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terça-feira, 27 de novembro de 2012

Nova York virou paraíso dos ciclistas graças a uma mulher

Nova York virou paraíso dos ciclistas graças a uma mulher

RAUL JUSTE LORES
 DE NOVA YORK

24 horas depois do furacão Sandy atingir Nova York, em 28 de outubro, o prefeito Michael Bloomberg anunciou que a secretária de Transportes, Janette Sadik-Khan, tinha um plano para o caos que se instalou no trânsito da cidade --sem metrô e sem semáforos, graças ao blecaute.
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"Só carros com três passageiros ou mais poderão entrar em Manhattan. Até o fim de semana, os ônibus circularão com a catraca livre", determinou.

Os nova-iorquinos já se acostumaram com as medidas às vezes radicais da mulher que manda no trânsito da maior cidade americana.

Em cinco anos no cargo, a superpoderosa secretária de Transportes de Nova York abriu 450 km de ciclovias, 50 km de corredores de ônibus e fechou várias praças aos carros --a mais famosa delas, a Times Square, tornou-se um grande calçadão.

Reduziu o número de pistas da Broadway pela metade, dobrando as calçadas dos dois lados e espalhando cadeiras e mesinhas.
 


 Pela velocidade com que está transformando a paisagem nova-iorquina, ela é amada por ciclistas e odiada com igual intensidade por taxistas.

Magra, com corpo forte de quem pedala e faz ioga, um orçamento anual de R$ 4 bilhões e mais de 4.500 funcionários em sua equipe,

Janette, 51, é igualmente retratada em reportagens de urbanismo e em publicações de estilo.

É uma rara política de olfato fashion, bronzeada e de corpo torneado, destoando do clichê das burocratas de tailleurs.

Formada em ciência política e em direito pela Universidade Columbia, era vice-presidente de uma grande empresa de engenharia quando foi "descoberta" por Bloomberg.

"Antes, a política de transporte se resumia a aumentar a velocidade dos carros na cidade. Para mim, o mais importante de tudo é priorizar o pedestre, o ciclista e o transporte público", disse à Serafina, em seu escritório, em um arranha-céu com vista para o East River e o Brooklyn, no distrito financeiro de Manhattan.

SECRETÁRIA DAS BIKES

"Diziam que os lojistas da Times Square perderiam muito dinheiro quando fechássemos a praça ao trânsito, e o contrário aconteceu. A renda do varejo duplicou em três anos, a frequência triplicou, e os pedestres, quando podem circular em paz, acabam gastando mais ali", explica.

"O espaço para carros e pedestres estava distribuído de forma desigual, havia 70 pedestres para cada dez carros."

Depois dessa experiência, ela acabou fechando pistas ao lado da Madison Avenue e da Herald Square e transformando parte da Broadway em um semicalçadão. Mais de 50 pracinhas como essa foram criadas em quatro anos.

"Tudo foi feito de forma simples, com mesas e cadeiras baratas. Se desse certo, faríamos algo de longo prazo, com design melhor", conta, dizendo que as obras definitivas para a nova Times Square começam no final do ano, com projeto dos arquitetos do escritório norueguês Snohetta.

Os críticos da secretária, entretanto, a acusam de impor esses "testes" como algo permanente. "Mudar um banco de praça na cidade pode levar anos de burocracia. Por isso, fazemos algo mais simples, de forma direta, para medir o resultado", rebate.

Janette também recebeu saraivadas pela pressa com que implantou as ciclovias (em cinco anos, ela fez 450 km; São Paulo tem 55 km de ciclovias e 67 km de ciclofaixas, que funcionam aos domingos).

A secretária já foi processada por moradores do bairro Prospect Park, no Brooklyn, que se opunham à ideia (eles perderam a ação).

O tabloide "New York Post" fez piada com o seu cargo e a chamou de "secretária das bicicletas". Mesmo gente da prefeitura já criticou a extensão das ciclovias.

O secretário de Segurança, Ray Kelly, disse que nem sempre concorda com ela e que "a criação das ciclovias aumentou a responsabilidade dos policiais em tempos de mão de obra escassa".

Ela defende a cria: "As ciclovias reduziram em 40% o número de acidentes com ciclistas na cidade. Quando o ciclista precisa se aventurar no meio dos carros, sem proteção, ele é muito vulnerável, como acontece com os pedestres".
 


Olugbenro Ogunsemore
 




Janette Sadik-Khan, a poderosa secretária de Transportes de Nova York, na Times Square
 

Outra obsessão da secretária é aumentar a velocidade dos ônibus. "Eles precisam ser competitivos com o carro e o metrô."

Janette fez um estudo que listou 400 variáveis que interferem na velocidade dos veículos, da cobrança da passagem à maneira como a cidade poda suas árvores, asfalta as ruas ou bloqueia os maiores cruzamentos. "Vamos resolver um por um", promete.

"Trabalho para Bloomberg, que é movido a números. Preciso ter todos os dados na ponta da língua", brinca, e dá uma risada alta. Fica evidente que adora o que faz.

