Muito se fala de santidade e santificação nos cultos das igrejas evangélicas. O apóstolo Paulo nos avisa que devemos desenvolver nossa salvação (Fp 3.12). Gostaria de propor uma reflexão em relação a santificação relacionada ao ambiente em que vivemos como forma de desenvolvimento da salvação.
Usando o livro de Deuteronômio como referência bíblica,
quando Deus orientou o povo no deserto, ensinou a ter um procedimento de cuidado em relação a diversas questões da vida cotidiana. Também a mesma lei de uma forma geral em seu conjunto de princípios, orientações e diretrizes, visava a construção de uma sociedade cuja vida fosse justa e o impacto disso gerasse um nível de relacionamento pacífico e alegre. Ora, uma das necessidades básicas para que uma sociedade se desenvolva é a manutenção da saúde. E um requisito para que haja promoção da saúde é o saneamento.
Saneamento básico inclui ações de abastecimento de água, esgotamento sanitário, melhorias sanitárias domiciliares, manejo de resíduos, prevenção a enchentes e desastres e epidemias, além de educação.
Um dos preceitos que aparece interessantemente no Deuteronômio é o cuidado das fezes. Quando entendemos que o contexto retrata o povo vivendo aos milhares em acampamento, em proximidade de tendas, no deserto, compreendemos a relevância de imediato.
Diz o texto:
"Também terás um lugar fora do arraial, para onde sairás. E entre as tuas armas terás uma pá; e será que, quando estiveres assentado, fora, então com ela cavarás e, virando-te, cobrirás o que defecaste. Porquanto o Senhor teu Deus anda no meio de teu arraial, para te livrar, e entregar a ti os teus inimigos; pelo que o teu arraial será santo, para que ele não veja coisa impura em ti, e se aparte de ti".
(Deuteronômio 23:12-14)
Apesar de geralmente entendermos essa relação direta entre demografia e saúde dentro dessa citação acima tal preceito nos chama atenção imediatamente por citar abertamente e oportunamente a expressão "santo", a qual vem de "santidade", junto a um preceito ambiental. Mas por que? O que tem a ver santidade com saneamento?
Uma leitura superficial nos leva a pensar que o Deus não andaria no meio do povo com fezes espalhadas em qualquer canto como se isso fosse um fator de rejeição a algo natural, rejeição a materialidade do ser humano, ao aspecto físico da vida e sua condição biológica. Temos que entender que o sentido de fezes como algo indesejável quem dá somos nós humanos. Um subproduto do próprio organismo criado por Deus como sendo nojento é uma visão nossa, não de Deus. Na realidade não se trata de vaidade divina como se essa "sujeira" fosse em si mesma prejudicar Deus como se Deus fosse afetado e prejudicado. Na realidade é o contrário. Deus entende que somos matéria e geramos resíduos naturais tal como qualquer organismo que ele criou. No entanto, Deus propõe ação de cuidado protetivo e preventivo em relação ao ser humano. Deus sabe que o ser humano enquanto ser ecológico em sua interatividade com o ambiente estará gradualmente perdendo condições de espaço de vida por conta de competição com outros organismos que se multiplicam em meio de decomposição e na proximidade com algo que pode contaminar o povo através de uma doença isso gera depreciação, dificuldades de lutar (daí a referência a palavra "inimigo" no texto), de se manter, prejuízos sociais e econômicos. Deus não quer pessoas excluídas, nem prejudicadas, por isso Deus detesta o descaso dos governos em relação ao saneamento, já que a ausência deste gera um ciclo vicioso de pobreza econômica, social e ambiental, deterioração da saúde, violência e morte. Assim sendo é injustiça e fora da sustentabilidade do Reino do céu. A “corporeidade” dos humanos é plenamente reconhecida por Deus e Ele faz o homem reconhecer a si próprio em sua "corporeidade", mas busca-se o modo mais sábio de conviver com ela e com o ambiente. É óbvio que as condições ensinadas no texto do Deuteronômio são temporais, ou seja, até então naquele contexto sociogeográfico. Tal prática evolui na proporção dos avanços tecnológicos sociais gerando o ideal em relação a interação com o ambiente. É também a devolução (o virar-se) da matéria da natureza adiquirida e transformada pelo ser humano e agora devolvida a natureza de forma a ser ainda aproveitada nos processos de reciclagem natural, ou seja, a conversão da matéria (de orgânico para inorgânico novamente). Hoje em dia existem tecnologias sociais como o Biodigestor, que pode gerar energia a partir de resíduos orgânicos.
De uma forma geral Santidade significa condição de vida que segue os princípios perfeitos do criador. Significa tornar durável: consagrar. Empregar, destinar, promover seu tempo. Tal termo pode ser atribuido a pessoas, objetos, tempos, ou lugares que tem caráter inviolável, respeitável, purificador. Já saneamento é sanear, ou significa tornar são, remediar, sanar, sendo assim, Santidade e Saneamento se perpassam.
Na realidade por ser santo Deus quer um povo sanado, são, saudável, porque Deus é bom.
