Mostrando postagens com marcador v Spy v Spy. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador v Spy v Spy. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Chega um tempo...

Eclesiastes é um dos livros da Bíblia.
Eclesiastes ou Cohelet (no original hebraico) significa "Pregador". A palavra do "Pregador", ao mesmo tempo que é direta, é também questionadora, e é emblemática, sobretudo ao dizer logo nos primeiros versos que "Vaidade de vaidade, Tudo é vaidade".(Eclesiastes 1:2) Num primeiro momento esse livro presente no Antigo Testamento da Bíblia pode parecer um pouco negativista, mas uma leitura aprofundada nos leva a um mergulho, uma experiência filosófica fascinante. É a retrospectiva de um homem que tudo teve e tudo pode experimentar. Primeiro porque Eclesiastes possivelmente se refere à vida de Salomão (Rei de Israel), que usufruiu da sabedoria e conhecimento dado por Deus, mas que percorreu a maior parte da vida numa vida não muito proveitosa por ter se distanciado de preceitos do Deus único.

Ao dizer sobre vaidade ele fala sobre a falta de sentido nas coisas às vezes tratadas como proveitosas: prazeres como trabalho, beber, comer, realizações pessoais, conhecimento, sexo, dinheiro, e por isso mesmo exemplica como "correr atrás do vento". O texto toca em todos os temas que povoam a mente humana, mas que todas estas coisas quando longe de Deus perdem sentido de ser, ou seja, passam a ser vaidade, correr atrás do vento.

Ele vai falar que há tempo pra tudo, vai discorrer sobre a natureza, nossa semelhança com os demais seres vivos, inclusive nossa fugaz existência em relação a entropia. O pregador, ao questionar o caminho para realizar a vida e a felicidade, desmonta as ilusões que muitas pessoas têm em relação ao que a sociedade pode apresentar como ideal (riqueza, poder, ciência, prazeres, status social, trabalho etc). Ele diz em témino que “De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem.”(Eclesiastes 12:13). A realização da vida é estar com Deus, devolvendo a Deus a realidade de ser Deus, ou seja, o que for que fizeres tudo tem seu lugar em Deus, seja trabalho ou sexo, só há sentido em Deus, o momento presente se torna experiência da eternidade. Assim as coisas que fazemos tem sentido se estivermos existindo em Deus; é viver a partir de Deus, e que na verdade não devemos por os anseios humanos, atividades e as realizações, os nossos planos ou quaisquer coisas que sejam, na frente de Deus. Não há nada que o mundo possa oferecer de proveitoso sem Deus. Por isso Eclesiastes fala do cuidado para não se perder pelo caminho de um sonho de viver melhor e aproveitar a vida. Por isso a Salvação é implícita no texto, sendo o salvador o Deus que tudo sustenta e dá sentido a tudo. Ele é O Alvo Verdadeiro. É possível até que Eclesiastes seja um livro preparando o povo/leitor para entender as "bem-aventurados" de Jesus Cristo.

É uma experiência fantástica, sobretudo nesse início de ano, em que muitas coisas nos motivam a traçar planos, muitas vezes motivados a coisas que não valem a pena, ou que até escolhemos bem, mas quando desprovido do real sentido de todas as coisas não passam de vaidade.

Fazer a leitura desse texto é uma forma de me obrigar a confrontar-me com ele e assim confrontar-me com minha própria vida. O Eclesiastes nos permite destruir e construir. Ele destrói falsas concepções arraigadas a respeito de Deus e da vida de uma forma geral nos permitindo construir uma nova concepção.
Bom, há muitas coisas do que se falar de Eclesiastes, mas friso aqui os aspectos que considero mais importantes na minha experiência que tive com Deus neste livro. Eclesiastes não se esgota aqui, mas o aspecto da experiência do viver é o que gostaria de deixar.

Esse post eu pensei em colocar aqui após ler a letra de uma música de uma das minhas bandas preferidas, o v Spy v Spy, como o já citado aqui neste blog em outra ocasião.

