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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Alunos em escola com cardápio vegetariano tiveram aumento de rendimento.

Recentemente uma notícia foi veiculada e me lembrou muito uma parte de uma narrativa do livro do profeta Daniel.

Texto Base: Daniel 1
v. 5 - O rei designou-lhes uma porção diária de comida e de vinho da própria mesa do rei. Eles receberiam um treinamento durante três anos, e depois disso passariam a servir o rei.
v. 8 - Daniel, contudo, decidiu não se tornar impuro com a comida e com o vinho do rei, e pediu ao chefe dos oficiais permissão para se abster deles.
v.11 - Daniel disse então ao homem que o chefe dos oficiais tinha encarregado de cuidar de Daniel, Hananias, Misael e Azarias:
v.12 - Peço-lhe que faça uma experiência com os seus servos durante dez dias: Não nos dê nada além de vegetais para comer e água para beber.
v.13 - Depois compare a nossa aparência com a dos jovens que comem a comida do rei, e trate os seus servos de acordo com o que você concluir.
v.14 - Ele concordou e fez a experiência com eles durante dez dias.
v. 15 - Passados os dez dias eles pareciam mais saudáveis e mais fortes do que todos os jovens que comiam a comida da mesa do rei.
v. 16 - Assim o encarregado tirou a comida especial e o vinho que haviam sido designados e em lugar disso lhes dava vegetais.
v. 17 - A esses quatro jovens Deus deu sabedoria e inteligência para conhecerem todos os aspectos da cultura e da ciência. E Daniel, além disso, sabia interpretar todo tipo de visões e sonhos.
v. 18 - Ao final do tempo estabelecido pelo rei para que os jovens fossem trazidos à sua presença, o chefe dos oficiais os apresentou a Nabucodonosor.
v. 20 - O rei lhes fez perguntas sobre todos os assuntos nos quais se exigia sabedoria e conhecimento, e descobriu que eram dez vezes mais sábios do que todos os magos e encantadores de todo o seu reino.

Segue a notícia

Fonte: http://www.ecodesenvolvimento.org/posts/2013/outubro/primeira-escola-a-adotar-cardapio-100-vegetariano?utm_source=dlvr.it&utm_medium=facebook#ixzz2iPicOKuI 

Primeira escola a adotar cardápio 100% vegetariano comemora rendimento dos alunos

Crianças apresentaram melhor desempenho depois que a escola passou a oferecer refeições mais saudáveis

Enquanto o Congresso Nacional está para aprovar no Brasil um projeto de lei que proíbe as cantinas das escolas de vender bebidas com baixo teor nutricional ou alimentos com quantidades elevadas de açúcar, de gordura saturada, de gordura trans ou sódio, uma escola pública de Queens, nos Estados Unidos, já colhe os frutos por ter sido a primeira do país a adotar um cardápio 100% vegetariano.

A medida implantada no início de 2013 faz com que as cantinas e o refeitório ofereçam hambúrgeres e cachorros-quentes de tofu, saladas e outros pratos saudáveis para as crianças. O Comitê de Médicos para uma Medicina Responsável reconheceu a escola por seus esforços em prol de um alimentação saudável para os estudantes.

Só para se ter ideia, quase um terço das crianças nos Estados Unidos encontra-se em risco de desenvolver doenças que poderiam ser evitadas, como diabetes e problemas cardíacos, devido ao excesso de peso ou mesmo já por conta da obesidade.

Mudanças positivas

"Houve muitas mudanças positivas na escola: os alunos mostram mais atenção, energia e um melhor desempenho acadêmico", destacou o diretor do colégio, Bob Groff, ao jornal Daily News. "Acreditamos que os alunos melhoram seus desempenhos quando contam com escolhas alimentares mais saudáveis e são informados sobre elas", acrescentou.

Refeitório da escola capricha nas refeições saudáveis

Para o diretor da escola, o mais impressionante é que, embora os alunos estejam autorizados a trazer de casa refeições embaladas que contenham carne, um total de 90% escolhe os vegetais ricos em proteínas que integram as refeições do refeitório. "Isso é incrível. Tanto as crianças como os pais merecem grandes elogios, pois muitas escolas desistem das dietas saudáveis quando os jovens fazem queixas", argumentou Groff.

