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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

ALGO MAIS

Ótimo vídeo. Emocionante...

http://vimeo.com/movingworks/something-more-portuguese


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O evangelho, segundo o Rappa

Minha Alma (A Paz Que Eu Nao Quero)  - Banda O Rappa

O Rappa - Minha Alma ( A Paz Que Eu Não Quero ) - Eletronic Video Sing
A minha alma tá armada e apontada
Para cara do sossego!
(Sêgo! Sêgo! Sêgo! Sêgo!)
Pois paz sem voz, paz sem voz
Não é paz, é medo!
(Medo! Medo! Medo! Medo!)

As vezes eu falo com a vida,
As vezes é ela quem diz:
"Qual a paz que eu não quero conservar
Pra tentar ser feliz ?" 2x

A minha alma tá armada e apontada
Para a cara do sossego!
(Sêgo! Sêgo! Sêgo! Sêgo!)
Pois paz sem,paz sem voz,
Não é paz é medo
(Medo! Medo! Medo! Medo!)

As vezes eu falo com a vida,
As vezes é ela quem diz:
''Qual a paz que eu não quero conservar
Pra tentar ser feliz ?'' 2x

As grades do condomínio
São prá trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que tá nessa prisão

Me abrace e me dê um beijo,
Faça um filho comigo,
Mas não me deixe sentar na poltrona
No dia de domingo (domingo!)

Procurando novas drogas de aluguel
Neste vídeo coagido,
É pela paz que eu não quero seguir admitindo.

As vezes eu falo com a vida,
As vezes é ela quem diz:
‘’Qual a paz que eu não quero conservar
Pra tentar ser feliz ?’’ 2x

As grades do condomínio
São prá trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que tá nessa prisão

Me abrace e me dê um beijo,
Faça um filho comigo,
Mas não me deixe sentar na poltrona
No dia de domingo (domingo!)

Procurando novas drogas de aluguel
Neste vídeo coagido,
É pela paz que eu não quero seguir admitindo. 2x

Me abrace e me dê um beijo,
Faça um filho comigo,
Mas não me deixa sentar na poltrona
No dia de domingo! (domingo!)

Procurando novas drogas de aluguel
Neste vídeo coagido,
É pela paz que eu não quero seguir admitido. 2x

É pela paz que eu não quero seguir
É pela paz que eu não quero seguir
É pela paz que eu não quero seguir admitido. 2x


Para assistir o premiado vídeoclipe:
http://letras.mus.br/o-rappa/28945/

 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Gente Pequena salvando gente menor ainda. Assim é "O Hobbit".

