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domingo, 4 de agosto de 2013
quarta-feira, 16 de maio de 2012
O museu das possibilidades
Primeiro museu científico a tratar das possibilidades de construção do futuro, o Museu do Amanhã levará o público a refletir sobre o impacto de suas ações no planeta. Seu conteúdo, concebido com base em uma proposta curatorial inovadora, foi apresentado pela primeira vez nesta quarta-feira (2), no Rio de Janeiro.
Além do físico e doutor em cosmologia Luiz Alberto Oliveira, que assina a curadoria, participaram do encontro o diretor artístico Andres Clerici, que falou sobre o design expositivo, e o renomado arquiteto espanhol Santiago Calatrava, que deu detalhes do projeto arquitetônico e suas características sustentáveis.
O Museu do Amanhã é uma iniciativa da Prefeitura do Rio de Janeiro e da Fundação Roberto Marinho, com o Banco Santander como Patrocinador Master e o apoio do Governo do Estado, por meio de sua Secretaria do Ambiente, do Governo Federal, por meio da Finep, e da Secretaria dos Portos. "O Museu do Amanhã será o ícone da revitalização da zona portuária do Rio de Janeiro. Vai ficar para a cidade como o Maracanã, os Arcos da Lapa, o Cristo Redentor", disse o prefeito da cidade, Eduardo Paes.
O Museu do Amanhã será um museu de ciências diferente. Os museus de ciência atuam normalmente em duas linhas: uns exploram os vestígios do passado (como os de história natural); outros se voltam para evidências e experiências do presente (como os de ciência e tecnologia). O Museu do Amanhã propõe uma terceira via, a de explorar possibilidades. Por meio de ambientes audiovisuais, instalações interativas e jogos, o público será levado a examinar o passado, manipular as várias tendências da atualidade e imaginar futuros possíveis para os próximos 50 anos. Assim, o Museu conduzirá a uma reflexão sobre os sintomas da nova era geológica do Antropoceno, na qual o homem se tornou uma força capaz de alterar o clima, degradar biomas, interferir em ecossistemas.
"Nós estamos querendo inventar um novo tipo de museu, que será um lugar para perguntas e explorações de possibilidades, com um conteúdo para desafiar o pensamento; uma arte para envolver novos sentidos e uma cultura para provocar novas emoções. Todo museu tem coleções, o Museu do Amanhã vai colecionar possibilidades de futuro. A filosofia do Museu do Amanhã é que o amanhã é hoje e está sendo construído por todos nós", explicou o secretáriogeral da Fundação Roberto Marinho, Hugo Barreto.
Para estruturar o conteúdo do Museu, Luiz Alberto Oliveira - que, na fase de concepção curatorial, trabalhou em parceria com o jornalista e professor de cultura brasileira Leonel Kaz - explorou três eixos narrativos. O primeiro é o da polaridade entre as Ciências Cósmicas (que lidam com sistemas demasiado grandiosos ou diminutos) e as Ciências Terrestres (todas as demais, incluindo a Biologia e as Humanidades). O segundo eixo aborda três dimensões da existência terrestre: a história das formações da Matéria; os desdobramentos da organização da Vida e a emergência do Pensamento. Estes domínios serão explorados segundo quatro grandes tendências que, em escala planetária, definirão nosso futuro comum: as mudanças climáticas, o aumento da população e da longevidade; a crescente integração econômica, social e comunicacional; e a multiplicação e diversificação dos artefatos, paralela ao decréscimo dos biomas. O terceiro eixo, enfim, enfatiza o comportamento humano e a Ética. Duas grandes diretrizes, a da sustentabilidade e a da convivência, deverão nortear o percurso.
"O amanhã é uma construção coletiva e pessoal, é reflexo de escolhas que fazemos cotidianamente. O Museu do Amanhã será um espaço para pensarmos sobre como viveremos no mundo e como viveremos uns com os outros", afirmou o curador Luiz Alberto Oliveira.
"Pretendemos mostrar uma visão humanística do amanhã, pois este é um museu de ideias. As experiências propostas aos visitantes farão com que ele se sinta parte de um todo", complementou o diretor artístico Andres Clerici. O designer americano Ralph Appelbaum assina a concepção museográfica.
Como uma das âncoras do Projeto Porto Maravilha, o Museu do Amanhã será erguido no Píer Mauá, em meio a uma grande área verde. Serão cerca de 30 mil m², com jardins, espelhos d'água, ciclovia e área de lazer. O prédio terá 15 mil m² e arquitetura sustentável. O projeto arquitetônico, concebido por Calatrava, prevê a utilização de recursos naturais do local - como, por exemplo, a água da Baía de Guanabara, que será utilizada na climatização do interior do Museu e reutilizada no espelho d´água. No telhado da construção, grandes estruturas de aço, que se movimentam como asas, servirão de base para placas de captação de energia solar. Com isso, o Museu do Amanhã vai buscar a certificação Leed (Liderança em Energia e Projeto Ambiental), concedida pelo Green Building Council (USGBC).
"Um passeio ao redor do Museu será uma lição de sustentabilidade, de botânica, uma aula do que significa energia solar'", explicou Calatrava. "O edifício será como um organismo e vai se relacionar diretamente com a paisagem do entorno".
A construção do Museu do Amanhã está incluída no conjunto de obras da prefeitura realizadas pelo Consórcio Porto Novo, através da maior Parceria Público-Privada (PPP) do País. Assim como as demais intervenções do Porto Maravilha, o projeto orçado em R$ 215 milhões será custeado pela venda dos CEPACs (Certificados de Potencial Adicional de Construção) - sem recursos do tesouro municipal. O Museu conta ainda com investimento de R$ 65 milhões do Banco Santander, seu patrocinador. A inauguração está prevista para 2014.
