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sábado, 20 de julho de 2013

Macy’s Day Parade

Eu acompanho sempre a trajetória e notícias da banda Green day  e um site bem interessante é o Green Day Eulogy, donde eu copiei este post. Vale a pena ler. É uma explicação sobre uma das músicas que eu pessoalmente mais gosto deles, que se chama "Macy's Day Parade". Interessante como ela é autoreflexiva, crítica e madura, sem ser clichê. Falar da vida de um ponto de vista como dessa música não é fácil, mas tão necessário quanto uma poesia.


At The Library: Macy’s Day Parade
A minha escolha para falar sobre Macy’s Day Parade foi por um motivo bem simples, pois ela não somente é uma das minhas músicas favoritas do Green Day, como resume – para mim – tudo o que o grupo representa: esperança.
Antes de começar a analisar a letra em si, porém, gostaria de explicar um pouco sobre o desfile oficial do Dia de Ação de Graças da loja Macy’s. Breve aula sobre os Estados Unidos aqui no Green Day Eulogy.
A Loja
Macy’s é uma das mais conhecidas lojas de departamento dos Estados Unidos, cujo slogan é “a maior loja do mundo”. Com mais de 100 anos no mercado (fundada em 1858), Macy’s realiza desde 1924 um desfile anual de Dia de Ação de Graças na cidade de Nova York, além de ser um dos maiores patrocinadores do feriado de 4 de julho também produzido na Big Apple.
O Feriado
Thanksgiving, ou Dia de Ação de Graças em português, é um dos principais feriados norte-americanos, celebrado sempre na última quinta-feira do mês de novembro. A história da data tem início em 1621, quando os peregrinos que chegaram da Inglaterra aos Estados Unidos comemoraram a primeira colheita na colônia de Plymouth, após um inverno bem rigoroso. Na festividade – que recebeu muitos índios – todos comeram muito peru, pato, peixe e milho, sentados em uma grande mesa ao ar livre.
Nos anos seguintes, a mesma festa ocorria, até que o presidente George Washington implementou em 1789 que o Thanksgiving passaria a ser lembrado todo dia 26 de novembro. Foi somente em 1863, contudo, que o presidente Abraham Lincoln declarou que o mesmo deveria ser comemorado toda última quinta-feira do mês de novembro e que seria um feriado nacional.
Até hoje se mantém a tradição nos Estados Unidos, que é mencionada em seriados e filmes americanos, onde famílias e amigos se reúnem para jantar e agradecer a Deus.
O Desfile
Conforme citado acima, desde 1924 a loja Macy’s produz anualmente um desfile no Dia de Ação de Graças em Nova York. O evento – que é chamado oficialmente de Macy’s Thanksgiving Day Parade – tem duração de 3 horas e é transmitido pela emissora NBC. A parada conta com música, carros alegóricos e muitos balões para celebrar a data.
Curioso para saber como é? Veja um vídeo aqui!

Sobre a música

Macy’s Day Parade foi a quarta e última música de trabalho do disco Warning, lançada em 3 de novembro de 2001. A canção faz uma crítica ao desfile do dia de Ação de Graças, enfatizando que coisas como amor, felicidade e esperança não são possíveis de comprar.
Análise
A Macy’s Day Parade é uma canção que, em termos gerais, faz uma crítica ao materialismo que não só a Macy’s, mas outras lojas também promovem no dia de Ação de Graças.
Então, por que será que o Billie Joe declarou uma vez que ela se trata de mentiras e decepções que você tem ao crescer?
Today’s the Macy’s Day parade
The night of the living dead is on it’s way
With a credit report for duty call
Logo na primeira estrofe da música nos deparamos com o contexto ao qual somos levados: é dia de ação de graças, dia do desfile da Macy’s, o que significa que a Black Friday está chegando. A “sexta-feira negra” sempre sucede o Thanksgiving e é famosa nos Estados Unidos por ser um dia em que diversas lojas do país fazem verdadeiras liquidações e descontos, causando histeria na população. Diversos estrangeiros viajam para lá nesta data apenas para aproveitar as incríveis ofertas a preços super baixos.
A espera e expectativa que a Black Friday traz são mencionadas na segunda frase da música, quando o narrador diz que “a noite dos mortos vivos está a caminho.” À meia-noite as lojas abrem e os ‘zumbis’ consumistas já estão a postos para comprar.
It’s a lifetime guarantee
Stuffed in a coffin, 10% more free
Red light special at the mausoleum
Nestas linhas adiante, Billie Joe debocha do fato que as pessoas são tão consumistas que até planejam seu próprio funeral e garantem um caixão com desconto para quando morrerem. Até mesmo após a morte querem poder controlar e comprar tudo.
Give me something that I need
Satisfaction guaranteed to you
What’s the consolation prize?
Economy sized dreams of hope
Imagine aqui um diálogo entre loja/consumidor, onde o segundo pede “me dê algo que preciso”, o que significa que ele nem sequer sabe o que quer, mas quer comprar. “Satisfação garantida a você,” retruca a loja. O preço da consolação também acaba se tornando reduzido: pequenos sonhos de esperança.
When I was a kid, I thought
I wanted all the things that I haven’t got
Oh, but I learned the hardest way
Then I realized what it took
To tell the difference between thieves and crooks
A lesson learned to me and you
A segunda parte da música é quando a crítica se volta ao próprio narrador, já que ele fala das coisas que sempre quis, mas nunca teve. Cada um pode ter sua interpretação individual dessa parte, já que almejamos por coisas diferentes na vida, mas suponho que o Billie Joe tenha se referido a ter uma banda, fazer sucesso e, quem sabe, dinheiro também. Coisas que ele não tinha, porém, aprendeu de um jeito duro que não era o que ele precisava. Afinal, ele conquistou tudo isso, mas e depois? O que é mais importante na vida? Ele provavelmente percebeu que nada disso importava. Não era isso que o fazia feliz.
Esta foi a hora que o narrador consegue reparar a diferença entre ladrões e trapaceiros. Enquanto um invade a sua casa e te rouba, o outro te faz sonhar com uma vida onde você pode ser feliz se adquirir tudo o que quer, te promete uma felicidade ilusória, como se você pudesse compra-la.
Neste momento em meio à frustração e decepção, o que resta a fazer é pensar em uma nova esperança, aquela que o narrador nunca conheceu, mas agora entende que, no fundo, é tudo o que ele sempre quis.
And I’m thinkin about a brand new hope
The one I’ve never known
Cuz now I know it’s all that I wanted
O Clipe
O vídeo oficial de Macy’s Day Parade foi gravado em plano sequência, ou seja, um sequência inteira, sem cortes. Todo em preto e branco, possivelmente para demonstrar a melancolia que a música transmite, o clipe foi dirigido por Mark Kohr e lançado em 2001.
Assista:



quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Russomanno e a Vulgaridade do Desejo




Compartilho aqui no blog um excelento artigo cheio de conexões de maneira críticas. É pra pensar e tremer.http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2012/09/russomanno-e-vulgaridade-do-desejo.html

Russomanno e a vulgaridade do desejo

O “patrulheiro do consumidor” lidera em São Paulo porque, se a política é de mercado, ele pode convencer como mercadoria

ELIANE BRUM
Como se define um povo? De várias maneiras. A principal, me parece, é pela qualidade do seu desejo. É por este viés que também podemos compreender o fenômeno Celso Russomanno (PRB). Como um homem que se tornou conhecido por bolinar mulheres na cobertura de bailes de carnaval e como “patrulheiro do consumidor” em programa da TV Record, apoiado pela Igreja Universal do Reino de Deus, torna-se líder de intenções de votos na maior cidade do Brasil?
Acredito que parte da resposta possa estar no desejo. Na vulgaridade do nosso desejo. No que consiste o desejo das diferentes camadas da população, seja o topo da pirâmide, a classe média tradicional, o que tem sido chamado de “nova classe média” ou classe C. Para além das diferenças, que são muitas, há algo que tem igualado a socialite que faz compras no Shopping Cidade Jardim, um dos mais luxuosos de São Paulo, ao jovem das periferias paulistanas carentes de serviços públicos de qualidade. E o que é? A identificação como consumidor, acima de todas as maneiras de olhar para si mesmo – e para o outro. É para consumir que boa parte da população não só de São Paulo quanto do Brasil urbano tem conduzido o movimento da vida – e se consumido neste movimento.
Dois textos recentes são especialmente reveladores para nos ajudar a compreender o Brasil atual.
Em sua coluna de 4/9, na Folha de S. Paulo, o filósofo Vladimir Safatle faz uma análise interessantíssima do caso Russomanno. Ele parte do fato de que a ascensão econômica de larga parcela da população no lulismo se dá principalmente pela ampliação das possibilidades de consumo – e não pela ampliação do acesso a serviços sociais de qualidade. Logo, para essa camada da população, os direitos da cidadania são decodificados como direitos do consumidor. Nada mais lógico para representá-la e defender seus interesses do que um prefeito que seja um pretenso “patrulheiro do consumidor”, bancado por uma das igrejas líderes da “teologia da prosperidade”. Russomanno seria, na definição de Safatle, “o filho bastardo do lulismo com o populismo conservador”.
Na ótima reportagem intitulada “O Funk da Ostentação em São Paulo”, o repórter de Época Rafael de Pino conta como se dá a apropriação do funk carioca nas periferias de São Paulo. Preste atenção na abertura da matéria, que reproduzo aqui:
“‘Vida é ter um Hyundai e uma Hornet/10 mil pra gastar, Rolex e Juliet’, canta o paulista MC Danado no funk ‘Top do momento’. Para quem não entendeu, ele fala, na ordem, de um carro, uma moto, dinheiro, um relógio e um par de óculos – um refrão avaliado em R$ 400 mil. Na plateia do show na Zona Leste, região que concentra bairros populares de São Paulo, os versos são repetidos aos berros pelas quase 1.000 pessoas presentes, que pagaram ingressos a R$ 30. O público da sexta-feira é jovem, etnicamente diverso e poderia ser descrito em três palavras: ‘classe C emergente’.”
MC Danado, como nos conta Rafael de Pino, antes de se tornar um astro, trabalhou como office-boy e auxiliar de escritório. Ele diz o seguinte: “Gosto da ostentação, gosto de ostentar. Parte do que canto, eu tenho. Outra parte, desejo e vou conquistar com meu trabalho”. Vale a pena conferir os refrões de outros funkeiros da ostentação, como MC Guimê: “Ta-pa-ta-pa tá patrão, ta-pa-ta-pa tá patrão/Tênis Nike Shox, Bermuda da Oakley, Olha a situação”. Ou MCs BackDi e Bio-G3: “É classe A, é classe A/quando o bonde passa nas pistas geral, tá ligado que é ruim de aturar/É classe A, é classe A/Nós tem carro, tem moto e dinheiro”.
MC Menor, outra estrela ascendente, explica: “Enxergo o mundo como meu público enxerga. Nasci na comunidade, sei que lá ninguém quer cantar pobreza e miséria”. Não por acaso, é em São Paulo que o funk se torna uma expressão do desejo de consumo da juventude emergente das periferias.
Ao ascender economicamente, a “nova classe média” parece se apropriar da visão de mundo da classe média tradicional – talvez com mais pragmatismo e certamente com muito mais pressa. Em vez de lutar coletivamente por escola pública de qualidade, saúde pública de qualidade, transporte público de qualidade, o caminho é individual, via consumo: escola privada e plano de saúde privado, mesmo que sem qualidade, e carro para se livrar do ônibus, mesmo que fique parado no trânsito. O núcleo a partir do qual são eleitas as prioridades não é a comunidade, mas a família.
Se no passado recente o rap arrastou multidões nas periferias de São Paulo com um discurso fortemente ideológico contra o mercado, hoje o espaço é parcialmente ocupado pelo “funk da ostentação” e seu discurso de que uma vida só ganha sentido no consumo. As marcas de uma vida não se dão pela experiência, mas se adquirem pela compra: as marcas da vida são grifes de luxo, segundo nos informam as letras do funk paulista. Alguns dos grandes nomes do rap engajado do passado também podem ser vistos hoje anunciando produtos na TV com desembaraço – o que também quer dizer alguma coisa.
É importante observar, porém, que aquilo que eu tenho chamado aqui de vulgaridade do desejo não é uma novidade trazida pela “nova classe média”. Ao contrário, a influência tem sinal trocado. O que os emergentes da classe C tem feito é se apropriar da vulgaridade do desejo das elites. O funk da ostentação de MC Danado, ao recitar grifes e fazer uma ode ao consumo, pode estar na boca de qualquer socialite que possamos entrevistar agora no corredor de um dos shoppings de luxo.