Mas a transformação não ocorreu da noite para o dia. Os funcionários da escola trabalham duro para garantir que as crianças entendam melhor essas escolhas, ou seja, há todo um trabalho de educação. Todos os alunos frequentam aulas de nutrição semanais que têm a saúde como foco. 

O EcoD noticiou em julho que os Estados Unidos proibiram os alimentos gordurosos nas máquinas de venda automática das escolas. A ideia partiu do Departamento de Agricultura e as instituições têm até junho de 2014 para se enquadrar as regras estabelecidas. No lugar de chocolates, salgadinhos e doces, todas as máquinas deverão disponibilizar cereais integrais, alimentos que contenham frutas, verduras, laticínios ou proteínas (carne, feijão, frutos do mar, ovos ou nozes) como ingredientes principais.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Canto o Natal com Bob Dylan - The Times They Are a Changin

Sim, eu olho para o Natal quando ouço músicas que mexem com a essência do ser humano, quando me levam a olhar para um outro tempo sem sair deste em que vivo, sem deixar de olhar para o mundo em que estou, mas que apontam para um futuro novo, próspero, promissor e desenvolvido. Por isso eu canto o Natal, por isso eu canto Bob Dylan "The Times They Are A-Changin'". O tempo ruma a uma mudança extraordinária muito além do que os homens podem prever. A loucura de hoje se quebrará e dará lugar a justiça de um Reino de boa notícia, uma boa nova. Por isso cantem os cantores, escrevam os poetas, preguem os pregadores e profetizem os profetas como fez Bob Dylan.


Tradução de "The Times They Are A-Changin'":

The Times They Are A-Changin' (Os Tempos Estão Mudando)

Venha pessoal
Por onde quer que andem
E admitam que as águas
Á sua volta aumentaram (cresceram)
E aceitem que logo
Estarão cobertos até os ossos
Se seu tempo para você
Vale a pena ser poupado
Então é melhor começar a nadar
Ou irá se afundar como uma pedra
Pois os tempos estão mudando
 
Venham escritores e críticos
Aqueles que profetizam com sua caneta
E mantenham seus olhos abertos
A chance não virá novamente
E não falem tão cedo
Pois a roda ainda está girando
E não há como dizer
Quem será nomeado
Pois o perdedor de agora
Mais tarde vencerá
Pois os tempos estão mudando
 
Venham senadores, congressistas
Por favor escutem o chamado
Não fiquem parados no vão da porta
Não congestionem o corredor
Pois aquele que se machuca
Será aquele que nos impediu
Há uma batalha lá fora
E está rugindo
E logo irá balançar suas janelas
E fazer ruir suas paredes
Pois os tempos estão mudando
 
Venham mães e pais
De toda a terra
E não critiquem
O que não podem entender
Seus filhos e filhas
Estão além de seu comando
Sua velha estrada
Está rapidamente envelhecendo
Por favor saiam da nova
Se não puderem dar uma mãozinha
Pois os tempos estão mudando
 
A linha foi traçada
A maldição foi lançada
E lento agora
Será o rápido mais tarde
Assim como o presente agora
Será mais tarde o passado
A ordem está
Rapidamente se esvaindo
E o primeiro agora
Será o último depois
Pois os tempos estão mudando

OBS.: Em Watchmen, o filme, a mesma música na versão de outrem, também há um apelo forte em relação a um questionar nossa sociedade.
 
Segue abaixo versão do Eddie Vedder tocando.
 
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domingo, 30 de setembro de 2012

Amós, O Código Florestal e a Bíblia.

Os profetas tem a missão de nos direcionar e nos lembrar de Deuteronômio. Este é um dos livros do Antigo Testamento que possuem estatutos, leis e juízos, ou como dizem os judeus, simplesmente a Lei (dada de Deus ao homem). Necessário dizer que não uma lei que visava o proibir, mas uma outra maneira de se viver, sem oprimir, sem ser injusto, que visa a vida em primeiro lugar. Deuteronômio é a releitura de várias das leis, estatutos e juízos anteriormente já proferidas por Moiséis com o intuito de mostrar aos hebreus a importância e as consequências de suas escolhas, às quais seriam mediadas perante tais leis. Assim sendo, é o livro da lembrança da Lei, afim  da escolha da vida ou da morte às quais estão relacionadas diretamente e indiretamente às nossas escolhas que são capazes de repercutir em todos os níveis de relação. Cerca de 90% da lei era de statutos sobre relações de convivência em termos de vida seja consigo ou em sociedade e com o ambiente, tais como tempo de uso do solo, pagamento salarial, relação
trabalhista etc. Somente os poucos 10% eram regras de cerimonialismo religioso formal propriamente dito.