Na toca do Hobbit

No dia de hoje, todos nós, admiradores de J.R.R. Tolkien ao redor do mundo, nerds, cristãos, ateus de todas as raças, tribos e culturas, reunidas em torno de um anel, celebramos a estreia do filme O Hobbit, baseado em seu livro. Trata-se na verdade de uma história que havia sido contada pela primeira vez aos seus filhos. Mas antes de falarmos sobre o livro, vamos apresentar o autor brevemente.
Quem foi J.R.R. Tolkien
O famoso filólogo de Oxford nasceu em 1892, na África do Sul, e morreu em 1973, em Oxford. Foi autor de obras de ficção pelas quais é mais conhecido e consagrado, já traduzidos para o português, além de contos e poemas, ainda pouco conhecidos no Brasil e textos acadêmicos.
Uma primeira curiosidade quanto ao sobrenome de John Ronald Reuel Tolkien é que o nome provavelmente deriva da palavra alemã “tollkühn”, que quer dizer “arrojado”, “audacioso” ou “destemido”. E, de fato, as obras de Tolkien refletem um pouco isso.
O seu terceiro nome, Reuel, igualmente pouco comum, que foi herdado do seu avô, tem alguma origem hebraica. Ele aparece no Antigo Testamento como equivalente de Revel, que era o nome do sogro de Moisés (Nm 10. 29), filho de Esaú (Gn 36.4) e que significa “amigo de Deus”.
Um episódio bastante curioso do período que passou na África do Sul foi o seu encontro com uma enorme aranha. Tolkien confessava que tinha pesadelos com essas criaturas em tamanho gigante. As aranhas gigantes viriam a se tornar personagens importantes tanto no O Hobbit e quanto em O Senhor dos Anéis.
Após a morte prematura do pai enquanto a esposa e filhos passavam alguns dias fora, sua mãe decidiu voltar à Inglaterra com Tolkien e seu irmão mais novo, Hilary. Viveu em considerável isolamento também pelo fato de ter sido repudiada pela sua família protestante, devido à sua conversão ao catolicismo. A viúva passou então a assumir toda a educação dos filhos.
Desde pequeno, Tolkien costumava observar e atentar para todos os detalhes das paisagens e particularmente da topografia dos lugares que o cercavam. Ele nunca mais esquecia um lugar avistado e certamente todos eles influenciaram a criação do seu mundo imaginário.
Sua mãe despertou e desenvolveu em Tolkien uma paixão especial pelas línguas, especialmente as germânicas, o galês e o finlandês, que aparentemente formaram a base para o desenvolvimento dos idiomas de Terra Média. Esta tendência ficou ainda mais acentuada com o seu ingresso na escola de gramática St. Philip´s, onde costumava engajar-se bastante nas atividades culturais e organizar clubes de leitura. Ele manteve todas as amizades que fez ali até a fase adulta, quando perdeu quase todas com a Primeira Guerra Mundial. Foi naquele clube que ele fez as suas primeiras experiências com a filologia, que acabaria elegendo como sua área de especialização e carreira. Desde cedo também ele desenvolveu uma verdadeira obscessão por “inventar” línguas, o que lhe deu a base para as línguas élficas e de outros povos de Terra Média. Finalmente, outra paixão sua (e talvez seja essa que atraia tanto os nerds de todo o mundo) era a leitura de todo tipo de literatura, mas especialmente, da mitologia e de obras medievais, que conferiram todo o tom à Terra Média.
Infelizmente, a mãe de Tolkien não viria a presenciar o extraordinário desenvolvimento do filho; ela faleceu aos 34 anos de idade, em decorrência de diabetes, ainda sem tratamento na época. Como se sabe, infelizmente, a rivalidade entre católicos e protestantes é antiga na Inglaterra. De certa forma, Tolkien culpava a família protestante de sua mãe por tê-la levado à morte por abandono. Isso, associado às lembranças que tinha da devoção da sua mãe à Igreja Católica, teve grande influência sobre a conversão dele e de seu irmão ao Catolicismo em 1900. Pouco antes de morrer, sua mãe confiou os filhos às boas mãos de um padre muito amigo, Francis Morgan. Ela lhe passou a incumbência de proporcionar a melhor educação possível a eles.
No orfanato em que os irmãos foram internados, Tolkien conheceu o que viviria a ser a sua esposa, muitos anos mais tarde e distante dela a pedido do padre, apenas depois de ele ter se formado em letras. Entretanto o casal foi logo separado novamente: Tolkien havia sido convocado para servir na Primeira Grande Guerra. Mas Judith deu um jeito de ter um encontro amoroso com ele em um bosque durante esse período, que inspirou um conto de amor cortês.
Graças a uma “febre de trincheira”, Tolkien pôde ao menos regressar ao lar e iniciar a sua brilhante e premiada carreira em Oxford. Foi assim que ele foi agraciado, em 1917, com a possibilidade de presenciar o nascimento do seu primeiro filho, no mesmo ano em que fazia os seus primeiros ensaios e incursões pelo mundo de Terra-Média, na forma de contos esparsos. Mal sabia ele na época, que jamais pararia de escrever estas histórias que, ironicamente, permaneceriam inacabadas. O título original que ele deu àquelas histórias reunidas foi “The Book of Lost Tales”. Anos mais tarde, elas viriam a ser compiladas e editadas postumamente pelo seu filho, Christopher, sob o título de “O Silmarillion”. Esta impressionante obra retrata o trabalho de uma vida toda de dedicação minuciosa e revisão paciente. É curioso observar que Tolkien começou a escrevê-la, antes mesmo da publicação de O Hobbit, em uma tentativa de traduzir o mundo de Terra-Média para crianças. A obra também está muito relacionada a O Senhor dos Anéis.
Apesar de acadêmico de mão cheia, que também publicou obras técnicas, poucos leitores e fãs sabem que ele era professor catedrático e nem desconfiariam disso, na maior parte das vezes pela linguagem acessível e concreta (com uma abundância de descrições de paisagens personagens) que ele empregava.
Pois, se considerarmos o que e como escreviam os seus colegas naqueles tempos, temos boas razões para afirmar que Tolkien foi um dos poucos intelectuais da sua época, preocupados em falar ao homem comum. Ele se empenhava em unir a teoria que ensinava à prática, criando mundos que vão muito além do campus universitário.
Essa familiaridade, principalmente de O Hobbit, deu-se pelo fato de ele ter sido inspirado nas histórias que Tolkien costumava contar aos seus filhos, hábito infelizmente já bastante esquecido entre nós.1
Na verdade, quando Tolkien apresentou o livro ao seu editor, o filho dele pediu para lê-lo primeiro e o aprovou inteiramente. Mas o livro, embora seja mais “digerível” do que O Senhor dos Anéis, também pode ser lido principalmente por adultos que estejam atentos ao que importa nele: a moral e os valores humanos universais como a coragem, a fidelidade, a amizade, a esperança, a fé e, principalmente, o amor.
O Hobbit é católico?
No artigo Por que O Hobbit é católico (revista Época), Luís Antônio Giron, vê esses valores como “virtudes teologais”, e uma das quatro similitudes ou alusões católicas na obra, que acabava de ver. A primeira seria o fato de Bilbo, o bolseiro e personagem principal da história (que apenas rivaliza em algumas cenas com Gandalf) ter saído em sua aventura, na companhia de treze anões, pela reconquista do tesouro dos anões, que estava em posse de um dragão; isso seria uma alusão a um processo iniciático rumo à santificação (ou até ao papado). Quanto a esse, eu veria muito mais uma alusão à travessia de Abraão pelo deserto em busca da Terra Prometida. A segunda seria a ideia de submissão da estrutura toda da história a uma hierarquia transcendente. Aqui entra a figura de Bilbo e sua obediência, junto com seus companheiros, às ordens pré-estabelecidas, o que é ainda mais reforçado em O Senhor dos Anéis, em que ele passa por uma espécie de morte e ressurreição, mas isso para se santificar e subir na hierarquia dos profetas. Então, poderíamos também comparar tanto Bilbo quanto Gandalf à própria figura de Cristo, seu sacrifício e ressurreição de quem ambos são espelho. A terceira alusão é a já mencionada acima. A quarta seria a ideia de Providência Divina, que o comentarista localiza na jornada dos heróis da história, mas a meu ver, ela se encontra pulverizada por todo o livro, como constante presente do começo ao fim em Hobbit, da mesma forma que em O Senhor dos Anéis.
Então, para além de serem “católicas”, essas obras de Tolkien focam, na verdade, temas comuns aos cristãos, protestantes e católicos e adeptos de muitas outras religiões, mesmo porque elas se baseiam não apenas na Bíblia, mas também na mitologia e autores medievais da igreja não dividida, como Agostinho e Tomás de Aquino, sem falar no bom senso. E trata-se de uma proposta cuja atualidade é mais do que real, tendo em vista as divisões que ainda hoje reinam entre alguns católicos e alguns protestantes ou quaisquer cristãos ou não cristãos.
As alusões e transposições feitas por Giron, portanto, são válidas, mas não podem ser absolutizadas, como tanto Tolkien, quanto o seu amigo, C.S. Lewis, outro renomado professor e escritor, advertiam seus leitores a não fazer, sob pena de tornar as suas obras alegorias simbolistas, ou seja, que adoram os símbolos e as imagens por si mesmos e não os valorizam apenas por, através delas ou pelo reflexo delas, conseguirmos enxergar uma realidade maior, para as quais elas apontam e remetem.
Tolkien e C. S. Lewis
C.S. Lewis2, outro autor mencionado por Giron, era anglicano (e, portanto, protestante, e não católico, como informou o colunista) e tinham muita coisa em comum com Tolkien. Compartilhavam por exemplo o gosto pela mitologia e ficção. Lewis se destacou ainda no campo da apologética, tornando-se conhecido no mundo cristão por sua defesa da fé no contexto universitário, sendo apreciado tanto por católicos, quanto protestantes, quanto adeptos de outras religiões, ou de nenhuma. Ele influenciou e continua influenciando a fé de vários professores, teólogos e ministros que contribuíram e fizeram a diferença nesse deserto que muitas vezes é o mundo acadêmico. O que a maioria dos leitores não sabe é que Tolkien teve um importante papel na própria conversão de Lewis, como ficou registrado na sua autobiografia, “Surpreendido pela Alegria” 3.
A amizade entre os dois iniciou-se no ano seguinte ao ingresso de Lewis como professor em um College de Oxford e perdurou até a morte do último. Interessante neste sentido é o registro que Lewis faz em seu diário das primeiras impressões, não muito favoráveis que teve de Tolkien:
Ele é um sujeitinho lustroso, pálido e carrancudo. Devia ser chato demais para ler um Spenser – que só deve interessar para as aulas de inglês - na concepção dele, a literatura só deve servir para a diversão de pessoas entre seus trinta e quarenta anos de idade... No fundo é gente boa: só está precisando de uns bons corretivos. 4
E há alguma verdade nessa primeira impressão, em que Lewis também comenta em seu diário que sempre o aconselharam a manter distância (de forma preconceituosa, como ele dá a entender, usando de sarcasmo) de dois tipos de pessoas: os filólogos e os papistas. Tolkien acumulava essas duas características, mas esses, que poderiam ter sido obstáculos à sua aproximação, não os impediu de terem uma amizade que duraria toda uma vida.
Em algumas cartas, ele revela sua visão de Tolkien, como o grande homem que foi, mas também aponta para alguns defeitos. Lewis o julgava pouco sistemático e excessivamente “turrão”, praticamente impermeável à influência de quem quer que fosse às suas obras.5
E, de fato, muitos leitores queixam-se da grande quantidade de minúcias nas suas descrições, que muitas vezes podem ser confusas e alguns personagens, contraditórios. Outros reclamam da grande quantidade de poemas que aparecem em O Senhor dos Anéis. É claro que ninguém é obrigado a apreciar poesia ou o tipo de literatura extensa e refinada que Tolkien escrevia. Temos fortes razões até para a suspeita de que há cada vez menos leitores do tipo de literatura peculiar a Tolkien. Entretanto, como procuraremos mostrar mais adiante, sua obra permanece viva. Qual pode ser a explicação para este persistente sucesso e para a tentativa de resgate da sua obra nos últimos tempos?
A crítica dessa nova incursão de Peter Jackson com os hobbits pelo mundo de Hollywood já gerou avaliações “mornas”, por ser longo demais na opinião deles (a saga é dividida em três partes) e pelas tecnologias empregadas (embora já tivesse versões 3 D e 2 D). Mas tudo leva a querer que O Hobbit tenha tudo, não apenas para chegar aos pés de O Senhor dos Anéis, agora com mais experiência do co-diretor, como para superar todas as expectativas.
Isso, não porque a história do hobbit, Bilbo, tio de Frodo, que dá sequência à caça ao anel, seja bombástico e cheio de efeitos cinematográficos, mas porque se trata de uma história insólita, da redenção de um povo de anões que estava sendo escravizado por um dragão. Gente pequena, salvando gente menor ainda. Eis aí o paradoxo. E no meio do caminho, tinha um anel. O que ele fazia lá e o que tem a ver com o resto da história eu deixo para o leitor e espectador do filme adivinhar. Não quero estragar esse gosto da descoberta, que certamente não é única e unilateral.
Em todos os casos, Tolkien buscava ser coerente com as suas convicções e particularmente com o seu pressuposto, de que a literatura mitológica é a que melhor integra história e língua, realidade e ficção. Sua hipótes era de que as verdades expressas pela linguagem mitológica têm a mesma racionalidade que aquelas expressas pela linguagem científica. Mas ela tem a vantagem de apelar tanto para a razão, quanto para a imaginação e emoções, campos dificilmente expressos pela linguagem formal. Para Tolkien, o mito permite uma visão da realidade negada à ciência, numa perspectiva holística e não fragmentária, aberta para a totalidade do real. Daí que ele o tenha escolhido como modelo para o seu tipo de literatura. Foi precisamente a sua concepção de mito e particularmente a forma como ele o relacionava ao cristianismo que tanto chamou a atenção e fascinou Lewis e o desafiou a fazer as suas próprias incursões pelo universo dos valores cristãos universalizáveis, ou seja, que não precisariam ostentar esse nome.
Por isso, ele identificava na literatura mitológica o que chamava de “Evangelium” ou “envangelho” em latim, o anúncio da boa nova da redenção da humanidade. E toda obra do criador humano, que é imagem e semelhança do divino, é por ele chamada de “sub-criação”, ou criação em outro plano.
Após a sua morte em 1973, aos 81 anos de idade, depois de contrair uma doença grave, foram criadas inúmeras sociedades, que passaram a cuidar da preservação da sua memória, como a “The Tolkien Society” ou a “Brazilian Tolkien Society”. 6 Elas se encarregaram da divulgação e reedição permanente das suas obras por todo o mundo.
Em suma, nada melhor, do que as palavras do próprio autor, para sintetizar a essência da sua vida e obra:
Nasci em 1892 e passei toda a infância numa região chamada “The Shire” 7, numa época anterior à mecanização da lavoura. Em outras palavras, e o que importa ressaltar é que sou cristão (o que se pode inferir muito bem das minhas histórias), na verdade sou católico romano. Já este segundo “fato” pode não ser tão facilmente inferido... na verdade o que sou mesmo é um hobbit (em todos os aspectos, exceto pelo tamanho 8). Gosto muito dos jardins, árvores e lavouras não mecanizadas; fumo cachimbo e aprecio boa comida caseira... gosto dos trajes alinhados e tenho a pachorra de usar coletes, numa era tão sem graça, quanto a nossa. Amo cogumelos (colhidos diretamente do campo); meu senso de humor é coloquial (mesmo os meus críticos mais simpáticos costumam considera-lo tedioso); costumo ir dormir tarde e (de preferência) acordo tarde. Não sou de viajar muito.9
Notas:
1. Por mais estranho que possa parecer este hábito ao público de hoje, é interessante notar que ele também já foi praticado no Brasil em tempos de Monteiro Lobato, por exemplo. Aliás, há diversos pontos de contato e coincidências entre as duas biografias e obras.
2. Catedrático de literatura inglesa medieval e renascentista e crítico literário das universidades de Oxford e Cambridge, C.S. Lewis viveu entre 1898 e 1963. É autor de obras acadêmicas da área e foi um dos participantes da elaboração do Dicionário de Oxford e de livros sobre crítica literária e literatura. É autor ainda de livros teológicos e contos, poesias e obras de ficção de grande repercussão internacional como “As Crônicas de Nárnia” (Martins Fontes) e “Cartas de um Diabo a seu Aprendiz” (Vozes) entre outros.
3. Lewis, C.S. Surpreendido pela Alegria, São Paulo: Mundo Cristã, 1998.
4. Duriez, 1992, 256. .
5. Lewis, Letters, 1966, 287.
6. O endereço da homepage da sociedade é . Ela contém dados atualizados sobre premiações, além de uma excelente biografia, lista de obras, entretenimento e dados para maiores estudos. A sociedade inglesa também possui informações importantes para o pesquisador e interessado: .
7. Este foi o nome dado também ao território ocupado pelos hobbits em Terra-Média. Na tradução brasileira, a região foi chamada de “Condado”.
8. Os hobbits, seres que sempre são os personagens principais das obras de Tolkien, caracterizam-se, entre outras coisas, por sua estatura quase que nanica, eles moram em tocas bem confortáveis e caseiras e, como Tolkien mesmo, não gostam muito de viajar.
9. Tolkien, J.R.R. Letters of Tolkien, Carta de 25 de outubro, 1958, em Duriez, Manual de J.R.R. Tolkien, 1992, 253.
 
