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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

“Plantamos, eles arrasam, voltamos a plantar”

14/2/2013 - 10h08

“Plantamos, eles arrasam, voltamos a plantar”


por Eva Bartlett, da IPS

plantamos “Plantamos, eles arrasam, voltamos a plantar”
Um Abed planta uma oliveira como símbolo de apoio aos agricultores palestinos. Foto: Eva Bartlett/IPS

Zeitoun, Gaza, 14/2/2013 – Tawfiq Mandil, de 45 anos, é um das centenas de agricultores e ativistas no distrito de Zeitoun, em Gaza, a meio quilômetro da fronteira com Israel, que participam de um novo chamado para boicotar os produtos dos assentamentos judeus. “O exército israelense destruiu minha casa e meus cinco dunams de terras (um dunam equivale a mil metros quadrados) no último dia da ofensiva de 2009, bem como outras 20 casas”, afirmou.
Com cartazes onde se lia “Boicote aos produtos agrícolas israelenses” e “Apoiemos os agricultores palestinos”, Mandil e outros se reuniram no dia 9 para plantar oliveiras em terra arrasada por Israel e para renovar o chamado ao boicote a produtos desse país. Mandil afirmou que o boicote é a única esperança de justiça para os produtores palestinos. “Esperamos que isto pressione Israel a deixar de nos atacar e que nos permita usar nossa terra como sempre usamos”, acrescentou.
O fato de a mobilização acontecer perto da “zona de amortização” foi significativo. As autoridades israelenses proíbem os palestinos de se aproximarem a menos de 300 metros da fronteira entre Gaza e Israel. Porém, o exército israelense realiza ataques contra palestinos até a dois quilômetros da fronteira, em algumas áreas, afetando dessa forma mais de 35% das terras agrícolas de Gaza.
“Ao comercializar com os assentamentos judeus, os Estados não cumprem sua obrigação de cooperar de forma ativa para acabar com o avanço colonial israelense”, declarou o agricultor. “Portanto, se deve considerar uma proibição à comercialização com os assentamentos entre outras opções que terceiros países devem adotar para cumprirem suas obrigações de acordo com a lei internacional”, destacou.
A organização de direitos humanos palestina Al Haq divulgou um documento no mês passado condenando o comércio com os assentamentos israelenses. O estudo tem o título de Fazendo um festim com a ocupação: a ilegalidade da produção dos assentamentos e a responsabilidade dos Estados-membros da União Europeia de acordo com o direito internacional. “Embora a União Europeia tenha condenado de forma bastante clara os assentamentos e sua expansão, continua importando o que neles é produzido, e ao fazer isso ajuda a manter sua existência”, disse em um comunicado de imprensa o diretor-geral da Al Haq, Shawan Jabarin.
“Mais de 80 palestinos ficaram feridos e pelo menos quatro morreram em ataques israelenses em diversas zonas da fronteira desde o cessar-fogo adotado em novembro de 2012 entre Israel e a resistência palestina”, disse o ativista britânico Adie Mormech, de 35 anos, radicado em Gaza. “Há uma ação simultânea de protesto na Cisjordânia ocupada”, contou. “Estão plantando perto da colônia de Yitzhar, que é famosa por sua violência contra os palestinos. Em todo o mundo, cerca de 30 países realizam ações em solidariedade com os agricultores e pescadores palestinos”.
Um Abed, de 65 anos, se mostra desafiador. “Hoje estamos plantando oliveiras. Se Deus quiser, no próximo ano vamos plantar limões, tâmaras e palmeiras. Nós plantamos, eles arrasam, plantamos novamente”, enfatizou. Esta nova campanha é parte de uma onda de iniciativas semelhantes lançadas em Gaza nos últimos anos. Estudantes universitários de Gaza redobraram seu chamado ao boicote em 2012, publicando no site YouTube vídeos pedindo aos simpatizantes da Palestina na comunidade internacional que dessem apoio político, e não apenas assistência econômica ou humanitária.
A Campanha Palestina para o Boicote Acadêmico e Cultural Contra Israel (Pacbi) ganhou aos poucos apoio internacional, inclusive de universidades e acadêmicos da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos. Um crescente número de associações culturais e religiosas, como a quáquer Friends Fiduciary Corporation, estão retirando seus investimentos de empresas que têm lucro ou apoiam a ocupação israelense na Palestina. A Igreja Unida do Canadá apoiou em agosto passado o boicote aos artigos produzidos nos assentamentos.
Haidar Eid, professor da Universidade de Al Aqsa, em Gaza, e membro da Pacbi, explicou em que implica a campanha Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS). “Chamamos à implantação da Resolução 242 do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), que indica uma retirada das forças de ocupação da Faixa de Gaza, Cisjordânia e Jerusalém oriental”, afirmou. “A segunda demanda é a implantação da Resolução 194, para devolver a todos os refugiados palestinos os povoados e as aldeias de onde foram expulsos por razões étnicas em 1948. Queremos igualdade”, ressaltou.
A sociedade civil e os estudantes de Gaza estão na vanguarda da campanha BDS, mas também o governo da Faixa, a cargo do Hamás (Movimento de Resistência Islâmica), deu passos importantes para levá-la adiante, destacou o ativista norte-americano Joe Catron. “A campanha contra a Adidas começou em março de 2012, quando essa empresa patrocinava uma maratona em diversas partes de Jerusalém, incluindo algumas internacionalmente conhecidas como ocupadas. O Ministério de Juventude e Esportes de Gaza pediu à Liga Árabe que boicotasse a Adidas em resposta a isto, o que vários países fizeram”, contou à IPS.
Em setembro de 2012, o Ministério da Agricultura de Gaza decidiu proibir a entrada na Faixa da maioria das frutas israelenses. Agora “os agricultores palestinos podem cultivar as frutas para nosso consumo”, disse o diretor de Mercado do Ministério, Tahsen Al Saqa. “Devemos apoiar e proteger nossos produtores. Foram economicamente devastados desde 2006 pela proibição israelense de exportarem”, declarou. “O boicote é a chave, e está crescendo. O impulso é tal que não vai parar”, assegurou Adie Mormech. Envolverde/IPS
(IPS)

