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quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O evangelho, segundo o Rappa

Minha Alma (A Paz Que Eu Nao Quero)  - Banda O Rappa

O Rappa - Minha Alma ( A Paz Que Eu Não Quero ) - Eletronic Video Sing
A minha alma tá armada e apontada
Para cara do sossego!
(Sêgo! Sêgo! Sêgo! Sêgo!)
Pois paz sem voz, paz sem voz
Não é paz, é medo!
(Medo! Medo! Medo! Medo!)

As vezes eu falo com a vida,
As vezes é ela quem diz:
"Qual a paz que eu não quero conservar
Pra tentar ser feliz ?" 2x

A minha alma tá armada e apontada
Para a cara do sossego!
(Sêgo! Sêgo! Sêgo! Sêgo!)
Pois paz sem,paz sem voz,
Não é paz é medo
(Medo! Medo! Medo! Medo!)

As vezes eu falo com a vida,
As vezes é ela quem diz:
''Qual a paz que eu não quero conservar
Pra tentar ser feliz ?'' 2x

As grades do condomínio
São prá trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que tá nessa prisão

Me abrace e me dê um beijo,
Faça um filho comigo,
Mas não me deixe sentar na poltrona
No dia de domingo (domingo!)

Procurando novas drogas de aluguel
Neste vídeo coagido,
É pela paz que eu não quero seguir admitindo.

As vezes eu falo com a vida,
As vezes é ela quem diz:
‘’Qual a paz que eu não quero conservar
Pra tentar ser feliz ?’’ 2x

As grades do condomínio
São prá trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que tá nessa prisão

Me abrace e me dê um beijo,
Faça um filho comigo,
Mas não me deixe sentar na poltrona
No dia de domingo (domingo!)

Procurando novas drogas de aluguel
Neste vídeo coagido,
É pela paz que eu não quero seguir admitindo. 2x

Me abrace e me dê um beijo,
Faça um filho comigo,
Mas não me deixa sentar na poltrona
No dia de domingo! (domingo!)

Procurando novas drogas de aluguel
Neste vídeo coagido,
É pela paz que eu não quero seguir admitido. 2x

É pela paz que eu não quero seguir
É pela paz que eu não quero seguir
É pela paz que eu não quero seguir admitido. 2x


Para assistir o premiado vídeoclipe:
http://letras.mus.br/o-rappa/28945/

 

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Encontro de árabes e israelenses




Por Vera Haddad


“Vi meu pai ser levado pelos israelenses na porta de casa, durante o período do toque de recolher imposto por Israel, porque ele estava na rua naquele dia. Eu assistia pela televisão àquela revolta toda, mas quando aconteceu com minha família foi terrível. Após alguns dias, ele foi solto”, contou uma cristã palestina que vive na Cisjordânia. A jovem participou pela primeira vez no ano passado de um encontro do projeto Musalaha, apoiado pela Portas Abertas Internacional. A tradução dessa palavra árabe é justamente o que aquela jovem precisava: perdão e reconciliação.


Tímida, de voz suave e tranquila, Najla compartilhou como foi a experiência de ter participado do encontro entre cristãos palestinos e judeus messiânicos no deserto, durante o retiro organizado pelo Musalaha. Para ela, esse encontro não é um retiro comum. Quando se vive em uma área de conflito e disputa, onde uma parte do povo tem seus direitos de ir e vir controlados, é natural o ódio e a raiva falarem mais alto. Daí a extrema importância do Musalaha na vida dos cristãos.


Já Ahmar, um palestino falante fã de futebol brasileiro, compartilhou que a pior parte para ele foi dormir na mesma tenda de seu “inimigo”, referindo-se ao sentimento que teve ao estar lado a lado com um judeu. “Eu não conseguia dormir, ficava pensando em tudo o que meu povo sofre e foi muito difícil. Outra dificuldade, é estar montado no camelo e um israelense ir puxando o animal. Estamos nas montanhas e qualquer direção errada que o animal tomar, rolamos precipício abaixo. E é a partir daí que desenvolvemos a confiança um no outro e percebemos que dependemos da outra pessoa. Precisamos da ajuda dela”, completa o jovem.


Tudo isso é proposital. Durante esse encontro no deserto, em uma área neutra, as atividades são pensadas para desenvolver o relacionamento, convívio e confiança entre aqueles cristãos que, além de Jesus, têm em comum o sofrimento e o medo. O objetivo do Musalaha é reconciliar cristãos palestinos e judeus messiânicos e estender esse sentimento a outros não convertidos.

DESAFIO


Centenas de milhares de pessoas que vivem em Israel e na Palestina enfrentam desafios diários, independente de sua crença religiosa. A história daquela região desperta curiosidade e indignação, com o agravante da falta de informação e incompreensão real dos motivos que impulsionam o conflito emblemáticos entre israelenses e palestinos. Em meio a tudo isso, a Igreja de Cristo sofre em ambos os lados. Esse sofrimento não tem referência somente com a iminência de ataques e bombas. As disputas e invasões que acompanham a vida daquelas pessoas muitas vezes encontram um outro agravante: quando árabes e judeus se convertem, precisam exercitar aquilo que é o resumo do evangelho: o amor.