Lemos no capítulo 28 do Deuteronômio que ao seguir tais estatutos, ou seja, as relações ecológicas (ambientais, sociais e econômicas), e se o povo vivesse
essas relações de maneira justa, seriam benditos no campo e na cidade (verso 3), e o fruto do ventre, ou seja, os filhos, seriam abençoados e benditos tal como o fruto da terra, bem como os animais. A saber vemos uma interconexão causal entre o ser humano e o meio ambiente, mais precisamente naquele contexto o campo, bem como a biocenose (comunidade viva) dele. Entendemos que o cuidado da criação está acompanhado do cuidado do ser humano, e o cuidado do ser humano está acompanhado do cuidado da criação. Sendo assim uma convivência comum que nos destina ao senhorio (domínio outorgado) da terra, e ao senhorio da humanidade e de toda criação ao Senhor da vida, que é Deus, pois que todas essas leis visam a preservação da vida, a qual é manifestação de Deus e expressa sob diversas formas a glória desse Ser que a tudo sustenta pelas leis e poder que nos convida a sermos co-criadores, ou simplesmente desenvolvedores da vida...

A reconciliação da vida em todos os seus estratos, em todos os níveis relacionais, sendo o todo sistêmico compreendendo o aspecto pessoal, social, econômico e ambiental, e assim sendo ecossistêmico, revelado também pela glória de Deus que a Teoria ecossistemica nos leva a enchergar um mundo de diversidades que se intercruzam e se dependem, se
relacionam, se complementam, se protegem, se desenvolvem e necessitam uma da outra, coevoluem, se transformam...

Daí, conforme dito, Deuteronômio era uma base e referência para se conviver e habitar em um lugar num tempo e espaço comum. De tempos em tempos o povo e/ou suas autoridades se desviavam das leis, estatutos e juízos de Deus, e por isso o próprio Deus fazia com que homens levassem o povo a andar devolta segundo a Lei. Tais homens qforam chamados para denuciar as injustiças e chamar ao arrependimento, anunciar julgamento e consolo. Estes eram os profetas. Um desses homens era Amós, homem que exerceu o chamado para profetizar, mas nunca se colocou tal chamado e o que fez como um título. Nas suas próprias palavras ele mesmo diz que não era profeta nem filho de profeta, e foi chamado do seu campo para dizer o que tinha que dizer apenas.
Amós era um proprietário de terra, e ao que se entende segundo implícito no texto era uma pessoa de posse. Mais especificamente um agropecuarista, pois diz o texto que ele criava gados e cultivava sicômoros. Sendo assim era um homem que conhecia e lidava com relações sociais, econômicas e ambientais. Amós sabia, por exemplo, que não deveria semear 2 sementes do mesmo tipo na mesma terra, conformo prescrito pela Lei e lembrada em Deuteronômio, pois tal forma de cultivo propiciaria com o passar dos anos a perda da variabilidade genética daquela planta. Hoje sabemos disso através da ecologia, a qual revela por seus estudos científicos a importância da conservação das sementes chamadas crioulas para que não gera perda de informação do ambiente local da planta possibilitando praga, e assim perda de lavoura e gerando pobreza e por conseguinte injustiças.
De fato é justamente as Injustiças, especialmente as sociais, o centro do oráculo de Deus no livro de Amós. Injustiças sociais, as quais levam Israel à ruína.
Dentro dessas injustiças se apresenta como principais as relacionadas a economia: ganância e enriquecimento ilícito, e sistema econômico administrativo que propiciava concentração de renda . A
crítica de Deus por intermédio de Amós tem nome e é endereçada: os ricos e poderosos, pessoas influentes e que oprimiam os pobres e ignorantes.
Poucos com muito e muitos com pouco, sendo os poucos exercendo grande pressão em relação aos muitos. Valores ilícitos e balanças que impedem de pobres comprarem. Comerciantes ladrões e os atravessadores sem escrúpulo que deixavam os pobres sem possibilidades de comprar e vender as mercadorias por preço justo.
Várias são as pessoas oprimidas tais como mulheres empregas, devedores, escravos,  trabalhadores que sustentam o Estado. No entanto chamo atenção aqui, até pelo que especificamente estou tratando, o fato de uma das principais vítimas sendo o pequeno camponês, aquele com o mínimo para sobreviver. Este sendo um que corre sério risco de perder casa, terra e liberdade, dentro d eum cenário de uma política expansionista, pois que Israel crescia em termos econômicos, mas não em termos de justiça. Destaque também em relação a crítica contra o orgulho e as falsas seguranças.