Neste contexto, a vulgaridade do desejo tem em Russomanno sua expressão mais bem acabada na política. Assim como na religião encontra expressão em parte das igrejas evangélicas neopentecostais e sua teologia do compre agora para ganhar agora. Nesta eleição de São Paulo, testemunhamos uma aliança e uma síntese da nova configuração do Brasil – possivelmente menos transitória do que alguns acreditam ser.
Russomanno não inventou a vulgaridade do desejo – apenas a explicitou e tratou de encarná-la. Seus oponentes têm uma biografia muito mais relevante, assim como partidos mais sólidos. Mas parecem ter perdido essa vantagem junto a setores da população no momento em que se renderem à lógica do consumo e viraram também eles um produto eleitoral. Pela adesão à política de mercado, perderam a chance de representar uma alternativa, inclusive moral.

José Serra (PSDB) tem feito quase qualquer coisa para conquistar o apoio das igrejas na tentativa de vencer as disputas eleitorais. Basta lembrar como um dos exemplos mais contundentes o falso debate do aborto estimulado por ele na última eleição presidencial, na ânsia de ganhar o voto religioso. E Fernando Haddad (PT), que se pretende “novo”, antes do início oficial da campanha já tinha abraçado o velho Maluf. Para quê? Para ter mais tempo de TV – o lugar por excelência no qual os produtos são “vendidos” aos consumidores.
Quem transformou eleitores em consumidores de produtos eleitorais não foi Celso Russomanno. Ele apenas aproveitou-se da conjuntura propícia – e não perdeu a oportunidade ao perceber que os outros reduziram-se a ponto de jogar no seu campo. Afinal, de mercadoria Russomanno entende.
É bastante interessante que entre os mais perplexos diante deste novo Brasil, representado pelo fenômeno Russomanno, estejam o PT e a Igreja Católica. Ambos, porém, estão no cerne da mudança que agora se desenha com maior clareza.
A “era” Lula marcou e segue marcando sua atuação também pelo esvaziamento dos movimentos sociais – e da saída coletiva, construída e conquistada que foi decisiva para a formação do PT. Também estimulou sem qualquer prurido o personalismo populista na figura do líder/pai. Assim como na campanha que elegeu Dilma Rousseff, a sucessora de Lula no governo foi apresentada como filha do pai/mãe do povo. Em nenhum momento, nem o PT nem Lula pareceram se importar de verdade com o fato de que os numerosos militantes que no passado ocupavam os espaços públicos com suas bandeiras e seu idealismo foram gradualmente sendo substituídos por cabos eleitorais pagos, em mais uma adesão à lógica de mercado.
A cúpula da Igreja Católica no Brasil, por sua vez, atendendo às diretrizes do Vaticano, esforçou-se nas últimas décadas para esvaziar movimentos como a Teologia da Libertação, que representavam uma inserção do evangelho na política pelo caminho coletivo e pela formação de base. Esforçou-se com tanto afinco que perseguiu alguns de seus representantes mais importantes – e marginalizou outros. Mas parece que nem o PT de Lula nem a CNBB têm compreendido que o fenômeno Russomanno também foi gerado no ventre de suas guinadas conservadoras – e, no caso do PT, de suas alianças pragmáticas e da sua atuação para transformar a política num balcão de negócios. Sem esquecer, claro, que o PRB de Russomanno é da base de apoio do governo Dilma.
Quando a presidente do país dá o Ministério da Cultura para Marta Suplicy, para que ela suba no palanque do candidato do PT à prefeitura de São Paulo, por mais que os protagonistas aleguem apenas coincidência, é só política de mercado que enxergamos. E tudo piora quando Marta invoca uma trindade político-religiosa no palanque de Haddad: “O trio é capaz de alavancar (a candidatura de Haddad): a presidente Dilma, o Lula e eu. Eu, porque tenho o apelo de quem fez; eu sou a pessoa que faz. O Lula porque é um ‘deus’ e a presidente Dilma porque é bem avaliada. Então, com a entrada desse trio, vai dar certo”.
Diante do que está aí, feito e dito, por que o eleitor vai achar que Russomanno é pior? Ou que as alternativas a ele são de fato diferentes?
O mais importante não é atacar Celso Russomanno, mas compreender o que ele revela do Brasil atual. O fenômeno Russomanno pode ter algo a nos ensinar. Quem sabe sua liderança nas pesquisas eleitorais possa mostrar aos futuros candidatos que ética e coerência na política valem a pena se quiserem se tornar alternativas reais para uma parcela do eleitorado. Ou que se nivelar por baixo em nome dos fins pode ser um tiro no pé – tanto quanto se aliar com qualquer um. E talvez o fenômeno Russomanno possa ensinar aos futuros governantes que um povo se define pela qualidade do seu desejo. E desejo só se qualifica com educação.
Sempre se pode lamentar que o eleitor deseje o que deseja, mas o eleitor – em geral subestimado – sabe o que quer. Se a maioria acredita que tudo o que dá sentido a uma vida humana pode ser comprado num shopping, então São Paulo – e o Brasil – merecem Celso Russomanno.
Eliane Brum escreve às segundas-feiras.
Eliane Brum, jornalista, escritora e documentarista (Foto: ÉPOCA)Eliane Brum, jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de um romance - Uma Duas (LeYa) - e de três livros de reportagem: Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo). E codiretora de dois documentários: Uma História Severina e Gretchen Filme Estrada. elian...@uol.com.br
@brumelianebrum (Foto: ÉPOCA)