http://envolverde.com.br/ips/inter-press-service-reportagens/plantamos-eles-arrasam-voltamos-a-plantar/

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Encontro de árabes e israelenses




Por Vera Haddad


“Vi meu pai ser levado pelos israelenses na porta de casa, durante o período do toque de recolher imposto por Israel, porque ele estava na rua naquele dia. Eu assistia pela televisão àquela revolta toda, mas quando aconteceu com minha família foi terrível. Após alguns dias, ele foi solto”, contou uma cristã palestina que vive na Cisjordânia. A jovem participou pela primeira vez no ano passado de um encontro do projeto Musalaha, apoiado pela Portas Abertas Internacional. A tradução dessa palavra árabe é justamente o que aquela jovem precisava: perdão e reconciliação.


Tímida, de voz suave e tranquila, Najla compartilhou como foi a experiência de ter participado do encontro entre cristãos palestinos e judeus messiânicos no deserto, durante o retiro organizado pelo Musalaha. Para ela, esse encontro não é um retiro comum. Quando se vive em uma área de conflito e disputa, onde uma parte do povo tem seus direitos de ir e vir controlados, é natural o ódio e a raiva falarem mais alto. Daí a extrema importância do Musalaha na vida dos cristãos.


Já Ahmar, um palestino falante fã de futebol brasileiro, compartilhou que a pior parte para ele foi dormir na mesma tenda de seu “inimigo”, referindo-se ao sentimento que teve ao estar lado a lado com um judeu. “Eu não conseguia dormir, ficava pensando em tudo o que meu povo sofre e foi muito difícil. Outra dificuldade, é estar montado no camelo e um israelense ir puxando o animal. Estamos nas montanhas e qualquer direção errada que o animal tomar, rolamos precipício abaixo. E é a partir daí que desenvolvemos a confiança um no outro e percebemos que dependemos da outra pessoa. Precisamos da ajuda dela”, completa o jovem.


Tudo isso é proposital. Durante esse encontro no deserto, em uma área neutra, as atividades são pensadas para desenvolver o relacionamento, convívio e confiança entre aqueles cristãos que, além de Jesus, têm em comum o sofrimento e o medo. O objetivo do Musalaha é reconciliar cristãos palestinos e judeus messiânicos e estender esse sentimento a outros não convertidos.

DESAFIO


Centenas de milhares de pessoas que vivem em Israel e na Palestina enfrentam desafios diários, independente de sua crença religiosa. A história daquela região desperta curiosidade e indignação, com o agravante da falta de informação e incompreensão real dos motivos que impulsionam o conflito emblemáticos entre israelenses e palestinos. Em meio a tudo isso, a Igreja de Cristo sofre em ambos os lados. Esse sofrimento não tem referência somente com a iminência de ataques e bombas. As disputas e invasões que acompanham a vida daquelas pessoas muitas vezes encontram um outro agravante: quando árabes e judeus se convertem, precisam exercitar aquilo que é o resumo do evangelho: o amor.