Começa então outro tipo de guerra: a guerra interna entre a “carne e o espírito”. A velha natureza parece impulsionar o ódio contra um povo que matou parentes, amigos ou invadiu implacavelmente áreas e residências. Os cristãos que vivem lá muitas vezes são tratados em uma área que, para a Igreja livre, não é necessariamente a primeira a ser tratada: o perdão. São ensinados a perdoar seus inimigos, a amá-los e a orar por eles e com eles. Difícil para nós? Imagine para eles. Na contramão do que estão acostumados, é preciso reconciliação.

Este ano, o Musalaha promoveu o encontro com 34 jovens estudantes no deserto. Mais uma vez, judeus messiânicos e cristãos palestinos enfrentaram a superação pessoal, em busca do real significado da palavra Musalaha. O mesmo significado do que Jesus resume em seu ministério: o perdão de nossos pecados e a reconciliação com Deus, através dEle. Ore por este projeto da Portas Abertas e continue contribuíndo em 2012.


Fonte: Revista Portas Abertas, vol. 29 nº 12.





quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O evangelho da paz da sustentabilidade de Genesis e de Wangari Muta maathai.

Seis mil anos se passam e uma árvore como o Baobá, árvore africana mais famosa, pode continuar de pé. Ela é um símbolo de sustentabilidade, enquanto ser que continua e se mantém ao manter também outros seres. O baobá é considerada a árvore da vida por comunidades africanas. Importância única para tribos inteiras as árvores de uma maneira geral, sejam elas quais forem (baobás, cerejeiras, oliveiras etc) são uns dos símbolos fundamentais das culturas arcaicas. Tão arcaico esse fato que nos remete ao início de tudo, segundo o livro primário da Bíblia, o Gêneses. A bem da Verdade Geneses não é de longe o único relato da criação e nem da centralidade da figura da árvore na criação do mundo. A mitologia nórdica e a yorubá tem suas respectivas histórias em que a árvore tem um destaque no processo de criação da vida. Uma dessas conta que da criação "para cada ser humano modelado (a matéria primordial era o barro) por Orisala criava-se simultaneamente uma árvore". Isso é muito interessante, embora a ideia talvez não seja a mesma, se parármos para analisar isso é algo que tem sua coerência ao talvez nos dizer: Cada ser humano para viver precisaria de pelo menos uma árvore. E de fato haja visto os serviços ecológicos que uma simples árvore nos ofrerece (umidade, temperatura, proteção do solo, produção de alimento e insumos, bem como medicamentos, captação de água, absorção de gás carbono, habitação de outras espécies etc), mas Genesis retrata de uma maneira que nos redireciona para a identidade do ser humano, inclusive em relação ao todo. Que o destino do comum (no sentido de vivência mutua) está diretamente ligado ao destino do homem. De acordo com o relato da narrativa dos hebreus, povo que tem em sua história dramática o deserto e parca distribuição de água e recursos em sua trajetória a Terra Prometida, a qual prefiguraria a Jesus Cristo (a verdadeira promessa e lugar de descanso e de vida eterna), Javé, o Deus Criador, após emergir a matéria inorgânica produz uma massa viva e orgânica e estabelece um horto ou um jardim como muitos preferem (EM um sentido mais completo um ecossistema altamente diverso), e resolve colocar um ser que estabelecera para ser sua imagem e semelhança, assim sendo um potencializador de vida. Segundo Genesis o Criador o põe em meio ao ecossistema jardim-horto no Éden. Em Éden havia bastante árvores as quais serviriam de alimento, uma vez que a alimentação vegetariana era a forma original de obtenção de recursos biológicos alimentares. No entanto, é em uma árvore especial que possui atributos de potencializar o conhecimento humano sobre si e torna-se conhecedor tal como a Deus, o homem resolve tomar para si o fruto desta e sua vida se torna um conflito constante para se reconhecer como alguém que prefigura um Salvador ao mesmo tempo em que não consegue se salvar e viver em conjunto do outro semelhante em meio a um mesmo ambiente/mundo em constante mudanças.
A história de Genesis é notória, uma das mais conhecidas, no entanto das mais ridicularizadas pela secularidade racionalista e cartesiana, que não encherga o mundo na essência das relações vitais. Os conflitos internos e externos do ser humano são originários dentro desse quadro. Nossos conflitos conosco e com nosso semelhante, bem como o todo do qual todos nós formamos e somos formados e fazemos parte (meio ambiente) estão a partir daí. E, a biografia de uma mulher contemporânea da gente, chamada Wangari Muta Maathai torna a história de Genesis altamente relevante, cheia de verdade e sentido.
Wangari Maathai é o exemplo de como nossa identidade de imagem e semelhança de Deus atribuida a nós pelo próprio Deus Javé e relatada em Genesis pode ser verificável através da experiência única da comunhão, através dos relacionamentos, uma vez que Deus é "una comum" entre ser Pai, ser Filho e Vivificador (Espírito Santo), é uma comunidade viva e pessoal que procede vida da vida. E pode ser verificável através da nossa capacidade de reconciliação a partir das relações intra e extra nós.
Wangari Maathai em seu contexto social desfavorável em relação a recursos e distribuição desses, em busca de melhorias na qualidade de vida das pessoas logo expandiu suas ideias de equilíbrio e restauração ambiental por meio de plantio e replantio para um projeto de democracia e paz. Ficou claro que não haveria paz e democracia sem um espaço mais sustentável e um gerenciamento responsavel do ambiente era impossivel sem democracia e paz. É aí que entra a árvore em termos de símbolo de vida e de paz nessa história. Para Wangari, enquanto mulher ficava claro que o gênero feminino era o primeiro a identificar mazelas ao passo que também era o primeiro a sentir os problemas. Dado o conhecimento de que as árvores através dos seus serviços que levam a questão da divisão dos interesses diversos das pessoas e empresas e governo. Wangari viu através das experiências de disputas dentro de espaços que os problemas são um só. Os problemas sociais, econômicos e ambientais nada mais são que facetas distintas de um único problema. Bem coerente com o que Jesus se propunha a trabalhar em sua rota viva até as pessoas, indo nas suas necessidades estabelecendo um contato direto com a vida como um todo em seu contexto de pessoas oprimidas. A partir de 1977, toda essa vivência resultou no plantio e replantio de cerca de 47 milhões de árvores no país. ISso trouxe um certo sentido de empoderamento e de comunidade. Como ferramenta de resolução de problemas e dificuldades de recursos, bem como disputa desses Wangari propôs que por meio desses plantios e replantios bem como seus planos de manejos os camponeses deveriam proteger as bacias hidrográficas e estabilizar o solo. Com isso haveria benefícios diretos e indiretos como melhora da agricultura, recuperação de solos contra erosão, manutenção de rios e lençóis freáticos. Num espaço de terra em que um rio comece numa terra de uma pessoa e passe pela terra de outra, o que acontece quando o rio seca terra acima? Como a pessoa da terra de baixo fica, ou que acontece quando a terra de baixo seca e a terra de cima continua com o rio? Surge um conflito?  Na África as árvores são um símbolo de paz. Ainda se encontra na África em certas comunidades a antiga tradição de plantar uma árvore como forma de sinalizar uma reconciliação por conta de um conflito. Foi esta herança cultural que inspirou Wangari Maathai. Prova de que não há cultura que sobreviva sem uma relação harmonioza seja entre pessoas ou ecossistemas. E assim Wangari Maathai ficou internacionalmente conhecida quando recebeu o prêmio Nobel da Paz, em 2004. Em síntese Wangari conseguiu estabelecer paz entre diversos lugares por meio do simples plantar. "Deus colocou o homem num jardium para cuidar e guardar", a identidade do homem como imagem e semelhança de Deus é relacionada a esse trabalho de cuidar da vida e procriá-la.