A fome e a falta de chuva e a consequente falta de água para beber são relatados no livro como um aviso de Deus, dentre outros vários chamados para arrependimento. Ou seja, a fome e a sede não são o último estado. O último estado degradante é uma destruição, a ruína total.
Num cenário não muito diferente vemos o Brasil, país extramamente injusto em relação as questões de terra e relações ambientais. No cenário local e nacional a perda de  árvores resulta em fome e em sede, justamente pela falta dos serviços ambientais gerados por não deixar uma quantia representativa mínima de árvores. Nosso país ainda hoje não fez uma reforma agrária. Vivemos numa nação onde poucos tem vastas áreas de terra, os chamados latifúndios, e muitos tem poucas terras, sendo estes últimos exatamente os que alimentam, abastecem a nação. Estes tem sido pressionados pelos latifundiários a serem contra o Código Florestal, os quais atribuem a este instrumento legal que protege florestas uma impossibilidade de plantar e produzir o suficiente para que se tenha renda para estes agricultores e alimento para a sociedade. No entanto sabemos que existem alternativas de manejo e formas que possibilitem tanto a produção quanto a conservação, práticas relacionadas a chamada agroecologia. 

Pode-se plantar comida com árvores. Além do que devemos nos lembrar que árvores ajudam a preservar cursos d'água, bem como influenciar no clima local em relação ao calor e chuva. Tais serviços, os quais são garantia de manutenção da produção de alimentos, a partir da conservação e reserva de determinadas faixas de extensões verdes, uma vez que tais dispositivos legais visam a continuidade de condições e serviços edáficos e climáticos, serviços que conservam e protegem rios, os quais são necessários para abastecer os plantios, serviços que influenciam a evapotranspiração, a qual permite a
chuva, serviços que permitem a troca de nutrientes por meio da produção e disperção de folhas que ciclam os nutrientes do solo, bem como a atração e permanencia da presença de animais dispersores e polinizadores, Leia-se APPs, e reserva legal. Ressalta-se também o triste fato de que Estes que produzem com suas poucas terras e alimentam nossas casas muitas vezes vivem presos nas mãos de atravessadores que ligam o agricultor ao comprador secundário, os quais ditam os valores a um preço exploratório. Vemos também aqui o império das monocultoras, às quais destroem ao longo do tempo os nossos solos, alteram a biocenose, gerando pragas por conta da ausência de determinados seres, e numa retroalimentação de morte , um ciclo de maldição, uma vez que o solo já débil
necessita de correções e o uso de adubos químicos, estes alteram o metabolismo das plantas acabam atraindo pragas, que exigem agrotóxicos.