Logo, também, é dever da igreja e dos cristãos assumir que nossa relação com o ambiente é um fator de santidade. Lutar por melhorias em seus bairros e comunidades, ensinando, praticando, propondo, mobilizando, protestando conforme cada caso.
Somos povo herdeiro de um Deus que fez água sair da rocha, que abasteceu seu povo, que ensinou a cuidar das casas, a amar nossos pares por meio de atitudes intrínseca e extrínsecas de cuidado sob diversas formas de expressão e em todos os níveis e realidades de vida, individual, social, mental, econômico e ambiental, e que ao conjunto disso tudo podemos chamar de relações ecológicas ou mais propriamente sustentabilidade. Quando Jesus diz que veio dar vida em abundância se refere justamente a promoção de um ser pleno e integral.
Somos herança de santidade, fomos sanados na cruz do cordeiro imaculado, nossas máculas foram perdoadas, de forma que não podemos nos permitir a iniquidade. Tal palavra ("iniquidade") aparece na Bíblia várias vezes e significa "injustiça". Falta de saneamento é injustiça. Não atoa a própria literatura médica e científica chama os problemas de saúde de iniquidades. Sim, falta de saneamento é pecado. Falta de água em boas condições, falta de esgoto com tratamento, falta de limpeza e de gerenciamento de lixo é falta de cuidado, assim sendo é falta de amor. O reino de Deus vivo é justiça, paz e alegria plena que se expressa em todos os cantos e expressões do nosso ser, e gera e desenvolve tais sentidos na sociedade. Assim sendo devemos cuidar da nossa casa e do bairro em termos de limpeza enquanto indivíduos e enquanto coletividade, e enquanto governo. Lembrando particularmente que nós cristãos nos atribuimos uns aos outros como Corpo. A responsabilidade pela saúde desse corpo é de todos, tendo Cristo como cabeça, como Mestre da boa e agradável relação (vontade). Somos um povo comunitário porque igreja é comunidade, por isso o bem de um deve ser para todos, e a ausência de algo necessário para um deve ser suprida por todos. Se a rua ou o bairro estão sujos proponha um mutirão em sua igreja e saiam na rua para limpar. Expresse a glória de Deus. Não importa a hora (mesmo que seja na hora do culto litúrgico, pois o culto a Deus se faz em qualquer lugar e em qualquer hora. Nossa maneira de viver é um culto a Deus e nós somos expressão desse culto. Como disse Jesus àquela mulher samaritana que estava se abastecendo de água do poço e necessitava de água viva, que no significado da bíblia era aquela água boa, e Jesus a explica e diz ser ele a água potável (viva) e bem tratada e clareia dizendo que "Vem a hora e esta é a hora em que os verdadeiros adoradores adorarão a Deus em espírito e em verdade", (independente do tempo e do espaço, independente de templo, de igreja, e do que fazer)... Jo 4.23
Amém!
Paz de Cristo,
Jorge Tonnera Jr
Coletivo Igrejas Ecocidadãs RJ
Biólogo, especialista em gestão ambiental e trabalha como educador ambiental na Companhia de Limpeza Urbana do Rio de JAneiro-COMLURB
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sexta-feira, 16 de agosto de 2013
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Cães conseguem detectar câncer com o olfato
Uma notícia muito importante e no mínimo interessante acerca das mutiformes possibilidades interativas da convivência do homem com outras espécies. Diga-se d e passagem há um outro post aqui no blog onde se afirma a identidade do homo sapiens ligada a essa interação com outras espécies, particularme aos cães, os quais nos levaram a um nível de sobrevivência maior. Segue abaixo um outro fato que nos faz olhar com respeito.
Fonte da notícia baixo: http://br.noticias.yahoo.com/c%C3%A3es-conseguem-detectar-c%C3%A2ncer-pulm%C3%A3o-olfato-173918869.html
Cães conseguem detectar câncer de pulmão com o olfato
Os cães têm uma grande capacidade para detectar o câncer de pulmão com seu olfato apurado, uma descoberta que abre caminho para um diagnóstico precoce desta doença, afirma um estudo realizado na Áustria e publicado nesta quarta-feira.
"Os cachorros não têm qualquer problema para identificar os pacientes com tumores cancerígenos", explica Peter Errhalt, chefe do departamento de pneumologia do hospital de Krems (nordeste da Áustria) e um dos autores da descoberta.
Os cães do estudo sentiram o cheiro de 120 amostras de hálito de pessoas doentes e saudáveis e conseguiram identificar em 70% dos casos as que sofriam com câncer de pulmão.Este resultado é tão promissor que está previsto um novo estudo de dois anos com amostras de 1.200 pessoas, indicou Peter Errhalt em coletiva de imprensa.
Os resultados do estudo austríaco coincidem com outros testes realizados nos Estados Unidos e Alemanha.
O objetivo em longo prazo é determinar quais são exatamente os odores que os cachorros são capazes de detectar, explica Michael Muller, do hospital Otto Wagner de Viena, que colaborou com o estudo.