É mestre e doutora em educação (USP) e doutoranda em estudos da tradução (UFSC). É autora de O Senhor dos Anéis: da fantasia à ética e tradutora de Um Ano com C.S. Lewis e Deus em Questão. Costuma se identificar como missionária no mundo acadêmico. É criadora e editora do site www.cslewis.com.br
 
 
 

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Da PAX Romana a Globalização - Discípulos transformando os Lugares!

Com partilho aqui um texto muito bom escrito por meu amigo Esdras da JOCUM Rio direto do seu blog "Pense Nisso". Este texto nos mostra um olhar mais amplo sobre missões e os confins da terra. A Jocum Rio no mês de agosto estará oferecendo o seminário de Missões e Fronteiras.

Da PAX Romana a Globalização - Discípulos transformando os Lugares!

“Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos.” Mateus 28:18-20
O primeiro século da era cristã foi marcado pelo domínio do Império Romano com seus loucos imperadores, mas que deixou como legado positivo a PAX Romana e a construção de estradas, facilitando as viagens comerciais e a ampliação econômica. As cidades mais importantes do Império se tornavam em cidades cosmopolitas, gente de todos os lugares vivendo em um mesmo lugar, gerando nestas cidades uma “miscigenação” de crenças, de valores, de filosofias e de religiões.
Entendendo esta realidade cultural do I século, fica mais claro a amplitude do que Jesus está querendo que os seus discípulos percebam, ao cumprir a ordem de fazer discípulos de todas as nações. Como em nossa época, a ordem de Jesus podia ser cumprida em vários lugares ao mesmo tempo, pois os cidadãos romanos circulavam em todos os lugares, principalmente nos grandes centros. Então cada discípulo teria que ter em mente que o acesso que eles tinham, era uma ótima oportunidade para fazer o Evangelho conhecido em todos os lugares, rompendo com seus próprios preconceitos em relação aos diferentes tipos de grupos de pessoas que conviviam, independentemente de sua posição social e de sua crença, e se relacionar com estes valorizando-os e ao mesmo tempo, fazendo o nome do Senhor conhecido por causa de suas atitudes de amor.
É importante ressaltar que os discípulos precisavam fazer outros discípulos, em todos os lugares conhecidos por eles. Fazer pessoas parecidas com Cristo, de todas as nações em suas cidades e também indo a outras cidades, aproveitando o progresso oriundo da mentalidade romana de abrir caminhos para o crescimento através da construção de estradas, multiplicando mais e mais pessoas com o mesmo caráter de Jesus em todos os lugares, com a mesma disposição em amar o próximo, em amar os inimigos, em promover a justiça, em fazer as mesmas obras de Jesus, se entregando em prol do todo e não de si mesmo, fazendo com que a sociedade do I Século fosse transformada pela forma com que estes discípulos, se portariam diante de todos nos mais diversos setores sociais. Para isto, precisavam se dispor a entender as pessoas de sua época, suas crenças, suas filosofias e sabiamente apresentar o Evangelho através de suas atitudes.
Hoje, em um mundo globalizado, estamos diante de uma sociedade que se apresenta cada vez mais com os mais variados tipos de pensamentos, filosofias, crenças e religiões, com diversas subdivisões dentro das instituições religiosas que já são divididas, diante de cidades que cada vez mais são controladas pela injustiça, pelo egoísmo das classes dominantes oprimindo as classes mais necessitadas. Diante deste quadro, precisamos entender que assim como aqueles discípulos, precisamos cumprir as ordenanças de viver e ensinar todos os mandamentos que Cristo ensinou a guardar, gerando pessoas no século XXI que consigam dialogar com qualquer tipo de pessoa, entendendo o mundo de hoje e traduzindo o Evangelho de maneira verdadeira gerando também a justiça, a valorização do próximo e uma sociedade transformada, livres de fronteiras geográficas e sociais.
Site: JOCUM Rio

quinta-feira, 8 de março de 2012

O anúncio da Ressurreição de Jesus, um assunto de mulheres?

Esse texto copiado da fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/507261-o-anuncio-da-ressurreicao-de-jesus-um-assunto-de-mulheres merece ser reproduzido com fidelidade e muito carinho. A mulher tem um papel muito rico na história bíblico, muito embora a presença masculina seja mais nítida e recorrente. Nada disso se trata de concorrer um com o outro, mas cada ser possui uma participação diferenciada. Eu como admirador da mulher em sua capacidade e força bem como da sua estética sei que elas tiveram grande honra e mérito de anunciar além do fato de ser a portadora do ventre santo do Verbo encarnado ao mundo físico também pôde declarar primeiro: O MESTRE RESSUCITOU. ELE ESTÁ VIVO!


