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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Família Gangsters - Reciclar Você

Descobri a pouco tempo essa banda através desse maravilhoso videoclipe. Ele mostra um dia de um catador de Materiais Recicláveis. É a história real de Marcelão, um catador de materiais recicláveis que passa o dia todo circulando pela cidade de São Paulo na busca por essas matérias-primas espalhadas. A letra é sensacional. Pura tradução da vida. É como ela diz: "Precisar, querer. Consumir, render. Trabalhar, reciclar você. Transformar, viver. Enfrentar e sempre semear". 




Acordar,

correr atrás dos ponteiros já não é de preocupar
Levantar, cair
Quem deu corda no tempo nunca teve que partir


Precisar, querer? Consumir render
Trabalhar... e ter que trabalhar
Reciclar você! Transformar viver
Enfrentar... Sempre semear...

O trânsito doente, a cidade em sua frente
Ele é só mais um atrasado
A fumaça da rotina, que resseca sua retina, escurece o outro lado

Mas enxergava a vida como um muro de sorte
Que com cores de artistas vira tela de arte

Vai tomando o seu caminho
Tempo é o vento, ele é o moinho
Cansado de se preocupar
Pensamentos em outro lugar

Entre prédios e avenidas
Sua mente acha saídas
Encontra sempre um bom lugar
Na presa ele vai devagar

Precisar, querer? Consumir render
Trabalhar... e ter que trabalhar
Reciclar você! Transformar viver
Enfrentar... Sempre semear... O BEM

Reciclar Você, transformar viver
Tomar partido da sua vida
Sua mente acha saídas

Composição: (letra e música por Felipe Gomide, Marcos Mossi, Pedro Lobo)

quinta-feira, 17 de março de 2011

Do lixo extraordinário ao extraordinário consumo

O dia do consumidor passou (até pra isso inventam data comemorativa), foi nessa semana, mas fica a questão do lixo.

Assisti o Documentário "Lixo Extraordinário", de Vik Muniz, na empresa em que trabalho, bem antes de estrear no cinema e do Oscar. Quem ainda não assistiu, adianto que vale a pena. É o tipo de documentário que dá vontade de querer saber e ver mais após o término.

O documentário começa e termina com uma parte do Programa do Jô. O apresentador convida o artista Vik Muniz para falar da sua arte.
A história dos catadores com a arte que advém do subjetivo desuso e conceito da inutilidade é uma junção muito feliz.

A vida de fato surge dos rejeitos. Se formos reparar como a natureza funciona é necessário a existência dos resíduos para a continuidade da matéria viva. Quando uma planta nasce ela necessitou de resíduos que se tornaram nutrientes do solo, e quando esta morrer se tornará resíduo capaz de manter uma outra planta. No caso do Lixo extraordinario, de fato é o que aconteceu. Famílias brotaram daquele aterro, a partir dos resíduos. Muitas vezes eles que se confundiram com o lixo agoram são a arte.
O documentário termina parecido como começou...com o Programa do Jô, porém dessa vez o convidado é um dos catadores. O apresentador faz a saudação apresentando o Tião Santos como catador de lixo, e este faz uma pausa pedindo licença, e conserta o que o Jô disse: "Não somos catadores de lixo. Nós catamos materiais recicláveis"...e o filme termina assim.
Bom, embora o centro do filme seja o catador, muito mais que o lixo, o que é formidável, haja visto que quem gerou o lixo foi o homem e o catador ali representa as possibilidades do homem lidar com o lixo de outros homens, lidar com a recusa de outros homens e a manutenção e continuidade da vida, o filme é o retrato do dilema homem x resíduos de seu consumo moderno e dessa convivência num mundo de desperdícios e de cada dia lutar pelo consumo do seu pão de cada dia.
Ir até o Aterro Sanitário é ver o caminho inverso do nosso consumo e perceber que o que consumimos talvez seja muito para nós, ou pelo menos para uma parte da civilização que consome demais, ao contrário de outros.
Esta foi a obra de arte que mais gostei no documentário.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O lixo, o ano "novo" e a reciclagem

                                 Foto: site O Globo

  7 dias após show gratuito do cantor Roberto Carlos em Copacabana ter deixado 73 toneladas de resíduos, a Operação Réveillon 2010/2011 da COMLURB, retirou 610 toneladas de lixo das praias.