Começa então outro tipo de guerra: a guerra interna entre a “carne e o espírito”. A velha natureza parece impulsionar o ódio contra um povo que matou parentes, amigos ou invadiu implacavelmente áreas e residências. Os cristãos que vivem lá muitas vezes são tratados em uma área que, para a Igreja livre, não é necessariamente a primeira a ser tratada: o perdão. São ensinados a perdoar seus inimigos, a amá-los e a orar por eles e com eles. Difícil para nós? Imagine para eles. Na contramão do que estão acostumados, é preciso reconciliação.

Este ano, o Musalaha promoveu o encontro com 34 jovens estudantes no deserto. Mais uma vez, judeus messiânicos e cristãos palestinos enfrentaram a superação pessoal, em busca do real significado da palavra Musalaha. O mesmo significado do que Jesus resume em seu ministério: o perdão de nossos pecados e a reconciliação com Deus, através dEle. Ore por este projeto da Portas Abertas e continue contribuíndo em 2012.


Fonte: Revista Portas Abertas, vol. 29 nº 12.





terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Uma forma sionista de defender os palestinos

Fico sempre muito feliz quando posso noticiar exemplos vivos de paz, de pacificação, de encontro e de re-lacionamento (escrito assim mesmo!). Vale muito se empenhar para ver casos como esses. Como podemos fazer a paz? Vamos pensar?!
Leiam o artigo abaixo copiado de http://envolverde.com.br/noticias/uma-forma-sionista-de-defender-os-palestinos/

Bem dito os pacificadores, sempre!!!!
Deles é o Reino dos céus. Amém!!!

Jorge

Uma forma sionista de defender os palestinos
  por Mel Frykberg, da IPS
Jerusalém, Israel, 30/06/2011 – O rabino Arik Ascherman é um ardente sionista e religioso que acredita que Deus fez um pacto com seu povo e a terra de Israel e, ao mesmo tempo, um persistente lutador em defesa dos direitos humanos, especialmente dos palestinos. “Creio que a melhor forma de proteger meus filhos e salvaguardar seu futuro é lutar pela justiça e tomar partido do sofrimento dos palestinos”, disse Ascherman à IPS.
1436 300x200 Uma forma sionista de defender os palestinosO desajeitado rabino, com sua espessa barba e o emaranhado de mechas sob um solidéu andando pelas colinas da Cisjordânia, pode ser confundido com um dos fanáticos colonos judeus que enfrentam os palestinos. Mas é bem o contrário. Ascherman ajuda os agricultores palestinos a colher azeitonas, reconstruir as casas destruídas pelo exército israelense e a cavar poços de água. Também é comum que se coloque como escudo humano quando soldados e colonos judeus atacam os palestinos.
“Não há nada como se deixar ser golpeado pelas forças de segurança israelenses para formar um laço comum com eles e dar-lhes uma nova perspectiva de quem consideram seu inimigo”, riu Ascherman, integrante da organização Rabinos pelos Direitos Humanos. “Fui atacado e detido várias vezes e preso uma vez por policiais e soldados israelenses, mas também os palestinos quebraram o vidro do meu carro pensando que se tratasse de um colono”, contou Ascherman, casado, com dois filhos, que chegou a Israel em 1994 procedente dos Estados Unidos.
A organização foi criada em 1988 para defender a causa dos pobres israelenses e defender os direitos das minorias, incluídos os palestinos. Também luta contra o abuso de trabalhadores estrangeiros, pela igualdade de gênero e pela erradicação do tráfico de mulheres. Em 2006, recebeu o destacado prêmio da Paz Niwano por trabalhar em um contexto interconfessional e, em 2011, Ascherman e o rabino Ehud Bandel receberam o prêmio Gandhi pela Paz.
O sionismo é comparado ao racismo e fanatismo porque é associado com a expulsão dos palestinos de seu histórico território e a violação de seus direitos. A organização afirma que defende a autêntica voz dos sionistas e a tradição judia de defender os direitos humanos. “Há diferentes correntes sionistas, as que são religiosas e as que não são. Algumas me aborrecem e desagradam, mas não representam todos os judeus”, disse Ascherman ao ser consultado sobre a expropriação de terras dos palestinos para criar o Estado de Israel, em 1948.
“Houve sionistas que foram excludentes e não quiseram compartilhar o território com os palestinos. Também houve os pioneiros sionistas socialistas que estavam dispostos a fazê-lo e eram vistos junto a eles na vanguarda da revolução social”, afirmou o rabino. “Creio no direito dos judeus de viver em Israel e de existir, mas a tradição judia diz que a justiça e os direitos humanos triunfam sobre a criação do Grande Israel”, acrescentou.
Grande parte do trabalho da Rabinos pelos Direitos Humanos se desenvolve na Cisjordânia, onde, graças às suas ações legais, agricultores palestinos puderam novamente ter acesso às suas hortas, após vários anos de proibição. O trabalho da entidade em Jerusalém oriental sofre enorme pressão. A situação na Cisjordânia se tranquilizou um pouco, mas em Jerusalém oriental a tensão é grande. Ascherman considera possível uma terceira intifada (levante palestino) e que ele ocorreria nessa parte da cidade.
“Na Cisjordânia posso utilizar certas ferramentas da democracia israelense para lutar pelos direitos dos palestinos e chegar à mídia. Mas em Jerusalém a situação é outra. Vejo os mesmos sinais de raiva e frustração entre os palestinos que precederam a segunda intifada”, observou.
Segundo Ascherman, “as autoridades israelenses estão decididas a limitar a presença palestina em Jerusalém oriental e continuar fazendo dali lugar para seus colonos. Muitas dessas iniciativas estão financiadas por judeus ricos do exterior”. Todas as pessoas estão obrigadas a desempenhar seu papel, inclusive se o problema não é resolvido imediatamente, acrescentou. Envolverde/IPS
(IPS)

