental” exprime uma evolução da consciência e da militância no campo dos direitos civis como uma das brilhantes frases de Martin Luther King: “O que me preocupa não é o grito dos violentos, nem o barulho dos corruptos, dos desonestos, dos sem-caráter ou dos sem-ética. O que me preocupa é o silencio dos bons.”
Eu gostaria de parafrasiar o grande discurso de Martin Luther King "I have a dream" (Eu tenho um sonho):
Eu tenho um sonho...
Eu tenho um sonho que um dia vou ver pessoas compartilhando o mesmo espaço onde sua condição social, sua cor, sexo, etnia ou credo não seja motivo de exclusão.
Eu tenho um sonho que um dia as encostas dos morros não sejam mais ocupadas, e que essas pessoas e seus descendentes, os quais viviam nelas possam morar onde pudessem realmente escolher um lugar seguro.
Eu tenho um sonho que um dia as águas não vão cobrir mais o território, cultura e os direitos de povos em favor de grupos que pedem modernidade e benefícios duvidosos.
"Nós não estaremos satisfeitos até que a justiça corra como água e a retidão como um caudaloso rio." (Martin lutther King)
"...toda realidade depende de fundamentos morais. Em outras palavras, que este é um universo moral, e que há leis morais suportando o universo tanto quanto leis físicas." Martin Luther King
“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.” (Jesus Cristo – Mt 5:9).
Assinar:
Postagens (Atom)
