 
 
 
 



 

domingo, 11 de março de 2012

A oração das nossas necessidades e o consumismo

"Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome;
Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; O pão nosso de cada dia nos dá hoje; E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; E não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém." (Mateus 6:9-13)

Todos conhecem a famosa oração do "Pai nosso", usualmente entoada aos domingos, ou em momentos específicos, em igrejas ou em casas. Até quem não é cristão ao menos reconhece algum trecho dessa oração. O que poucos sabem é que ela é a oração das nossas necessidades. Para entender isso devemos também compreender o fato de que Jesus quando está no Sermão do Monte e entoando posteriormente a oração ele está a nos ensinar e incitar os seus seguidores a se comunicarem diretamente com o Pai através do diálogo ele deixa claro um nível de relacionamento íntimo e conhecedor. Há uma conexão, um paralelismo entre essa oração e o sermão do monte. Nessa oração Jesus dá a conhecer Deus e o homem. Jesus deixa claro que o homem é necessitado, tão logo ele se referiu antes no sermão do Monte aos pobres de espírito. E deixa claro que Deus é a maior das necessidades, a necessidade das necessidades humanas. Assim Jesus nos ensina a direcionarmos nossas necessidades ao único que pode nos suprir.
Partindo do pressuposto de que sendo Deus o criador, ele pode nos conformar a nossa realidade com a realidade da vida. Une-se assim a realidade do indivíduo, do próximo, do coletivo/mundo/todo e a de Deus.

Encontramos na oração do "Pai nosso" as principais necessidades humanas. Ele cita o pão como referência básica a manutenção física do indivíduo (alimentação em todos os dias para atender as nossas necessidades biológicas e prazer). Cita também dentro da oração do "Pai nosso" o perdão, enquanto necessário para a mobilidade da vida no sentido de continuidade de relacionamentos. É a necessidade de ter e de dar a "segunda chance", de ter nova chance, haja vista que todos somos falhos, erramos o alvo, não temos a possibilidade de enchergármos completamente todas as realidades, assim sendo somos devedores. Ou seja, temos uma necessidade sociológica, eu diria. Continuando o Mestre cita a resistência , a não ultrapassármos o limite da vida referindo-se a não cair nas tentações. Isso se refere a necessidade psicológica. Isso tudo naturalmente permite o sujeito e o coletivo a ter saúde.  Tem-se aí uma verdadeira ecologia ao entrelaçar os vários níveis de relacionamentos intraespecificos e interespecíficos.


O grande problema é quando pegamos essas necessidades e damos lugar a outras. Substituimos o pão nosso de cada dia pela falsa necessidade de ter muitas vezes bens materiais os quais apenas queremos, mas não precisamos. Não que seja errado termos bens materiais, uma vez eles nos beneficie corretamente, mas fato é que por vezes deixamos de dar atenção as verdadeiras necessidades nossas e do próximo e passamos a dar atenção a coisas desnecessárias. Substituimos a prosperidade por predação, perdão por competição (contra nós e o outro). Muitas vezes isso ocorre por estármos carentes. Carência é algo que está faltando. Carência pode nos encher de coisas...para ocupar o lugar do que está faltando pode nos encher de bens, comida, de atenção, de inveja, de ciúmes e outras coisas. É muito comum ouvirmos que uma pessoa carente de amor come muito, isso ocorre também com os ansiosos, da mesma forma às vezes tais pessoas fumam, se embebedam passando dos limites. Substituimos afeto por alimento, bebida, consumo de bens, sexo, ou qualquer outra coisa que possamos acreditar que suprirá nossa demanda afetiva, e quanto menos afeto mais consumo dessas coisas. Sim, pois passamos a sermos consumidores. Nosso psico às vezes não perdoa e nos leva a cair em tentação e entramos num ciclo de pecado, um ciclo de desprazer, afinal nada disso satisfaz. Desregulamos a matéria e a energia, desregulamos nossos relacionamentos e assim os sistemas econômico, social, ambietal e corporal...No entanto a carência não é um fator determinante. Vejamos o caso de Adão e Eva. Eles não tinham carência.