sábado, 12 de março de 2011

A paz de dentro pra fora...benditas as pacificadoras.


Na semana do Dia das Mulheres uma homenagem através deste post.

Quando se fala em paz na Israel-Palestina logo pode-se pensar em tratados de paz e na ONU ou protocolos oficiais, mas o que poucos sabem é que existem ações de paz dentro desta região, trabalhos voluntários não governamentais, que estão à sombra, quase silenciosos, um modo de pacificar distinto, uma cultura de paz.

Imagem extraída de diarioliberdade.org
Não serão acordos políticos oficiais que estabelecerão uma paz. A paz não é um papel, nem ausência de guerra. A paz deve ser construída todos os dias. É o que Jesus nos mostra através de seu ensino do amor e sua pedagogia de encontros e relações.

Benditas as pacificadoras...porque delas é o Reino dos céus.

Compartilho aqui exemplos de ações voluntárias de um grupo de mulheres. Os textos abaixo foram extraídos respectivamente de www.pime.org.br e Correio Braziliese
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"Duas Mulheres de Paz e Esperança", Luca Bucchri, Settimana
Unidas por uma profunda amizade, mas separadas por um muro alto 9 metros, uma mulher israelense e uma palestina desafiam o ódio para construir a paz na Terra Santa

Existe outro caminho para construir a paz entre dois povos em conflito há 50 anos. Ao lado de tratados e protocolos oficiais, há um modo silencioso de agir de pessoas que empenham a vida para edificar sutilmente, e a partir da base, aquelas redes de amizade, solidariedade e convivência – ou seja, uma cultura de paz e de esperança – que por si só conseguem garantir o domínio de acordos de alto nível. Samàr Sahhar, professora cristã palestina, e Angélica Calò Livnè, judia israelense, são duas mulheres e duas mães comprometidas em construir concretamente esperança nos seus atormentados países, através da opção educativa das jovens gerações. A primeira tem 42 anos, é católica e é diretora de um orfanato em Betânia, às portas de Jerusalém. A segunda é judia, de 47 anos, nascida na Itália, morando há mais de 20 anos em Israel, onde se casou e vive num kibbutz em Sasa, na fronteira com o Líbano.

A HISTÓRIA DE SAMÀR

Samàr é “mãe” de mais de 70 crianças palestinas, quase todas muçulmanas, acolhidas no orfanato Jeel al Amal, “geração da esperança”, e também de outras 30 moças amparadas na casa Lazarus Home, “casa de Lázaro”, onde buscam uma nova vida depois do abandono ou da violência. Tudo começou em 1972, com os primeiros 10 meninos, sem a ajuda do governo, mas através do trabalho de voluntários. Num depoimento, Samàr declara: “Sempre há esperança quando se procura avaliar e sentir o sofrimento do outro. Apesar das dificuldades, encontrei pessoas capazes de construir pontes de compreensão e, com pequenos gestos de amizade, conseguiram dar alívio a tantas tristezas que há neste mundo. Um provérbio árabe diz: ‘É melhor acender uma vela do que amaldiçoar a escuridão’.