Os pequenos agricultores reféns de um mesmo sistema seguem muitas vezes práticas daninhas que necessitam de uso contínuo de agrotóxicos, os quais prejudicam a saúde
dos que se alimentam desses alimentos, bem como dos agricultores que aplicam tais venenos. Veja como cada ação compromete a um nível de relacionamento, o qual vai comprometendo os níveis subsequentes. Muitas vezes num ciclo de destruição os agricultores (leia-se aqui pequenos proprietários de agricultura familiar) são
expulsos pelo próprio sistema que exigiu a destruição das áreas que serviam para segurança bem como do sistema de plantio, pois que a terra se torna sem recurso e o homem da terra se vê sem nada e foge do seu próprio cenário em busca de nova
oportunidade, a qual muitas vezes só acentuam seu problema ficando presos em cidades opressoras, desqualificado e desempregado fazendo agora parte de um exército de reserva do capitalismo. No caso os poderosos que oprimem os pobres são os ricos, os empresários, os religiosos, os políticos, os quais se manifestam sob um coletivo de agregados entitulados "bancada". Sem querer polarizar tal questão complexa, mas sem deixar de dizer o que anos acontece, que é o interesse privado sobrepondo o interesse coletivo, deixando de a vida ser em primeiro lugar, há um grupo que vive de oprimir.
Em Amós, o cenário do Reino do Norte de Israel é muito parecido com o nosso aqui no Brasil, sendo tais poderosos classes como as nossas enumeradas acima.
Ao final das denúncias e juízos no livro de Amós, um novo cenário esperançoso e belo anima-nos a buscármos a justiça. A beleza apocaliptica do final do livro de Amós se reflete na vida em função da vida, a qual trabalha e gera vida. Vinhas e colheitas se transbordando, pessoas em suas terras e que não perderiam seu espaço de vida. Uma continuidade perpétua, assim como perpétuo é o amor de Deus, que sempre leva ao estado original pela graça, ao estado de vida, potencializada e que desenvolve.
O Deuteronômio e o livro de Amós nos mostram que o Código Florestal é um assunto de todos, sejamos nós pessoas do campo ou da cidade, sejam agricultores ou aqueles que não plantam comida.
Particularmente quem lê Amós não pode sair o mesmo depois de terminar a sua leitura. Todos por meio desse livro somos
convidados, recebemos um convite racional, pessoal e coletivo, pessoal e nacional de profetizármos contra a injustiça social, ou seja, ir contra esse movimento destrutivo que degrada o homem e seu espaço de vida, seu meio, sua cultura, sua identidade. Amós recebeu um chamado pessoal de Deus, o que é o motivo inicial de seu profetizar. No entanto, Amós viu nas visões o que estava acontecendo com a nação e o povo, o que também o motivou a sair de seu lar e ir profetizar. Teve misericórdia e compaixão pelo próximo. Amou a Deus em primeiro lugar e depois amou ao próximo. E nós??? Nós vemos quase que diariamente imagens e reportagens que nos mostram o que está acontecendo no campo, na terra, na cidade. Tais reportagens e imagens não deveriam ocupar de certa forma a mesma função das visões que Amós teve e nos motivar a clamármos e agirmos por amor as pessoas e como repostas ao desejo de justiça de Deus, de um Reino que não feito de comida nem bebida, mas de paz, justiça e alegria no Espírito Santo?

nEle q é Senhor e nos chama a cuidármos de nossa terra nosso campo, nossa cidade a nossa nação.

Jorge Tonnera Jr
Biólogo especialista em Gestão Ambiental e Educador Ambiental
Membro do Coletivo Igrejas Ecocidadãs - RJ
tonnerapunk@yahoo.com.br

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O conceito ecológico de Deus e a corrupção e injustiça humana

Amós 4:8:  E andaram errantes duas ou três cidades, indo a outra cidade para beberem água, mas não se saciaram; contudo não vos convertestes a mim, disse o SENHOR. 
Amós. 4:13: Porque eis aqui o que forma os montes, e cria o vento, e declara ao homem qual seja o seu pensamento, o que faz da manhã trevas, e pisa os altos da terra; o SENHOR, o Deus dos Exércitos, é o seu nome.

Amós 9:6: Ele é o que edifica as suas câmaras superiores no céu, e fundou na terra a sua abóbada, e o que chama as águas do mar, e as derrama sobre a terra; o SENHOR é o seu nome.



Interessante Amós finalizar o início de sua profecia apresentando Deus, e particularmente apresentar Deus através do conceito de quem ele é, ou seja, o Criador de tudo, e ao longo da profecia anunciando Deus como mantenedor desse todo. Amós, que era criador de gado e cultivador de sicômoros reconhecia Deus como sendo aquele que criou tudo que existe, nos cerca e nos forma, o que é interessante sobretudo quando reconhecemos que ao longo de toda a profecia no livro de Amós o teor de sua mensagem é um grito contra as injustiças sociais e a corrupção. Isso porque em síntese podemos dizer que as corrupções que começam em nossa mente, e por vezes se associam, se expressam através das nossas cobiças e atitudes, formam hábitos e definem nosso caráter, e isso gera distorção em diversos níveis relacionais. Nossas relações são influenciadas seja no nível pessoal, social, econômico e ambiental, em resumo um disparate ecológico. Então vemos no percurso das profecias as denúncias e as visões, as quais se referem a desde destruições a estiagem prolongada. Sendo assim, tudo o que foi criado por Deus acaba sendo impactado pelo problema da corrupção e injustiça. O que explora quer mais, o que é explorado precisa de recurso para viver e acaba explorando o meio, e assim o pobre é empurrado contra o ambiente que vive ou a si próprio. O que explora o próximo explora o ambiente também e cria valores econômicos acima do real. Inviabiliza justas trocas, consome mais do que precisa e escasseia os que também precisariam ter sua parte.