(Ascom da Prefeitura do Rio de Janeiro)
Além do físico e doutor em cosmologia Luiz Alberto Oliveira, que assina a curadoria, participaram do encontro o diretor artístico Andres Clerici, que falou sobre o design expositivo, e o renomado arquiteto espanhol Santiago Calatrava, que deu detalhes do projeto arquitetônico e suas características sustentáveis.
O Museu do Amanhã é uma iniciativa da Prefeitura do Rio de Janeiro e da Fundação Roberto Marinho, com o Banco Santander como Patrocinador Master e o apoio do Governo do Estado, por meio de sua Secretaria do Ambiente, do Governo Federal, por meio da Finep, e da Secretaria dos Portos. "O Museu do Amanhã será o ícone da revitalização da zona portuária do Rio de Janeiro. Vai ficar para a cidade como o Maracanã, os Arcos da Lapa, o Cristo Redentor", disse o prefeito da cidade, Eduardo Paes.
O Museu do Amanhã será um museu de ciências diferente. Os museus de ciência atuam normalmente em duas linhas: uns exploram os vestígios do passado (como os de história natural); outros se voltam para evidências e experiências do presente (como os de ciência e tecnologia). O Museu do Amanhã propõe uma terceira via, a de explorar possibilidades. Por meio de ambientes audiovisuais, instalações interativas e jogos, o público será levado a examinar o passado, manipular as várias tendências da atualidade e imaginar futuros possíveis para os próximos 50 anos. Assim, o Museu conduzirá a uma reflexão sobre os sintomas da nova era geológica do Antropoceno, na qual o homem se tornou uma força capaz de alterar o clima, degradar biomas, interferir em ecossistemas.
"Nós estamos querendo inventar um novo tipo de museu, que será um lugar para perguntas e explorações de possibilidades, com um conteúdo para desafiar o pensamento; uma arte para envolver novos sentidos e uma cultura para provocar novas emoções. Todo museu tem coleções, o Museu do Amanhã vai colecionar possibilidades de futuro. A filosofia do Museu do Amanhã é que o amanhã é hoje e está sendo construído por todos nós", explicou o secretáriogeral da Fundação Roberto Marinho, Hugo Barreto.
Para estruturar o conteúdo do Museu, Luiz Alberto Oliveira - que, na fase de concepção curatorial, trabalhou em parceria com o jornalista e professor de cultura brasileira Leonel Kaz - explorou três eixos narrativos. O primeiro é o da polaridade entre as Ciências Cósmicas (que lidam com sistemas demasiado grandiosos ou diminutos) e as Ciências Terrestres (todas as demais, incluindo a Biologia e as Humanidades). O segundo eixo aborda três dimensões da existência terrestre: a história das formações da Matéria; os desdobramentos da organização da Vida e a emergência do Pensamento. Estes domínios serão explorados segundo quatro grandes tendências que, em escala planetária, definirão nosso futuro comum: as mudanças climáticas, o aumento da população e da longevidade; a crescente integração econômica, social e comunicacional; e a multiplicação e diversificação dos artefatos, paralela ao decréscimo dos biomas. O terceiro eixo, enfim, enfatiza o comportamento humano e a Ética. Duas grandes diretrizes, a da sustentabilidade e a da convivência, deverão nortear o percurso.
"O amanhã é uma construção coletiva e pessoal, é reflexo de escolhas que fazemos cotidianamente. O Museu do Amanhã será um espaço para pensarmos sobre como viveremos no mundo e como viveremos uns com os outros", afirmou o curador Luiz Alberto Oliveira.
"Pretendemos mostrar uma visão humanística do amanhã, pois este é um museu de ideias. As experiências propostas aos visitantes farão com que ele se sinta parte de um todo", complementou o diretor artístico Andres Clerici. O designer americano Ralph Appelbaum assina a concepção museográfica.
Como uma das âncoras do Projeto Porto Maravilha, o Museu do Amanhã será erguido no Píer Mauá, em meio a uma grande área verde. Serão cerca de 30 mil m², com jardins, espelhos d'água, ciclovia e área de lazer. O prédio terá 15 mil m² e arquitetura sustentável. O projeto arquitetônico, concebido por Calatrava, prevê a utilização de recursos naturais do local - como, por exemplo, a água da Baía de Guanabara, que será utilizada na climatização do interior do Museu e reutilizada no espelho d´água. No telhado da construção, grandes estruturas de aço, que se movimentam como asas, servirão de base para placas de captação de energia solar. Com isso, o Museu do Amanhã vai buscar a certificação Leed (Liderança em Energia e Projeto Ambiental), concedida pelo Green Building Council (USGBC).
"Um passeio ao redor do Museu será uma lição de sustentabilidade, de botânica, uma aula do que significa energia solar'", explicou Calatrava. "O edifício será como um organismo e vai se relacionar diretamente com a paisagem do entorno".
A construção do Museu do Amanhã está incluída no conjunto de obras da prefeitura realizadas pelo Consórcio Porto Novo, através da maior Parceria Público-Privada (PPP) do País. Assim como as demais intervenções do Porto Maravilha, o projeto orçado em R$ 215 milhões será custeado pela venda dos CEPACs (Certificados de Potencial Adicional de Construção) - sem recursos do tesouro municipal. O Museu conta ainda com investimento de R$ 65 milhões do Banco Santander, seu patrocinador. A inauguração está prevista para 2014.