O fruto do conhecimento do bem e do mal não eram necessidades de Adão e Eva, mas eles o tomaram como tal. Toda vez que fazemos isso tal como eles cometemos o erro do consumismo. Que é ter o que não precisamos.


O Reino de Deus é satisfação, completude. O "reino do eu" é insatisfação, incompletude que tenta se preencher com tudo, tudo o que é nada em si mesmo. Vaidade de vaidades...como diria o Eclesiastes.


Sim! A tentação é a não satisfação. Não satisfação em primeiro lugar de ser quem é (imagem e semelhança de Deus), não satisfação em ter o que se tem, e o não contentamento do por vir ou do não vir a ter.

A tentação é deixarmos de reconhecer nossas reais necessidades e deixar que coisas acessórias se tornam nossas demandas, ou seja, falsas necessidades. É o desejo de ser detentor de meios que nos levem a acreditarmos que somos independentes. Não podemos confundir autonomia com independência... Esse é um erro comum e grave.

Mantermos a mente acima da tentação é um desafio. E acima de tudo isso se cumpre através de amor. Não há o que debater com a falsa necessidade, ou seja, com a tentação. Se fizermos isso vamos acabar achando um caminho, uma desculpa para cairmos na falsa necessidade, na nossa cobiça específica. O "Eu" contra o amor.



O Reino de Deus em nós, que é a vontade plena do Senhor (assim na terra como no céu) nos dá a saber o sentimento de necessidade e dependência de Deus, a saber o que de fato é necessário e que o ponto de satisfação está em amar, expresso em Jesus, e que o Reino não é comida nem bebida, mas paz e justiça e alegria no Espírito Santo." (Romanos 14 : 17). Por isso Jesus diz: "venha o teu Reino", e noutra vez clama: "buscai primeiro o Reino". Essa é a maior demanda e necessidade, pois maior necessidade do que Deus não há.

Ao sermos aceitos em Deus passamos a ter necessidades maiores do que o "eu". Agora sentimos a necessidade de que o próximo tenha paz, e justiça, e alegria no Espírito da vida. Sentimos necessidade de nos doar, pois temos amor de sobra, temos recursos mais que outros a medida que vemos que o nada termos já é muito para quem tem o Deus que satisfaz com a sua paz e o amor. Deus pode suprir-nos o que está em falta, mas sobretudo de amar mais. Deixar de lado o reininho do "Eu" e buscar mais o Reino de Deus é um passo. E se você errar, pois a própria oração confirma que erramos e por isso precisamos de perdoar para ter perdão, não se esqueça que temos um Pai que sabe das nossas necessidades, e que se sua necessidade é realmente acertar ele te dará ajuda necessária para tanto. Como diz Paulo: "O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus" Filipenses 4.19.


Vamos orar? Leia a oração do Pai Nosso e basei-se nela para orar assim como eu fiz abaixo.

"Pai da gente, Santo. Santo é tudo o que é teu, pois Tu és Santo. Assim sendo venha tua vontade plena em nós. Que a começar de um se espalhe para a comunidade. Me ajude a ser esse um vazio que se torna cheio quando somos um contigo, para assim eu ser um com o outro, e assim não olhar somente para minhas necessidades. Perdoa as nossas ofensas, somos devedores uns aos outros , pois não amamos o quanto deveríamos ou até mesmo poderíamos. Não nos deixe buscar satisfação em falsas necessidades, não nos deixe cairmos nesse erro. Da-nos a saber o que tu estás fazendo para completarmos o que estamos fazendo aqui. Nos lembre que somos tua imagem e semelhança. Teu é o Reino e nós os cidadãos, Teu é o poder e nós as ferramentas, Tua é a glória e o nós o espelho dela, sempre. Amém"!!!
 
Jorge Tonnera jr

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Ter ou Não Ser, Essa é a Questão?

Ter ou Não Ser, Essa é a Questão?

Porque este desejo de ter? Quantas famílias já não foram destruídas pela insaciabilidade de um dos cônjuges, ou mesmo dos dois, que leva um ou os dois cônjuges a dedicarem-se tanto a ganhar dinheiro que não têm mais tempo para a família.

Deseja-se tanto ter mais coisas, que o cônjuge com maior encargo na provisão fica sob uma pressão constante, chegando a estado de estresse insuportável. E o que dizer sobre o que o consumismo pode fazer com os filhos, a ponto de não se aceitarem se não tiverem o que se lhes é oferecido pelo sistema? Quantas famílias podem contar histórias como esta? Por que tanta necessidade de ter?

Penso que, de fato, a necessidade não é ter, é e sempre foi a de ser. O problema é que confundimos uma coisa com a outra, entendemos que para ser é preciso ter. Aliás, é nesse estribo que se sustenta a sociedade de consumo, é o grande argumento dos especialistas de mercado, convencer o consumidor de que ele só será na medida em que tiver sempre e cada vez mais.




Quanto mais tiver, mais se sentirá sendo. Daí a insaciabilidade, porque o que esta posto, é que ser não é um estado, é um processo que se sustenta pela posse e na posse.
 Se nós voltarmos para Gênesis, veremos que foi exatamente nesse ponto que o inimigo nos fez tropeçar. Ele disse ao homem coletivo, comunhão do macho e da fêmea: “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão vossos olhos e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.” Gn 3.5

Qual deveria ter sido a resposta da raça humana a esta afirmação? Simples! Deveria ter dito: – “Nós já somos como Deus, já somos a imagem e semelhança de Deus, não há nada que nós precisemos fazer ou possuir para ser como Deus!”

Ser imagem e semelhança de Deus era o estado da humanidade. Onde foi que eles tropeçaram e se deixaram enganar? Quando acreditaram que para ser, não lhes bastava estar na posição em que estavam, precisariam possuir. Este foi e tem sido o grande equívoco da humanidade.