Com a intenção de um ano novo, pessoas foram para a praia mais famosa do Rio e se abraçaram, dançaram, pessoas com seus adereços e balangandãs beberam, comeram, mas... uma boa parte dos resíduos de suas coemmorações ficaram pelos espaços públicos como restos da vida, como o testemunho de um tempo que se foi, pois o chamado lixo, é algo inerente ao tempo, é um curto-circuito na vida, pois é matéria parada, parada no tempo. No entanto, o ano é novo, mas essa expressão da falta de respeito e da teimosia somada a falta de sensibilidade, já não é mais nova. E essa é uma questão de força de hábito, mas também muito de percepção, ou seja, como eu me vejo, como vejo a vida e as pessoas.

Para quem de vez em quando senta-se em uma praça de aliementação de shopping aqui no RJ, e tem um certo olhar atento ao entorno, já deve ter percebido que as pessoas já não mais levam suas bandejas com seus restos (papéis guradanapos, sobras de alimento, copos etc) para a lixeira. Terminam de comer e deixam as coisas em cima da mesa.

AINDA ESTAMOS FALANDO DE ANO NOVO, e os resíduos são componentes de nossa vida contemporânea. Possivelmente nesse ano de 2011 o maior Aterro de Lixo da América Latina, que fica localizado no estado do RJ, "fechará suas portas". Mas mesmo assim a vida tem que continuar, pois não paramos de ejetar resíduos de nossas vidas, principalmente a partir de nossas casas; e a vida tem que continuar inclusive para os catadores de materiais recicláveis do Aterro de J.Gramacho, que lá retiram sua sustentabilidade, ou seja, a capacidade de sustentar suas vidas e a de outras, seja a de suas famílias por intermédio do dinheiro que conseguem com a venda dos resíduos, seja a capacidade de sustentar nossa vida, por meio de manterem a roda dos resíduos funcionando através da desobstrução daquilo que não conseguimos aproveitar sendo transformados em coisas novas, diminuindo assim a pressão em cima dos serviços ecológicos que todos nós dependemos e usamos  e que geralmente não percebemos (questões de efeito estufa, qualidade de ar, de água, conservação de energia, aumento da vida útil do espaço do Aterro, extração de matéria etc).
O lixo é tudo aquilo que não mais tem como ser aproveitado de forma alguma para nada; já os materiais recicláveis são tudo aquilo que pode ser transformados, como bem disse o Catador de Material reciclável, Tião, no "Programa do Jô", para milhares de espectadores, os quais em sua maioria gostam de serem servidos, muitos dos quais são aqueles que deixam os seus resíduos de vida em cima da mesa dos shoppings e não assumem ou não imaginam, por ignorância (e ignorância significa ignorar algo), assim como os que jogaram os resíduos no chão, na praia, ou em outros "cantos" da vida.

Os resíduos, possuem um lado pedagógico muito grande, a respeito da capacidade humana criativa de transformar o passado em presente e manter um possível futuro. A vida, embora contínua seja, é cíclica, e a transformação de algo é belo, seja uma lagarta que vira borboleta até um plástico que é transformado em madeira. A vida não requer tanto asceticismo, mas com certeza necessita de cuidados fundamentais, e um deles é permitir que os ciclos da vida se movimentem e não parem. Poluição significa uma degradação da qualidade das coisas que movimentam componentes da vida e que muitas vezes alteram o ciclo da vida. Poluente  é algo no lugar errado (falando de uma maneira simples). Já Reciclagem significa manter o ciclo, manter a vida.

Que em 2011 possamos possibilitar a vida, que possamos servir à vida. Saibamos que é mais importante sustentar a vida do que ser sustentado.

Jorge Tonnera Júnior
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