Sendo Deus criador, mas também um Deus amoroso ele providencia uma transformação social através de si mesmo enviando o Filho do Homem (Jesus Cristo) anos mais tarde, que conforme Amós pronuncia "juntará as brechas". Sim, o Messias juntarás as brechas das relações quebradas pela corrupção. Em Cristo as injustiças serão cessadas e as relações com toda a criação reerguidas desde o nível intrapessoal (Deus e eu) a um nível socioeconômico (Eu e o próximo e nossas trocas) e nossa convivência relacional no mesmo espaço de vida e entre os diversos espaços de vida (ecossistemas e ambientes) (Eu e o meio ambiente). Assim, o fim da profecia é uma vida ressocializada, ou melhor, ecologicamente estável, sob uma nova ética, mais precisamente a verdadeira ética, a ética do amor, sendo essa expressa desde antes, desde os primórdios, mas que em Jesus ela foi traduzida e transfigurada/vivenciada e assim transmitida.
 
Nele, que é a vida integral e integrada,
Jorge Tonnera Jr

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A voz profética de Bono Vox


A voz profética de Bono Vox

Estrela do rock e ativista é inspirado pela Bíblia.
Bono Vox, vocalista do U2: "Eu aprecio o absurdo de ser um rock star e citar as Escrituras".
Enquanto toda celebridade parece ter uma causa, poucas estrelas se inspiram nas escrituras. É o que deixa Bono, líder do U2, à parte. Esportivo, com sua marca nos óculos, a estrela do rock falou para um auditório de mais de três mil pessoas na National Prayer Breakfast February 2, implorando para que respondessem a responsabilidade urgente dos Estados Unidos de ajudar os necessitados.

Duas passagens dirigiram a sua mensagem. Bono diz: a chamada em Levítico 25 para um Ano do Jubileu e dívida de perdão, e o comando em Isaías 58 para dividir com o faminto e prover para o pobre.

“Assim disse o Senhor: ‘Traga o sem-teto para a casa. Quando você vir o nu, cubra-o, então a sua luz romperá como a alva e a sua cura apressadamente brotará, então o Senhor será a sua retaguarda’”, Bono citou Isaías 58,7 e 8.

“Eu aprecio o absurdo de ser um rock star e citar as Escrituras”,Bono brincou com o seu típico estilo singelo em uma reunião privada com meia dúzia de jornalistas seguindo o seu endereço. Usando jeans, jaqueta de veludo marrom e uma camisa preta, o rockeiro estava tão relaxado que comeu frutas e muffins enquanto respondia questões de jornalistas. Ele falou sobre seu trabalho na África, o papel da igreja e alguns versos favoritos.

“É completamente a situação profética desse momento”, exclamou, se referindo a Isaías 58,7-8. “O que realmente sugere é que se nós fizermos o negócio de Deus, Deus estará mais em nós. Para usar o coloquial, é Deus sendo nossa retaguarda. Literalmente significa que Deus irá guardar as suas costas!”, explicou Bono.

Razões para morrer- Bono disse que existem diversos problemas quando uma nação religiosa ignora o negócio de Deus, particularmente na luz do crescimento do antiamericanismo. “A religiosidade desse país é ofensiva para muitas pessoas na Europa porque eles vêem hipocrisia no coração disso”, Bono diz. “Eles vêem que em todas as conversas, oração de café-da-manhã, e religiosidade evidente, essas pessoas estão dando o mínimo do mínimo”.

Respondendo como esperava que os Estados Unidos contestariam o seu apelo de justiça pelos pobres e oprimidos da África, Bono apelou para a responsabilidade patriótica e cristã.