O anúncio da Ressurreição de Jesus, um assunto de mulheres?
O Comité de la Jupe (Comitê da Saia), que quer promover um lugar justo para as mulheres na Igreja católica, sugere às paróquias o enriquecimento da liturgia da Páscoa através da redescoberta de um rito antigo, aquele da visita de mulheres ao túmulo na madrugada da Páscoa. Uma maneira de recordar a grande contribuição das mulheres para o anúncio da ressurreição.

A reportagem é de Jean Mercier e publicada no sítio da revista francesa La Vie, 06-03-2012. A tradução é do Cepat.

“E se este ano as mulheres anunciassem a Ressurreição?” O Comité de la Jupe, criado em 2008 para promover um lugar justo das mulheres na Igreja católica, propõe enriquecer a liturgia do Tríduo Pascal através da redescoberta de um rito antigo, aquele da visita ao túmulo na madrugada da manhã da Páscoa. A proposta consiste em convidar as mulheres para se aproximarem do altar no seio da liturgia da Páscoa, a fim de anunciar as frases que, no Evangelho, anunciam a Ressurreição: “a morte foi derrotada, o crucificado ressuscitou!”.

Para o Comitê fundado por
Anne Soupa e Christine Pédotti, trata-se de renovar com a visitatio sepulchri, uma prática medieval em outros tempos abandonada, que consiste em reproduzir os atos e as palavras das “santas mulheres” que foram ao túmulo e que foram as primeiras testemunhas da ressurreição de Cristo...

A cena é representada em muitos ícones ortodoxos, a partir do tema das mulheres “myrrhophores”, que foram até ele para levar pomadas para o embalsamento do corpo de Jesus, e que se encontram com um anjo que lhes anuncia que Cristo ressuscitou. Este rito, que se propagou a partir do século X na Europa, tinha dado origem a “encenações de natureza teatral”, às vezes, resultando em desvios, de sorte que o Concílio de Trento acabou com esta prática.

O Comité da la Jupe quer reintroduzir o rito de maneira mais simples a partir de um intercâmbio falado de grande sobriedade, pedindo um gesto que “não precisa de nenhuma competência específica. Bastam três paroquianas”. O Comitê advertiu contra qualquer “adorno teatral”, e salienta “que é fundamental não tentar construir um espetáculo de tipo narrativo, que pode ser motivo de distração”. Propõe utilizar o espaço litúrgico e centrar o rito sobre o altar, que representa o túmulo de Cristo. Os panos do altar simbolizam os panos que envolveram o corpo de Jesus.

O Comitê sugere que esse rito aconteça na manhã da Páscoa, uma vez que a Vigília do Sábado Santo já é bastante carregada. Esta iniciativa é, segundo o Comitê, “um gesto concreto” para reconhecer “o justo lugar” das mulheres na Igreja. O Comitê lança esta iniciativa em conjunto com a Ação Católica das Mulheres, parceira nesta festa da Páscoa de 2012. O dominicano André Gouzes se associa a esta renovação: “Alegro-me com o fato de que um dos rituais mais antigos da liturgia pascal esteja ganhando vida novamente e que valoriza a parte das mulheres na ação ritual da proclamação da Páscoa. Ao mostrar as riquezas infinitas da nossa liturgia cristã, a partir das suas fontes, pode fazer surgir novidades”.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O evangelho da paz da sustentabilidade de Genesis e de Wangari Muta maathai.

Seis mil anos se passam e uma árvore como o Baobá, árvore africana mais famosa, pode continuar de pé. Ela é um símbolo de sustentabilidade, enquanto ser que continua e se mantém ao manter também outros seres. O baobá é considerada a árvore da vida por comunidades africanas. Importância única para tribos inteiras as árvores de uma maneira geral, sejam elas quais forem (baobás, cerejeiras, oliveiras etc) são uns dos símbolos fundamentais das culturas arcaicas. Tão arcaico esse fato que nos remete ao início de tudo, segundo o livro primário da Bíblia, o Gêneses. A bem da Verdade Geneses não é de longe o único relato da criação e nem da centralidade da figura da árvore na criação do mundo. A mitologia nórdica e a yorubá tem suas respectivas histórias em que a árvore tem um destaque no processo de criação da vida. Uma dessas conta que da criação "para cada ser humano modelado (a matéria primordial era o barro) por Orisala criava-se simultaneamente uma árvore". Isso é muito interessante, embora a ideia talvez não seja a mesma, se parármos para analisar isso é algo que tem sua coerência ao talvez nos dizer: Cada ser humano para viver precisaria de pelo menos uma árvore. E de fato haja visto os serviços ecológicos que uma simples árvore nos ofrerece (umidade, temperatura, proteção do solo, produção de alimento e insumos, bem como medicamentos, captação de água, absorção de gás carbono, habitação de outras espécies etc), mas Genesis retrata de uma maneira que nos redireciona para a identidade do ser humano, inclusive em relação ao todo. Que o destino do comum (no sentido de vivência mutua) está diretamente ligado ao destino do homem. De acordo com o relato da narrativa dos hebreus, povo que tem em sua história dramática o deserto e parca distribuição de água e recursos em sua trajetória a Terra Prometida, a qual prefiguraria a Jesus Cristo (a verdadeira promessa e lugar de descanso e de vida eterna), Javé, o Deus Criador, após emergir a matéria inorgânica produz uma massa viva e orgânica e estabelece um horto ou um jardim como muitos preferem (EM um sentido mais completo um ecossistema altamente diverso), e resolve colocar um ser que estabelecera para ser sua imagem e semelhança, assim sendo um potencializador de vida. Segundo Genesis o Criador o põe em meio ao ecossistema jardim-horto no Éden. Em Éden havia bastante árvores as quais serviriam de alimento, uma vez que a alimentação vegetariana era a forma original de obtenção de recursos biológicos alimentares. No entanto, é em uma árvore especial que possui atributos de potencializar o conhecimento humano sobre si e torna-se conhecedor tal como a Deus, o homem resolve tomar para si o fruto desta e sua vida se torna um conflito constante para se reconhecer como alguém que prefigura um Salvador ao mesmo tempo em que não consegue se salvar e viver em conjunto do outro semelhante em meio a um mesmo ambiente/mundo em constante mudanças.
A história de Genesis é notória, uma das mais conhecidas, no entanto das mais ridicularizadas pela secularidade racionalista e cartesiana, que não encherga o mundo na essência das relações vitais. Os conflitos internos e externos do ser humano são originários dentro desse quadro. Nossos conflitos conosco e com nosso semelhante, bem como o todo do qual todos nós formamos e somos formados e fazemos parte (meio ambiente) estão a partir daí. E, a biografia de uma mulher contemporânea da gente, chamada Wangari Muta Maathai torna a história de Genesis altamente relevante, cheia de verdade e sentido.
Wangari Maathai é o exemplo de como nossa identidade de imagem e semelhança de Deus atribuida a nós pelo próprio Deus Javé e relatada em Genesis pode ser verificável através da experiência única da comunhão, através dos relacionamentos, uma vez que Deus é "una comum" entre ser Pai, ser Filho e Vivificador (Espírito Santo), é uma comunidade viva e pessoal que procede vida da vida. E pode ser verificável através da nossa capacidade de reconciliação a partir das relações intra e extra nós.
Wangari Maathai em seu contexto social desfavorável em relação a recursos e distribuição desses, em busca de melhorias na qualidade de vida das pessoas logo expandiu suas ideias de equilíbrio e restauração ambiental por meio de plantio e replantio para um projeto de democracia e paz. Ficou claro que não haveria paz e democracia sem um espaço mais sustentável e um gerenciamento responsavel do ambiente era impossivel sem democracia e paz. É aí que entra a árvore em termos de símbolo de vida e de paz nessa história. Para Wangari, enquanto mulher ficava claro que o gênero feminino era o primeiro a identificar mazelas ao passo que também era o primeiro a sentir os problemas. Dado o conhecimento de que as árvores através dos seus serviços que levam a questão da divisão dos interesses diversos das pessoas e empresas e governo. Wangari viu através das experiências de disputas dentro de espaços que os problemas são um só. Os problemas sociais, econômicos e ambientais nada mais são que facetas distintas de um único problema. Bem coerente com o que Jesus se propunha a trabalhar em sua rota viva até as pessoas, indo nas suas necessidades estabelecendo um contato direto com a vida como um todo em seu contexto de pessoas oprimidas. A partir de 1977, toda essa vivência resultou no plantio e replantio de cerca de 47 milhões de árvores no país. ISso trouxe um certo sentido de empoderamento e de comunidade. Como ferramenta de resolução de problemas e dificuldades de recursos, bem como disputa desses Wangari propôs que por meio desses plantios e replantios bem como seus planos de manejos os camponeses deveriam proteger as bacias hidrográficas e estabilizar o solo. Com isso haveria benefícios diretos e indiretos como melhora da agricultura, recuperação de solos contra erosão, manutenção de rios e lençóis freáticos. Num espaço de terra em que um rio comece numa terra de uma pessoa e passe pela terra de outra, o que acontece quando o rio seca terra acima? Como a pessoa da terra de baixo fica, ou que acontece quando a terra de baixo seca e a terra de cima continua com o rio? Surge um conflito?  Na África as árvores são um símbolo de paz. Ainda se encontra na África em certas comunidades a antiga tradição de plantar uma árvore como forma de sinalizar uma reconciliação por conta de um conflito. Foi esta herança cultural que inspirou Wangari Maathai. Prova de que não há cultura que sobreviva sem uma relação harmonioza seja entre pessoas ou ecossistemas. E assim Wangari Maathai ficou internacionalmente conhecida quando recebeu o prêmio Nobel da Paz, em 2004. Em síntese Wangari conseguiu estabelecer paz entre diversos lugares por meio do simples plantar. "Deus colocou o homem num jardium para cuidar e guardar", a identidade do homem como imagem e semelhança de Deus é relacionada a esse trabalho de cuidar da vida e procriá-la.