Voltando ao Genesis, havia uma outra árvore que era a mais importante de todas. Esta Àrvore reaparece no último livro bíblico, o Apocalipse simbolizando um retorno do ser humano ao seu estado de paz de relacionamento, de dependência, e também inclusive de liberdade e autonomia não como sinônimo de independência, mas como agente potencializador de sustentabilidade da vida. O princípio mais importante relacionado à Árvore da Vida é o de dependência, e isso é verificável quando se lê em João 15:5: “eu sou a videira verdadeira, vós os ramos, quem está mim, e eu nele, esse dá muito fruto, porque sem mim nada podeis fazer”. A Árvore da Vida tipificava Jesus Cristo, enquanto o responsável por todos os relacionamentos. Quem nele está enxerto, quem busca amar a Deus e seu semelhante busca a paz por meio dos relacionamentos, a começar com o próprio criador, com si mesmo, com o próximo e com outras criaturas imerso em um mesmo espaço de vida (meio ambiente).


 Só através do ensino do amor,de Jesus, sua lição de vida e morte, pode nos reabilitar a viver. Assim, a Àrvore da Vida/ Jesus Cristo é o símbolo do próprio Deus como fonte de vida (João 20:30-31). Ou seja, sem Deus não há vida, sem Deus as relações vão se rompendo, sem vida não há relacionamento e nosso Criador deseja ser a nossa vida em forma de alimento, cujo fruto é o amor, única fonte de reconciliação.

Até quando conseguiremos viver como vivemos hoje brigados? Quando vier uma chuva forte na casa de quem vamos nos esconder? De baixo de qual árvore, ou ainda na árvore de quem? Em essência isso é evangelho. O evangelho de Jesus em Maathai...
A sustentabilidade nos oferece a grande arma pedagógica que existe, a qual Jesus utilizou como ninguém: o questionamento. Particularmente através da pergunta. E A grande pergunta que a sustentabilidade nos faz é: ATÉ QUANDO PODEREMOS VIVER DA MANEIRA QUE VIVEMOS HOJE? A vida é feita de e nas relações. Sejam quais forem os níveis disso, o entorno nos está diretamento relacionado as maneiras que escolhemos viver. Em nosso meio, entorno, temos uma fonte de serviços que influenciam diretamente e indiretamente nossa vida: as árvores. Elas são expressão do amor do Deus vivo, Javé, são expressão da nossa identidade e expressão de relacionamento. Descobrir como elas harmonizam e equilibram nossa relação com outros de nossa espécie e com os de outras espécies através de seus serviços ecológicos é um exercício de paz.

Enxertado pela vida, vivo e querendo paz para todos,
Jorge Tonnera Jr.



"
Tenho uma ligeira impressão de que a famosa Árvore da Vida do jardim do Eden seja de fato o Baobá. rss

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Discurso proferido por Wangari Muta Maathai pelo Prêmio Nobel da Paz, 2004.