A música "Comes a Time" é uma balada surf que prende e faz você viajar e relaxar. A letra me lembrou muito sobre Eclesiastes. Não sei se o autor se inspirou no livro Bíblico, até porque em um verso da música é cantado a frase "Toda a criação está gemendo", que por sinal se encontra na Bíblia.

Comes a Time (Chega um momento)
V.Spy V.Spy

Chega um momento
Em que as bebidas não funcionam
Chega um momento
Quando você não quer trabalhar

Emoções perdidas
Amontoam como torrões de terra
Bem, eu vejo que você está procurando
E esse caminho não funciona

Chega um momento
Quando as bebidas não funcionam
Chega um momento em que você não quer trabalhar
E sua vida é como um vapor
Ou uma nuvem de fumo

Chega um momento em que você quer saber a verdade
Rios que correm
Por milhões de anos
Sem consolo, em um mundo de medo

Portanto, estigo-os a pensar
Porque há ali eternidades
Toda a criação está gemendo
Porque o fim parece tão perto!

Chega um momento
Quando as bebidas não funcionam
Chega um momento
Quando você se sente como um idiota
E sua vida é como um vapor
Ou uma nuvem de fumo

Chega um momento, quando você quiser saber a verdade
Crianças estão chorando
E há medos desconhecidos
Emoções perdidas em mil lágrimas

Filosofias que crescem
E seus frutos estão lá também
Chega um momento
Quando você quer saber a verdade

Tradução: Pelizzon
http://www.vagalume.com.br


Assista "Comes a Time" do v Spy v Spy, música do álbum Fóssil.




OBS.: NÃO CONFUNDA O ECLESIASTES, QUE É UM LIVRO COMUM À BÍBLIA PROTESTANTE (EVANGÉLICA) E À CATÓLICA COM O ECLESIASTICO, QUE É UM LIVRO QUE SÓ SE ENCONTRA NA BÍBLIA CATÓLICA. ECLESIÁSTICO É UM LIVRO APÓCRIFO, POR ISSO NÓS PROTESTANTES NÃO RECONHECEMOS COMO PARTE DO CÂNON DA BÍBLIA. jÁ O ECLESIASTES É UM LIVRO RECONHECIDAMENTE BÍBLICO POR CRISTÃOS E JUDEUS EM GERAL.


Abraços

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Ecologia, rock e vida: Oils, Warumpi e Spys

Bandas australianas da década de 80, cujo sucesso percorreu os anos 90, ainda hoje ecoam nos meus ouvidos. Devido ao som, mas também à criatividade e sobretudo a honestidade, guardo essas bandas no coração. São minhas bandas preferidas. Ainda mais legal o fato delas falarem de ecologia em suas letras.

v Spy v Spy
O v.Spy v.Spy, ou Spy vs Spy, como ficou mais conhecido aqui no Brasil, surgiu em 81 na periferia de Sydney. A região por concentrar injustiças e criminalidade resultou
em uma banda de rock de opinião e cheio de energia. Jovens e surfistas entenderam o som mais consciente. Lançaram seu primeiro álbum de nome "Harry's Reasons?" em 86, contendo letras que abordaram temas sociais e políticos. O nome da faixa-título e álbum fala de um amigo (Harry), usuário e viciado em heroína. Os lançamentos seguintes mantiveram o pensamento contestador. Músicas como "Don't Tear It Down", que foi escrita em protesto a demolição de prédios históricos na cidade de Sydney. “Give Us Something” foi uma crítica dirigida a mídia - e “Injustice”, esta dedicada à arte aborígine (muito desvalorizada pela sociedade Australiana). "Sallie-Anne" foi sobre a morte de uma prostituta, e por aí vai, aprofundando-se em questões ecológica, racismo, os sem tetos, e a vida da sociedade. Em 88 foi a vez do álbum "Xenophobia (Why?)", em 89 gravaram "Trash The Planet".
A banda chegou a fazer uma turnê no Brasil onde descobriram que eram imensamente populares. Decidiram ficar no Brasil onde permaneceram até 1997. Eles são o tipo de caras que entendem que o planeta pode ser um lugar melhor para se viver.