Voltando ao Genesis, havia uma outra árvore que era a mais importante de todas. Esta Àrvore reaparece no último livro bíblico, o Apocalipse simbolizando um retorno do ser humano ao seu estado de paz de relacionamento, de dependência, e também inclusive de liberdade e autonomia não como sinônimo de independência, mas como agente potencializador de sustentabilidade da vida. O princípio mais importante relacionado à Árvore da Vida é o de dependência, e isso é verificável quando se lê em João 15:5: “eu sou a videira verdadeira, vós os ramos, quem está mim, e eu nele, esse dá muito fruto, porque sem mim nada podeis fazer”. A Árvore da Vida tipificava Jesus Cristo, enquanto o responsável por todos os relacionamentos. Quem nele está enxerto, quem busca amar a Deus e seu semelhante busca a paz por meio dos relacionamentos, a começar com o próprio criador, com si mesmo, com o próximo e com outras criaturas imerso em um mesmo espaço de vida (meio ambiente).


 Só através do ensino do amor,de Jesus, sua lição de vida e morte, pode nos reabilitar a viver. Assim, a Àrvore da Vida/ Jesus Cristo é o símbolo do próprio Deus como fonte de vida (João 20:30-31). Ou seja, sem Deus não há vida, sem Deus as relações vão se rompendo, sem vida não há relacionamento e nosso Criador deseja ser a nossa vida em forma de alimento, cujo fruto é o amor, única fonte de reconciliação.

Até quando conseguiremos viver como vivemos hoje brigados? Quando vier uma chuva forte na casa de quem vamos nos esconder? De baixo de qual árvore, ou ainda na árvore de quem? Em essência isso é evangelho. O evangelho de Jesus em Maathai...
A sustentabilidade nos oferece a grande arma pedagógica que existe, a qual Jesus utilizou como ninguém: o questionamento. Particularmente através da pergunta. E A grande pergunta que a sustentabilidade nos faz é: ATÉ QUANDO PODEREMOS VIVER DA MANEIRA QUE VIVEMOS HOJE? A vida é feita de e nas relações. Sejam quais forem os níveis disso, o entorno nos está diretamento relacionado as maneiras que escolhemos viver. Em nosso meio, entorno, temos uma fonte de serviços que influenciam diretamente e indiretamente nossa vida: as árvores. Elas são expressão do amor do Deus vivo, Javé, são expressão da nossa identidade e expressão de relacionamento. Descobrir como elas harmonizam e equilibram nossa relação com outros de nossa espécie e com os de outras espécies através de seus serviços ecológicos é um exercício de paz.

Enxertado pela vida, vivo e querendo paz para todos,
Jorge Tonnera Jr.



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Tenho uma ligeira impressão de que a famosa Árvore da Vida do jardim do Eden seja de fato o Baobá. rss

domingo, 18 de setembro de 2011

Secular ou sagrado? A espiritualidade de uma ciclovia

Por Bráulia Ribeiro
Tenho um pé de carambola no quintal que dá o ano inteiro. Tenho orgulho deste quintal com sete tipos diferentes de frutas. Custou pra crescer neste solo desértico da Amazônia. Desértico sim, infelizmente, o solo daqui quando se tira a floresta nativa. Sobra nada quase, o sol escaldante, e as plantas teimosas da capoeira. Chegamos nesta terra a mata já havia sido tirada, nos sobrou o capoeiral. Depois de anos o  capoeiral virou pomar e olho para sua abundância com uma surpresa constante. Redenção é  possível para a terra também.
Mas só existe um certo número de coisas que se pode fazer com carambola. Dá pra fazer suco, doce, geléia, com um certo esforço dá pra colocar em pratos salgados. Tentei outro dia imitar o Alex Atala, mestre das misturas inusitadas,  e fiz frango com carambola. O resultado saiu no mínimo duvidoso. Lá  ficam então as carambolas inusáveis,  madurando esperando ser colhidas até que caem desapontadas pelo chão.
Fui visitar a cadeia de adolescentes da cidade. Sei que não se chama cadeia, e que não deveria se parecer nem de longe com uma, mas é uma cadeia sim com todas as mazelas que isto significa. Celas cheias e imundas, confinamento integral, violência, sexualidade perversa e inflacionada, falta de opções de aprendizado, de reconstrução pessoal.
De um lugar destes não se volta. Seu corpo sai, mas sua alma fica lá presa com jovens franzinos, sedenta de ar e respostas. Me chocou saber que uma grande porcentagem deles vieram de famílias evangélicas, as paredes perplexas estão cheias de “Jesus Salva” convivendo com palavrões.
O que aconteceu com o poder do nosso evangelho? Há algo de podre no reino da Dinamarca. Outro dia pisando numa carambola e noutra que apodreciam doces debaixo do pé, não deu pra evitar uma comparação mental conosco no Brasil de hoje. Do mesmo jeito que o fruto pelo seu excesso me cansou, nós também reduzimos a mensagem do evangelho a um significado só. Apenas a salvação importa, apenas encher as cadeiras dos templos. Tentamos ser relevantes, mas nosso fruto é sempre o mesmo.
Temos um sabor só, uma cor, um fruto só: religião.   Se vamos ao presídio de crianças falamos de salvação, o que não é nada novo para os presos,  se vamos a TV falamos de salvação, se vamos ao congresso achamos que ao colocar a Bíblia na tribuna e evangelizar mais deputados, estamos mudando a sociedade. Usamos dinheiro público para construir catedrais, beneficiamos os crentes com leis circunstanciais e oportunistas.  Se fazemos trabalho social o fazemos na maior parte das vezes para poder “converter” mais pessoas. Todos nossos esforços estão voltados para produzir um único fruto: mais prosélitos em nossos templos. Pensamos em nossa tarefa como sendo unicamente a de salvar indivíduos.
Usamos o óculos grego para ler a Bíblia. Na cosmovisão greco-cristã influenciada pelo platonismo a alma/espírito do indivíduo é a única matéria prima possível para a ação do Espírito Santo com um produto único mais óbvio, a sua salvação deste mundo material corrupto para o perfeito mundo do espírito.
Se restaurarmos a compreensão tribal da mensagem de Deus, recuperamos dois pilares fundamentais na visão de mundo judaico-cristã, a identidade social, e a visão do ser humano como um todo, espírito e matéria.  Entendemos que o grupo, assim como o indivíduo, também pode ser ou não “salvo”, refletir ou não os valores de Deus na prática social, nas leis, na forma de ser cidade.  Existe a  dimensão sociológica do amai-vos uns aos outros.
Temos que entender o plano de Deus para a sociedade como um todo. Expressar o amor para a sociedade à partir de nossa identidade coletiva é parte da nossa missão tanto quanto lutar pela salvação de seus indivíduos.
Se pensássemos o cristianismo além da mera salvação, saberíamos   o projeto concreto de Deus  para o mundo de negócios, para as artes, para o sistema educacional, para a administração pública. Haveriam outros frutos possíveis para nossa fé evangélica, além de igrejas cheias. Trabalharíamos com a essência divina da sociedade humana antes que ela se desintegrasse, abraçaríamos a  cidade antes que nela se instalasse o caos.
Olhando as carambolas apodrecidas debaixo do pé, comecei a sonhar com uma cidade melhor, onde as igrejas se uniriam para urbanizar seus bairros. Como prova de amor pelo bairro construiriam praças e áreas de lazer. Imaginei que um arquiteto cristão poderia  fazer o projeto de uma ciclovia linda, arborizada, de graça, a prefeitura apoiaria, os crentes mesmo plantariam e cuidariam de muitas árvores nas ruas para sombreá-la como prova de nosso amor pela meio-ambiente e pela cidade. Os jovens poderiam executar o projeto. A ciclovia iria trazer para a população que depende da bicicleta para se transportar um senso de valor e dignidade.
Imaginei que se amássemos a cidade, os artistas que se sentam aos domingos em nossos bancos sairiam às ruas e fariam oficinas para crianças ociosas, e na tinta elas encontriam as cores que faltam em suas vidas.  Nossos cantores entreteriam nas praças os velhinhos e os pobres com suaves serenatas. Belos jardins seriam construídos a cada três ruas, e que as crianças da rua participem de seu cultivo…
Se amássemos a cidade, seríamos capazes de  articular nossa visão de mundo tão bem e as pessoas se apaixonariam  pelo modelo social exemplificado por nós. Mostraríamos na prática o amor incondicional e integral de Deus para todas as pessoas, independente de cor, classe social, gênero. Não guerrearíamos com a sociedade, mas ao contrário, nos uniríamos a ela para combater problemas e propor soluções. Mas por enquanto só temos um fruto evangélico que cansamos de usar da mesma maneira sempre  e que agora apodrece no chão em meio a pacotes de dinheiro e  documentos rasgados e queimados.