Em homenagem a vida de Wangari Muta Maathai, que veio a falecer nesse mês, e para que todos se lembrem da importância dela, coloco aqui o seu discurso em cerimônia de premiação por ter recebido o prêmio Nobel da Paz, de 2004.

Bem aventurados os pacificadores!

Jorge


Da Conferencia do Nobel proferida pela laureada pelo Premio Nobel da Paz, 2004Oslo, 10 de  Dezembro de 2004

Vossas majestades
Vossas Altezas Reais
Honoraveis Membros do Comite Nobel Noruegues.
Excelencias
Senhoras e Senhores


Encontro-me diante de voces e do mundo aceitando modestamente este reconhecimento e elevada pela honra de ser a Laureada pelo Premio Nobel da Paz de 2004.
Sendo a primeira mulher Africana a receber este premio, eu o aceito em nome do povo do Kenia e da Africa e com certeza, do mundo. Sou especialmente conscia a respeito das mulheres e meninas. Espero que isso as encorajem a elevar suas vozes e a ocuparem mais espacos nas liderancas. Sei que a honra tambem atribui um sentido de orgulho profundo a nossos homens, tanto aos idosos quanto aos jovens. Como mae, reconheco a inspiracao que esse fato proporciona a juventude e os incita a irem em busca de seus sonhos.
Embora eu tenha recebido este premio, ele reconhece o trabalho de incontaveis individuos e grupos pelo mundo afora. Eles trabalham em silencio e frequentemente sem reconhecimento, protegendo o meio ambiente, promovendo a democracia, defendendo direitos humanos e assegurando igualdade entre homens e mulheres. Dessa forma eles plantam as sementes da paz. Eu sei que eles hoje tambem estao orgulhosos. A todos que se sintam representados por este premio eu digo que o usem para adiantar suas missoes e satisfacam as grandes expectativas que o mundo nos impora.
Esta honra tambem se estende a minha familia, amigos, parceiros e patrocinadores do mundo inteiro. Todos ajudaram a dar forma a visao e a sustentar nosso trabalho que frequentemente foi realizado sob condicoes hostis. Tambem sou grata ao povo do Kenia que persistentemente permaneceu esperancoso para que a democracia pudesse ser realizada e seu meio ambiente pudesse ser gerido sustentavelmente. Por causa desse apoio eu estou hoje aqui para receber esta grande honra.
Sou imensamente privilegiada em juntar-me a meus compatriotas Africanos Laureados pelo Nobel da Paz, Presidente Nelson Mandela e F.W. de Klerk, Arcebispo Desmond Tutu, o finado chefe Albert Luthuli, o finado Anwar el-Sadat e o Secretario Geral das Nacoes Unidas, Kofi Anan.
Sei que o povo Africano o­nde quer que esteja e encorajado por esta noticia. Meus concidadaos Africanos ao aceitarmos este reconhecimento vamos usa-lo para intensificar nosso compromisso com nosso povo, reduzir conflitos e pobreza e dessa forma melhorar sua qualidade de vida. Vamos apoiar um governo democratico, proteger os direitos humanos e nosso meio-ambiente. Tenho certeza que nos atingiremos nossos propositos. Sempre acreditei que as solucoes para a maioria de nossos problemas deveriam surgir de nos mesmos.
Para o premio deste ano, O Comite Noruegues do Nobel incluiu o tema crucial de meio-ambiente e sua relacao com a democracia e a Paz perante o mundo. Por sua acao visionaria eu sou profundamente grata. Reconhecer que o desenvolvimento sustentavel a democracia e a Paz sao indivisiveis e uma ideia cujo tempo chegou. Nosso trabalho pelos 30 anos que se passaram sempre apreciou e esteve relacionado com esse ideal.
Minha inspiracao, por uma lado procede de minhas experiencias e observacoes da natureza Na area rural do Kenia. Foi influenciada e nutrida pela educacao formal pela qual fui privilegiada em receber no Kenia, nos Estados Unidos e na Alemanha. Enquanto crescia, fui testemunha de desaparecimentos de florestas substituidas por plantacoes comerciais, que destruiam a biodiversidade local e a capacidade das florestas em conservarem agua.
Excelencias, senhoras e senhores,
Em 1977, quando nos iniciamos o movimento chamado Green Belt, eu estava parcialmente respondendo a necessidades identificadas pelas mulheres do campo, como lenha combustivel, agua potavel, dietas equilibradas, abrigo e renda.
Por toda a Africa, as mulheres sao as responsaveis principais, que ficam a cargo de atividades significativas como cultivar a terra e alimentar a familia. Como resultado, sao as primeiras a perceberem os danos causados ao ambiente ao mesmo tempo em que escasseiam os recursos para sustentar suas familias.
As mulheres com as quais trabalhamos informaram-nos que ja nao e mais como no passado, agora se encontram incapazes de satisfazer suas necessidades basicas. Isso por causa da degradacao do seu meio ambiente imediato, bem como a introducao de fazendas voltadas para a producao industrial que substituiu o cultivo de colheita para o consumo familiar. Mas o comercio internacional controlava o preco das exportacoes desses pequenos fazendeiros e uma renda razoavel e justa nao podia ser garantida. Eu pude compreender que quando o meio ambiente e destruido, saqueado ou mal administrado, determinamos nossa qualidade de vida e das geracoes futuras.  
