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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O Dilema da Femivora - tradução por Claudio Oliver


Um belo artigo traduzido pelo Claudio Oliver, da Casa da Videira e postado no seu blog Na Rua com Deus.
http://naruacomdeus.blogspot.com.br/search?updated-max=2010-09-02T18:26:00-03:00&max-results=1&start=4&by-date=false


The New York Times – Março 2010

O Dilema da Femivora

por PEGGY ORENSTEIN

Quatro mulheres que eu conheço - nenhuma das quais conhece uma à outra - estão construindo galinheiros no quintal. Desnecessário dizer que elas também cultivam produtos biológicos: a minha cidade, em Berkeley, Califórnia, é o Vaticano do locavorismo, a igreja oficial de Alice Waters. Hortas domésticas aqui são um dado tão comum como água encanada. Mas galinhas? Isso eleva a aposta. Aparentemente, já não é o suficiente saber o nome da fazenda de onde seus ovos vieram, agora você precisa saber o nome da ave que os produziu.

Todas essas meninas – chocando as crias - são mães que ficam em casa, mulheres altamente educadas que deixaram o mercado de trabalho para cuidar de amigos, maridos e filhos. Eu não acho que seja uma coincidência: o dilema do onívoro desembocou em uma saída inesperada da situação feminista, uma maneira pela qual as mulheres podem abraçar o lar sem se tornar Betty Draper. "Antes disso, eu sentia como se minhas escolhas fossem entre quebrar o teto de vidro ou aceitar a gaiola dourada", diz Shannon Hayes, uma pecuarista organica do norte do Estado de Nova York e autora do livro "Radical Homemakers", um manifesto para as feministas "de forno e fogão", que foi publicado no mês passado.

Hayes demonstra que o “problema original que não tinha nome" era tão espiritual quanto econômico: o mal-estar que dominou a vida das donas de casa de classe média presas em uma vida dividida entre correrias e compras. Uma geração, e muitas ações judiciais, mais tarde algumas mulheres encontraram sentido e poder através de um emprego remunerado. Outras apenas encontraram uma nova fonte de alienação. O que fazer? Os ganhos dos afazeres domésticos não tinham mudado - um risco aumentado de depressão, uma inutilidade sem sentido, dependência econômica em relação ao marido - só que agora, elas tinham o que era considerado uma "escolha": se você se sentia presa, era sua própria culpa. Além do mais, poderiam com razão argumentar as donas de casa de hoje, o cuidado do lar é desvalorizado em uma sociedade que mede o sucesso de uma pessoa pelo tamanho do contracheque, e onde seu papel se torna possível possível graças ao tamanho do contracheque de seu marido. Dessa forma, elas se viram presas em um movimento pendular interminável.

Entra em cena o galinheiro.

O femivorismo está fundamentado nos mesmo princípios de auto-suficiência, autonomia e realização pessoal que levou as mulheres para o mercado de trabalho em primeiro lugar. Dado o quão consciente (para não dizer obsessivo) tornou-se para todos saber sobre a origem dos alimentos - quem nestes dias não se mostra entusiasmado com compostagem? - a prática também confere legitimidade instantânea. Mais do que incorporar os limites de um movimento, as femivoras expandem os limites de outros: alimentação de suas famílias com alimentos saudáveis e saborosos, reduzir a sua pegada de carbono, produzir de forma sustentável, ao invés de consumir desenfreadamente. O que poderia ser mais vital, mais gratificante, mais moralmente defensável?

Há ainda um argumento econômico para a escolha de ninhos literais ao invés de figurados. A sabedoria feminista convencional sustentava que duas fontes de renda eram necessárias para fornecer as necessidades básicas de uma família - para não mencionar a proteção contra a perda do emprego, doença catastrófica, o divórcio ou a morte de um cônjuge. As femivoras sugerem que saber como se alimentar e vestir-se independentemente da circunstância e saber transformar a escassez em abundância, constitui uma rede de segurança igual – e talvez maior. Afinal, quem está melhor preparada para resistir a esta economia, a mulher de alto ganho que perde o emprego ou a dona de casa frugal que pode contar com suas galinhas?

Hayes consideraria os esforços dos meus amigos como admiráveis, se fossem parte de uma transição. Seu objetivo é maior: a renúncia da cultura de consumo, um retorno (ou talvez um avanço) para um tipo de preindustrialismo moderno no qual a casa é auto-sustentável, o centro do trabalho e sustento para ambos os sexos. Ela entrevistou mais de uma dúzia de famílias que estavam desenvolvendo esta forma de vida. Eles ganhavam uma média de 40 mil dólares anuais para uma família de quatro pessoas. Elas faziam conserva de pêssegos, recheavam linguiças, cultivavam couve, faziam sabão. Alguns evitavam seguros de saúde, e a maioria educa seus filhos em casa. Isso, creio, é um pouco mais além do que a maioria de nós estamos dispostos a ir: soa um pouco como ser Amish, exceto que com um carro (não mais de um, naturalmente) e uma agenda política verde.