domingo, 15 de maio de 2011

A fé do Homem de Preto


"Homem de Preto"?! E que fé é essa que se veste de preto? Você não o conhece? Bom, não vou me deter aqui a falar sobre trabalhos específicos no meio gospel, mas sim tentar falar um pouco dessa figura carismática e marcante, desse cara íntegro e sem rótulos e que também por isso rendeu o brilhante filme sobre sua vida: Johnny & June (Walk the Line, no original). Estou me referindo à lenda Johnny Cash, grande artista que fazia uma música que se confundia com country e rock primordial. Sua voz sepulcral em algumas de suas canções lembram-me às vezes um enterro.

Como gosto de comprar a versão deluxe (DVD duplo) de filmes que me apaixonam eu já a tempos esperava para comprar o DVD duplo desse filme "Johnny & June", pois gosto de saber sempre mais sobre aquele filme que me empolgou, ainda mais num caso como esse em que se trata de um filme biográfico. Só pra situar quem nunca assistiu "Johnny & June" o filme narra o amor entre Johnny Cash e June Carter, seu grande amor, e o ponto central do filme é justamente como um amor pode salvar um homem em colapso à beira da auto-destruição.
NO DVD extra há vários materiais que falam sobre Cash, mas uma parte específica desse DVD é o material chamado "Cash e sua Fé". O filme, que já mostrava um pouco dessa relação que Cash tinha com a fé e a religiosidade precisava realmente de um algo mais sobre esse tema, que na verdade sem ele não existiria Johnny Cash. É o que prova e mostra justamente essa parte do DVD extra, que contém comentários do único filho do casal Cash Carter, pastores, artistas e amigos pessoais.

Pois então, segundo o que assisti, o Homem de Preto em sua labuta teve contato com algo que o marcou e o tocou de alguma forma, que era a música gospel que sua mãe cantava e que por vezes servia para encarar os problemas, provavelmente sua fé em Cristo tenha suas origens aí. Diziam que Johnny sempre se referia ao evangelho e essa era a coisa mais profunda em sua vida. Cash não impunha sua fé a ninguém. Preferia contar histórias ou caso qualquer. Um dos pastores disse que Cash não se considerava um pregador, mas que no fundo ele era, pois partilhava do evangelho do seu próprio jeito através de suas experiências de vida, sobretudo através da música, a qual alcançava pessoas de vários cantos. Sua irmã disse que Johnny sempre foi desafiado em sua fé. Isso é interessante, pois de fato a fé nos causa uma certa inquietude. Cash caminhou a beira da auto-destruição devido entre outras coisas ao uso de droga. Sua mente com certeza devia ser uma luta terrível. E  mais ainda o desejo em coração de fazer sua vida valer alguma coisa. Mais ou menos como na música do U2, "I Still Haven't Found What I'm Looking For", aliás Johnny Cash participou do álbum zooropa do U2 na última canção do disco, "The Wanderer" em que canta um apocalipse.

Cash no início de carreira
Inicialmente Johnny queria ser um cantor gospel, isso se não fosse pelo Sam Phillips, da Sun Records (Sua primeira gravadora), que não queria mais artistas cantando gospel e disse que não queria um artista cantando como ele tem paz e desafiou Johnny a cantar a música de sua vida através de um questionamento: "Se um caminhão lhe atropelace e antes de morrer você pudesse cantar uma música de sua vida, o que você cantaria"?
Então Johnny cantou "Folsom Prison Blues", uma música que ele fez na época do serviço militar, e que fala da Prisão Folsom, ou seja, ele cantou uma música sobre prisão, algo que de fato representava sua vida, já que embora ele nunca tenha estado lá ela representava sua prisão interior. E sabe de uma coisa, às vezes realmente é melhor não falar de paz, mas de dor. Só um sofredor para entender um outro sofredor...

Aliás Johnny sabia que estava no mundo e nele há um monte de corrupção em que o homem se mete e se engana. Assim ele cantava uma música gospel e imendava "Cocaine Blues", uma música que ele canta como se ele fosse o usuário de cocaína que matou uma mulher. Isso é ser íntegro, convícto e sem ter que sustentar uma imagem de politicamente correto para agradar a uns e outros. Cash realmente usou a vocação que Deus o deu. Através da música ele conseguia se ligar com diversas pessoas, algo meio libertário, pois suas canções falavam de coisas da vida, da gente sozinha, dos pobres, dos oprimidos ou de um caso de romance. Johnny atraia pessoas e assim compartilhava histórias. Atraia pessoas seja uma mãe com um filho no corredor da morte a uma criança pedindo para arrancar um dentinho.

Johnny tinha o "dom" de substimar-se e tratar a si como algo não importante para si mesmo como se ele fosse menor que outros e se igualar  aos mais baixos, aos sofredores, aos perdidos e perdedores. Ele que era chamado de "Homem de Preto" por se apresentar sempre de roupas pretas tinha isso como um significado pessoal o qual inclusive é explicíto na canção "Man in Black" (Homem de Preto):

 "I wear the black for the poor and the beaten down, / Livin' in the hopeless, hungry side of town, / I wear it for the prisoner who has long paid for his crime, / But is there because he's a victim of the times" ("Eu me visto de preto pelos pobres e oprimidos/ Que vivem no lado faminto e sem esperanças da cidade / Eu me visto assim pelo prisioneiro que há muito pagou por seu crime / Mas está ali pois é uma vítima dos tempos").

A cor da roupa era sua identificação pessoal com o fato de haver dores e sofrimento no mundo. Johnny dizia que se um dia o mundo não tivesse mais dor e sofrimento ele deixaria de usar o preto. Ao ser indagado, questionado ou ridicularizado sobre vestir-se de preto ao perguntarem a ele se ele ia a um enterro, Johnny era enfático ao responder: "Talvez eu vá"...

Os presidiários se identificavam com Johnny devido a suas canções e Johnny se identificava com eles devido a vivenciar uma prisão emocional. No filme mostra bem que as cartas dos presidiários fizeram com que ele percebesse que era querido por um grupo de pessoas excluídas e problemáticas e isso o incentivou a retomar a carreira e daí ele decidiu fazer um show para os detentos na prisão Folsom e gravá-lo em um disco. Algo que incomodou e inicialmente foi rejeitado pelos empresários de gravadora e não quiseram gravar esse álbum, pois seu público era de pessoas cristãs, pessoas de bem que não gostariam disso. Rejeitando essa hipocrisia o filme mostra que Johnny sutilmente satiriza e rebate dizendo que se as pessoas não comprarem o disco por ter sido gravado em um show para presidiários então essas pessoas não são cristãs.