(Ascom da Prefeitura do Rio de Janeiro)
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
O que a Igreja poderia aprender com o Carnaval?
Por
Hermes C. Fernandes
Seria lícito tomar o desfile do Carnaval como analogia de nossa caminhada cristã? Certamente, a maioria dirá que não. Afinal de contas, o Carnaval é a festa pagã por excelência, onde, além de toda promiscuidade, entidades pagãs são homenageadas.
Eu poderia gastar muitas linhas tecendo críticas justas a esta festa em que tantas famílias são desfeitas, e inúmeras vidas destruídas. Porém hoje, quero pegar a contramão.
Por que será que os cristãos sempre enfatizam os aspectos ruins de qualquer manifestação cultural?
Se vivêssemos nos tempos primitivos da igreja cristã, como reagiríamos ao fato de Paulo tomar as Olimpíadas como analogia da trajetória cristã neste mundo?
Ora, os jogos olímpicos celebravam os deuses do Olimpo. Portanto, era uma festa idólatra. Os atletas competiam nus. Sem contar as orgias que se seguiam às competições. Sinceramente, não saberia dizer qual seria pior, as Olimpíadas ou o Carnaval.
Porém Paulo soube enxergar alguma beleza por trás daquela manifestação cultural. A disposição dos atletas, além do seu preparo e empenho, foram destacados pelo apóstolo como virtudes a serem cultivadas pelos seguidores de Cristo.
E quanto ao Carnaval? Haveria nele alguma beleza, alguma virtude que pudesse ser destacada do meio de tanta licenciosidade? Acredito que sim.
Embora jamais tenha participado, talvez por ter nascido em berço evangélico tradicional, posso enxergar alguma ordem no meio do caos carnavalesco.
Destaco a criatividade dos foliões, principalmente dos carnavalescos na composição das fantasias, dos carros alegóricos, do samba-enredo. Eles buscam a perfeição. Diz-se que o desfile do ano seguinte começa a ser preparado quando termina o Carnaval. É, de fato, um trabalho árduo que demanda muito empenho.
Se houvesse por parte de muitos cristãos uma parcela da dedicação encontrada nos barracões de Escolas de Samba, faríamos um trabalho muito mais elaborado para Deus. Buscaríamos a excelência, em vez de nos contentar com tanta mediocridade.
O desfile começa com a concentração. É ali que é dado o grito de guerra da Escola, seguido pelo aquecimento dos tamborins.
A concentração equivale à congregação. Nosso lugar de culto (comumente chamado de “templo” ou “igreja”) é onde nos concentramos e aquecemos nosso espírito. Porém, a obra acontece lá fora, “na avenida” do mundo.
Gosto quando Paulo fala que somos conduzidos por Cristo em Seu desfile triunfal. O apóstolo compara a marcha cristã pelo mundo às paradas triunfais promovidas pelo império romano. Era um espetáculo cruento, no qual os presos eram expostos publicamente, acorrentados arrastados pelas ruas da cidade. Era assim que Roma exibia sua supremacia, e impunha seu poder. Paulo toma emprestada a figura deste majestoso e horroroso evento para afirmar que Cristo está nos exibindo ao Mundo como aqueles que foram conquistados por Seu amor.
Muitos cristãos acreditam ingenuamente que a guerra se dá na concentração. Por isso, a igreja atual é tão em-si-mesmada, isto é, voltada para dentro de si. Ela passou a ser um fim em si mesmo.
A avenida nos espera!
À frente vai a comissão de frente, seguida pelo carro alegórico abre-alas. Compete aos componentes dessa comissão a primeira impressão.
A comissão de frente da igreja de Cristo é formada pelos que nos precederam, que abriram caminho para as novas gerações. Não podemos permitir que caiam no esquecimento. Também são os missionários, que deixam sua pátria para abrir caminho em outros rincões. Grande é sua responsabilidade, e alto é o preço que se dispõem a pagar para que o Evangelho de Cristo chegue à populações ainda não alcançadas. Paulo fazia parte da comissão de frente da igreja primitiva. Chegamos a esta conclusão quando lemos o que escreveu aos coríntios: “Para anunciar o evangelho nos lugares que estão além de vós, e não em campo de outrem” (2 Co.10:16). Ele preferia pescar em alto mar, e não aquário dos outros.
A Escola de Samba é dividida em alas, cada uma com fantasias e carro alegórico próprios. Porém, o samba-enredo é o mesmo. O que é cantado lá na frente, é sincronicamente cantado na última ala da Escola. A voz do puxador do samba, bem como a batida harmoniosa da bateria, ecoando por toda a avenida, garantem esta sincronia. Não pode haver espaços vazios entre as alas. Há harmonia até nas cores das fantasias. Ninguém entra na avenida vestido como quiser. Imagine se as variadas denominações que compõem o Corpo Místico de Cristo se relacionassem da mesma maneira, respeitando cada uma o espaço da outra, porém dentro de uma evolução harmoniosa. No meio do desfile encontramos o casal de porta-bandeira. Eles exibem orgulhosamente o pavilhão da Escola. Seus gestos e passos são cuidadosamente combinados, para que a bandeira receba as honras devidas.
É triste verificar o quanto a bandeira do Evangelho tem sido chacoalhada, pois os que a deveriam ostentar, são os primeiros a desonrá-la com seu mal testemunho.
Os cristãos primitivos se dispunham a pagar com a própria vida para que seu testemunho de fé fosse validado e o nome de Cristo fosse honrado.