Depois de falar com Hayes, corri para pegar minha filha na escola. Assim como corri para fazer um jantar rápido de quesadillas e ervilhas congeladas orgânicas, e me encontrei com o meu pensamento à deriva de volta à nossa conversa, ela levantou questões sobre a natureza do sucesso, satisfação, sustento, realização, comunidade. O que constitui "o suficiente"? Qual é a minha obrigação para com os outros? O que eu quero para o meu filho? A minha casa é o motor do materialismo ou um refúgio contra ele?

Eu compreendo a paixão por uma vida que é feita, e não comprada. E quem resiste ao apelo de trabalhar a terra? É como que uma parte integrante do caráter deste país, assim como à sua própria maneira o Wal-Mart também. Minhas amigas femivoras pode nunca fazer mais do que se esparramar na agricultura de quintal - mantendo um casal de galinhas, alguns coelhos, talvez uma ou duas colméias - mas elas ainda estão transformando a definição do que seja uma dona de casa: de algo que é menos sobre sujeira e mais sobre o solo, menos sobre aromatizador de ambientes e mais sobre um ambiente de ar fresco. Sua ação para o incremento da cultura das crianças vai além de uma carona para a próxima aula de reforço de matemática.

Estou tentada a denominar isso de "precioso", mas essa palavra tem variações de significado. Mas, novamente, até que pode ser apropriado. Hayes concluiu com a opinião de que, sem um propósito maior – ativismo, o ensino, a criação de um negócio ou a sua saída da casa - o entusiasmo das mulheres para as artes domésticas, eventualmente sucumbiria, especialmente se seus maridos não estiverem igualmente envolvidos. "Se você não entrar nessa como uma relação verdadeiramente igualitária", ela avisou: "você está criando uma situação perigosa. Pode haver perda de auto-estima, perda da alma e uma incapacidade para retornar ao mundo e ter estrutura. Você pode começar a imaginar, 'Para que é isso tudo?" Foi uma litania des para concertantemente familiar: se uma mulher não tomar cuidado, ao que parece, a cerca do galinheiro pode servir enjaula-la como certamente qualquer gaiola dourada o faria.

Peggy Orenstein, contribui como escritora no TNYT, é autora de "Esperando por Daisy", um livro de memórias.


segunda-feira, 7 de março de 2011

Maria e o Dilema Ecológico

Nadando na internet me deparei com um excelente artigo de Hermes Fernandes através do seu blog: http://hermesfernandes.blogspot.com/

Maria e o Dilema Ecológico

“Sabemos que toda a criação geme como se estivesse com dores de parto até agora. Não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos...” Romanos 8:22-23

Através deste texto, nos deparamos com a figura de duas grávidas, à semelhança de Maria e sua prima Isabel. Trata-se, primeiramente, da Criação como um todo, e em segundo lugar, nós, a Igreja de Cristo.

A Criação está grávida de uma nova Terra, enquanto a Igreja está grávida de um novo Céu. Há um parentesco entre ambas, e a gravidez de ambas está intimamente relacionadas, sendo parte de um único propósito, que deve se cumprir "assim na Terra como no Céu".

Quando Cristo foi levantado na Cruz, colocando-Se entre o céu e a terra, Ele reuniu em Si mesmo todas as coisas que há no céu, e todas as coisas que há na terra (Ef.1:10). Houve então o casamento entre os dois lados da realidade única criada por Deus. Céu e Terra contraíram núpcias para gerar um novo cosmos.

A gravidez da criação se deu quando Cristo, a semente incorruptível, foi colocado no “ventre da terra” (Mt.12:40). O corpo de Jesus era a semente divina que engravidaria a criação. Ele mesmo comparou-Se ao “grão de trigo”, que deveria morrer para poder frutificar (Jo.12:24). Seu sepultamento é comparado à semeadura: “Semeia-se em ignomínia, é ressuscitado em glória. Semeia-se em fraqueza, é ressuscitado em poder” (1 Co.15:43).

Quando houver chegado a hora da colheita, por causa daquela semente incorruptível semeada no ventre da terra, nossos corpos ressuscitarão incorruptíveis. E toda a criação, que hoje é cativa pela corrupção, se revestirá de incorruptibilidade. O cosmos inteiro será transfigurado!

A gravidez da igreja iniciou-se quando o Espírito Santo, como semente incorruptível, foi depositado em nós, a Igreja, por ocasião do Pentecostes (1 Pe.1:23).

Assim como coube ao Espírito gerar Jesus no ventre de Maria, compete ao Espírito gerar em nós a imagem de Cristo (2 Co.3:18). Nas palavras de Paulo, Cristo está sendo gerado em nós (Gl.4:19). A cada etapa desta gestação espiritual, ficamos mais parecidos com o Senhor Jesus. Quando Cristo vier em glória, será a hora do parto, e finalmente, nos manifestaremos ao mundo (1 Jo.3:2).