No final das contas "Johnny & June" se trata de uma biografia pequena de um trecho da vida de Cash, mas muito mais que isto, trata de salvação...
Cash e Carter
Com a ajuda da esposa e influenciado por uma conversão religiosa alcançada
Johnny teve uma experiência com Deus e sentiu-se livre. Segundo seu filho, Johnny  Cash gostaria de ser lembrado como um homem de Deus, antes mesmo de cantor.
Ele recordaria mais tarde que durante uma operação Cash passou por uma experiência "próxima da morte". Cash disse que teve visões celestes tão belas que ficou com raiva quando acordou e percebeu que estava vivo.
Poucas semanas antes da sua morte Cash disse que mal podia esperar para estar no céu, para ver June, sua esposa (que morreu 4 meses antes dele) e Jack (seu irmão que morreu na infância e sempre permaneceu no seu pensamento) e outros, mas sobretudo pra ver Jesus.
A uma semana da sua morte estando sua irmã no quarto com ele, perguntou: " Se visse Jesus vir em sua direção, o que acha que Ele te diria? Johnny respondeu chorando: Isso é fácil! Ele diria "Vinde a mim os que labutam e os sobrecarregados e lhes darei descanso. Deixem que os guie e aprendam de mim a humildade e a doçura de coração e encontrarão o descanso para suas almas".
Cash em um dos seus últimos trabalhos musicais.


Por Jorge Tonnera Júnior
, em Cristo. Vem Jesus!

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A Páscoa da Terra e a Ressurreição do Universo

"A Páscoa da Terra e a Ressurreição do Universo"



A páscoa é uma celebração. Literalmente significa "passagem". É uma celebração decretada por Deus. Historicamente falando a Páscoa se dá após um ultimato de Javé (único e verdadeiro Deus) ao Faraó, por este resistir a Javé e não querer abrir mão da escravidão dos hebreus. Depois de desmoralizar todos os falsos deuses egípcios, Javé, o único e verdadeiro Deus terminou por desmoralizar o faraó. O Faraó era um homem que se considerava deus. Após isso e já com um reino em frangalhos, com seus deuses ridicularizados e reduzidos a nada (nada mais do que são) e com o próprio faraó em cacos diante da morte dos primogênitos (inclusive o seu),o Faraó cedeu e os hebreus foram embora do Egito. Isso tudo está registrado no livro da Bíblia chamado "Exodus" (que significa "Saída").


Desse tempo em diante os judeus passaram então a celebrar a Páscoa (Pessah) comemorando a saída do Egito, a passagem da escravidão para a liberdade.
Javé é o Deus que celebra e conclama aos seus celebrarem. Isso é maravilhoso. É como se dissesse: "Celebrem, façam festas, comemorem a vida e o direito a ela, a liberdade, a felicidade e o amor e a paz! Isso é Páscoa"... Assim a páscoa é a festa do êxodo, a festa da libertação. Encerra uma história de escravidão, falta de respeito à vida como um todo, um sistema que deposita um jugo pesado ao ser humano e que engole a natureza. A Páscoa é a saída de um mundo de fel e a entrada num mundo que mana leite e mel.(Exodo 3:8)

A situação dos hebreus no Egito é algo que nos remete a figura da Terra e de toda a criação enquanto sob o jugo de um tempo, causado pelo homem, sujeita a todo tipo de vaidade. Como é dito em Romanos cap. 8, Paulo, o apóstolo do mundo não judeu, fala da criação presa no cativeiro da corrupção.


Festa comum a judeus e a cristãos, no tempo dos antigos hebreus a páscoa como já vista simbolizava a saída do Egito, no entanto hoje compreendemos que o real sentido dela estava na figura do Messias.  "Chamou pois Moisés a todos os anciãos de Israel, e disse-lhes: Escolhei e tomai vós cordeiros para vossas famílias, e sacrificai a páscoa". (Êxodo 12:21) O cordeiro que era sacrificado e servia de alimento na Páscoa apontava para o Cordeiro de Deus (Jesus Cristo) que se sacrificou por nós.(Jo 1.29) O cordeiro que foi imolado e cujo sangue foi passado nas portas das casas simbolizava o sangue do Cristo que seria imolado num madeiro e do qual todos que estão nele são lavados. A páscoa da Antiga Aliança  prefigurava a Cristo, pois Cristo é nossa Páscoa (1 Coríntios 5.7.). Assim como os judeus comemoraram a saída e libertação da escravidão, nós cristãos comemoramos a libertação da nossa alma. Somos libertos do pecado, a verdadeira prisão (1Co 5:7, Jo 8:32-36 e Mt 11:28). "Se pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”, foi o que Jesus disse para um grupo de judeus que se consideravam livres por serem descendentes de hebreus (João 8.36). Por isso com a vinda do Cristo a páscoa comemora nossa saída da corrupção do mundo para o reino dos céus (que significa a plena vontade de Deus em tudo e em todos), o reino do Filho do seu amor(Colossenses 1:13). 


Na Páscoa da Antiga Aliança se sacrificava um cordeiro toda vez para lembrar dessa passagem. Na páscoa da Nova Aliança não tem mais cordeiro no banquete. Agora é pão e vinho. Em síntese o pão representa o corpo do Cristo, corpo este que era igual ao de Adão, o qual foi oriundo da terra (Génesis 2:7), e o vinho simboliza o sangue de Jesus derramado na cruz. O corpo de Jesus padeceu, foi agredido de diversas formas de tal maneira que sangrou bastante e o desfigurou tal como uma rosa esmagada, como profetizou Isaías. Este sangue escorreu e penetrou no solo, o solo de Israel, o solo com os mesmos elementos químicos que formou Adão, o solo do planeta. Sim, o sangue do Cordeiro, o Cristo único escorreu e penetrou no solo. Quando Jesus morreu houve chuva, a qual suas águas se misturaram com o sangue dele lavando e levando para partes mais abaixo do solo e adentrou nos seres vivos (microorganismos) desse solo. Também o calor evaporou-o levando-o para o ar. Toda a criação, todos os elementos que compõem a nós e o planeta receberam esse sangue.


Está escrito na Bíblia: "(...) pois nEle foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dEle e para Ele. Ele é antes de todas as coisas. NEle tudo subsiste.
Havendo Deus por Cristo feito a paz, pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliou todas as coisas consigo mesmo, tanto as que estão nos céus como as que estão na Terra, A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas más obras, agora contudo vos reconciliou”(Cl. 1:15 a 21).


Pouco tempo depois de Jesus ressucitar, então Maria que era sua discípula foi o procurar e não encontrou o corpo do Senhor Jesus. Mas logo em seguida Maria olha e próximo dali lá estava o Senhor Jesus possivelmente lavrando a terra, pois Maria pensou que Jesus fosse o jardineiro daquele local e ali havia um horto (João 19:41 e João 20: 11,17). Leia Genesis e veja se isso te lembra alguma coisa: "Ora, o Senhor plantou um jardim no Éden e pôs nele o homem para o cultivar e o guardar."(Gn 2:15) Formidável, né? Queima o meu coração!!...




O sangue de Jesus é o penhor da libertação. A Terra tem sua liberdade garantida. Por isso também a criação geme como em dores de parto que prenunciam a volta do salvador, e ela aguarda com ardente expectativa a revelação dos filhos de Deus (Romanos 8:19).


Nesta semana mais precisamente no dia 22/04/2011 é a data conhecida como sexta-feira santa, dia que tradicionalmente diz-se que Jesus Cristo morreu. Também neste dia por curiosidade ou não, é o Dia que é comemorado o Dia da Terra, comemoração que surge na década de 90 e que remete ao primeiro protesto nacional contra a poluição, ocorrido nos anos 80. Só poderemos comemorar o Dia da Terra se de fato a cruz for a Páscoa da Terra. E de fato é. Jesus derramou seu sangue, que penetrou no chão dessa Terra, que será Terra dos Santos. Jesus é o penhor da vida e da ressurreição do planeta e de todo o universo.