Warumpi Band

A legendária banda Warumpi é uma banda aborígene de rock formada no início dos anos oitentano no assentamento aborígene da Papunya na região central do deserto do Território do Norte, o nome da banda deriva do mel local "formiga sonhando" localizado perto do assentamento. Os membros fundadores foram Sammy e Gordon Butcher, Neil Murray (único branco da banda) e o legendário e saudoso vocalista George Rrurrambu. A Warumpi Band escreveu, gravou e lançou a primeira canção de rock em uma língua aborígene "Jailanguru Pakarnu" (sair da cadeia), em 1983. Em 1984, o álbum de estréia foi lançado com "Blackfella / Whitefella", um verdadeiro hino. Músicas que falam de localidade, pertencimento à terra natal, cultura e problemas sociais como alcoolismo na sociedade aborígene foram presentes. Com o “Didgeridoo” e guitarra, Warumpi Band mostra do que a música e a cultura são feitas (de pessoas), independentemente de cor, credo, nacionalidade etc.

Midinight Oil

Como o Spy vs Spy e o Warumpi, o Midninight Oil é carisma puro. Suas letras falam de problemas políticos e sociais que continuam atuais. Em 86, filmaram o documentário "Blackfella / Whitefella", que traz as imagens da experiência vivida pela banda durante sua turnê em 1986 pelas tribos aborígines da Austrália Central a convite do legendário grupo aborígine The Warumpi Band, aliás duas músicas que surgiram nessa época foram marcantes para a banda: "Beds are Burning"(que fala da posse das terras aborígenes e sua devolução) e "The Dead Heart" que foi escolhida pelos próprios aborígenes e que fala do orgulho aborígene e sua cultura. Estão na linha de frente do movimento e é a banda que mais associou a própria imagem a causa ambiental. Considero eles como a banda mais "ecológica", em termos de causa. Para se ter uma idéia, o vocalista e frontman Peter Garret se tornou o atual ministro do meio ambiente da Austrália. Formada em 1977 na Austrália, o Midnight sempre apresentou letras de cunho politico-ecológico, musicalmente calcadas nitidamente no punk e new wave. O espírito punk e a sensibilidade deles bem como do Spy me emocionam...a música “Blue Sky Mine” foi inspirado no livro de Ben Hills, que fala da triste realidade de uma mina e a condição de vida dos trabalhadores. "Truganini" é um emocionado tributo para a última aborígene da Tasmânia (presa numa corrente e posta como item de museu vivo, ela morreu após uma greve de fome no começo do século XX). "Forgotten Years" fala das mortes na 2ª Guerra Mundial.Na ocasião do acidente do petroleiro Exxon Valdez, na costa do Alasca a banda encontrava-se em Nova York, e improvisou um show na frente da sede da petrolífera Exxon. Depois lançaram um documentário chamado “Black Rain Falls”, gerando fundos para o Greenpeace. Aliás Peter Garrett já chegou a assumir uma espécie de cargo no Greenpeace. Em uma das suas passagens para shows pelo Brasil, se não me engano, protestaram com máscaras de gás contra a poluição do ar da cidade. “The Oils”, sempre foi considerada a banda mais politizada da Austrália e talvez do mundo. Isso acabou influenciando a banda Green Day (Banda punk rock dos anos 90, que aliás eu gosto muito e faz parte das minhas preferidas), quando um amigo tocou para Billie Joe Armstrong (vocalista do Green Day) uma música do Midnight Oil, uma lâmpada surgiu na cabeça de Billie. Daí foi um passo para "American Idiot", o álbum que fez o Green Day explodir novamente e ser considerada hoje uma banda altamente politizada.

Seja viajando, seja fazendo uma trilha, ande na praia ouvindo essas bandas e viaje mais ainda.

Abraços sonoros e pacíficos,

Jorge Tonnera Jr.


Aloha e amém
Jesus Vive!!!!!!!!!!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...