Paulo diz que a gravidez da Criação e a gravidez da Igreja estão profundamente relacionadas. Há, por parte da criação, uma “ardente expectativa” pela manifestação dos filhos de Deus (Rm.8:19). Segundo o apóstolo, tal manifestação proporcionará plena liberdade à criação (vv.20-21).

Então, surge a questão: De que maneira a igreja e a criação deveriam interagir durante o tempo de gravidez de ambas?

Encontramos nas Escrituras cristãs a história de outras duas grávidas, que nos oferece um padrão que deveríamos seguir em nosso relacionamento com a criação.

Maria e Isabel eram primas. Uma era ainda bem jovem e virgem, a outra já era avançada em idade e estéril.

A primeira a receber o anúncio de que se engravidaria foi Isabel. Aquele a quem ela daria a luz seria o profeta do Senhor, enviado especialmente para Lhe preparar o caminho (Lc.1:17). O mesmo anjos que apareceu a Zacarias, seu marido, foi ao encontro da jovem Maria, para anunciar-lhe o nascimento do Salvador do Mundo, Jesus.

Maria vivia em Nazaré da Galiléia, enquanto que Isabel, sua prima, vivia na região montanhosa de Judá. Quando o anjo Gabriel informou a Maria que sua prima também estava grávida, seu coração desejou profundamente encontrá-la.

“Naqueles dias levantou-se Maria, foi apressada às montanhas, a uma cidade de Judá, entrou na casa de Zacarias e saudou a Isabel” (Lc.1:39-40).

Embora Maria estivesse logo no início de sua gravidez, ela não esperou que sua prima viesse lhe visitar. Em vez disso, ela tomou a iniciativa, saindo-lhe ao encontro, disposta a enfrentar o terreno íngreme das montanhas.

Por que a iniciativa partiu de Maria, em vez de Isabel? Porque Isabel só recebeu o anúncio de sua gravidez, enquanto Maria foi informada sobre a sua gravidez e a de sua prima. Ela conhecia o que sua prima desconhecia. Ela era portadora de uma mensagem mais abrangente, que incluía ela e Isabel.

Podemos tomá-las como alegorias da Igreja e da Criação.

Isabel representa a criação, já avançada em idade, mas prestes a dar à luz uma nova criação. Maria representa a Igreja de Cristo, grávida d’Aquele que fora destinado a reger as nações (Ap.12:1-5).

Assim como Maria gerou Jesus, o Cabeça do Corpo, a igreja é o útero no qual o Espírito Santo está gerando aqueles que formam o Seu Corpo Místico. Jesus é o Novo Homem, o segundo Adão, enquanto a Igreja é a nova Eva, mãe da Nova Humanidade (1 Co.15:45).

Assim como Maria saiu ao encontro de Isabel, a Igreja deve sair ao encontro da Criação, e não o inverso. Mesmo antes da manifestação plena dos Filhos de Deus, a Igreja deve deixar sua zona de conforto, enfrentar o terreno íngreme e pedregoso do mundo, para encontrar-se com a Criação.

O texto prossegue: “Ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre, e Isabel foi cheia do Espírito Santo” (Lc.1:41).

Muito dos cataclismos naturais que temos assistido ultimamente, nada mais são do que as contrações de uma natureza gestante. Provavelmente, Isabel já havia sentido muitas contrações, mas o que ela sentiu no momento em que ouviu a saudação de Maria foi completamente diferente. A criança que era gerada em seu ventre saltava de alegria, cheia do Espírito Santo. Tal deve ser a reação da natureza, quando a Igreja de Cristo sai-lhe ao encontro.

Sair ao encontro da criação é entrar em sintonia com seus problemas, e trabalhar para que ela tenha uma gravidez tranqüila. É claro que os gemidos são inevitáveis. Ainda testemunharemos muitos terremotos, furacões, secas, e outros fenômenos naturais, que nos advertem quanto à proximidade do fim. Não do fim do mundo, mas do fim da gestação, quando um novo mundo emergirá. Quanto mais próximo estivermos do advento de Cristo, mais intensas serão as contrações, até que se rompa a bolsa d’água, os raios do Sol da Justiça sejam vistos no horizonte.

Apesar disso, podemos deixar nossa passividade, e trabalhar pelo bem-estar do meio-ambiente, defendendo um modo vida sustentável, e o futuro das próximas gerações. Como devemos tratar uma grávida? Da mesma maneira devemos lidar com a Criação. Assim como João foi cheio do Espírito, saltando no ventre de Isabel, quando a Criação ouvir a saudação da Igreja, ela se encherá do Espírito e será restaurada (Sl.104:30).

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