Plantar arvores tornou-se uma escolha natural ao mencionarmos algumas das necessidades basicas iniciais identificadas pelas mulheres. E tambem, a plantacao de arvores e algo simples, realizavel e garante resultados rapidos e certos dentro de um tempo razoavel. Isto sustenta o interesse e o compromisso.
Assim, juntas, plantamos mais de 30 milhoes de arvores que fornecem combustivel, alimento, abrigo e renda para sustentar a educacao de suas criancas e as necessidades domesticas. A atividade tambem cria empregos e melhora o solo e as vertentes. Atraves de seu envolvimento as mulheres adquirem alguns graus de poder sobre suas vidas, especialmente sua posicao social e economica e relevancia na familia. Este trabalho prossegue.
Inicialmente o trabalho era dificil porque historicamente nosso povo havia sido persuadido a acreditar que sendo pobres nao tinham capital nem conhecimento e habilidades para enfrentar seus desafios. Ao contrario, sao condicionados a acreditar que as solucoes para seus problemas devem vir do 'exterior'. Alem do mais, as mulheres nao faziam ideia de que a satisfacao de  suas necessidades depende de seu meio ambiente ser saudavel e bem administrado. Tambem nao percebiam que um meio-ambiente degradado origina uma luta por recursos escassos e pode culminar em pobreza e mesmo conflito. Eles tambem nao estavam inteirados a respeito das injusticas dos acordos economicos internacionais.
Objetivando ajudar as comunidades a compreenderem essas relacoes, desenvolvemos um programa de educacao do cidadao, durante o qual as pessoas identificam seus problemas, as causas e as possiveis solucoes. Entao, eles fazem a relacao entre suas proprias acoes pessoais e os problemas que enfrentam no ambiente e na sociedade. Aprendem que nosso mundo confronta-se com uma ladainha de magoas: corrupcao, violencia contra as mulheres e as criancas, rompimento e dissolucao das familias e desintegracao das culturas e comunidades. Eles tambem identificam o abuso de drogas e de substancias quimicas, especialmente entre os jovens. Tambem existem as doencas devastadoras que estao desafiando as curas ou ocorrendo em proporcoes epidemicas. Em especial sao o HIV/AIDS, malaria e doencas associadas com a desnutricao.
Com relacao ao meio ambiente, eles estao expostos a muitas atividades humanas que estao devastando o meio-ambiente e as sociedades. Isso inclui a destruicao generalizada de ecossistemas, especialmente atraves da devastacao de florestas, instabilidade climatica e contaminacao dos solos e aguas que contribuem para uma pobreza crucial.
Comunidades inteiras tambem chegam a compreender que enquanto e  necessario cobrar responsabilidade do governo, e igualmente importante que nos relacionamentos de uns com os outros eles exemplifiquem os valores das liderancas que eles desejam ver nos seus lideres, ou seja - justica, integridade e confianca.
Embora inicialmente as atividades de plantio de arvores do Movimento Green Belt nao incluisse questoes de democracia e paz, logo tornou-se claro que um gerenciamento responsavel do ambiente era impossivel sem o espaco democratico. Portanto, a arvore tornou-se um simbolo para a luta democratica do Kenia. Os cidadaos estavam mobilizados para desafiar os abusos disseminados do poder, corrupcao e a ma administracao do meio-ambiente. No Parque Uhuru de Nairobi, na Freedom Corner (esquina da Liberdade), como em muitas partes do pais, plantou-se arvores para exigir a liberdade dos prisioneiros da consciencia e a transicao pacifica para a democracia.
Atraves do Movimento Green Belt, milhares de cidadaos comuns foram mobilizados e autorizados a agir e efetuar mudancas. Aprenderam a superar o medo e a sensacao de desamparo e passaram a defender seus direitos democraticos.
Em tempo, a arvore tambem tornou-se um simbolo para a paz e a resolucao de conflitos, especialmente durante os conflitos etnicos no Kenia quando o Movimento Green Belt usou arvores da paz para reconciliar comunidades em disputa. Durante o processo da re-escrita da Constituicao do Kenia, arvores da paz semelhantes foram plantadas em muitas partes do pais para promover uma cultura da paz. Usar arvores como simbolo da paz esta de acordo com uma tradicao conhecida da Africa. Por exemplo, os mais velhos entre os Kikuyu carregavam um cajado feito da arvore Thigi que quando colocado entre dois grupos em disputa, acabava com a briga e procurava a reconciliacao. Muitas comunidades da Africa possuem essas tradicoes.
Essas praticas sao parte de uma heranca cultural extensiva que tanto contribui para a conservacao dos habitats, quanto para a cultura da paz. Com a destruicao dessas culturas e com a introducao de novos valores, a biodiversidade local nao e mais valorizada ou protegida e como resultado e rapidamente degradada e desaparece. Por esta razao, o Movimento Green Belt explora o conceito de biodiversidade cultural, especialmente com respeito a sementes indigenas e plantas medicinais.