O inimigo nos fez crer que para ser como Deus era preciso possuir o que Deus possuía, o que, naquele momento, significava conhecer o que Deus conhecia. Que grande equívoco, já éramos! Não precisaríamos nem fazer, nem ter nada para ser. Bastava-nos continuar na posição em que estávamos.

Nós somos como resultado do ato criador divino, simplesmente assim. Entretanto nós acreditamos que ser era um processo e não um estado. Tornamo-nos insaciáveis porque passamos a pensar que ainda não éramos. Esse ter para ser, afunda-nos na seguinte questão: Como saber quando chegamos ao estado de ser? Se ainda não somos, então não sabemos o que é ser, como, então, saber quando chegamos lá, se chegarmos? Logo, nunca seremos.




Somos prisioneiros do possuir. É como se a gente precisasse estar sempre sentindo-se sendo e, para sentir-se sendo, precisamos continuar possuindo e, mais grave ainda, é que começamos comparar o nosso processo de ser com o processo dos nossos semelhantes, de maneira que começamos a concluir que quem possui mais do que nós está sendo mais do que nós, quem conhece mais do que nós esta sendo mais do que nós, quem pode mais do que nós, está sendo mais do que nós.

Que tem gente que é mais que nós e gente que é menos que nós. Eis a gênese de toda a enfermidade social, de toda a discriminação.

Ser, entretanto, é simplesmente estar na posição em que fomos colocados na criação, como imagem e semelhança de Deus.



Como nos livrarmos desta carga que nos foi imposta desde os tempos perdidos na memória? O caminho é voltar para Deus, e isso acontece na medida em que reconhecemos que não só não podemos possuir o que ele possui como não precisamos disso para ser. Voltar para Deus, portanto, é pedir-lhe perdão por não termos nos mantido na nossa posição de estar sob Ele e simplesmente ser.

Ser é estar onde Deus nos colocou, na dependência dele. Deixemo-lo aprofundar em nós a sua natureza, de modo que nós nos aprofundemos naquilo que somos.

Ariovaldo Ramos

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Jesus e o Consumo Colaborativo: uma vida para além do consumismo.

O paradigma da vida moderna nos leva a seguir em vida a um falso contentamento
e mera satisfação temporária sobremedida vazia em si mesmo cujo espírito é
vaidade de vaidade.  como diria o Pregador em Eclesiastes, livro bíblico contendo
as reflexões do Rei sábio Salomão, filho do Rei Davi, que teve de tudo na vida: Vaidade de vaidade. Tudo é vaidade". (Eclesiastes 1:2) Salomão teve de tudo em termos de consumo de sua época...Em nosso tempo onde temos muito mais
coisas para consumir tomamos tal paradigma "Vaidade de vaidades" mais ainda evidente e desse nosso tempo se resume a
síntese de "Use menos e compre mais."


Com a percepção de que estamos direcionando nossas práticas de vida e associações a um algo velozmente provisório e um eterno desuso, surgiu uma contracultura que se opõe a esse tendência. É o "Consumo Colaborativo", cuja ideia pode ser dita da seguinte maneira: "Use mais e produza menos".

João Batista protestava admoestando e exortando em favor de um desapego aos usos e consumos que aprisionam tanto o nosso emocional (pisco) quanto a matéria (a natureza), ao aprisionamento do produto do excesso. Dizia que "aquele que tem duas tunicas
reparta". (Lucas 3:11-12)



Como o mundo tem sofrido cíclicas crises econômicas e sociais, assim como uma
progressiva decadência de recursos ambientais, na tentaiva de sobreviver a esses
intempéries e externalidades algumas pessoas tem criado ou recriado serviços como opção a uma economia para além do pensamento de crescer por crescer ou crescimento acelerado, enriquecimento por enriquecimento. Com isso iniciativas como a criação de redes de interesses múltiplos de usos e consumos tem sido interessante.



Por exemplo, o sistema de compartilhamento de carros em que se dá carona. Ou ainda um compartilhamento de carros em que se paga por hora. Tem-se ainda uma loja de aluguel de brinquedos infantis, ou ainda mercado de troca e aluguéis de livros, utensílios domésticos, ferramentas, bicicletas etc. Até mesmo aluguel de espaços desde quartos nas casas a jardins. sites de aluguel de coisas tem se tornado atraente. Nesses espaços virtuais ou reais onde se formam redes, qualquer coisa pode ser uma necessidade momentânea e
passageira sem ser consumista, pois o problema não é ser momentâneo, mas o que  fazer depois sem ter o que fazer, aprisionando matéria.

Uma das redes mais interessantes é a rede Freecycle, que existe em vários lugares do mundo, inclusive aqui no RJ (Rio_Freecycle), onde virtualmente se oferece coisas para as pessoas, coisas essas que quem oferece deseja não mais ter e ao repassar para outrem com isso não gerar lixo. Para participar desta rede do Rj acesse http://groups.yahoo.com/group/Rio_Freecycle/join. Para outros lugares é possível encontrar outras redes pela internet. Tem-se também o "Dois Camelos", aplicativo do facebook com mesmo intuito: http://apps.facebook.com/doiscamelos/



Ninguém nesse caso é obrigado a trocar nada, muito menos se compra nada. Essa rede também pode ser feito presencialmente em dias especificados, o que acaba mobilizando a comunidade local, vitalizando ela através do contato entre essas pessoas e nas conversas sobre suas coisas acaba-se construindo novas relações afetivas e pessoais. Esse mesmo conceito e ideia é aplicado para "Loja grátis", que é um determinado espaço físico como
loja onde nada se vende nem se compra apenas se dispõe de coisas que uns não querem mais e outros se interessam em levar.