Ao término do desfile chega o momento da dispersão. É hora de partir, levando a certeza de que todos deram o melhor de si. Alguns saem machucados, com os pés sangrando, com as forças exauridas. Mas todos saem alegres, esperançosos de que sua escola seja a campeã. Aprenderam a sublimar a dor enquanto desfilam. Ignoram o cansaço. Vencem os limites do seu corpo. Tudo pela alegria de ver sua escola se sagrando campeã. Mas no fim, chega a hora de tirar a fantasia, descer dos carros alegóricos, cuidar das feridas nos pés. Mesmo assim, ninguém reclama.
Todos estamos a caminho do fim do desfile. O momento da dispersão está chegando, quando deixaremos este corpo, nossa fantasia, e seremos saudados pela Eternidade. Que diremos nesta hora? Não haverá novos desfiles. Terá chegado o fim de nossa trajetória? Não! Será apenas o começo de uma nova fase existencial. Deixaremos nossas fantasias, para nos revestirmos de novas vestes celestiais. Falaremos como Paulo em sua carta de despedida a Timóteo:
“...o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” (2 Tm.4:6b-8).
Aproveitemos os instantes em que estamos na avenida desta vida, celebremos a verdadeira alegria, infelizmente ainda desconhecida por muitos foliões, e que não terminará em cinzas.
Hermes Fernandes é um dos mentores da Santa Subversão Reinista no Genizah
Os nossos leitores gostaram igualmente de
Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/2010/02/o-que-igreja-poderia-aprender-com-o.html#ixzz1mxcGFETZ
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Hermes C. Fernandes
Seria lícito tomar o desfile do Carnaval como analogia de nossa caminhada cristã? Certamente, a maioria dirá que não. Afinal de contas, o Carnaval é a festa pagã por excelência, onde, além de toda promiscuidade, entidades pagãs são homenageadas.
Eu poderia gastar muitas linhas tecendo críticas justas a esta festa em que tantas famílias são desfeitas, e inúmeras vidas destruídas. Porém hoje, quero pegar a contramão.
Por que será que os cristãos sempre enfatizam os aspectos ruins de qualquer manifestação cultural?
Se vivêssemos nos tempos primitivos da igreja cristã, como reagiríamos ao fato de Paulo tomar as Olimpíadas como analogia da trajetória cristã neste mundo?
Ora, os jogos olímpicos celebravam os deuses do Olimpo. Portanto, era uma festa idólatra. Os atletas competiam nus. Sem contar as orgias que se seguiam às competições. Sinceramente, não saberia dizer qual seria pior, as Olimpíadas ou o Carnaval.
Porém Paulo soube enxergar alguma beleza por trás daquela manifestação cultural. A disposição dos atletas, além do seu preparo e empenho, foram destacados pelo apóstolo como virtudes a serem cultivadas pelos seguidores de Cristo.
E quanto ao Carnaval? Haveria nele alguma beleza, alguma virtude que pudesse ser destacada do meio de tanta licenciosidade? Acredito que sim.
Embora jamais tenha participado, talvez por ter nascido em berço evangélico tradicional, posso enxergar alguma ordem no meio do caos carnavalesco.
Destaco a criatividade dos foliões, principalmente dos carnavalescos na composição das fantasias, dos carros alegóricos, do samba-enredo. Eles buscam a perfeição. Diz-se que o desfile do ano seguinte começa a ser preparado quando termina o Carnaval. É, de fato, um trabalho árduo que demanda muito empenho.
Se houvesse por parte de muitos cristãos uma parcela da dedicação encontrada nos barracões de Escolas de Samba, faríamos um trabalho muito mais elaborado para Deus. Buscaríamos a excelência, em vez de nos contentar com tanta mediocridade.
O desfile começa com a concentração. É ali que é dado o grito de guerra da Escola, seguido pelo aquecimento dos tamborins.
A concentração equivale à congregação. Nosso lugar de culto (comumente chamado de “templo” ou “igreja”) é onde nos concentramos e aquecemos nosso espírito. Porém, a obra acontece lá fora, “na avenida” do mundo.
Gosto quando Paulo fala que somos conduzidos por Cristo em Seu desfile triunfal. O apóstolo compara a marcha cristã pelo mundo às paradas triunfais promovidas pelo império romano. Era um espetáculo cruento, no qual os presos eram expostos publicamente, acorrentados arrastados pelas ruas da cidade. Era assim que Roma exibia sua supremacia, e impunha seu poder. Paulo toma emprestada a figura deste majestoso e horroroso evento para afirmar que Cristo está nos exibindo ao Mundo como aqueles que foram conquistados por Seu amor.
Muitos cristãos acreditam ingenuamente que a guerra se dá na concentração. Por isso, a igreja atual é tão em-si-mesmada, isto é, voltada para dentro de si. Ela passou a ser um fim em si mesmo.
A avenida nos espera!
À frente vai a comissão de frente, seguida pelo carro alegórico abre-alas. Compete aos componentes dessa comissão a primeira impressão.
A comissão de frente da igreja de Cristo é formada pelos que nos precederam, que abriram caminho para as novas gerações. Não podemos permitir que caiam no esquecimento. Também são os missionários, que deixam sua pátria para abrir caminho em outros rincões. Grande é sua responsabilidade, e alto é o preço que se dispõem a pagar para que o Evangelho de Cristo chegue à populações ainda não alcançadas. Paulo fazia parte da comissão de frente da igreja primitiva. Chegamos a esta conclusão quando lemos o que escreveu aos coríntios: “Para anunciar o evangelho nos lugares que estão além de vós, e não em campo de outrem” (2 Co.10:16). Ele preferia pescar em alto mar, e não aquário dos outros.