“Imagine uma suposta sociedade cristã com a capacidade absoluta de salvar vidas na África que falha em agir”, diz o líder do U2. “Você pode explicar isso para os detentores do orçamento, mas não pode explicar para Deus. Ele não vai aceitar essa desculpa, e a história também não. Penso que está crescendo um movimento que se define pelo jeito que essas questões são tratadas, particularmente no tempo do conflito, é tão poético na verdade... Assim você demonstra os valores da América”, conclui Bono.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A voz profética do Punk Rock

O Punk é um estilo de vida, um estilo de produção cultural, associado diretamente ao rock n roll. O punk é baseado em ideias cujo princípio mais famoso e maior gerador de cultura foi o " faça-você-mesmo". Dentro do contexto da contracultura o punk é uma subcultura. Uma subversão da cultura de forma provocativa e como fonte de algo libertário. Essa cultura expressa um anseio de todo ser humano. Por isso mesmo me identifico com o Punk e como cristão não disassociei a isso. Vejo que a mensagem de Jesus Cristo, o evangelho de um Reino sem lei, cujo única lei é o amor, como expõe Paulo, o apóstolo do mundo não judeu, o fim da Lei é o amor, que interpreto como "para aqueles que amam não há necessidade de lei. Não exestem leis para aqueles que amam". Diga-se de passagem o verdadeiro amor e não os amores fakes que o mundo propõe. O evangelho de Cristo, a boa nova, nos noticia que esse anseio libertário humano tem sentido e que correponde ao relacionamento Deus-homem, e que quando este homem encontra-se com Jesus, o Deus que veio ao homem, resolve levar essa ideia de liberdade, verdadeira liberdade, a qual não é ausência de responsabilidade, mas reencontrar identidade e amar. 
Nesse mês de Outubro, teremos dois shows de dois grandes nomes da cena punk rock internacional. Duas bandas que seguem seus estilos musicais punk. A primeira, a mais famosa, o Bad Religion, que como o nome já diz, se opõe a religião. 
O Bad Religion já tem mais de 30 anos de carreira e está sempre aqui na terra brazillis. Suas músicas são verdadeiras poesias sociais (o que diferencia o grupo de todas as bandas punks em geral) com críticas afiadas e pensamentos reflexivos enquanto testemunhas de um mundo doente. Já postei aqui no blog dois textos que os cito. Outra banda que aporta aqui e que é bem interessante por conta de suas melodias com riffs simples e destruidores e que foram evoluindo em termos de técnica ao longo dos anos é o MxPx. Essa banda, identificada ao movimento cristão, se importa em tocar músicas que expressam sentimentos e situações gerais desde canções românticas a verdadeiras críticas sociais.  
São essas críticas que me chamam a postar aqui duas músicas dessas bandas que falam bem sobre o tipo de conflito social a que pertencemos, uma vez que vivemos em mundos distanciados em termos de realidades sociais, mas tão próximos em termos físicos, pois vivemos na verdade num mundo só. Mesmo que existam vidas a margem de outras vidas, essas mesmas se chocam e temos vivido em meio a opressão. "Punk Rock Song", do Bad Religion é o verdadeiro hino punk/hardcore, sintetiza a angústia de se estar num mundo doente disparando e criticando contra o egocentrismo em "mas nós fazemos o que queremos e pensamos o que nos agrada" e contra a inércia repleta de um "verniz social" em "mesmo assim nós ignoramos os necessitados e nós continuamos prosseguindo, continuamos prosseguindo". Em "1 and 3", o MxPx, questiona essa superposição entre Primeiro e Terceiro mundos, que isso ocupa inclusive nossa mente. Gritam eles em "Eu estou cansado dessa cultura de primeiro e terceiro" e "1 e 3 existe tanto através do que somos".
Devemos lembrar sempre que o evangelho é a contra-mão do mundo. Por isso, tudo que é contrário aos interesses do "EU" e é contrário as injustiças desse mundo, é CRISTÃO! 
Assistam aos vídeos com tradução das letras das respectivas músicas "Punk Rock Song" (Bad Religion) e "1 and 3" (MxPx):




Só para lembrar, o sentido e conceito de paz que o cristianismo cumpre é que Paz não é ausência de conflitos ou guerras ou disputas, mas o encontro de Deus com homem, essa religação desse relacionamento. Dessa paz gerada é gerada uma inquietude boa por esta salvação que se inconforma com as injustiças e busca quebrar as cadeias dos oprimidos.

Na paz e no pensar punk do evangelho,

Jorge Tonnera Jr.
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