Um outro exemplo de consumo colaborativo muito impactante vem de uma comunidade da cidade californiana de Sacramento, onde vizinhos se uniram para trocar alimentos e evitar o desperdício de comida. Nesse caso cada um leva o que sobrou de sua colheita e troca por algum item que ainda não tem. O que sobravam nas suas hortas e quintais poderia virar moeda verde, um escambo para mais opções de almoço. Assim criaram o Crop Swap, uma espécie de feira livre grátis. Vale dizer que isso gerou um mutirão de voluntários que constroem hortas de vizinhos. Reparem que o "benefício final" nesses circuitos fechados é
sempre o aumento das relações humanas, uma vitalidade comunitária em termos de
relacionamento.

Outro exemplo que conheci e achei muito interessante como fonte de desenvolvimento comunitário sustentável a partir de um consumo colaborativo em torno de trocas foi o "Projeto Limpar", da ONG Ceaca da Vila, no Morro dos Macacos. Lá no Morro as pessoas trocam materiais recicláveis por alimentos. O material é pesado e convertido em moeda verde sendo revertido em benefício soioeconômico e ambiental.

Tudo isso é a transformação do bem em serviço, o que dá o ar de mudança de paradigma gerando um novo pensamento para além do "eu", um pensamento de que "o que é seu, também é nosso". Tudo isso contextualizado na teoria ecológica-econômica dos 3RS: "Reduzimos, reutilazamos, e reciclamos". Rumo a uma menos materialização da economia para um foco mais de serviço. Consumo colaborativo não pressupõe troca monetária, mas havendo há de ser de maneira justa. Valendo-se de uma remodelagem de trocas de informações através das manifestações do conceito de redes, sobretudo por meio do advento da internet, tem-se aí as chamadas redes sociais, que vão se abrindo a novas oportunidades e dando-se a conhecer ao mundo ideias inteligentes. Preocupação com o meio ambiente e mobilidade econômica, formas de viver alternativas ao capitalismo predatório são propulsoras desses movimentos, já que o mundo tem demonstrado que o modelo de desenvolvimento que se tem nos dias de hoje é limitado e expurga a vida quando chega em determinados pontos. Daí também o contingente de mão de obra de reserva do capitalismo (desempregados).
O consumo individual não é para todos e sendo excludente promove frustração a pretexto do lema de que "todos são iguais" e assim tem direito a ter o que o outro tem. A máxima, no entanto, não diz que todos precisam ter tudo. Isso de ter que ter tudo o que o outro tem é um grande erro de interpretação dessa famosa expressão. É um grande engano querermos ter tudo o que o outro tem, e ainda por cima querermos nossa igualdade através do consumo. Assim sendo precisamos rever esse pensamento de igualdade.
O consumo mútuo vai além dessa mentalidade. Apesar de se beneficiar de algo que alguém já teve ou ainda tem, nos oferece uma oportunidade de saber que igualdade não vem por estar com algo que alguém já teve ou tem, mas em se reconhecer humano por meio dos seus relacionamentos. Nossa identidade está não naquilo que temos, mas na forma que nos relacionamos. Assim nossa identidade é restaurada (Isso foi o que Jesus fez ao ser humano: restaurou sua identidade) e ainda possibilitamos movimentação de matéria e de economia, oportunidade melhor de vivermos, ter novas relações e menos consumo da natureza sobreexplorada. 



Fica uma linda lição baseada na Bíblia:
“Os que compram”, diz ele, devem agir “como se nada possuíssem; os que usam deste mundo, como se dele não abusassem. Pois a aparência deste mundo passa” (de Autoria / Fonte: Adriano Anthero baseado na Bíblia). O apóstolo Paulo nos lembra que "nada trouxemos para este mundo, e nada podemos levar dele; tendo, porém, sustento e com que nos vestir, estejamos contentes." (1 Timóteo 6:7-8).  Jesus nos admoestou lindamente quando nos lembrou que os lírios e os pássaros nada têm e possuem suas respectivas glórias prórias dadas por Deus e que Deus como pai nos permite  viver o necessário sem precisar de algo mais (Mt 6.25-34). Ou seja, a solicitude da vida ansiosa não satisfaz, mas a vida amorosa se satisfaz em ser e não em ter. Por isso mais uma vez Paulo lembra que  "Mas os que querem ficar ricos caem em tentação e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, as quais submergem os homens na ruína e perdição." (1 Timóteo 6:9)
Aprendamos com aquele que é Dono de Tudo, mas que considerou ser livre de tudo,
pois que "Ele entrou neste mundo num ventre emprestado e saiu dele num sepulcro
emprestado (Adriano Anthero)." Aquele que tem não se sinta dono de nada! Como 1Coríntios 7:30 seja "Os que compram, como se não possuíssem".

No Cristo que se doa e doa a própria vida para entrar na nossa afim de nos  reciclar,
Jorge Tonnera Jr.
Amém, Aloha!




quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Você sabia que pode alugar brinquedos?