A Escola de Samba é dividida em alas, cada uma com fantasias e carro alegórico próprios. Porém, o samba-enredo é o mesmo. O que é cantado lá na frente, é sincronicamente cantado na última ala da Escola. A voz do puxador do samba, bem como a batida harmoniosa da bateria, ecoando por toda a avenida, garantem esta sincronia. Não pode haver espaços vazios entre as alas. Há harmonia até nas cores das fantasias. Ninguém entra na avenida vestido como quiser. Imagine se as variadas denominações que compõem o Corpo Místico de Cristo se relacionassem da mesma maneira, respeitando cada uma o espaço da outra, porém dentro de uma evolução harmoniosa. No meio do desfile encontramos o casal de porta-bandeira. Eles exibem orgulhosamente o pavilhão da Escola. Seus gestos e passos são cuidadosamente combinados, para que a bandeira receba as honras devidas.
É triste verificar o quanto a bandeira do Evangelho tem sido chacoalhada, pois os que a deveriam ostentar, são os primeiros a desonrá-la com seu mal testemunho.
Os cristãos primitivos se dispunham a pagar com a própria vida para que seu testemunho de fé fosse validado e o nome de Cristo fosse honrado.
Ao término do desfile chega o momento da dispersão. É hora de partir, levando a certeza de que todos deram o melhor de si. Alguns saem machucados, com os pés sangrando, com as forças exauridas. Mas todos saem alegres, esperançosos de que sua escola seja a campeã. Aprenderam a sublimar a dor enquanto desfilam. Ignoram o cansaço. Vencem os limites do seu corpo. Tudo pela alegria de ver sua escola se sagrando campeã. Mas no fim, chega a hora de tirar a fantasia, descer dos carros alegóricos, cuidar das feridas nos pés. Mesmo assim, ninguém reclama.
Todos estamos a caminho do fim do desfile. O momento da dispersão está chegando, quando deixaremos este corpo, nossa fantasia, e seremos saudados pela Eternidade. Que diremos nesta hora? Não haverá novos desfiles. Terá chegado o fim de nossa trajetória? Não! Será apenas o começo de uma nova fase existencial. Deixaremos nossas fantasias, para nos revestirmos de novas vestes celestiais. Falaremos como Paulo em sua carta de despedida a Timóteo:
“...o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” (2 Tm.4:6b-8).
Aproveitemos os instantes em que estamos na avenida desta vida, celebremos a verdadeira alegria, infelizmente ainda desconhecida por muitos foliões, e que não terminará em cinzas.
Hermes Fernandes é um dos mentores da Santa Subversão Reinista no Genizah
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segunda-feira, 11 de abril de 2011
A busca pela liberdade que todos procuram e as trincheiras cavadas dentro de nós
Na dificuldade de escrever sobre esse fatidico assunto do atentado à escola Tássio da Silveira, até por não querer, até por ter ouvido tanto e terem usado tanto, mas também por isso talvez seja importante uma outra reflexão, e tento passar um pouco do que senti nesses últimos dias. Lembro que no dia do atentado foi horrível. Me senti muito mal e não queria sair de casa para trabalhar, porém não com medo, mas estava com desânimo e pesar. Ao longo do dia e dos dias que se seguiram vimos muitas coisas sendo contadas na Televisão a respeito deste caso. Muitas informações repetidas e por que não dizer até apelativas...
A busca pela liberdade que todos procuram
Gostaria de escrever talvez o que nenhum psicólogo ou sociólogo nos informou. O que ninguém que não coloque o evangelho em sua ótica pode nos informar. Só quem entendeu o evangelho do Cristo Jesus pode saber. Que aquele rapaz que entrou numa escola de Realengo portando armas e atirou em várias crianças matando 12 destas no fundo não procurou nem justiça nem vingança, mas sim liberdade. Eu sei que isso que estou dizendo pode até chocar, mas o fato é que todos nós procuramos pela tal liberdade, e geralmente
começamos tal procura sem ao menos saber o que ela é, e apenas sentindo um anseio e a necessidade de vida dela. Pessoas procuram liberdade de diversas formas. Através do consumo, outros em ter conquistas, dinheiro, outros com drogas, alguns através do sexo e outras pessoas através de outros prazeres, algumas pessoas procuram a liberdade em outras pessoas em relação a se entregarem a estas, e uma parcela de pessoas através da destruição total dos outros e por fim, alguns através do suicídio.
Na noite de 09/04/2011 em São Paulo o U2 terminou o show com a música "Moment of Surrender", em que Bono lembrou das vítimas do atentado em Realengo.