Enquanto compreendemos progressivamente as causas da degradacao ambiental, vimos a necessidade de um bom governo. Com certeza o estado do meio-ambiente de qualquer pais e um reflexo do tipo de governo que existe ali, e sem um bom governo nao pode haver paz. Muitos paises que possuem sistemas de governo de ma qualidade, provavelmente tambem terao conflitos e leis inadequadas para a protecao ambiental.
Em 2002, a coragem, capacidade de recuperacao, paciencia e compromisso dos membros do Green Belt, outras organizacoes sociais civis e o publico do Kenia atingiram a culminancia da transicao pacifica para um governo democratico e lancaram a fundacao para uma sociedade mais estavel.
Excelencias, amigos, senhoras e senhores,
Ja se passaram 30 anos desde que iniciamos este trabalho. Atividades que devastam o ambiente e sociedades continuam sem diminuicao. Hoje enfrentamos um desafio que exige mudanca de pensamento, para que a humanidade pare de ameacar seu proprio sistema de sustentacao da vida. Somos chamados para ajudar a Terra a cuidar de seus ferimentos e nesse processo, curar os nossos tambem - na verdade, abracar toda a criacao em sua diversidade, beleza e prodigios. Isso acontecera se virmos a necessidade de revitalizar nosso senso de pertencer a uma familia maior da vida, com a qual dividimos nosso processo evolucionario.
No curso da historia, havera um tempo em que a humanidade sera chamada a elevar-se para um nivel novo de consciencia, alcancar um patamar moral mais alto. Um tempo em que teremos de perder nossos medos e dar esperancas uns aos outros. Esse tempo e agora.
O Comite Noruegues do Premio Nobel tem desafiado o mundo a aumentar a compreensao da paz: nao pode haver paz sem desenvolvimento igualitario: e nao pode haver desenvolvimento sem gerenciamento sustentavel do meio ambiente num espaco democratico e pacifico. A mudanca e uma ideia cujo tempo ja chegou.
A cultura desempenha um papel principal na vida politica, economica e social das comunidades.Certamente a cultura pode ser o elo perdido no desenvolvimento da Africa. A cultura e dinamica e evolui pelo tempo, conscientemente descarta tradicoes retrogradas como a mutilacao genital feminina (MGF) e abraca aspectos que sao positivos e uteis.
Os Africanos, em especial, deveriam redescobrir os aspectos positivos de sua cultura. Ao aceita-los eles dariam a si proprios um senso de propriedade, identidade e autoconfianca.
Senhoras e Senhores,
Tambem existe a necessidade de se galvanizar a sociedade civil e movimentos de base para catalisar a mudanca. Eu conclamo os governos a reconhecer o papel desses movimentos sociais na construcao de uma massa critica de cidadaos responsaveis que ajudem a manter fiscalizacoes e balancos na sociedade. Por sua parte, a sociedade civil devera abracar nao somente seus direitos, mas tambem suas responsabilidades.
Mais alem, a industria e as instituicoes globais deverao reconhecer que assegurar a justica economica, a equidade e a integridade ecologica possuem mais valor que lucros a qualquer custo. Os desequilibrios globais extremos e os padroes de consumo que prevalecem continuam as expensas do meio-ambiente e de uma co-existencia pacifica. A escolha e sua.
Eu gostaria de chamar a atencao da juventude para que se comprometessem com atividades que contribuam para a realizacao de seus sonhos a longo-prazo. Eles possuem a energia e a criatividade para moldarem um futuro sustentavel. Eu digo aos jovens, voces sao dadivas para suas comunidades e com certeza, para o mundo. Sao nossa esperanca e nosso futuro.
A abordagem holistica para o desenvolvimento, como exemplificado pelo Movimento Green Belt, poderia ser adotada e reproduzida em mais partes da Africa e mais alem. E por essa razao que eu estabeleci a Fundacao Wangari Maathai para assegurar a continuidade e a expansao dessas atividades. Embora ja se tenha feito um bocado, ainda ha muito para se fazer.
Excelencias, senhoras e senhores,
Ao concluir, faco uma reflexao sobre a experiencia de  minha infancia quando eu visitava um regato proximo de minha casa para apanhar agua para minha mae. Eu bebia agua diretamente do regato. Brincando entre as folhas de araruta eu tentava em vao pegar as fieiras de ovos de sapinhos acreditando que eram contas. Mas toda vez que colocava meus dedinhos embaixo deles eles se rebentavam. Depois eu via milhares de sapinhos de rabo: negros, energeticos e serpenteando atraves da agua cristalina contra o terreno amarronzado. Este foi o mundo que eu herdei de meus pais.
Hoje, mais de 50 anos depois, o regato secou, as mulheres caminham longas distancias para pegar agua, que nem sempre e limpa e as criancas nunca saberao o que perderam. O desafio e restaurar o lar dos sapinhos de rabo e dar de volta a nossas criancas  um mundo de beleza e maravilhas.
                                                       Muito obrigada.