O perdão e a reconciliação são as palavras mais doces de Deus e as mais salutares para a alma”. Samàr tinha decidido abrir uma padaria em Betânia, para angariar fundos para as suas obras sociais e dar trabalho a algumas famílias da região, já que o desemprego é um dos maiores problemas na Palestina. Então, aconteceu um milagre de fé e de determinação: sem ter uma moedinha, Samàr conseguiu um empréstimo de 75 mil dólares. Além disso, a padaria seria montada numa das ruas mais periféricas e abandonadas de Betânia, arriscando o investimento ao fracasso. Mas, com a construção do muro de divisão, por parte de Israel, a rua da padaria passou a ser a principal da cidade! Alguns até, ironizando, diziam que Samàr havia feito um acordo com Sharon, ao que ela respondia: “Não, mas meu Deus é mais potente do que Sharon!

E Jesus é mais poderoso, ama estas crianças e sabe o porquê fiz esta padaria”. Samàr está construindo, atualmente, uma pizzaria italiana e um projeto chamado “pão para a paz”, que consiste em receber algumas mulheres israelenses para prepararem o pão com mulheres palestinas, e, depois, repartirem o pão entre si, tornando-se “companheiras” (do latim, cum panis, aqueles que comem pão juntos), mesmo que seja por um dia. “Acredito que, se cada palestino pudesse ter um amigo israelense, esta guerra poderia acabar. São pessoas singulares que marcam a vida dos outros com provas de bem, como os pais da jovem israelense, morta num atentado suicida, que doaram seus órgãos para salvar a vida de uma jovem palestina. A generosidade destes pais foi como afirmar: a vida da nossa filha judia é preciosa como a vida da vossa filha palestina”, confessa Samàr.

A HISTÓRIA DE ANGÉLICA

“Desde quando cheguei a Israel – conta Angélica – comecei a trabalhar em educação. Sendo que cada um procura o motivo pelo qual veio ao mundo, eu entendi que a educação era a minha missão. Comecei a ensinar teatro e quis criar uma escola onde estivessem juntos jovens judeus e árabes. Quando expus minha intenção, na Galiléia, acharam uma boa idéia, mas aconselharam-me a descartar os árabes. Mas, assim, a proposta ficaria empobrecida, pois reunindo jovens e adultos, numa outra dimensão, onde a linguagem comum não é a verbal, mas a linguagem do corpo, da imaginação, da fantasia, as pessoas se olham com outros olhos e conseguem enxergar as coisas de modo diferente”.

E continua a relatar, com emoção: “E, praticamente, aconteceu um milagre, porque este teatro mudou a fisionomia das pessoas da Galiléia, o seu modo de viver e de pensar”. É o caso dos rapazes judeus, que descobriram ser “irmãos” dos jovens árabes do teatro, para admiração de seus pais. “Bereshit” é o título do espetáculo teatral apresentado por Angélica e sua “Companhia do Arco-Íris”, e se refere às primeiras palavras do Gênesis “No princípio...”. E ela explica, de forma cada vez mais apaixonada:

“Somos só nós, seres humanos, as únicas criaturas que podem decidir colaborar com a criação de Deus, elaborando, transformando as coisas, os grãos em farinha e depois em pão, ou destruir tudo. Assim, começamos a escrever este espetáculo e decidimos fazê-lo sem palavras, usando máscaras. Depois, no final, os jovens propõem arrancar as máscaras, quebrando uma convenção teatral: talvez, violando esta convenção, alguma coisa mudará também no mundo”.