"Moment of Surrender"
Me amarrei com fios
Para os cavalos correrem livres
Brincando com fogo até que o fogo brincou comigo
A pedra era semi-preciosa
Nós estavamos semi-conscientes
Duas almas espertas demais para estar no reino da certeza
mesmo no dia do nosso casamento
Nós nos colocamos em chamas
Ó Deus, não negue ela
Não é se eu acredito em amor
Mas se o amor acredita em mim
Oh, acredite em mim
No momento da rendição
Eu fiquei de joelhos
Não prestei atenção nos transeuntes
E eles não prestaram atenção em mim
Eu estive em todos os buracos negros
No altar da estrela negra
Meu corpo se tornou um recipiente de esmolas
Que esta implorando para voltar, implorando para voltar
Para o meu coração
Para o ritmo de minha alma
Para o ritmo da minha inconsciencia
Para o ritmo que se lembra
Para ser libertado do controle
Eu estava apertando os numeros de um caixa eletronico
Eu podia ver no reflexo
Uma face me encarando
No momento da rendição
De visão sobre visibilidade
Eu não prestei atenção nos transeuntes
E eles não prestaram atenção em mim
Eu estava correndo no metro
Pelas estações do cruzamento
Todos os olhos olhando para o outro lado
Contando para quando a dor iria parar
No momento da rendição
De visão sobre visibilidade
Eu não prestei atenção nos transeuntes
E eles não prestaram atenção em mim
Nossas trincheiras estão cavadas dentro de nós

A banda U2, em sua música mais dramática, mais emblemática e mais contra a violência, que se chama "Sunday Bloody Sunday", diz que nossas trincheiras estão cavadas dentro de nós, e de fato é, pois nós consrtruimos uma cultura de morte e não podemos agora isolar esse caso. Depois eles cantam "How long? How long sing this song? How long?" (Até quando? Até quando vamos ter que cantar esta canção?, se referindo a própria canção "Sunday Bloody Sunday". Não podemos esconder os fatos. Por isso mesmo não podemos colocar aquele rapaz como monstro e nós os bonzinhos. De fato ele foi um monstro, mas somos tão bons quanto pensamos que somos a ponto de não nos colocármos no lugar de assassinos como ele?
Muitas vezes nos colocamos como tão distantes e diferentes daquilo que não queremos ser, mas que no fundo temos ao menos um pouco daquilo que estamos negando. Nas escolas sempre existiu, eu mesmo já sofri bullyng, mas também dei bullyg, e se algum dia essa pessoa a quem eu dei bulling vier a destruir as pessoas, será que eu não terei ao menos algo de responsabilidade sobre isso? Eu creio que sim, pois eu ajudei a construir aquela pessoa. Influenciamos e somos influenciados. Nós formamos o meio e somos formados por ele. O quanto essa reciprocidade em termos de proporção e o tipo de conhecimento que temos e o que nos sensibiliza talvez seja o que define o que vamos ser. Diz o livro do "Pequeno Príncipe" que nos tornamos responsáveis daqueles que cativamos. Mas e o inverso? Será que somos responsáveis pelos que não cativamos, ou melhor pelos que ofendemos, destratamos, ridicularizamos ou humilhamos? Será que não ESTAMOS CRIANDO “MONSTROS” NA CALADA DA NOITE e nós somos estes monstros? A cultura da violência ou cultura da morte está em todo lugar, nas ruas se ouvem palavrões dos mais agressivos de crianças para crianças, e se ouvem músicas que cantam agressividade, machismo, sentimentos de superioridade e egolatria, coisificação do homem e da mulher, relativizam o mal, além de apelo a maldade, ouvi-se todos os dias conversas que adultos não se detém nem diante de crianças que estão brincando ao lado, e ligamos na televisão almoçamos assistindo inertes a programas policiais sensacionalistas que privilegiam os casos de violência, além de vários programas nos horários seguintes que fazem a gente mastigar violência gratuita, assim como os games colocam a violência em evidência sendo você o participante definindo os rumos de seu personagem ou avatar. De casa ao trabalho e do trabalho a casa as pessoas competem até para ver quem senta primeiro no assento do metrô, e o pior é que ainda acham graça, e aí no dia seguinte compram jornais que privilegiam o linguajar violento e debocham das desgraças alheias como o Meia Hora ou O Extra, O Expresso (jornais ditos populares aqui do RJ) para depois chegármos em casa e ver as mesmas notícias no telejornal, que em sua maioria está cheio de violência. E aí ligam a tv para assistir novela e tome mais violência e reprodução de imaginário coletivo, (re)construções de sentimentos coletivos. Não se trata de discutir esse imaginário, mas de apenas simular e reproduzir o mais próximo do real possível,e daí esse ciclo vai se repetindo. O que aconteceu aconteceu nesses dias, mas poderia ter acontecido faz tempos, pois vivemos imersos nessa cultura de violência.
Leiam a já citada letra de "Sunday Bloody Sunday" na íntegra.
"Sunday Bloody Sunday"
Não posso acreditar nas notícias de hoje
Não posso fechar os olhos e fazê-las desaparecer
Quanto tempo, quanto tempo teremos de cantar esta canção?
Quanto tempo, Quanto tempo?
Porque esta noite
Podemos ser como um, essa noite
Garrafas quebradas sob os pés das crianças
Corpos espalhados num beco sem saída.
Mas eu não vou atender ao apelo da batalha
Isso coloca minhas costas, coloca minhas costas contra a parede.
Domingo, sangrento domingo
Oh, vamos lá!
E a batalha apenas começou
Há muitos que perderam, mas me diga: quem ganhou?
As trincheiras cavadas em nossos corações
mães, filhos, irmãos, irmãs dilacerados.
Domingo, sangrento domingo
Domingo, sangrento domingo
Quanto tempo, quanto tempo teremos para cantar esta canção?
Quanto tempo, quanto tempo?
Hoje à noite
Nós podemos ser como um, esta noite.
Domingo, sangrento domingo.
Domingo, sangrento domingo.
Enxugue as lágrimas de seus olhos
Limpe suas lágrimas.
Vou limpar suas lágrimas. (2x)
Vou limpar os seus olhos vermelhos.
Domingo, sangrento domingo
E é verdade que somos imunes
Quando o fato é ficção e a realidade da TV.
E hoje milhões choram
Comemos e bebemos enquanto eles morrem amanhã
A batalha real apenas começou
Para reivindicar a vitória de Jesus
Em...