Não para de receber pedidos de missões de prefeitos e governos, de Istambul ao México e outras grandes cidades americanas, que querem conhecer suas soluções mais de perto.

Circulando agitada pelo escritório, enquanto mostra gráficos e maquetes do que está por vir em Nova York, ela conta que o programa de compartilhamento de bicicletas (que já existe em São Paulo e no Rio), inspirado nos sucessos de Paris e Barcelona, só começará em março.

"Estamos chegando tarde, mas será um dos melhores do mundo, com 420 postos e 10 mil bicicletas", promete.

SÃO PAULO

Mas ainda há lombadas no trabalho da secretária. Apesar da queda de 75% nas mortes em acidentes de trânsito entre 2007 e 2011, um estudo preliminar da prefeitura diz que as mortes voltaram a subir entre julho de 2011 e junho de 2012.

Segundo esse estudo, o número de mortes anuais no trânsito de Nova York está em 291 (na cidade de São Paulo, são cerca de 1.200).

Mais da metade dessas mortes foi causada por motoristas alcoolizados e desrespeito ao sinal vermelho.

Ela diz que já identificou 25 cruzamentos onde a população de terceira idade se concentra.

Quer que o semáforo seja um pouco mais lento nesses lugares, para permitir que os mais velhos atravessem com segurança.

E vai começar uma nova campanha educativa para os nova-iorquinos, que insistem em atravessar a rua enquanto mandam mensagens de texto pelo celular.

"Todo nova-iorquino se acha um engenheiro de tráfego, cheio de soluções, mas estão muito desatentos na hora de atravessar", reclama.

Janette, que mora com o marido e o filho adolescente no Village e pedala para ir ao trabalho todos os dias, já esteve várias vezes no Brasil, onde sua cunhada morou alguns anos, em Salvador. "Adoro Trancoso, Paraty, Rio, Bahia, São Paulo, a música brasileira, a cultura, as pessoas."

Pergunto se o trânsito de São Paulo tem jeito. "Claro. O solo paulistano é mais propício que o de Nova York para o metrô, e transporte de massa é a solução", diz. "Vocês têm uma cultura vibrante, mas precisam aprender a valorizar o espaço público e o pedestre", alerta.

"Hoje em dia, empresas e talentos podem escolher onde se instalam, a tecnologia facilitou a mobilidade. Quem tiver uma cidade interessante, onde se possa caminhar, conhecer gente, sem ficar preso no trânsito, vai sair na frente na atração de investimentos."

Ela compara com sua cidade: "Em Nova York, só um terço das pessoas vai de carro para o trabalho. E esse número não pode crescer".
 
http://www1.folha.uol.com.br/serafina/1189421-nova-york-virou-paraiso-dos-ciclistas-gracas-a-uma-mulher.shtml

domingo, 8 de abril de 2012

Páscoa: a história de um relacionamento. da libertação a identidade.

Essa não é a história de uma religião. É a história de um relacionamento.
Cristianismo, não é uma religião; mas sim um relacionamento. (Podemos dizer que o cristianismo histórico, esse sim é religião, a religião do Constantino. No entanto o cristianismo enquanto o relacionamento de Deus com o homem e toda a sua criação, bem como do homem com o todo não é religião, nem tão pouco algo institucional. Jamais poderia ser institucionalizado). Todo império tem sua religião, mas porquanto o Reino do céu ser apenas a plena vontade do Deus vivo,e não um império, podemos afirmar que a vontade de Deus é o maior relacionamento que existe.


 São duas palavras que começam com o mesma prefixo "RE": Religião e Relacionamento. Enquanto Religião vem de "religar", é a babaca hipótese arrogante de chegar a Deus. Já o cristianismo, enquanto Relacionamento é Deus chegando ao homem.
Impossível pensar que o homem poderia chegar a Deus. É como diz CS Lewis autor de Crônicas de Narnia: "Se Deus não se revelar ninguém pode conhecê-lo".

Ele não somente se revelou como revelou quem somos. Através dele vemos o homem que Deus quer e o Deus que o homem precisa. Essa mesma pessoa homem e Deus é presa e sofre diversas humilhações, espancamento, tortura, há quem pense até que passou nessa sessão de tortura abuso sexual. Mas sendo ele portador de toda causa e fim, de todo amor e tendo consigo a vida que jamais seca foi crucificado. Três dias depois ressucitou. E mais! Ele também prometeu voltar.

... Mais de 2.000 mil anos depois e Jesus ainda não voltou como prometido... o que poderia frustrar qualquer pessoa e levantar toda sorte de piada e negação dos críticos de seus seguidores e daqueles que torcem para que Deus não exista.

Mas mesmo assim creio que ele voltará, ainda que demore mais 2.000 anos, se preciso. E por quê??? Qual apoio tenho eu? Que base sólida tenho para continuar visando essa expectativa???