Translated by Araken Barbosa

sábado, 12 de março de 2011

A paz de dentro pra fora...benditas as pacificadoras.


Na semana do Dia das Mulheres uma homenagem através deste post.

Quando se fala em paz na Israel-Palestina logo pode-se pensar em tratados de paz e na ONU ou protocolos oficiais, mas o que poucos sabem é que existem ações de paz dentro desta região, trabalhos voluntários não governamentais, que estão à sombra, quase silenciosos, um modo de pacificar distinto, uma cultura de paz.

Imagem extraída de diarioliberdade.org
Não serão acordos políticos oficiais que estabelecerão uma paz. A paz não é um papel, nem ausência de guerra. A paz deve ser construída todos os dias. É o que Jesus nos mostra através de seu ensino do amor e sua pedagogia de encontros e relações.

Benditas as pacificadoras...porque delas é o Reino dos céus.

Compartilho aqui exemplos de ações voluntárias de um grupo de mulheres. Os textos abaixo foram extraídos respectivamente de www.pime.org.br e Correio Braziliese
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"Duas Mulheres de Paz e Esperança", Luca Bucchri, Settimana
Unidas por uma profunda amizade, mas separadas por um muro alto 9 metros, uma mulher israelense e uma palestina desafiam o ódio para construir a paz na Terra Santa

Existe outro caminho para construir a paz entre dois povos em conflito há 50 anos. Ao lado de tratados e protocolos oficiais, há um modo silencioso de agir de pessoas que empenham a vida para edificar sutilmente, e a partir da base, aquelas redes de amizade, solidariedade e convivência – ou seja, uma cultura de paz e de esperança – que por si só conseguem garantir o domínio de acordos de alto nível. Samàr Sahhar, professora cristã palestina, e Angélica Calò Livnè, judia israelense, são duas mulheres e duas mães comprometidas em construir concretamente esperança nos seus atormentados países, através da opção educativa das jovens gerações. A primeira tem 42 anos, é católica e é diretora de um orfanato em Betânia, às portas de Jerusalém. A segunda é judia, de 47 anos, nascida na Itália, morando há mais de 20 anos em Israel, onde se casou e vive num kibbutz em Sasa, na fronteira com o Líbano.

A HISTÓRIA DE SAMÀR

Samàr é “mãe” de mais de 70 crianças palestinas, quase todas muçulmanas, acolhidas no orfanato Jeel al Amal, “geração da esperança”, e também de outras 30 moças amparadas na casa Lazarus Home, “casa de Lázaro”, onde buscam uma nova vida depois do abandono ou da violência. Tudo começou em 1972, com os primeiros 10 meninos, sem a ajuda do governo, mas através do trabalho de voluntários. Num depoimento, Samàr declara: “Sempre há esperança quando se procura avaliar e sentir o sofrimento do outro. Apesar das dificuldades, encontrei pessoas capazes de construir pontes de compreensão e, com pequenos gestos de amizade, conseguiram dar alívio a tantas tristezas que há neste mundo. Um provérbio árabe diz: ‘É melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão’.

O perdão e a reconciliação são as palavras mais doces de Deus e as mais salutares para a alma”. Samàr tinha decidido abrir uma padaria em Betânia, para angariar fundos para as suas obras sociais e dar trabalho a algumas famílias da região, já que o desemprego é um dos maiores problemas na Palestina. Então, aconteceu um milagre de fé e de determinação: sem ter uma moedinha, Samàr conseguiu um empréstimo de 75 mil dólares. Além disso, a padaria seria montada numa das ruas mais periféricas e abandonadas de Betânia, arriscando o investimento ao fracasso. Mas, com a construção do muro de divisão, por parte de Israel, a rua da padaria passou a ser a principal da cidade! Alguns até, ironizando, diziam que Samàr havia feito um acordo com Sharon, ao que ela respondia: “Não, mas meu Deus é mais potente do que Sharon!

E Jesus é mais poderoso, ama estas crianças e sabe o porquê fiz esta padaria”. Samàr está construindo, atualmente, uma pizzaria italiana e um projeto chamado “pão para a paz”, que consiste em receber algumas mulheres israelenses para prepararem o pão com mulheres palestinas, e, depois, repartirem o pão entre si, tornando-se “companheiras” (do latim, cum panis, aqueles que comem pão juntos), mesmo que seja por um dia. “Acredito que, se cada palestino pudesse ter um amigo israelense, esta guerra poderia acabar. São pessoas singulares que marcam a vida dos outros com provas de bem, como os pais da jovem israelense, morta num atentado suicida, que doaram seus órgãos para salvar a vida de uma jovem palestina. A generosidade destes pais foi como afirmar: a vida da nossa filha judia é preciosa como a vida da vossa filha palestina”, confessa Samàr.

A HISTÓRIA DE ANGÉLICA

“Desde quando cheguei a Israel – conta Angélica – comecei a trabalhar em educação. Sendo que cada um procura o motivo pelo qual veio ao mundo, eu entendi que a educação era a minha missão. Comecei a ensinar teatro e quis criar uma escola onde estivessem juntos jovens judeus e árabes. Quando expus minha intenção, na Galiléia, acharam uma boa idéia, mas aconselharam-me a descartar os árabes. Mas, assim, a proposta ficaria empobrecida, pois reunindo jovens e adultos, numa outra dimensão, onde a linguagem comum não é a verbal, mas a linguagem do corpo, da imaginação, da fantasia, as pessoas se olham com outros olhos e conseguem enxergar as coisas de modo diferente”.

E continua a relatar, com emoção: “E, praticamente, aconteceu um milagre, porque este teatro mudou a fisionomia das pessoas da Galiléia, o seu modo de viver e de pensar”. É o caso dos rapazes judeus, que descobriram ser “irmãos” dos jovens árabes do teatro, para admiração de seus pais. “Bereshit” é o título do espetáculo teatral apresentado por Angélica e sua “Companhia do Arco-Íris”, e se refere às primeiras palavras do Gênesis “No princípio...”. E ela explica, de forma cada vez mais apaixonada:

“Somos só nós, seres humanos, as únicas criaturas que podem decidir colaborar com a criação de Deus, elaborando, transformando as coisas, os grãos em farinha e depois em pão, ou destruir tudo. Assim, começamos a escrever este espetáculo e decidimos fazê-lo sem palavras, usando máscaras. Depois, no final, os jovens propõem arrancar as máscaras, quebrando uma convenção teatral: talvez, violando esta convenção, alguma coisa mudará também no mundo”.