Domingo, sangrento domingo
Domingo, sangrento domingo
Não sei se consegui chegar no raciocínio que eu gostaria, mas de qualquer forma a coisa é que tudo na nossa vida se resume em falta ou presença de amor. Tudo o que preciso é amor...mas muito mais amar do que ser amado. Apenas ame, foi isso o que Jesus nos ensinou...
A busca pela liberdade que todos procuram
Gostaria de escrever talvez o que nenhum psicólogo ou sociólogo nos informou. O que ninguém que não coloque o evangelho em sua ótica pode nos informar. Só quem entendeu o evangelho do Cristo Jesus pode saber. Que aquele rapaz que entrou numa escola de Realengo portando armas e atirou em várias crianças matando 12 destas no fundo não procurou nem justiça nem vingança, mas sim liberdade. Eu sei que isso que estou dizendo pode até chocar, mas o fato é que todos nós procuramos pela tal liberdade, e geralmente
começamos tal procura sem ao menos saber o que ela é, e apenas sentindo um anseio e a necessidade de vida dela. Pessoas procuram liberdade de diversas formas. Através do consumo, outros em ter conquistas, dinheiro, outros com drogas, alguns através do sexo e outras pessoas através de outros prazeres, algumas pessoas procuram a liberdade em outras pessoas em relação a se entregarem a estas, e uma parcela de pessoas através da destruição total dos outros e por fim, alguns através do suicídio.
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| Olhando de cima ou de baixo? Liberdade não é um ângulo de visão. |
Jesus disse para um certo grupo de judeus a respeito de liberdade dizendo a eles que se eles conhecessem a verdade verdadeiramente eles seriam libertos (João 8:32), ao que estes não gostaram de tal afirmação e reinvindicaram sua posição de pessoas livres ao contrário de seus pais que eram escravos por conta do exílio. Estas pessoas a quem Jesus se pronunciou, por terem nascidos fora do exílio, fora da escravidão formal, se achavam os mais livres. O caso é que Jesus estava se referindo a si mesmo como a verdade. Eis que Jesus os explica que a escravidão deles não estava no fato de serem ou não reféns de alguém, de algum governo ou de algum grupo ou nação, mas sim de pensamentos, e mais ainda da condição humana de pecadores que todos nós temos (todos somos pecadores não por pecármos, mas pecamos por sermos pecadores). Nós na verdade somos reféns cativos de nós mesmos. E cada um de nós tentamos nos livrar e tentamos ser livres e independentes de tudo e de todos a nossa própria maneira. Estar acima de um mundo ao nosso redor que nos cerca e nos oprime com problemas que só mudam de nomes. É importante também salientarmos que a definição de mals e bons nossa é diferente da de Deus. Jesus, o verbo divino, diz que do nosso coração é que procedem os homicídios e tantas outras maldades (Marcos 7:21). Assim nos tornamos aquilo que cultivamos em nós mesmos. Quem de nós não já teve sentimentos de homicídio? Se dissermos que nunca tivemos estaremos comentendo pecado por mentir e ao mesmo tempo chamando Jesus de mentiroso. Por isso eu repito: Quem de nós não já teve sentimentos de homicídio? Se assim não fosse o mandamento contra homicídio não estaria entre os famosos 10 mandamentos da Lei de Deus da Antiga Aliança. Naquele momento somos aquilo o que pensamos em nossa mente. Esse rapaz que destruiu tantas vidas e acabou se destruindo foi realmente muito covarde, bem mais do que nós, não conseguiu cortar o mal que cultivou e que foi várias vezes regado por pessoas que o oprimiu assim como a própria forma que a sociedade vive e se organiza. Não se trata de atenuar o assassino, mas de reconhecermos em nós a violência que habita na gente todo dia e em todas as partes desse planeta, e daí buscármos a nossa salvação, haja visto que jamais conseguiremos nossa alforria de nós mesmos, mas tão somente aquele que é capaz de nos libertar de nós mesmos e do cativeiro da corrupção, bem como da vaidade da vaidade, Jesus Cristo, filho do Deus vivo, o homem que morreu assassinado por meio da nossa falsa "liberdade" para que tivessemos a verdadeira liberdade na verdade do amor, pode fazer isso.
Na noite de 09/04/2011 em São Paulo o U2 terminou o show com a música "Moment of Surrender", em que Bono lembrou das vítimas do atentado em Realengo.
"Moment of Surrender"
Me amarrei com fios
Para os cavalos correrem livres
Brincando com fogo até que o fogo brincou comigo
A pedra era semi-preciosa
Nós estavamos semi-conscientes
Duas almas espertas demais para estar no reino da certeza
mesmo no dia do nosso casamento
Nós nos colocamos em chamas
Ó Deus, não negue ela
Não é se eu acredito em amor
Mas se o amor acredita em mim
Oh, acredite em mim
No momento da rendição
Eu fiquei de joelhos
Não prestei atenção nos transeuntes
E eles não prestaram atenção em mim
Eu estive em todos os buracos negros
No altar da estrela negra
Meu corpo se tornou um recipiente de esmolas
Que esta implorando para voltar, implorando para voltar
Para o meu coração
Para o ritmo de minha alma
Para o ritmo da minha inconsciencia
Para o ritmo que se lembra
Para ser libertado do controle
Eu estava apertando os numeros de um caixa eletronico
Eu podia ver no reflexo
Uma face me encarando
No momento da rendição
De visão sobre visibilidade
Eu não prestei atenção nos transeuntes
E eles não prestaram atenção em mim
Eu estava correndo no metro
Pelas estações do cruzamento
Todos os olhos olhando para o outro lado
Contando para quando a dor iria parar
No momento da rendição
De visão sobre visibilidade
Eu não prestei atenção nos transeuntes
E eles não prestaram atenção em mim
Nossas trincheiras estão cavadas dentro de nós

A banda U2, em sua música mais dramática, mais emblemática e mais contra a violência, que se chama "Sunday Bloody Sunday", diz que nossas trincheiras estão cavadas dentro de nós, e de fato é, pois nós consrtruimos uma cultura de morte e não podemos agora isolar esse caso. Depois eles cantam "How long? How long sing this song? How long?" (Até quando? Até quando vamos ter que cantar esta canção?, se referindo a própria canção "Sunday Bloody Sunday". Não podemos esconder os fatos. Por isso mesmo não podemos colocar aquele rapaz como monstro e nós os bonzinhos. De fato ele foi um monstro, mas somos tão bons quanto pensamos que somos a ponto de não nos colocármos no lugar de assassinos como ele?