Creio pelo simples fato do que ele pregou: o amor; ter sido tão coerente, tão atual, tão pessoal e íntimo quanto um pai falando com um filho no ouvido bem de perto. Creio porque o significado final de Páscoa é que o amor liberta! Que amando por meio dele já não seremos mais cativos do pecado, o qual nos mantinha presos. Creio que por isso é uma questão de respeito a verdade. Respeito também a verdade porque ele ensinou tudo o que precisávamos, não deixando nada faltando. E é também uma questão de respeito a verdade porque ninguém foi como ele. Uma visão superficial nos levaria a enquadrá-lo como ingênuo, louco, um mestre como outros, mas uma visão profunda, a qual somente pela Bíblia compreendida de geneses a apocalipse nas entrelinhas de seus contextos narrativos e culturais pode entender realmente não só o Jesus histórico como entender que o Jesus histórico e o da fé são a mesma pessoa, e que o Jesus histórico é o Jesus atemporal, ou como "Eu Sou o que sou". O mais humano dos humanos,e o único Deus revelado encarnado.

Páscoa não é uma simples questão fé, mas uma profunda e crítica prospecção, introspecção e reflexão filosófica de quem somos e o que podemos e deveríamos ser.

Vejamos um detalhe pouco percebido nos acontecimentos que se seguem à ressurreição de Jesus Cristo. Pouco tempo depois de Jesus ressucitar, então Maria que era sua discípula foi o procurar e não encontrou o corpo do Senhor Jesus. Mas logo em seguida Maria olha e próximo dali lá estava o Senhor Jesus possivelmente lavrando a terra, pois Maria pensou que Jesus fosse o jardineiro daquele local e ali havia um horto (João 19:41 e João 20: 11,17). Leia Geneses e veja se isso te lembra alguma coisa: "Ora, o Senhor plantou um jardim no Éden e pôs nele o homem para o cultivar e o guardar."(Gn 2:15) Há um interessante e extraordinário paralelismo entre esses dois textos. É Jesus em termos simbólicos dizendo: "Resgatei a identidade e a vida do homem, aquele que eu coloquei para lavrar a terra.
Vamos repensar mais ainda esse fato. Depois de Jesus ressucitar ele é confundido com um jardineiro por Maria Madalena, conforme já dito, pois possivelmente Jesus estava lavrando a terra ao lado do sepulcro, já que ali tinha um horto, segundo a Bíblia. Ok. Talvez você possa pensar que ele estivesse simplesmente guardando sua identidade. De fato isso tem a ver com identidade. Mas principalmente tem a ver com a nossa identidade. Na verdade ele estava é simbolicamente recriando o homem Adão do Geneses em termos de função. 
Fico imaginando, que Jesus, poderia muito bem sair fazendo todo um barulho, ridicularizando aqueles que o humilharam. Poderia sair com uma pirotecnia pra dizer: "voltei hein!". Mas não, ele simplesmente preferiu voltar-se para a singeleza e humildade de identidade do ser humano atribuida ao cultivo e guarda da terra, simplesmente. Esse é o Deus que devolve ao homem o verdadeiro homem/humanidade, e por conseguinte quem é o Deus verdadeiro para habitar com o homem. Jesus lavrava a terra como símbolo de ter ele resgatado a identidade do homem, já que a identidade nossa está no cultivar e guardar a terra, pois que Deus nos colocou no Horto do Eden para desenvolvermos a vida a partir da terra. Interessante e emocionante. demais.
Considerando que o jardim do Eden mais provavelmente era um Horto, e não um jardim como entendemos literalmente num sentido europeu, em termos ecológicos ser criado (o homem Adão) dentro de um Horto e fazendo a gestão ambiental como um jardineiro é uma visão muito mais interssante quanto tanto mais real e profunda. Na Bíblia o que é profundo te leva mais a realidade. Paradoxal como sempre. Senão não seria meu amado Jesus. rsss

Quer comemorar a Páscoa? Fica a dica. Plante uma árvore, abençoe o solo através de uma semente, a qual crescerá tal árvore e esta abençoará muitos animais e muitas pessoas com seus serviços ecológicos e seu valor intrínseco. Ressucite uma área degradada, prejudicada, suja, destituida de valor ou de identidade, uma área morta culturalmente, e você levará vida e identidade a um povo. Ir pelos campos para abençoar os solos e as semeaduras ainda hoje faz a Igreja Ortodoxa na manhã de Páscoa.




 Somos libertos e livres para amar e com através desse amor desenvolvamos a vida na terra em todos os sentidos que isso possa ter. 
Páscoa é comunhão plena. É comunhão com Deus, com o homem, com todos os demais seres e com a Terra, pois o Deus intangível e infindável se torna organicamente visível (encarna) e ceia a nossa liberdade pelo amor e nos tira do cativeiro do egoísmo e da destruição.

Aleluia. Hosana!

Ora, vem Senhor Jesus.

Jorge Tonnera Jr.
Biólogo educador e gestor ambiental



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