A partir daí, começou o movimento “Mask off” (abaixo a máscara!) e os rapazes começaram a andar pelas redondezas ensinando este tipo de teatro, mostrando que é possível superar o medo do outro, do vizinho-inimigo, descobrindo que ele tem os mesmos sonhos e esperanças. Quando estes jovens se apresentam na Itália, diante de platéias de até 1.200 pessoas, provocam coisas extraordinárias: no final do espetáculo, ainda descalços, sentados no chão, respondem às perguntas... e causam grande impacto aos espectadores. Surgem reflexões como:

“Até agora eu me preocupava com sapatos último tipo, computador... e, diante desses jovens judeus, cristãos, muçulmanos, que vêm de uma região em guerra constante... agradeço, porque agora aprendi a amar mais a vida”. Angélica acrescenta: “Quando você transmite o valor tão precioso da vida, todas as pessoas que estão ao seu redor são contagiadas”. E continua a relembrar: “Um dia, uma menina, que tinha perdido dois irmãos num atentado, me pergunta como eu conseguia fazer teatro com jovens árabes e ter uma amiga palestina. Eu lhe respondi:

‘Justamente por isso: porque existem pessoas do outro lado que merecem que conversemos, que cultivemos amizade; somente assim poderemos vencer todas as forças do mal que estão entristecendo a adolescência, a infância, a esperança de um futuro, o desejo de viver’. Outro episódio também me confirmou a decisão de continuar neste caminho: na escola árabe onde eu lecionava, encontrei um menino com um pingente pendurado no pescoço – ao perguntar-lhe o significado, respondeu-me: ‘É um sahid (‘mártir suicida’) – meu sonho é morrer pela Palestina’. Eu lhe respondi: ‘Meu amor, você tem 14 anos! Não deve morrer pela Palestina, mas deve viver pela Palestina. Nós todos devemos viver pela Palestina e por Israel!’”.

TESTEMUNHO DE AMIZADE

Em visita à Itália para um evento cultural, Angélica e Samàr comprovaram sua amizade e seus ideais. “Nosso discurso não é político. Não estamos aqui para apontar os culpados pelos conflitos. Queremos testemunhar a amizade e a busca pela paz. Experimentamos mudar este mundo, na Terra Santa e em todo lugar. Somos duas mães, duas educadoras preocupadas pelo futuro dos nossos filhos”, exclamou Samàr. Depois, voltando-se para Angélica, em hebraico, leu uma comovente carta: “Querida Angélica, estamos aqui, consolidando a necessidade da paz...

Com esperança e fé, conseguiremos! Como duas mães, como duas amigas... Talvez Deus nos dará um período de paz e de amor! Que Ele nos dê força para construirmos um futuro melhor para nossos filhos. Cada vez que olhar para o céu, por favor, lembre-se que você tem uma amiga!”. E, em algum ponto do muro divisório que passa por Betânia, Samàr inscreveu, em cinco línguas: “Angélica, a amizade não pode ser dividida!”.

Fonte:
www.pime.org.br/mundoemissao/mulheresperanca.htm

O texto que segue abaixo foi extraído do Correio Braziliense. São partes do texto.

"Grupo de mulheres em Israel desafia tabus para se aproximar de palestinas"

"No fim de julho, 11 mulheres israelenses levaram palestinas para passear em Telavive e Jaffa, sem pedir ao autorização ao governo do premiê Benjamin Netanyahu — em desafio à rigorosa lei de entrada em Israel. “Nós comemos num restaurante, tomamos banho de mar e nos divertimos na praia. Depois, retornamos por Jerusalém e observamos a Cidade Velha de longe”, conta a jornalista israelense Ilana Hammerman. Ela motivou mais mulheres a seguirem seu exemplo depois de relatar sua história, em artigo publicado em maio no jornal Haaretz, quando ousou levar em seu carro as jovens palestinas Lin, Aya e Yasmin para verem o mar pela primeira vez."



"Há 22 anos, durante a primeira intifada palestina, outro grupo de mulheres se uniu em um ato simbólico. Elas plantaram oliveiras, símbolo de paz para árabes e judeus, e fundaram o movimento Mulheres de Negro. Desde então, toda sexta-feira elas se reúnem em silêncio, vestidas de negro, em uma praça de Jerusalém, para dizer “não” à ocupação da Cisjordânia. Elas se juntam com palestinas, reunidas no grupo Jerusalém Link, para lutar pelos direitos das mulheres.

“É maravilhoso contemplar oliveiras sem o temor de que uma escavadeira as arranque para construir um assentamento ou uma estrada para colonos”, disse em 2000, pouco antes de morrer na Grécia, Hagar Roublev, cofundadora das Mulheres de Negro, em conversa com Luisa Morgantini, então vice-presidenta do Parlamento Europeu. Oliveiras ainda são derrubadas na Cisjordânia e o azul do Mediterrâneo continua sendo uma paisagem distante para muitos palestinos. Mas os esforços de Ilana e de Hagar pela paz continuam dando frutos."

Para ver o texto na íntegra o link é
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/mundo/2010/09/07/interna_mundo,211808/index.shtml
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