Se for alcançado este objetivo, os cientistas poderão construir uma espécie de "nariz eletrônico" para diagnosticar o quanto antes o câncer de pulmão e aumentar assim as possibilidades de sobrevivência dos pacientes.
domingo, 30 de outubro de 2011
Grandes cidades trazem as abelhas de volta
Eu como apaixonado por abelhas e que tenho uma vontade de criar abelhas, quando vejo casos como esses a respeito de vivências alternativas em espaços urbanos confesso que fico empolgado. Até um poquinho emocionado talvez.rs
Grandes cidades trazem as abelhas de volta
José Eduardo Mendonça - 28/10/2011 às 13:32
Criação em ambientes urbanos é cada vez mais popular
Na capital da Alemanha, Berlim, e em cidades tão diversas quanto Hong Kong e Chicago, criar abelhas em telhados e pequenos jardins tem se tornado cada vez mais popular. Estes criadores urbanos estão estabelecendo uma ponte entre metrópoles e natureza e até ganhando dinheiro.
Do telhado de um edifício de tijolos do distrito de Kreuzberg, em Berlim, a capital alemã parece uma floresta de concreto. Prédios de apartamentos, edifícios de escritórios e igrejas dominam o panorama. Mas Erika Mayr achou que o local é ideal para suas sete colônias de abelhas. “Elas gostam muito daqui”, disse ela.
Do telhado, ela menciona as chamadas “árvores-do-céu”, uma espécie invasiva que adora as ilhas de calor urbanas e são conhecidas pelo néctar de suas flores. Mayr cresceu na Bavária rural e divide sua vida em três empregos, o que é tipico de sua geração: trabalha em sua profisssão original de jardineira, dirige um bar próximo e nos últimos anos vem produzindo e vendendo o “Stadtbienenhonig”, seu mel urbano. Com pouco mais de trinta anos, ela é uma das protagonistas de um novo fenômeno, o da criação de abelhas em grandes cidades, que acontece em paralelo com a disseminação dos jardins urbanos.
Trata-se de um fenômeno global. Em Hong Kong, no ano passado, o designer Michael Leung reuniu criadores locais e criou a HK Honey, uma empresa que vende mel produzido nos telhados. Na Grã-Bretanha, os membros da Associação dos Criadores de Abelha dobrou, e chegou a 20.000 em apenas três anos, graças a jovens que estão transformando um passatempo em um vibrante movimento ambiental.
Nos Estados Unidos, onde o número de colônias decresceu de 6 milhões depois da Segunda Guerra para as 2.4 milhões atuais, milhares de jovens estão redescobrindo esta atividade milenar. Detroit e Chicago são exemplos de um movimento para torná-la parte integral da economia e da ecologia urbanas.
Tanto militantes ambientais quanto cientistas reconhecem o grande potencial da criação de abelhas nos ambientes urbanos. Na Grã-Bretanha, uma pesquisa da Universidade de Worcester apóia a noção de que, num mundo de economia agrícola de grande escala, as abelhas encontram uma variedade maior de fontes para seu mel em cidades, o que leva a sabores diversos. “Há provavelmente maior diversidade e abundância de flores em cidades do que em reservas naturais no campo”, afirma Jane Memmot, da Universidade de Bristol. Além disso, o período de floração em ambientes urbanos é mais longo do que no campo, por causa das ilhas de calor, diz o e360, da Universidade Yale.
Foto: chantal foster/Creative Commons
http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/planeta-urgente/grandes-cidades-trazem-as-abelhas-de-volta/
domingo, 22 de maio de 2011
A garça
Uma excelente música do novo álbum da banda Forfun. "A Garça" é a terceira faixa do disco "Alegria Compartilhada". Essa música me chamou a atenção pela levada e letra bem de cotidiano. É aquele lance de observador da vida, percebendo os contrastes e as semelhanças do cotidiano, a natureza e nossa labuta e ecologia humana. Ela é bem do contexto carioca, talvez por isso me identifiquei de cara com ela. A Garça, essa ave que encontramos aqui no RJ, representa bem essa nossa relação tão presente de Morro-Asfalto.
Pra quem não sabe o Forfun disponibilizou o álbum "Alegria Compartilhada" para download gratuito no site dos caras (http://www.forfun.art.br/alegria/), assim como tinham feito com o também excelente disco anterior, na época, o "Polisenso".
A Garça Forfun
Composição : (Danilo Cutrim, Vitor Isensee, Rodrigo Costa, Nicolas Fassano)
A garça mora no morro
Durante o dia voa até a lagoa pra se alimentar
Não distingue feriados
Natal, Ano Novo, Páscoa ou jogo de final
O seu relógio é o sol
Seu calendário é a posição dos astros no mar sideral
E vê a mãe que chora
O filho que comemora
A multidão calejada avançar
E vê a vela pra santa
O avião que levanta
A frente fria chegar e passar
A garça mora no morro
Durante o dia voa até a lagoa pra se alimentar
Não distingue feriados
Natal, Ano Novo, Páscoa ou jogo de final
O seu relógio é o sol
Seu calendário é a posição dos astros no mar sideral
E vê a fome e o assalto
A bola e a pipa no alto
O casal que constrói o seu lar
E vê a roupa na corda
O soldado que aborda
A erosão lentamente atuar
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