Romanos capítulo 8 a partir do versículo 18 conclama: "Pois tenho para mim que as aflições deste tempo presente não se podem comparar com a glória que em nós há de ser revelada.
Porque a criação aguarda com ardente expectativa a revelação dos filhos de Deus.
Porquanto a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa daquele que a sujeitou,
na esperança de que também a própria criação há de ser liberta do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.
Porque sabemos que toda a criação, conjuntamente, geme e está com dores de parto até agora;
e não só ela, mas até nós, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, aguardando a nossa adoção, a saber, a redenção do nosso corpo".


Uma tradução mais contemporânea escreve o início deste texto bíblico acima da seguinte maneira: “Um dia o próprio Universo ficará livre do poder destruidor que o mantém escravo e tomará parte na gloriosa liberdade dos filhos de Deus.” (Rm 8.21)


Irmãos, uma nova terra e um novo céu nos esperam. A Páscoa é a passagem para uma "novidade de vida". Nos projetemos nessa Páscoa lembrando que Jesus Cristo é a salvação de nós e de toda a vida e do universo.


"Levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima", diz as Escrituras. (Lucas 21,20-28).


EM Páscoa,
Jorge Tonnera Júnior

Aloha!! !! Amém!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

U2 faz música com fé sem rótulo de rock cristão

Bom dia, irmãos e companheiros de jornada! O show do U2 é amanhã e como prometido tenho postado coisas relativas a banda e a fé. Segue mais um artigo super inteligente. 
 
"U2 faz música com fé sem rótulo de rock cristão"

O U2 tem uma carreira admirável no rock ‘n’ roll, tipo de música notório por recompensar artistas que cantam sobre coisas mais simples do que o mundo em que vivemos e o lugar que nele ocupamos. A banda – ou, em alguns casos, apenas Bono, seu homem de frente – já desempenhou o papel de pop star, pária, filho pródigo e proselitista. Porém, ao longo de seus 30 anos de carreira, a espiritualidade do U2 nunca rotulou sua música como rock cristão – estigma considerado medíocre no circuito comercial da música. O U2 vem mantendo primorosamente tanto seu lado espiritual como seu lado laico – em proporções que não limitariam seu alcance de público.

Greg Garret, professor da Baylor University e autor do livro “We Get to Carry Each Other: The Gospel According to U2” (Nós temos que nos apoiar: o evangelho segundo o U2), afirma que o rock cristão se tornou uma frase tóxica no pop por uma boa razão: “Temos a arte cristã, onde a arte é menos importante do que seu lado cristão. As crenças do U2 são filtradas em seu trabalho, mas nem por isso essa é a razão principal para que eles façam música”.

A reverenda Genevieve Razim, pastora associada da Palmer Memorial Episcopal Church, é quem diz: “Em minha posição episcopal, meu palpite sempre foi de que o moderno e o cristão podem ser compatíveis; e o U2 confirmou isso para mim. São inúmeras as mensagens na mídia de que ser cristão é o mesmo que ser rígido e intolerante, e eis que vem essa banda de rock fazendo perguntas importantes e expressando sua fé”.

Sendo assim, há anos o U2 vem fazendo canções sobre paz, justiça, espiritualidade e mistérios, e sua maneira de fazê-las revela uma inclinação ao que é elevado – seja o uso de salmos no início de sua carreira até sua visão panorâmica do mundo nos dias de hoje.

É importante ressaltar que o som do U2 tem muito a ver com seu sucesso de longa data. A banda Creed, por exemplo, é incessantemente criticada por fazer música copiada. A música do U2, porém, apesar de constantes mudanças, sempre foi imediatamente identificada como sendo única: seja a voz, os efeitos de guitarra ou a marcha militar da percussão. Como a música de Johnny Cash ou Nusrat Fateh Ali Khan, o som do U2, além de espiritual, é uma constante celebração (salvo algumas vezes em que mostra indignação), ao mesmo tempo em que atravessa limitações que alguns venham a encontrar em sua fé.

Fé particular

A arte de qualidade – seja ela religiosa ou não – deve ser imbuída de uma experiência reveladora para aqueles que a testemunham e a consomem.

Ainda assim, o U2 guarda uma relação tênue com o cristianismo. Os integrantes da banda são de uma época de sangrento conflito religioso em seu país de origem, a Irlanda. Três deles – Bono, o guitarrista The Edge e o baterista Larry Mullen Jr. – eram membros de uma comunidade cristã em Dublin que, segundo consta no livro de Garrett, os levou a acreditar que a vida no rock e a vida seguindo aquela fé não seriam compatíveis.

Garret questiona: “O que você faz quando é ferido pela instituição, mas ainda ama Deus?”

Uma reação é abandonar aquela instituição e começar sua própria. De certa forma, foi o que o U2 fez – apresentando ao público uma fé particular. A outra é tentar consertar a instituição já existente, que é o que Bono vem tentando fazer recentemente, proferindo palestras em igrejas por toda a América para estimular o auxílio à África.

Como é evidente no título de um dos maiores sucessos da banda, “I Still Haven’t Found What I’m Looking For” (eu ainda não encontrei o que eu procuro), ele se encontra em uma busca interior, o que pode ter um efeito profundo naqueles que igualmente buscam por algo espiritual – e isso, juntamente com sua música, poderia explicar o extenso poder de atração que o U2 desperta.

Ainda assim, ter certeza de que esse “algo” foi encontrado é anular esse “algo” enquanto fé. Garrett destaca: “Muitos americanos estão comprometidos com uma visão de fé como uma crença absoluta. São pessoas que ficam sentadas olhando para o relógio. E foi para essa tarefa que Bono convocou as igrejas americanas: este modelo de salvação que ignora o fato de que fomos colocados aqui por uma razão especial, além da salvação pessoal. E é isso o que ele tem de mais persuasivo a oferecer: a ideia de que estamos juntos nessa jornada, caímos e nos levantamos juntos, carregamos uns aos outros”.

A faixa título do último álbum da banda, No Line on the Horizon (nenhuma linha no hrizonte) – o álbum mais voltado para a espiritualidade desde os primórdios do U2 – parece ser prova disso. Existe a imagem em si, a ausência de uma linha, um destino final. A canção também trás duas frases que valem ser destacadas: “O infinito é um bom lugar para começar”, e “O tempo é irrelevante, não é linear”.

Razim acha isso parecido com a abertura do Mar Vermelho. “Para mim, é como Deus abrindo um caminho onde parecia não haver caminho algum”. É a visão abrangente do cosmo, e do que está além dele, que não combina bem com a idéia do céu como um final de partida vitorioso. Tanto é que Bono disse à revista evangélica Christianity Today: “Costumo achar que a religião obstrui o caminho de Deus”. E The Edge falou à Hot Press em 2002: “Ainda tenho uma vida espiritual, mas não sou muito fã da religião por si só”.

Turnê eclesiástica

A Christianity Today definiu a turnê de Bono pelas igrejas americanas para incentivar o auxílio à África como “uma experiência de igrejas que deixam Bono com uma eclesiologia tão frágil que mede a missão da igreja quase que exclusivamente em termos geográficos”.

Garrett, porém, vê progressos nos trabalhos não-musicais de Bono. “Acho que hoje em dia mais pessoas acreditam nesta ideia de que a igreja precisa ser mais responsiva às necessidades do mundo e menos focada na salvação pessoal – especialmente entre os cristãos jovens. Acho que eles estavam na linha de frente disso”.

A música da banda encontrou seu caminho nas igrejas americanas através do serviço eucarístico U2charists, que vêm sendo realizado nos últimos seis anos.

Razim supervisionou dois deles na Palmer Memorial Episcopal Church: na passagem do ano de 2008 e no feriado de Juneteenth em 2009 – ambos com capacidade máxima de lotação. Um próximo está programado para o réveillon de 2009. A música de U2 é cantada e o dinheiro é arrecadado para as Metas de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas, condição imposta pela banda em troca de permitir que sua música seja veiculada sem royalties.

Ela diz que o U2charist é uma ação genuína, além de apoiar o envolvimento comunitário da igreja.

E, apesar de um relacionamento de certa forma tenso entre o U2 e qualquer organização religiosa em particular, Razim, assim como Garrett, vê afinidade na espiritualidade da banda. “Tem a ver com buscar, procurar”, disse ele. “A primeira vez que ouvi uma canção do U2 eu detectei isso. É uma jornada, com a fé se desenvolvendo e fazendo perguntas difíceis. Acho que a música deles confirma e fortalece isso, ela é uma verdadeira expressão de quem somos neste lugar e neste momento”.

The New York Times


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