A partir daí, começou o movimento “Mask off” (abaixo a máscara!) e os rapazes começaram a andar pelas redondezas ensinando este tipo de teatro, mostrando que é possível superar o medo do outro, do vizinho-inimigo, descobrindo que ele tem os mesmos sonhos e esperanças. Quando estes jovens se apresentam na Itália, diante de platéias de até 1.200 pessoas, provocam coisas extraordinárias: no final do espetáculo, ainda descalços, sentados no chão, respondem às perguntas... e causam grande impacto aos espectadores. Surgem reflexões como:

“Até agora eu me preocupava com sapatos último tipo, computador... e, diante desses jovens judeus, cristãos, muçulmanos, que vêm de uma região em guerra constante... agradeço, porque agora aprendi a amar mais a vida”. Angélica acrescenta: “Quando você transmite o valor tão precioso da vida, todas as pessoas que estão ao seu redor são contagiadas”. E continua a relembrar: “Um dia, uma menina, que tinha perdido dois irmãos num atentado, me pergunta como eu conseguia fazer teatro com jovens árabes e ter uma amiga palestina. Eu lhe respondi:

‘Justamente por isso: porque existem pessoas do outro lado que merecem que conversemos, que cultivemos amizade; somente assim poderemos vencer todas as forças do mal que estão entristecendo a adolescência, a infância, a esperança de um futuro, o desejo de viver’. Outro episódio também me confirmou a decisão de continuar neste caminho: na escola árabe onde eu lecionava, encontrei um menino com um pingente pendurado no pescoço – ao perguntar-lhe o significado, respondeu-me: ‘É um sahid (‘mártir suicida’) – meu sonho é morrer pela Palestina’. Eu lhe respondi: ‘Meu amor, você tem 14 anos! Não deve morrer pela Palestina, mas deve viver pela Palestina. Nós todos devemos viver pela Palestina e por Israel!’”.

TESTEMUNHO DE AMIZADE

Em visita à Itália para um evento cultural, Angélica e Samàr comprovaram sua amizade e seus ideais. “Nosso discurso não é político. Não estamos aqui para apontar os culpados pelos conflitos. Queremos testemunhar a amizade e a busca pela paz. Experimentamos mudar este mundo, na Terra Santa e em todo lugar. Somos duas mães, duas educadoras preocupadas pelo futuro dos nossos filhos”, exclamou Samàr. Depois, voltando-se para Angélica, em hebraico, leu uma comovente carta: “Querida Angélica, estamos aqui, consolidando a necessidade da paz...

Com esperança e fé, conseguiremos! Como duas mães, como duas amigas... Talvez Deus nos dará um período de paz e de amor! Que Ele nos dê força para construirmos um futuro melhor para nossos filhos. Cada vez que olhar para o céu, por favor, lembre-se que você tem uma amiga!”. E, em algum ponto do muro divisório que passa por Betânia, Samàr inscreveu, em cinco línguas: “Angélica, a amizade não pode ser dividida!”.

Fonte:
www.pime.org.br/mundoemissao/mulheresperanca.htm

O texto que segue abaixo foi extraído do Correio Braziliense. São partes do texto.

"Grupo de mulheres em Israel desafia tabus para se aproximar de palestinas"

"No fim de julho, 11 mulheres israelenses levaram palestinas para passear em Telavive e Jaffa, sem pedir ao autorização ao governo do premiê Benjamin Netanyahu — em desafio à rigorosa lei de entrada em Israel. “Nós comemos num restaurante, tomamos banho de mar e nos divertimos na praia. Depois, retornamos por Jerusalém e observamos a Cidade Velha de longe”, conta a jornalista israelense Ilana Hammerman. Ela motivou mais mulheres a seguirem seu exemplo depois de relatar sua história, em artigo publicado em maio no jornal Haaretz, quando ousou levar em seu carro as jovens palestinas Lin, Aya e Yasmin para verem o mar pela primeira vez."



"Há 22 anos, durante a primeira intifada palestina, outro grupo de mulheres se uniu em um ato simbólico. Elas plantaram oliveiras, símbolo de paz para árabes e judeus, e fundaram o movimento Mulheres de Negro. Desde então, toda sexta-feira elas se reúnem em silêncio, vestidas de negro, em uma praça de Jerusalém, para dizer “não” à ocupação da Cisjordânia. Elas se juntam com palestinas, reunidas no grupo Jerusalém Link, para lutar pelos direitos das mulheres.

“É maravilhoso contemplar oliveiras sem o temor de que uma escavadeira as arranque para construir um assentamento ou uma estrada para colonos”, disse em 2000, pouco antes de morrer na Grécia, Hagar Roublev, cofundadora das Mulheres de Negro, em conversa com Luisa Morgantini, então vice-presidenta do Parlamento Europeu. Oliveiras ainda são derrubadas na Cisjordânia e o azul do Mediterrâneo continua sendo uma paisagem distante para muitos palestinos. Mas os esforços de Ilana e de Hagar pela paz continuam dando frutos."

Para ver o texto na íntegra o link é
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/mundo/2010/09/07/interna_mundo,211808/index.shtml
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