Muitas vezes nos colocamos como tão distantes e diferentes daquilo que não queremos ser, mas que no fundo temos ao menos um pouco daquilo que estamos negando. Nas escolas sempre existiu, eu mesmo já sofri bullyng, mas também dei bullyg, e se algum dia essa pessoa a quem eu dei bulling vier a destruir as pessoas, será que eu não terei ao menos algo de responsabilidade sobre isso? Eu creio que sim, pois eu ajudei a construir aquela pessoa. Influenciamos e somos influenciados. Nós formamos o meio e somos formados por ele. O quanto essa reciprocidade em termos de proporção e o tipo de conhecimento que temos e o que nos sensibiliza talvez seja o que define o que vamos ser. Diz o livro do "Pequeno Príncipe" que nos tornamos responsáveis daqueles que cativamos. Mas e o inverso? Será que somos responsáveis pelos que não cativamos, ou melhor pelos que ofendemos, destratamos, ridicularizamos ou humilhamos? Será que não ESTAMOS CRIANDO “MONSTROS” NA CALADA DA NOITE e nós somos estes monstros? A cultura da violência ou cultura da morte está em todo lugar, nas ruas se ouvem palavrões dos mais agressivos de crianças para crianças, e se ouvem músicas que cantam agressividade, machismo, sentimentos de superioridade e egolatria, coisificação do homem e da mulher, relativizam o mal, além de apelo a maldade, ouvi-se todos os dias conversas que adultos não se detém nem diante de crianças que estão brincando ao lado, e ligamos na televisão almoçamos assistindo inertes a programas policiais sensacionalistas que privilegiam os casos de violência, além de vários programas nos horários seguintes que fazem a gente mastigar violência gratuita, assim como os games colocam a violência em evidência sendo você o participante definindo os rumos de seu personagem ou avatar. De casa ao trabalho e do trabalho a casa as pessoas competem até para ver quem senta primeiro no assento do metrô, e o pior é que ainda acham graça, e aí no dia seguinte compram jornais que privilegiam o linguajar violento e debocham das desgraças alheias como o Meia Hora ou O Extra, O Expresso (jornais ditos populares aqui do RJ) para depois chegármos em casa e ver as mesmas notícias no telejornal, que em sua maioria está cheio de violência. E aí ligam a tv para assistir novela e tome mais violência e reprodução de imaginário coletivo, (re)construções de sentimentos coletivos. Não se trata de discutir esse imaginário, mas de apenas simular e reproduzir o mais próximo do real possível,e daí esse ciclo vai se repetindo. O que aconteceu aconteceu nesses dias, mas poderia ter acontecido faz tempos, pois vivemos imersos nessa cultura de violência.Leiam a já citada letra de "Sunday Bloody Sunday" na íntegra.
"Sunday Bloody Sunday"
Não posso acreditar nas notícias de hoje
Não posso fechar os olhos e fazê-las desaparecer
Quanto tempo, quanto tempo teremos de cantar esta canção?
Quanto tempo, Quanto tempo?
Porque esta noite
Podemos ser como um, essa noite
Garrafas quebradas sob os pés das crianças
Corpos espalhados num beco sem saída.
Mas eu não vou atender ao apelo da batalha
Isso coloca minhas costas, coloca minhas costas contra a parede.
Domingo, sangrento domingo
Oh, vamos lá!
E a batalha apenas começou
Há muitos que perderam, mas me diga: quem ganhou?
As trincheiras cavadas em nossos corações
mães, filhos, irmãos, irmãs dilacerados.
Domingo, sangrento domingo
Domingo, sangrento domingo
Quanto tempo, quanto tempo teremos para cantar esta canção?
Quanto tempo, quanto tempo?
Hoje à noite
Nós podemos ser como um, esta noite.
Domingo, sangrento domingo.
Domingo, sangrento domingo.
Enxugue as lágrimas de seus olhos
Limpe suas lágrimas.
Vou limpar suas lágrimas. (2x)
Vou limpar os seus olhos vermelhos.
Domingo, sangrento domingo
E é verdade que somos imunes
Quando o fato é ficção e a realidade da TV.
E hoje milhões choram
Comemos e bebemos enquanto eles morrem amanhã
A batalha real apenas começou
Para reivindicar a vitória de Jesus
Em...
Domingo, sangrento domingo
Domingo, sangrento domingo
Não sei se consegui chegar no raciocínio que eu gostaria, mas de qualquer forma a coisa é que tudo na nossa vida se resume em falta ou presença de amor. Tudo o que preciso é amor...mas muito mais amar do que ser amado. Apenas ame, foi isso o que Jesus nos ensinou...
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