Recebi mês passado um informativo do Banco Santander, ou como um amigo chama, "Satãnder" (Sim, também como você eu não gosto de bancos, e por isso mesmo me surpriendi em dobro) que falava de um Clube do Brinquedo, um site para aluguel de brinquedos.
Tal proposta é não somente criativa como principalmente bem coerente, pois, a economia deve ser um circuito, e com o passar do tempo ela terá que se adaptar a realidade da vida e sair da virtualidade do consumo excessivo. A ideia de aluguel de bens tem sido uma tendência e em parte se expandiu por conta da crise. Podemos chamar esse tipo de movimento de economia criativa. É interessante sobretudo, e acho que o maior mérito dentro de nossa sociedade indivudualista e que se empodera através de coisas, vaidosa e de jovens querendo a todo custo se auto afirmarem, nesse caso ao contrário disso tudo a proposta oferece o contato ao não apêgo, a educar nossos filhos desde cedo ao uso e devolução. Brincar por si só é um ato educacional que libera a criança em termos de afeto, cognição, criatividade e também valores. O não ter também é uma necessidade assim como o ter coisas necessárias. Ou como o idealizador, Wagner Heilman disse: "Não acumular objetos é uma necessidade atual e que precisamos ensinar aos nossos filhos”. Além do quê, o ensinar a forma de usar, ou melhor o conservar as coisas nos leva a uma ética de respeito e cuidado maior com as coisas que passam pela nossa vida e assim um melhor cuidado do que não é nosso, portanto por extensão um melhor cuidado com o meio ambiente e o próprio planeta. O meio ambiente por ter sido ultrajado há muito tempo na ótica de "uso-desuso-descarte", tem faltado com recursos.

Segundo o folder, o Clube do Brinquedo é a primeira locadora online de brinquedos e acessórios que possibilita uma forma de consumo sustentável desde a infância, já que os pais não precisam mais comprar itens que são utilizados por pouco tempo pelas crianças. Pra quem se interessar o endereço do site é http://www.clubedobrinquedo.com.br/

A ideia é excelente, a proposta é totalmente cristã ao meu modo de ver. Torço para que dê certo e se multipliquem tais exemplos.

Jorge Tonnera Jr.

sábado, 5 de novembro de 2011

Steve Jobs e a geração consumista que chora. Ecologia e sociologia de um luto.


Passado vários dias da morte de Jobs ainda se ouve burburinhos, comentários e citações dele e sobre ele.
Lembro-me que quando da sua morte percebi o alvoroço e declarações de lamento no facebook que me causaram uma certa estranheza.

Por que tantas pessoas, sendo muitas que realmente conheciam o trabalho de Steve Jobs, e outras muitas das quais nem sequer sabiam bem quem era Steve Jobs, ambas lamentavam nas redes sociais sua morte? Em parte me pareceu coisa do tipo "E agora quem fará mais coisas assim para nós?". E em outra parte me pareceu um "q" de "quero parecer interessante". 

Qual foi o legado de fato e será que esse legado era suficiente para tanto lamento? Tudo bem duvido para mim.


É evidente que qualquer perda de uma vida deveria ser lamentado. Mas sabemos que na prática isso é um tanto obscuro. Então pensei se talvez os órfãos de Steve Jobs sejam a juventude ávida por consumo. Particularmente por consumir tecnologias, e tecnologias estas que ocupam a vida e dão posição de destaque na sociedade.

Isso explica, pelo menos no mínimo em parte, também o porquê se falou pouco nesse meio tempo de coisas mais importantes como as milhares de pessoas que vão morrendo, perecendo pela fome e seca, especialmente na África. Poderia citar também outras realidades, mas o caso da África cai nessa história como uma perfeita ironia da vida e da morte, pois diga-se de passagem a África é o destino final de milhares de toneladas de lixo eletrônico, dentre os quais vários produtos de Steve Jobs/ Apple, e que acabam se tornando fatores de risco ambiental e assim consequentemente de saúde e portanto de morte. E aí vemos a tal ironia bizarra. Um morre e é lembrado pela tecnologia; vários morrem por conta dessa tecnologia e ninguém se lembra. 

Não sou contra tecnologia. Muito pelo contrário. Eu gosto e uso. Se assim não fosse não estaria usando o meio em que aqui escrevo e se não fosse como homens que criam tecnologia jamais poderia eu interagir através deste blog. No entanto sou contra os excessos e posições que estas coisas acessórias ocupam muitas vezes. Além disso, é sabido que a obsolecência planejada, que consiste na capacidade das empresas como a Apple planejarem o tempo de vida útil curto e programado de seus produtos a fim de posterior descarte e novo consumo em tempo curto, bem como o obsolescência perceptiva, entendida esta como o senso comum que induz ao consumo pelo marketing da aparência, do status, e do desejo (Afinal a maçã já foi mordida...) são grandes técnicas de consumismo e geração de lixo e consequente prejuízo emocional, social, econômico e ambiental.

Segue abaixo uma cronicazinha que mostra um pouco o alcance da notícia e o pouco que se sabe do tanto de informação e as "Marias-vão-com-as-outras" que replicam tais informações que parecem dar destaque ao ego e ao pertencimento capitalista.
"Dois amigos conversavam por volta das dez da manhã de quinta-feira (6) em um ônibus da linha 239, que liga o bairro de Água Santa ao Castelo, no centro da cidade. 
Um deles puxa o assunto da morte do Steve Jobs:

 - Você viu que o Steve Jobs morreu?

O outro diz:

 - E ele acabou de fazer um show no Rock in Rio...

O primeiro colega que havia iniciado o assunto responde:

 - Não, seu animal! Esse é o Steve Wonder. Quem morreu foi o Steve Jobs...o cara do Google! 
E o mesmo completa:
- Burro pra c#%@$&*!


Também vale a pena ler um ótimo texto de título Steve Jobs, o i God, sobre tudo isso que ocorreu de maneira bem mais profunda e crítica do que esse meu singelo texto. Veja no link:
http://ocontornodasombra.blogspot.com/2011/10/steve-jobs-o-igod.html

Jorge Tonnera Jr.
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